Carl Spitzweg, Ash Wednesday (1860, Staatsgalerie Stuttgart, Estugarda)
Este blogue é pessoal e sem fins lucrativos. Se sentir que eu estou a infringir os seus direitos de autor(a) agradeço que me contacte de imediato para eu remover o referido conteúdo: elias.margarida@gmail.com / This blogue is a non-profit and personal website. If you feel that your copyright has been infringed, please contact me immediately: elias.margarida@gmail.com
Mostrar mensagens com a etiqueta Carl Spitzweg. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Carl Spitzweg. Mostrar todas as mensagens
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
quarta-feira, 10 de agosto de 2022
quarta-feira, 27 de abril de 2022
Afinidades LXXIII
Carl Spitzweg, The Bookworm (c. 1850, Museum Georg Schäfer, Schweinfur)
-
Georg Reimer, Librarian (In a Library (1850-1866, Museu Nacional de Varsóvia)
quarta-feira, 18 de maio de 2016
Bibliotecas e colecções - no Dia dos Museus
Giovanni Paolo Panini, Interior Of A Picture Gallery With The Collection Of Cardinal Silvio Valenti Gonzaga (1740)
-
Do texto de Walter Benjamin, «Unpacking My Library. A Talk about Book Collecting», de 1931, cuja leitura me foi recomendada, retirei alguns pontos que achei mais interessantes.
O texto pode aplicar-se não só às colecções de livros, mas às colecções em geral. E achei curioso o facto de muito do que foi dito por Benjamin se aplicar a algumas pessoas que conheço que fazem colecções (nomeadamente de livros).
Benjamin refere o valor afectivo da colecção, nomeadamente pelo facto de se relacionar com a memória e história ligada a cada objecto:
«(...) tide of memories which surges toward any collector as he contemplates his possessions. Every passion borders on the chaotic, but the collector's passion borders on the chaos of memories. (...) For what else is this collection but a disorder to which habit has accommodated itself to such an extent that it can appear as order? (...) And indeed, if there is a counterpart to the confusion of a library, it is the order of its catalogue.»
Se neste trecho ainda se coloca a dualidade ordem (catálogo, inventário, ...) / desordem, noutras passagens é a carga emotiva que vem ao de cima:
«(...) for a true collector the whole background of an item adds up to a magic encyclopedia whose quintessence is the fate of his objects. (...) One has only to watch a collector handle the objects in his glass case. As he holds them in his hands, he seems to be seeing through them into their distant past as though inspired. (...)»
Jan Steen, Little Collector (1663-1665)
Há há algo de mágico numa colecção, um renascer: «(...) to a true collector the acquisition of an old book is its rebirth. (...)». Ou uma libertação:
«On the other hand, one of the finest memories of a collector is the moment when he rescued a book to which he might never have given a thought, much less a wishful look, because he found it lonely and abandoned on the market place and bought it to give it its freedom - the way the prince bought a slave girl in The Arabian Nights. To a book collector, you see, the true freedom of all books is sometwhere on his shelves.»
Carl Spitzweg, The Book Worm
No que respeita mais aos livros, Benjamin faz duas afirmações que achei curiosas, mas fazem todo o sentido. A primeira é que escrever é um acto ligado à necessidade de criar algo que não existe e que se necessita: «(...) Writers are really people who write books not because they are poor, but because they are dissatisfied with the books which they could buy but do not like.(...)» A outra é que coleccionar livros não é sinónimo de lê:los:
«(...) the non-reading of books, you will object, should be characteristic of collectors? (...) Suffice it to quote the answer which Anatole France gave to a philistine who admired his library and then finished with the standard question, "And you have read all these books, Monsieur France?" "Not one-tenth. I don't suppose you use your Sèvres china evey day?"»
David Teniers the Younger, The Picture Gallery Of Archduke Leopold Wilhelm (1640, Altes Schloss Schleissheim, Oberschleissheim)
Mas não se poderá dizer o mesmo de outros campos criativos e de colecção? Tudo o que se cria é, em princípio, criado pelo facto de acharmos necessário e de não encontrarmos à venda.
Por outro lado, há muitos coleccionadores, mesmo de outro tipo de objectos (pinturas, porcelana, ...) que têm os seus objectos guardados e por vezes nem os vêem quotidianamente.
Por outro lado, há muitos coleccionadores, mesmo de outro tipo de objectos (pinturas, porcelana, ...) que têm os seus objectos guardados e por vezes nem os vêem quotidianamente.
Rudolf von Alt, The Library In The Palais Dumba (1877)
Daqui vamos para a questão seguinte, a magia da posse. Benjamin aborda a questão do prazer de não devolver um livro ao seu dono, mas interessou-me mais esta conclusão: «(...) ownership is the most intimate relationship that one can have to objects. Not that they come alive in him, it is he who lives in them. (...)»
Essa qualidade emotiva da colecção privada desaparece com a colecção pública, mais arrumada, mais impessoal, mais utilitária, sem posse definida:
«(...) the phenomenon of collecting loses its meaning as it loses its personal owner. Even though public collections may be less objectionable socially and more useful academically than private collections, this objects get their due only in the latter.»
Numa sociedade democrática, a tendência é para o público em detrimento do privado. No processo, há necessariamente muito que se ganha, mas também algo que se perde. Mas ainda há muitas colecções particulares, não só de livros, e julgo que sempre existirão.
-
Walter Benjamin, «Unpacking My Library. A Talk about Book Collecting» (1931), in Illuminations, New York, Schoken Books, pp. 59-67 (online). Os sublinhados são meus.
segunda-feira, 18 de abril de 2016
Arte e Ciência
Richard Diebenkorn, Cityscape I (1963, San Francisco Museum of Modern Art, San Francisco)
-
Independentemente do sentimento afectivo que tenhamos pela natureza, há uma abordagem diversa entre a atitude poética e artística e a atitude científica ou ecológica. Essa diferença prende-se com um outro problema que tem sido várias vezes questionado, que é o da relação entre a arte e a ciência (cf. por exemplo Francastel 1963 e Huisman 1997).
Carl Spitzweg, Arts And Science (1880)
Mais recentemente, James Elkins afirmou: «I have never been convinced that science has much to do with painting — or with art in general.» E, nesse texto, chega a afirmar que: «To get at the science in art it is necessary to leave the science behind.» (Elkins 2009, 34 e 45). Basicamente, o historiador defende que os artistas em geral não se interessam por dados científicos para a concepção das suas obras, ou que, pelo menos, a criação de uma grande obra de arte não se relaciona com ciência.
Vincent van Gogh, Landscape With House And Ploughman (1889; Hermitage, St. Petersburg)
No caso do Naturalismo, quando os artistas foram para as florestas e os campos em busca de paisagens, não o fizeram com o espírito científico de análise, que estaria próximo da biologia ou da Ecologia. As únicas aproximações seriam quando os artistas faziam (como ainda fazem) ilustrações com finalidades científicas. Em geral, os artistas estavam, quando muito, mais perto do ambientalismo ou da ecologia arcadiana, nomeadamente quando adoptavam os temas da natureza como forma de obstarem ao desenvolvimento da indústria e das grandes cidades – ou mesmo resistindo à interferência da revolução industrial e agrícola nos trabalhos do campo ou na fisionomia das paisagens. Pois, como Kenneth Clark reclama: «(…) la science est intervenue en altérant radicalement nôtre conception de la nature (…)» (1994, 185).
Paul Cezanne, Mont Sainte-Victoire (1895, The Barnes Foundation, Merion)
A questão entre a paisagem (nomeadamente naturalista) e a ecologia, tem assim pontos de divergência, mas também tem pontos em comum, que devem ser ponderados. Um dos factores a considerar é o factor homem-natureza, presente em ambas as abordagens. Escreveu Deléage, no final do seu livro sobre a história da Ecologia:
«Nós somos da natureza e estamos na natureza. A ecologia não pode, pois, furtar-se ao desafio de constituir um saber sobre uma natureza em que os homens se reconheçam como parte integrante e não como uma instância de dominação, estrangeira e hostil. Tal é a aposta.» (Deléage 1993, 255)
Claude Monet, Road In A Forest Fontainebleau (1864)
Apesar das distâncias de entendimento acerca da realidade natural, existem ligações entre a arte e a ciência. Como observou Linda Nochlin em 1971 (ed. 1991, 34-39), Comte, pai do Positivismo, previa que todo o conhecimento deveria ser científico, fundado na observação e na experiência. Castagnary, sobre o Salon de 1863, descrevia a escola naturalista como a verdade equilibrando-se com a ciência (Harrison et al. 1998, 412). Realistas e impressionistas recorreram a fotografias como meio de documentação para as suas pinturas, o que se associa a um desejo de verdade, ou sinceridade, na realidade representada através da arte.
Nyoman Masriadi, Save The Land (1998)
A atitude do artista e do cientista são diferentes. Se a ciência tem a obrigação de ser objectiva, a arte é necessariamente subjectiva. E, no entanto, a arte, ao chamar a atenção para a natureza, pode ajudar nos propósitos ambientalistas e ecologistas. E se isso é verdade para as formas de arte mais recentes, que incluem por exemplo a “Environmental Art”, também já era verdade para o Naturalismo paisagístico do século XIX.
-
Bibliografia:
Clark, Kenneth, 1994. L'Art du Paysage. Paris: Gérard Monfort, Éditeur.
Francastel, Pierre. 1963. Arte e Técnica nos Séculos XIX e XX. Lisboa: Edição Livros do Brasil.
Harrison, Charles, Wood, Paul, Gaiger, Jason (edit.). 1998. Art in Theory. 1815-1900. Oxford: Blackell Publishers.
Huisman, Denis. 1997. A Estética. Edições 70.
Elkins, James. 2009. Aesthetics and the two cultures: why art and science should be allowed to go their separate ways. In Rediscovering Aesthetics: Transdisciplinary Voices From Art History, Philosophy, and Art Practice. Francis Halsall, Julia Jansen & Tony O'Connor (eds.), 34 e 45. Stanford University Press.
Nochlin, Linda. 1991. El Realismo. Madrid: Alianza Editorial.
sábado, 22 de março de 2014
Pensamento: A Memória
Mikalojus Ciurlionis, The Thought (1904, Memorial Museum of M.Ciurlionis, Kaunas)
-
Durante muito tempo, considerei que era a criatividade que nos tornava a nós, humanos, seres diferentes dos outros animais. Contudo, penso agora que, apesar de a criatividade ser (na minha opinião) muito importante, a memória é mais essencial. Só com o desenvolvimento da memória, nomeadamente depois da invenção da escrita e de outras formas de registo (desenho, pintura, fotografia, tipografia, informática, ...) é que conseguimos ir acumulando conhecimento. Esse conhecimento crescente e cada vez mais abrangente é que nos permite também desenvolver a criatividade. A memória por isso deve ser preservada, quer a memória histórica, ao nível da humanidade em geral, quer a memória pessoal e individual. Que seríamos nós sem memória? Assim como escreveu António Damásio:
«We all woke up this morning and we had with it the amazing return of our conscious mind. We recovered minds with a complete sense of self and a complete sense of our own existence — yet we hardly ever pause to consider this wonder.».
Sem memória (ou consciência auto-biográfica) todos os dias teríamos de recomeçar do zero, repetindo quando muito acções instintivas e que estivessem guardadas no nosso código genético (que também é uma forma de memória, não consciente). Porém, no limite, tanto o desenvolvimento da memória como o da criatividade requerem a criação de um sistema de comunicação com alguma complexidade, que permite transmitir aos nossos semelhantes o conhecimento adquirido.
Carl Spitzweg, Rose scent memory (1850)
É certo que há outros animais com boa memória, mas o nosso cérebro, na sua evolução, conseguiu levar essa capacidade a um patamar mais elevado. Não deixa de ser verdade, porém, que a falta de memória, se não for excessiva, também pode ter as suas vantagens, pois como disse Nietzsche: «The advantage of a bad memory is that one enjoys several times the same good things for the first time.»; ou Mark Twain: «A clear conscience is the sure sign of a bad memory.»
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Arte e Busca de Conhecimento (algumas pinturas)
Jean-Baptiste-Simeon Chardin, The Attributes of the Sciences (1731)
-
«Learn from yesterday, live for today, hope for tomorrow. The important thing is to not stop questioning.»
-
-
Da Filosofia
Giorgione, I tre filosofi (1508-1509, Kunsthistorisches Museum, Viena)
-
Da Alquimia
Pietro Longhi, The Alchemists (Ca' Rezzonico, Museo del Settecento, Veneza)
À Física
Gerrit Dou, The Physician (1653, Kunsthistorisches Museum, Viena)
À Botânica
Carl Spitzweg, The Botanist
À Matemática
Diego Rivera, The Mathematician (1918, Museo Dolores Olmedo Patino, Cidade do México)
Etiquetas:
Carl Spitzweg,
Chardin,
Diego Rivera,
Einstein,
Gerrit Dou,
Giorgione,
Pietro Longhi,
Vermeer
terça-feira, 15 de março de 2011
Janelas
Círculo de Carl Spitzweg, A man watering flowers in a window box.
.
.
Mariano Fortuny y Marsal, Las Ventanas (Museo Goya, Castres).
---
«This is what I think art is and what I demand of it: that it pull everyone in, that it show one person another's most intimate thoughts and feelings, that it throw open the window of the soul».
---
Etiquetas:
Carl Spitzweg,
Felix Mendelssohn,
Flores,
Mariano Fortuny
Subscrever:
Mensagens (Atom)



.jpg)















.jpg!Blog.jpg)






