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segunda-feira, 26 de maio de 2025

Parabéns APS!

Nicolas Poussin, L'Inspiration du Poete (Séc. XVII, Museu do Louvre, Paris)
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Com votos de muitas felicidades e de muitos anos de vida!
E um bolo
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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Nossa Senhora da Assunção

Oficina de Notthingham, Assunção da Virgem (séc. XV, Museu Nacional de Arte Antiga)
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Mestre Desconhecido, Assunção da Virgem do Políptico flamengo de Celas (1512-1525, Museu Nacional de Machado de Castro)

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Pietro Perugino, Pala Di Corciano (Assunção de Maria) (1513)
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Paolo Veronese, Assunção (1558, Basilica dei Santi Giovanni e Paolo)
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Nicolas Poussin, L'Assomption de la Vierge (1649-1650, Musée du Louvre, Paris)
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Nossa Senhora da Assunção (séc. XVII-XVIII, Arquidiocese de Évora)
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Francisco, Nossa Senhora da Assunção (séc. XIX, Museu dos Biscainhos)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Um desabafo I - Sobre a existência, a mudança e a banalização

Caspar David Friedrich, Ein Spaziergang in der Abenddämmerung (A Walk at Dusk) (ca. 1830-35, J. Paul Getty Museum)
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Ontem, no Arpose, surgiu uma citação de Charles Péguy (1873-1914), que diz: «Quarenta anos é uma idade terrível. Porque é a idade em que nos transformámos naquilo que somos.»

Independentemente da interpretação que se faz da frase, ela deixou-me a pensar, porque eu já tenho 45 anos. E já mudei tanto que me sinto por vezes como a Alice:
'Who in the world am I?' Ah, that's the great puzzle!” 
Joaquín Sorolla, Paisaje, San Sebastián (1911. Museo Sorolla, Madrid)

Numa coisa estou certa: os meus gostos mudaram com o tempo. Há gostos que mantenho desde há anos, desde que me lembro de mim. Para mim Michelangelo e Leonardo da Vinci permanecem duas referências no meu universo estético e cultural. Continuo a admirar Kant e Voltaire. Continuo a gostar muito de Eça de Queiroz. Continuo a ter os Direitos do Homem como referência ética.

Mas há gostos que já não tenho, em grande medida devido ao excesso provocado pela internet. Outro dia li uma frase de Umberto Eco, recentemente falecido, que dizia:
"A informação banaliza os acontecimentos. Dou um exemplo: a primeira vez que se viram na televisão imagens de uma criança negra cheia de fome e com moscas a rodeá-la foi um momento marcante, só que agora já ninguém lhes liga devido à vulgarização. Alguém no outro dia proibia a divulgação de imagens dessas crianças negras com moscas à volta porque a sua repetição era perigosa. As pessoas habituam-se."
Esta citação, para mim, tem pelo menos duas leituras. Por um lado, o facto de eu confirmar (através da opinião deste homem, que também sempre admirei) que o excesso de informação banaliza a informação. É uma das razões porque sou contra o excesso de violência na televisão, nos video-jogos (sobretudo os realistas) e nos filmes.


Doutro ponto de vista, mais alegre, esta citação de Eco faz-me pensar na banalização da arte e da cultura, através da repetição abusiva de imagens ou músicas, na televisão, na rádio e na internet (entre outros meios de comunicação), desgastando a capacidade de nos emocionarmos.

Carl Larsson, Kurragömma (Hide and Seek) (1901)

Contudo, em contrapartida, tenho descoberto outros artistas que me vão ao encontro da alma. Talvez porque eles são menos divulgados, ou talvez porque eu própria tenho mudado.
Dentro das artes visuais, continuo a não ser fã de Picasso e Dali. No entanto, cada vez gosto mais de Poussin e Seurat.
Já não aprecio tanto Monet como antes, mas Sorolla e Carl Larsson são, de momento, uns dos meus pintores preferidos.
Outros artistas permanecem nas minhas preferências, como é o caso de Vermeer, Rembrandt (embora já muito banalizado), Friedrich, Klee, Kandinsky e Miró.

Nicolas Poussin, Landscape with a Calm (1650 - 1651, Getty Center)

No conjunto, acho que há um fio condutor em mim que permanece. Continuo a adorar a arte e a natureza, a espiritualidade, a filosofia, a mitologia, a fantasia e a imaginação.
Porém, outras coisas mudaram (ou evoluíram), desde as mais complexas até às mais prosaicas. Por exemplo, descobri agora, com esta idade, que até gosto de gelatina.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

A propósito do tempo (ou de como aproveitá-lo)

Nicolas Poussin, Danse à la musique du Temps (1634, Wallace Collection, London)
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Só neste Verão, que passou, comecei a dizer aos meus filhos que eles tinham de aprender a estar aborrecidos. As razões devem-se ao facto de começar a ficar impressionada com a maneira como eles acham que tudo tem de ser divertido e interessante, uma espécie de parque de diversões contínuo. Pela primeira vez em dez anos de ser mãe, achei que eles precisavam de aprender a ter paciência para lidar com os momentos menos interessantes, sobretudo quando era necessário. 
Não me interpretem mal, não acho que seja obrigatório estar aborrecido, só julgo que é útil saber (aprender a) lidar com o aborrecimento, com o tédio, no fundo, aprender a ter paciência. E até se pode aproveitar esse tempo para parar e olhar (escutar, sentir, ...) o mundo à nossa volta - e até, porque não, descobrir algo sobre nós próprios de que não nos aperceberíamos se estivéssemos em perpétuo movimento.
Ontem descobri um texto, de um psicólogo Adam Phillips, que ia nesse sentido. Sobre uma consulta com uma criança, a certa altura ele diz:

«But at one point, more direct than I intended to be, I asked him if he was ever bored. He was surprised by the question and replied with a gloominess I hadn’t seen before in this relentlessly cheerful child, “I’m not allowed to be bored.” I asked him what would happen if he allowed himself to be bored, and he paused for the first time, I think, in the treatment, and said, “I wouldn’t know what I was looking forward to, ” and was, momentarily, quite panic-stricken by this thought.»
Cf. https://www.brainpickings.org/2014/06/19/adam-phillips-boredom/


Luc Tuymans, Silent Music (1992)

Fui então consultar outros links do mesmo (e excelente) blogue Brain Pickings de Maria Popova e encontrei outros artigos interessantes. Num, que se refere a Alan Watts, trata sobre a importância de viver no presente, de não estar constantemente a projectar-se no passado ou a planear o futuro, o que também vai no sentido de ter calma, ter paciência:

«But the future is still not here, and cannot become a part of experienced reality until it is present. Since what we know of the future is made up of purely abstract and logical elements — inferences, guesses, deductions — it cannot be eaten, felt, smelled, seen, heard, or otherwise enjoyed. To pursue it is to pursue a constantly retreating phantom, and the faster you chase it, the faster it runs ahead. This is why all the affairs of civilization are rushed, why hardly anyone enjoys what he has, and is forever seeking more and more. Happiness, then, will consist, not of solid and substantial realities, but of such abstract and superficial things as promises, hopes, and assurances.»
Cf. https://www.brainpickings.org/2014/01/06/alan-watts-wisdom-of-insecurity-1/

Carl Larsson, Playing Scales

No mesmo sentido, se insere o texto de Anna Quindlen:

«Life is made up of moments, small pieces of glittering mica in a long stretch of gray cement. It would be wonderful if they came to us unsummoned, but particularly in lives as busy as the ones most of us lead now, that won’t happen. We have to teach ourselves how to make room for them, to love them, and to live, really live.»
Cf. https://www.brainpickings.org/2014/03/11/a-short-guide-to-a-happy-life-anna-quindlen/

Claude Lorrain, The Dance Of The Seasons

Certamente há coisas que temos de planear. Conhecer o passado é necessário para termos consciência da nossa realidade. Fazer planos para o futuro é importante para termos noção do que temos de fazer. Mas também é preciso parar e respirar fundo, sentir o presente. Também há que aprender a não estar sempre a correr, a desejar algo que não se tem ou a lamentar algo que se perdeu. 
Deve haver tempo para termos paciência (e por vezes estar aborrecidos) e deve haver tempo para nos divertirmos. Deve haver tempo para fazer o nosso dever, mesmo que seja aborrecido, ou cansativo (e por vezes temos de acelerar o passo). 
Defendo, sobretudo, que haja equilíbrio. E às vezes tenho uma certa inveja do tempo lento da vida antes da Revolução Industrial...

Alan Watts também escreveu:

«To understand music, you must listen to it. But so long as you are thinking, “I am listening to this music,” you are not listening.»
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Já agora, os "bolds" nas frases são meus...
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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Música e Pintura - No Dia de Santa Cecília

«Painting is the silence of thought and the music of sight.»
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Orhan Pamuk.
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Rafael, Estasi di santa Cecilia (c. 1514, Pinacoteca Nazionale, Bologna)
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Guido Reni, Santa Cecilia (1606, Norton Simon Museum)
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Carlo Saraceni, Saint Cecilia and the Angel (c. 1610, Galleria Nazionale d'Arte Antica, Rome)
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Bernardo Strozzi, St Cecilia (1620-25, Nelson-Atkins Museum of Art, Kansas City)
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Antiveduto Grammatica, Santa Cecília (séc. XVII, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa)
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Nicolas Poussin, Sainte Cécile (1627-1628, Museo del Prado, Madrid)
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John William Waterhouse, Saint Cecilia (1895, The Montreal Museum of Fine Arts)
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NOTAS:
Vem este post a propósito de hoje ser o Dia de Santa Cecília. Aprecio bastante as pinturas com este tema e daí a minha escolha. Também me interesso sobre as relações entre a música (arte temporal e ligada ao sentido da audição) e a pintura (arte espacial e ligada à visão).
Mas, à medida que fui construindo o post fiquei com diversas questões por resolver, cuja pesquisa ficará para outra oportunidade. Entre elas, registo duas:
1ª. Porque é que há tantas representações de Santa Cecília na pintura do séc. XVII, sobretudo na Itália?
2ª. Há duas obras que parecem estar duplicadas: A de Strozzi que parece ter uma gémea, de 1625, na Galeria dos Uffizi (Link); a de Grammatica que tem a sua gémea no Kunsthistorisches Museum de Viena, datada de 1620-25 (Link). Serão réplicas dos próprios autores?