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quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

A Quinta de Santana

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Julgo que já aqui mencionei a quinta dos meus avós paternos, no Redondo. Arranjei agora esta fotografia da casa, que foi tirada pela minha mãe, há uns 40 anos. 
A quinta ficava a um quilómetro do Redondo, que era a terra da minha avó paterna. Tenho pensado muito na quinta, porque, apesar de nem sempre ter sido um paraíso, tenho saudades. Saudades do espaço em volta, que era bastante grande, onde havia um pomar, um jardim, oliveiras e vinhas. Saudades das noites onde se viam as estrelas e a via láctea, como nunca mais as vi. Ou do pôr do sol que também era lindíssimo, assim como as flores silvestres que cobriam o chão na Primavera. Até tenho saudades das galinhas, a quem eu me fartava de dar milho sempre que tinha ocasião. Saudades da D. Antónia Rosa, vizinha da minha avó. E, claro, sobretudo, saudades dos meus avós. 
Costumava ir para a Quinta sobretudo no Verão e no Natal. No Natal a minha avó fazia um presépio grande, com muitas figuras e musgo, onde o Menino Jesus só entrava na noite de 24 de Dezembro. Havia também a lareira, junto da qual eu gostava de me sentar.
Mas outro dia lembrei-me da minha avó por outro motivo bem diferente. É que no Carnaval, pelo menos uma vez (e se a memória não me engana) ela fez uns bolos recheados de algodão, para fazer uma partida ao meu avô. Mas isso, foi na casa de Lisboa, que ficava na Rua Carlos Mardel, perto da Alameda.
Não sou muito saudosista, mas gostava que os meus filhos pudessem ter usufruído de uma quinta como a Quinta de Santana, que os meus avós tiveram de vender, há já bastante tempo.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

No dia 2 de Novembro...

...Lembro os meus avós e a minha Tia Avó - que seguem aqui por ordem cronológica de nascimento.
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A Tia Alda, nascida em Fevereiro de 1898. Era irmã da minha avó e vivia com ela, pelo que passei a minha infância muito tempo com ela.

Fotografia tirada pela minha mãe em 1974.
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Ganhou a 3ª menção honrosa no Concurso Literário de “Conclusões e Respostas” da Revista Modas & Bordados, com a “ Novela…quasi- trágica” , tendo assinado com o pseudónimo “Tojos e rosmaninhos”. Publicada em de Junho de 1941.
Ganhou o 1º Premio do “ Conto de Natal”, no Concurso Literário de "Conclusões e Respostas" da Revista Modas & Bordados, publicado em 22 de Dezembro de 1943, intitulado “A história da avozinha”.
O conto romântico “ Casamento e mortalha no Céu se Talha” foi premiado no Concurso Literário de "Conclusões e Respostas" da Revista “ Modas & Bordados” e publicado em Junho de 1943.
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O meu avô João, nascido no Ribatejo, em Dezembro de 1901.
Novembro de 1943 - In Três Gerações.
Fotografia tirada pela minha mãe em 1978.


O meu avô, João de Almeida Júnior, dirigiu uma editora denominada «Edições Excelsior», tendo publicado importantes livros sobre arte portuguesa e literatura.
1946 - João Barreira, Arte Portuguesa.
1946 - Aquilino Ribeiro, Camões e o Frade da Ilha dos Amores.
1951- João Barreira (Direcção), Arte Portuguesa: As Artes Decorativas.
1951 - João Couto, Aspectos Actuais do Problema do Tratamento de Pinturas.
1951 - Diogo de Macedo, Cadernos de Arte.
1952 - Diogo de Macedo, Francisco Metrass e António José Patrício.
1961 - Jorge Segurado, Francisco d'Olanda.
1961 - Ernesto Soares, A Ilustração do Livro (Séculos XV a XIX).
c. 1970 - Jorge Segurado (Direcção), Lisboa no Passado e no Presente.
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A minha avó Fernanda, nascida em Lisboa, em Setembro de 1905.
1987
Pintura de Fernanda Matos e Silva, Quinta do Alperce (1939)

Fernanda Noémia de Mattos e Silva, pintora, escritora e cantora lírica.
Estudou pintura com Raquel Roque Gameiro. Participou em diversas exposições de pintura na Sociedade Nacional de Belas Artes, tendo ganho menções honrosas.
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O Avô José, nascido em Maio de 1920

Natural do Alentejo, foi funcionário das Finanças, foi também poeta e escreveu para o jornal do Fundão, sob o pseudónimo de Pad'Paula.
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A Avó Matilde, nascida em Setembro de 1922 (?)



Natural do Redondo, foi professora primária e do antigo Ciclo Preparatório, tendo dado aulas de francês na Escola Nuno Gonçalves, em Lisboa.


terça-feira, 21 de junho de 2016

O meu pai completa hoje 70 voltas ao Sol :-)

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Lisboa era assim...
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Mas o meu pai nasceu em Cabeção (Mora)
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E, como o meu avô trabalhava nas finanças e a minha avó era professora primária, o meu pai andou um pouco por todo o lado em Portugal (Fundão, Leiria, ...). Creio que os meus avós vieram viver para Lisboa só na década de 60 (tenho de perguntar ao meu pai).
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No livro Castanhas da Gardunha (1950), o meu avô dedicou-lhe um poema, que começa deste modo:

Eu tenho um filho pequenino,
Muito ratão, muito ladino,
Corpo gorducho, loiras estrigas,
Que ainda gatinha pelo chão,
Mas o maroto - ai que ladrão ! -
Já pisca o olho ás raparigas.
(...)
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O Sporting era assim:
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Nesse ano (1946), Sartre, nascido também a 21 de Junho, mas de 1905, publicou o livro L'existentialisme est un humanisme onde afirmou:

«Le choix est possible dans un sens, mais ce qui n'est pas possible, c'est de ne pas choisir. Je peux toujours choisir, mais je dois savoir que si je ne choisis pas, je choisis encore.»
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Entre outras canções, ouvia-se esta:

quinta-feira, 26 de julho de 2012

«Os meus avós»

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Há dias de sol em que estou contente,
Vou com a minha avó comer gelado.
Ela dá-me a mão e ri-se para mim,
E diz: «Estás tão giro! Quero ir ao teu lado!»
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Há dias de Inverno em que estou mais triste,
Vou jogar às cartas com o meu avô.
Ele diz: «Tu tens jeito!», e ensina-me truques...
Quando vou embora, já nem triste estou.
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Às vezes, nas férias, eu vou lá para casa,
Ando de baloiço e subo à nespereira,
Passo horas no sótão, fico todo sujo...
A minha avó ri-se e diz: «Já p'rá banheira!»
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Nos dias de festa, encontro os meus primos,
E o meu avô vem connosco bricar.
Ele diz com voz grossa: «Eu sou um pirata!»
E nós, logo, em coro: «O maior do alto mar!»
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Os meus avós contam histórias antigas,
Conversam comigo, dão-me rebuçados.
Se estou triste, ajudam, se estou bem, sorriem.
Conto os meus segredos, ficam bem guardados.
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Os meus avós gostam de mim como eu sou,
Desde que eu nasci... No primeiro instante!
Podem estar mais longe, podem estar mais perto...
Eu sei que, p'ra eles, sou muito importante!
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Inês Pupo e Gonçalo Pratas, Canta o Galo Gordo, Lisboa, Caminho, 2006.

domingo, 17 de junho de 2012

Alpedrinha

José Serra da Mota, A serra (Alpedrinha) (1927, MNAC).
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Luciano Santos, Campos de Alpedrinha (1939, MNAC).
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 José Barata Moura, Pelourinho de Alpedrinha (1978, Museu Francisco Tavares Proença Júnior).
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Nunca fui a Alpedrinha, mas os meus antepassados eram de lá.
O meu avô, José de Campos Rodrigues, era filho de José Maria Campos, por sua vez filho de Joana Rita Pais (do Amaral), que nasceu em Alpedrinha, em 1841. O avô dela, José Pedro Paes do Amaral, era também dessa terra e era filho de Leonardo Paes do Amaral, nascido em 1730, em Fundões (Viseu), e que se estabeleceu em Alpedrinha porque casou com uma alpetrinense (informações transmitidas por Lídia Campos Rodrigues).
Gosto muito de conhecer os meus antepassados e talvez um dia visite Alpedrinha. Para já ficam as pinturas que encontrei no Matriznet e uma citação que vem a propósito:

«The past is not dead, it is living in us, and will be alive in the future which we are now helping to make.» 
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segunda-feira, 14 de março de 2011

Pensando na minha avó Matilde

Hoje, no meu calendário, reparei que era dia de Santa Matilde, o que me fez lembrar a minha avó Matilde, que morreu no dia 19 de Março de 2004.

 Lembrei-me dela, do Alentejo, da Quinta de Santana no Redondo.
Lembrei-me das rosas lindíssimas que existiam na Quinta.
 E lembrei-me que, entre as suas muitas qualidades, a minha avó bordava.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Ao meu avô (1920-2009)

Deus ao riscar o Sol teceu um verso.
E fez outro ao tirar a luz á sombra.
E outro dando ao vento um ar disperso
De fúria solta que a gemer se escombra.
E Deus compôs um verso em cada flor,
E muitos outros mais ao desenhar
As sombras imprecisas e sem cor
Que a gente vê em noites de luar.
E Deus rimou um verso, e a sorrir
Fez o verso maior da nossa alma...

Versos feitos por Deus no nascimento
do mundo em que vivemos, versos velhos,
que encheram o Antigo Testamento
E que se podem ler nos Evangelhos,
Foi com certeza um antigo asceta
Que ao juntar-vos as rimas algum dia
Se descobriu a si como Poeta
E revelou ao Mundo a Poesia...
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(...)
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Poema de José Campos Rodrigues (Pad' Paula), ed. 1950.

domingo, 7 de setembro de 2008