Mostrar mensagens com a etiqueta Gravura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Gravura. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Dia de Santa Ana e de São Joaquim

-
Círculo de Gérard David, Encontro de Santa Ana e São Joaquim (1490-1500, Museu de Évora - Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo)
-
-
A Virgem e o Menino, Santa Ana, São Joaquim e uma Doadora (1540-1560, Museu Nacional de Arte Antiga)
-
Zurbarán, The Immaculate Conception with Saint Joachim and Saint Anne (c.1638-1640, Scottish National Gallery, Edinburgh)
-
Santa Ana e São Joaquim (1637-1660, Museu Nacional do Azulejo)
-
S. Joaquim, Santa Ana e Nossa Senhora (Séc. XVIII, Museu de Alberto Sampaio)

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Do povo da Lua

-
O filme Kubo conta a história de um rapaz que é neto do rei da Lua, um rei com magia poderosa, que lhe desejava arrancar os olhos (e arrancou um) para que ele não se afeiçoasse às coisas terrenas.
A história fez-me lembrar outro filme que vi há um tempo (em DVD) que achei maravilhoso, que conta a história da Princesa Kaguya. Esta história corresponde a uma lenda antiga japonesa, e fala de uma princesa do reino da Lua (tal como a mãe de Kubo) que vem para a terra em bebé, sendo criada por um casal que não tem filhos. No fim é levada de volta ao mundo da Lua onde pertence - ao contrário de Kubo, que fica na terra. Em ambas as histórias existe um povo da Lua que, de algum modo, é fonte de magia e motivo de temor. O que me fez lembrar duas canções, sendo que a primeira, poderia bem aplicar-se à história de Kubo.
 
 

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Iconografia da Fortuna


Hans Sebald Beham, Fortuna (1541)
-
A deusa Fortuna, para os romanos (Tyche para os gregos) era filha de Júpiter. As representações da Fortuna, enfatizam a sua dualidade e instabilidade. É muitas vezes representada com duas faces, como Janus, ou de olhos tapados como a Justiça. Por vezes a sua cabeça é careca atrás, mas tem um cabelo longo na frente para poder ser apanhada, como a Ocasião (ou Oportunidade). O símbolo é a roda, o que tem origem na Consolação da Filosofia de Boécio (c. 524). A Fortuna comanda a roda, que é geralmente dividida em quatro estádios com figuras: uma a subir chamada de "regnabo", uma em cima que é muitas vezes coroada e chama-se "regno", uma a descer intitulada "regnavi" e a de baixo, sem reino, chamada de "sum sine regno".
-
Cf. The Iconography of Fortuna - in (A. K.) Richard Leighton Greene. s.v. "Fortune." Dictionary of the Middle Ages, Vol.3, Joseph R Strayer, ed. New York: Scribner's, 1983. pp. 145-147; Fortuna (Wikipedia).
Cf. também «A Ocasião».
-
Carmina Burana (c. 1230)
-

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Nossa Senhora da Assunção

Oficina de Notthingham, Assunção da Virgem (séc. XV, Museu Nacional de Arte Antiga)
-
Mestre Desconhecido, Assunção da Virgem do Políptico flamengo de Celas (1512-1525, Museu Nacional de Machado de Castro)

-
Pietro Perugino, Pala Di Corciano (Assunção de Maria) (1513)
-
Paolo Veronese, Assunção (1558, Basilica dei Santi Giovanni e Paolo)
-
Nicolas Poussin, L'Assomption de la Vierge (1649-1650, Musée du Louvre, Paris)
-
Nossa Senhora da Assunção (séc. XVII-XVIII, Arquidiocese de Évora)
-
Francisco, Nossa Senhora da Assunção (séc. XIX, Museu dos Biscainhos)

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Labirinto

Bartolomeu Cid dos Santos, Labirinto
-
Bartolomeu Cid dos Santos, Atlantis (1972)
-
«Just as treasures are uncovered from the earth, so virtue appears from good deeds, and wisdom appears from a pure and peaceful mind. To walk safely through the maze of human life, one needs the light of wisdom and the guidance of virtue.»
-

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Dança do Vento

-
Dança do Vento 
-
O vento é bom bailador, 
Baila, baila e assobia. 
Baila, baila e rodopia 
E tudo baila em redor. 
E diz às flores, bailando: 
- Bailai comigo, bailai! 
E elas, curvadas, arfando, 
Começam, débeis, bailando. 
E suas folhas, tombando, 
Uma se esfolha, outra cai. 
E o vento as deixa, abalando, 
- E lá vai!... 

O vento é bom bailador, 
Baila, baila e assobia, 
Baila, baila e rodopia, 
E tudo baila em redor. 
E diz às altas ramadas: 
Bailai comigo, bailai! 
E elas sentem-se agarradas 
Bailam no ar desgrenhadas, 
Bailam com ele assustadas, 
Já cansadas, suspirando; 
E o vento as deixa, abalando, 
E lá vai!... 

O vento é bom bailador, 
Baila, baila e assobia 
Baila, baila e rodopia, 
E tudo baila em redor! 
E diz às folhas caídas: 
Bailai comigo, bailai! 
No quieto chão remexidas, 
As folhas, por ele erguidas, 
Pobres velhas ressequidas 
E pendidas como um ai, 
Bailam, doidas e chorando, 
E o vento as deixa abalando 
- E lá vai! 

O vento é bom bailador, 
Baila, baila e assobia, 
Baila, baila e rodopia, 
E tudo baila em redor! 
E diz às ondas que rolam: 
- Bailai comigo, bailai! 
e as ondas no ar se empolam, 
Em seus braços nus o enrolam, 
E batalham, 
E seus cabelos se espalham 
Nas mãos do vento, flutuando 
E o vento as deixa, abalando, 
E lá vai!... 

O vento é bom bailador, 
Baila, baila e assobia, 
Baila, baila e rodopia, 
E tudo baila em redor! 
-
Afonso Lopes Vieira, in Antologia Poética.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

O impossível

Thomas Cooper Gotch, The Wizard
-
«The limits of possible can only be defined by going beyond them into the impossible.»
-

sábado, 24 de maio de 2014

Mundos

-
"But do you really mean, sir," said Peter, "that there could be other worlds — all over the place, just round the corner — like that?"
"Nothing is more probable," said the Professor, taking off his spectacles and beginning to polish them, while he muttered to himself, "I wonder what they do teach them at these schools."
-

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

13 Dias para o Natal - As Estrelas

Fra AngelicoMadonna della stella (c. 1424, Museo di San Marco, Florença - Link)
-
A lenda de Nossa Senhora da Estrela (Marvão)

«Nos idos do século VIII, sem conseguir resistir ao avanço dos muçulmanos na região, os habitantes de Marvão abandonaram as suas terras para buscar refúgio nas montanhas das Astúrias, onde se mantinha viva a resistência cristã. Antes de partir, porém, trataram de esconder as imagens sagradas. À época da Reconquista, passados mais de quatro séculos, afirma-se que em uma noite, um pastor guiado por uma estrela, dirigiu-se a um monte onde encontrou, entre as rochas, uma imagem de Nossa Senhora. Em sinal de devoção, foi erguido nesse local um convento franciscano (Convento de Nossa Senhora da Estrela), tendo a Senhora se tornado protetora do castelo» (Link).
-
Sevilha, Azulejo com estrela de 8 pontas (Séc. XVI, Museu Nacional do Azulejo - Link)
-
«Todo o astro é, no antigo Oriente, sinal de um deus.

(...)
Estrela dos Magos: segundo as crenças atrológicas dos Antigos, a aparição de um cometa ou de um novo astro era interpretada como o anúncio de um acontecimento transcendente. No momento do nascimento de Jesus, alguns magos orientais viram erguer-se no céu um astro desconhecido e, guiando-se pelo seu movimento, chegaram a Belém (Mc 2) (...)»
-
Danielle Fouilloux et al., Dicionário da Bíblia, Planeta DeAgostini, 2004, pp. 106-107.
-
Rembrandt, The Star of the Kings: A Night Piece (1649-1653, Saint Louis Art Museum - Link)
-
«On retient surtout de l'étoile sa qualité de luminaire, de source de lumière. (...) Leur caractére céleste en fait aussi des symboles de l'esprit et, en particulier, du conflit entre les forces spirituelles, ou de lumiére, et les forces materielles, ou des tenèbres. (...)
Pour l'Ancien Testament et le Judaïsme, les étoiles obéissent aux volontés de Dieu et les annoncent éventuellement (...). Elles ne sont donc pas des créatures purement inanimées: un ange veille sur chacune d'elle (...)».
-
Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, «Étoile», in Dictionnaire des Symboles, Paris, Robert Laffont / Jupiter, 1982-1991, pp. 416-421.
-
Edward Burne-Jones, Title The Star of Bethlehem (1890, Birmingham Museum and Art Gallery - Link)
-
«Há estrelas grávidas de luz.»
-
Serna, R.(Link)
-
Estrelas de Pangim, Tiswaddi (Museu Nacional de Etnologia - Link)
-
«A estrela brilha atrás das nuvens.»
-
Provérbio (Link)
-
-
«Sempre quietas,
sempre agitadas,
dormindo de dia,
à noite acordadas».
-
Adivinha (Link)
-
IKEA (Link)
-
Bolachas (Link)
-

domingo, 1 de dezembro de 2013

24 dias para o Natal - A Árvore de Natal

Árvore de Natal da rainha Victoria e seu marido Albert (The Illustrated London News, 1848 - Link)
-
O costume do pinheiro de Natal veio dos países escandinavos, tendo sido os suecos que o levaram para a Alemanha, no início do séc. XVII*. Contudo, o seu simbolismo deve ter uma origem mais antiga, ligada à da árvore "sempre verde", que tomava parte dos rituais pagãos de inverno. As árvores de folha perene eram vistas como imagens da vida eterna, entre vários povos e religiões. Deve também referir-se, a este propósito, a árvore do paraíso, decorada com maçãs, e que surgia nas peças teatrais representadas durante a Idade Média, no dia 24 de Dezembro, dia de Adão e Eva**.
-
D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, O Pai Natal (1848, Palácio Nacional da Ajuda)
-
Em 1840, o pinheiro de Natal foi introduzido noutros países, sobretudo por influência germânica. Em Paris, pela princesa Helena de Mecklemburgo (duquesa de Orleães); em Inglaterra pelo príncipe Alberto, marido da rainha Vitória*. Em Portugal, terá sido pela mesma altura, através de D. Fernando II, que se casou em 1836 com a rainha D. Maria II. Em 1900, o costume já estava implantado no mundo ocidental*. 
-
Georg von Rosen, The Christmas Fair (1872 - Link)
-
Em 1865, Ramalho Ortigão escreveu a propósito do pinheiro de Natal, em Portugal, afirmando que era um costume que vinha da Alemanha, mas que não lhe agradava:

«Quando eu era pequeno nunca se falou em árvore de Natal na minha casa (...).
Vi ante-ontem no Palácio de Cristal o enlevo das crianças portuenses ao pé do pinheiro do Natal, todo resplandecente de luzes e vistosíssimo de bonecos, de tambores, de cornetas e cartonagenzinhas com amêndoas, e declaro que não lhes tive a menor inveja. (...)
Ah! os directores do Palácio de Cristal entraram demasiado no espírito da época (...)»***.

Noutro texto, cuja data não descobri, Ramalho voltava a queixar-se da novidade:

«A Árvore de Natal, recentemente importada dos costumes estrangeiros, é uma especulação do comércio; não é ainda um uso da família»****.
-
Christmas Scene with Children and Toys (Link)
-
É interessante notar que as primeiras imagens que se vêm desta árvore mostram-na de dimensões relativamente reduzidas e em cima de uma mesa. É de assumir que foi com o passar do tempo que as árvores de Natal foram aumentando em tamanho e protagonismo na festividade natalícia.
-
Jozsef Rippl-Ronai, Christmas (1910)
-
Quando eu era criança, só encontrava árvores de Natal na casa dos meus pais e de outras pessoas da sua geração. Era comprada a vendedores de rua, como por exemplo na Avenida de Roma, junto da linha de combóio, e era um pinheiro real que deixava um aroma muito agradável pela casa. Pouco tempo depois, nomeadamente por razões ecológicas (segundo creio), passaram a vender-se os pinheiros artificiais e árvores naturais em vasos, que se encontram em floristas e outras lojas.
-
Jogo de paciência (Museu dos Biscainhos - Link)
-
Devo concluir dizendo que, ao contrário de Ramalho Ortigão, eu aprecio o pinheiro de Natal, mesmo no formato artificial, cheio de decorações e de luzes a piscar. E já montei o meu.
-
Patrick McDonnell, Mutts (Link)
-
-
Biblliografia:
* Philippe Ariès e Georges Duby (Dir.), História da Vida Privada. Da Revolução Francesa à Grande Guerra, Vol. 4, Edições Afrontamento, 1990.
** Wikipedia (versão inglesa).
*** Ramalho Ortigão, Crónicas Portuenses, Lisboa, Livraria Clássica Editora, 1944.
**** Ramalho Ortigão, As Farpas, Tomo V, Lisboa, Livraria Clássica Editora, 1943.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Sobre a Melancolia

Albrecht Dürer, Melancholia (1514 - Link)
---
Associada ao génio, aos santos e aos artistas, ao conhecimento, à velhice, ao tempo e a Saturno, a melancolia é um tema recorrente na arte, de que a representação mais conhecida é a famosa gravura de Dürer. Este artista, representou-a como uma figura alada, rodeada por elementos ligados ao tempo e à sabedoria, que apoia a cabeça na mão esquerda, enquanto pensativamente segura um instrumento de escrita na mão direita. A pose foi depois reutilizada pelo mesmo artista, em 1521, quando pintou o São Jerónimo, que se encontra hoje no Museu Nacional de Arte Antiga.

(Link)


Pouco tempo antes, a mesma pose fora usada por Hieronymus Bosch no quadro St. John the Baptist in the Wilderness (Museo Lázaro Galdiano, Madrid - Link):


Mais de trezentos anos depois, Columbano Bordalo Pinheiro, em 1885, empregou-a para retratar o pintor Girão, em O Grupo do Leão (Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa - Link). Deste modo, mantinha-se a iconografia da Melancolia, espelhada no retrato do artista mais velho do Grupo.



Para Baudelaire, um grande artista é um artista melancólico. No texto Fusées (1897 - Link) ele dizia: 

«J'ai trouvé la définition du Beau, de mon Beau.
C'est quelque chose d'ardent et de triste, quelque chose d'un peu vague, laissant carrière à la conjecture. (...) Le mystère, le regret sont aussi des caractères du Beau (...)».

Outros artistas tiveram um entendimento ligeiramente diferente da Melancolia, que não passava pela alegoria ou pelo retrato, mas sim pela representação da solidão e da sensação de vazio.

Giorgio de Chirico, Mystery and Melancholy of a Street (1914 - Link)

Edward Hopper, Automat (1927, Des Moines Art Center, Des Moines - Link)
-
Julgo que os portugueses têm alguma tendência para a melancolia. Não sou certamente a primeira pessoa a fazer tal afirmação. José de Figueiredo, em 1901, escreveu: «(…) Pois embora isto pareça um paradoxo, a verdade é que, com esta nossa paisagem luxuriante e este nosso sol claro, nós somos entretanto, como os russos, um povo de bruma. Sómente, emquanto a do paiz moscovita é real (…) a nossa é mais symbolica que natural. – (…) bruma mais feita de distancia d’um sonho longínquo do que dos próprios effeitos climatéricos».
Para além dos nossos excelentes poetas cujos poemas são muitas vezes tristes, uma das obras de arte portuguesas que mais admiro, O Desterrado, é claramente melancólica.




Soares dos Reis, O Desterrado (1872, Museu Nacional Soares dos Reis, Porto - Link)

Por fim, também  temos o Fado:

José Malhoa, O Fado (1911 - Link)


---
Bibl.:
José de Figueiredo, Portugal na Exposição de Paris, Lisboa, Sociedade Editora, Empresa da História de Portugal, 1901.
Jean Clair (Dir.), Mélancolie: génie et folie en Occident, Paris, Réunion des Musées Nationaux, 2005.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Os gatos

Porcelana de Meissen, Figura Feminina com Gato (Palácio Nacional da Pena - Link)
-
John Woodhouse AudubonCat Stalking a Butterfly (1861 - Link)
-
Stuart Carvalhais, Desenho a tinta-da-china, representando um gato preto com uma espinha na boca, junto a um caixote (Museu Dr. Joaquim Manso - Link)
-
Suzanne Valadon, Study of a cat (1918 - Link)
-
Franz Marc, Cats (c. 1910 - Link)
-
Paul Klee, Cat and bird (Museum of Modern Art, New York - Link)
-
João Martins, Lisboa, Alfama (Divisão de Documentação Fotográfica / IMC - Link)
-
Anita Jeram, Well 'e woz 'ere (Two Bad Mice - Link)