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quinta-feira, 20 de julho de 2023

Toponímia IV

Eduardo Portugal, Rua da Judiaria, cerca moura (1949, Arquivo Municipal de Lisboa)
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«No século XVI, (...) havia dentro de Lisboa, certos pequenos conjuntos de ruas e moradas, a que chamavam vilas. Assim havia:

Vila Nova de Andrade,
Vila Quente,
Vila Nova que foi Judiaria, etc.,
Correspondendo ao que também chamavam bairros, tais como:

Bairro Alto,
Bairro do Marquês (de Vila Real),
Bairro de D. Henrique (de Noronha), etc.
e também arrabaldes:

Arrabalde de Nossa Senhora do Monte,
e ainda campos:

Campo da Trindade,
Campo de Sta. Clara,
Campo do Curral, etc.»
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A. Vieira da Silva, «Origens e motivos dos topónimos de Lisboa», in Olisipo, N.º 47, Julho de 1949, pp. 154-155.

quinta-feira, 22 de junho de 2023

Toponímia III


Eduardo Portugal, Registo de santos representando São Marçal e Santo António (Março de 1949, Arquivo Municipal de Lisboa)
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«Além dos motivos citados que originaram muito topónimos da cidade, houve, desde os princípios da nacionalidade, uma outra origem mui importante, dos nomes de vários locais e vias públicas.
Eram os edifícios religiosos, igrejas, conventos, ermidas, cruzes e outros símbolos cristãos (…).
A muitas vias públicas que no decorrer do tempo se foram abrindo nas cercas dos conventos, à medida que a área de Lisboa se ia aumentando e urbanizando, foram dados os nomes das imagens que nos altares das igrejas se veneravam.

Tal é a origem dos nomes das ruas:
Dos Remédios,
De S. Bernardo, etc.,

e das travessas:
De Sto. Ildefonso,
De Sto. Amaro,
De Sta. Gertrudes,
De S. Plácido,
De Sta. Escolástica,
De Jesus, Maria, José, etc.»
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A. Vieira da Silva, «Origens e motivos dos topónimos de Lisboa», in Olisipo, N.º 47, Julho de 1949, p. 151.

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Na Avenida Almirante Reis

Eduardo Portugal, Avenida Almirante Reis (antes de 1939, Arquivo Municipal de Lisboa)
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«(…) no cimo da subida, já na nova avenida, primeiro dos Anjos, depois de D. Amélia e agora Almirante Reis, o grande prédio, tendo uma enorme palmeira com uma cobra enrolada no tronco, emblema da farmácia, propriedade do farmacêutico João Bezelga, cujas excentricidades a anedotas ainda hoje são lembradas. Era este farmacêutico autor dum livro de versos “As canções da Arada”, publicado em 1903 e dedicado ao Prof. Custódio Cabeça. Desse livro não resisto a reproduzir aqui os seus primeiros versos, de mais a mais porque têm sabor lisboeta, visto terem sido feitos a Santo António e para as festas da noite do mesmo Santo na demolida Praça da Figueira:

Milagroso Santo António
Fazei-me o milagre a mim,
Trazei-me de lá dos Céus
Um bigodinho… sim?

Não quero com grandes barbas
Causar medo à namorada,
Não quero que me confundam
Com algum ladrão de estrada.

Não quero pêra comprida
Que me assemelhe a algum bode,
Não quero mosca atrevida,
O que eu quero… é um bigode».
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Eduardo Augusto da Silva Neves, «Do Sítio do Intendente», in Olisipo, N.º 50, Abril de 1950, pp. 73-74.