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David Davies, From a distant land(1889, Art Gallery of New South Wales, Sydney)
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“Travel is fatal to prejudice, bigotry, and narrow-mindedness, and many of our people need it sorely on these accounts. Broad, wholesome, charitable views of men and things cannot be acquired by vegetating in one little corner of the earth all one's lifetime.”
Numa canção dos DAMA com Gabriel o Pensador, a certa altura este diz uma frase de que gostei muito:
"Sorriso dividido é sorriso dobrado"
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Quando eu era miúda ouvi muitas vezes uma outra frase, um pouco lamechas, mas que ainda acho que é verdade:
"Sorri ainda que o teu sorriso seja triste.
Porque mais triste que o teu sorriso,
É a tristeza de não saber sorrir"
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(há 45 anos, a minha família materna, com excepção da minha avó que era a fotógrafa: avô João, tia Alda, Mafalda, tio João Fernando, eu, o meu pai, a minha mãe, a tia Mila e a Fernandinha)
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(a minha mãe, há alguns anos)
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Por isso aqui fica uma colecção de sorrisos. De preferência, daqueles genuínos, que vêm da alma, que se notam no olhar, que não se importam se estão bonitos ou feios (na fotografia), ou quantos dentes (já ou ainda) têm ou não têm.
Alan Lee, Fangorn (em 'The Lord of the Rings Sketchbook')
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"When we are writing, or painting, or composing, we are, during the time of creativity, freed from normal restrictions, and are opened to a wider world, where colors are brighter, sounds clearer, and people more wondrously complex than we normally realize.''
Ao escolher esta citação ilustrada por este desenho, voltou-me à mente a questão sobre a relação entre criar e interpretar aquilo que já foi criado. Independentemente de ser possível criar a partir do "nada", julgo que quando se interpreta, faz-se uma recriação. Porque dificilmente as pessoas interpretam o que vêm, ouvem ou lêem da mesma forma. Existem as linhas principais definidas pelo artista ou escritor que criou, mas quando alguém tenta traduzir para outra língua, ou ilustrar, ou tornar em filme, ou cantar (no caso de ser uma música), ou mesmo ler e reflectir sobre o que leu ou ouviu, acaba por colocar algo de si naquilo que já foi criado.
C.S. Lewis escreveu: “No story can be devised by the wit of man which cannot be interpreted allegorically by the wit of some other man.”.
Ralph Waldo Emerson afirmou igualmente : "É o bom leitor que faz o bom livro; em cada livro, ele encontra trechos que parecem confidências ou apartes ocultos para qualquer outro e evidentemente destinados ao seu ouvido; o proveito dos livros depende da sensibilidade do leitor; a ideia ou paixão mais profunda dorme como numa mina enquanto não é descoberta por uma mente e um coração afins."
Persons attempting to find a motive in this narrative will be prosecuted; persons attempting to find a moral in it will be banished; persons attempting to find a plot in it will be shot.
Este tema liga-se a outros que considero relacionados. Por exemplo, a maneira como Alan Lee interpretou Perudur, Son of Efrawg - The Mabinogion. O pouco que li dessa história parece ser bem mais dramático do que a imagem sugere:
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Por fim, outro ponto de vista, para mim mais inovador, corresponde há maneira como Deleuze entende que deve ser uma aula:
Giorgio de Chirico, The Mathematicians (1917, Museum of Modern Art, New York)
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«We could use up two Eternities in learning all that is to be learned about our own world and the thousands of nations that have arisen and flourished and vanished from it. Mathematics alone would occupy me eight million years.»
Mikalojus Ciurlionis, The Thought (1904, Memorial Museum of M.Ciurlionis, Kaunas)
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Durante muito tempo, considerei que era a criatividade que nos tornava a nós, humanos, seres diferentes dos outros animais. Contudo, penso agora que, apesar de a criatividade ser (na minha opinião) muito importante, a memória é mais essencial. Só com o desenvolvimento da memória, nomeadamente depois da invenção da escrita e de outras formas de registo (desenho, pintura, fotografia, tipografia, informática, ...) é que conseguimos ir acumulando conhecimento. Esse conhecimento crescente e cada vez mais abrangente é que nos permite também desenvolver a criatividade. A memória por isso deve ser preservada, quer a memória histórica, ao nível da humanidade em geral, quer a memória pessoal e individual. Que seríamos nós sem memória? Assim como escreveu António Damásio:
«We all woke up this morning and we had with it the amazing return of our conscious mind. We recovered minds with a complete sense of self and a complete sense of our own existence — yet we hardly ever pause to consider this wonder.».
Sem memória (ou consciência auto-biográfica) todos os dias teríamos de recomeçar do zero, repetindo quando muito acções instintivas e que estivessem guardadas no nosso código genético (que também é uma forma de memória, não consciente). Porém, no limite, tanto o desenvolvimento da memória como o da criatividade requerem a criação de um sistema de comunicação com alguma complexidade, que permite transmitir aos nossos semelhantes o conhecimento adquirido.
É certo que há outros animais com boa memória, mas o nosso cérebro, na sua evolução, conseguiu levar essa capacidade a um patamar mais elevado. Não deixa de ser verdade, porém, que a falta de memória, se não for excessiva, também pode ter as suas vantagens, pois como disse Nietzsche: «The advantage of a bad memory is that one enjoys several times the same good things for the first time.»; ou Mark Twain: «A clear conscience is the sure sign of a bad memory.»
«The secret of getting ahead is getting started. The secret of getting started is breaking your complex overwhelming tasks into small manageable tasks, and then starting on the first one».
Behmer Hermann Fenner,De Quoi Ecrire (uploaded by Artmight).
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«The time to begin writing an article is when you have finished it to your satisfaction. By that time you begin to clearly and logically perceive what it is you really want to say».