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«eu acabei o quadro de Camões que é de 40 polegadas de
Alto e 48 de largo e enviei-o para o grande Palácio do Louvre para a exposição, (...) ora como eu visse e observasse que aqui em geral os pintores Franceses
apuram-se muito no brilhantismo das Cores, propus-me para fazer algum destaque deles fazer um painel tétrico [?] e um sujeito triste e o lume de uma candeia, para só fazer ver o efeito óptico e expressão, do que resultou que o
Barão de Gerard disse verdadeiramente vejo no vosso
painel que vós sois hum pintor consumado desde os pés até a cabeça, e o vosso painel é feito para os grandes Artistas mais do
que para o vulgo e deleitantes que amam só o bonito, e em geral
todos os outros por diferentes frases me diziam o mesmo (...)»
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Nesta "rúbrica" não costumo escrever, mas neste caso tenho de dizer algumas coisas:
1) O tema da iconografia de Camões fez parte da lição de agregação da Professora Raquel Henriques da Silva, na 3.ª feira passada, e foi lá que vi esta carta de Sequeira que agora cito.
2) A pintura de Sequeira está desaparecida, mas foi oferecido a D. Pedro I do Brasil.
4) Ao ver aquela citação só me lembrei de Columbano Bordalo Pinheiro, e não pelo quadro Últimos momentos de Camões (1876, MNAC), mas sim pelo facto do pintor se querer destacar no Salon parisiense com um «painel tétrico» ao «lume de uma candeia». Ora, Columbano quando expôs no Salon, em 1882, foi aceite com Um Concerto de Amadores:
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Nota final: Dificilmente Columbano conheceria a carta de Sequeira, mas não deixa de ser interessante que ambos me parece que tenham tido a mesma ideia, i.é, numa exposição onde impera a luz, se destacarem pela sombra.