Mário Cesariny, Linha de Água
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Esta pintura estava no ano passado na galeria O Rastro (Figueira da Foz). Achei-a muito interessante, não só porque gostei dela, mas também porque me pareceu inesperada entre aquilo que conhecia da obra de Cesariny (1923-2006).
Foi aluno da Escola de Artes Decorativas António Arroio (1936-1943) e da Faculdade de Arquitectura. Em 1947, visitou Paris, conheceu André Breton, tendo participado na fundação do Grupo Surrealista de Lisboa. Afastou-se desse grupo no final de 1948, para formar um novo grupo, Os Surrealistas. Começou por pintar como complemento à poesia, mas posteriormente dedicou-se sobretudo à pintura. - Cf. Matriznet.
Uma outra pintura que está no CAM (FCG) relaciona-se com a que vi na Figueira da Foz:
O Surrealismo (1959)
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Encontrei ainda este poema:
Romance da Praia de Moledo
Canto da hora do banho
ó mar contente, tão frio
que o verde das ondas é neve
fazes meu corpo tão leve,
no ar, vazio!
meus seios, cabelos, tudo é brando!
na mão do mar talhado cerce
vou, como se a um velho comando
desobedecesse!
e raia de leve um sol macio
que ainda não amadurou
frio
de manhã forte e silente
as minhas mãos nem são de gente
são formas de água, de neve
sobre o maillot
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Mário Cesariny
In http://origemdasespecies.blogs.sapo.pt/1288066.html
Canto da hora do banho
ó mar contente, tão frio
que o verde das ondas é neve
fazes meu corpo tão leve,
no ar, vazio!
meus seios, cabelos, tudo é brando!
na mão do mar talhado cerce
vou, como se a um velho comando
desobedecesse!
e raia de leve um sol macio
que ainda não amadurou
frio
de manhã forte e silente
as minhas mãos nem são de gente
são formas de água, de neve
sobre o maillot
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Mário Cesariny
In http://origemdasespecies.blogs.sapo.pt/1288066.html
