quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Cores e elementos

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No livro de André Chastel, Art et Humanisme à Florence au Temps de Laurent le Magnifique (Paris, Presses Universitaires de France, 1982, p. 322), diz-se que Alberti propõe quatro tons fundamentais, que se relacionam com os elementos:

Vermelho - Fogo
Azul - Ar
Verde - Água
Cinzento - Terra

Chastel, em nota de rodapé, diz que Rafael e Leonardo da Vinci propunham o amarelo para a Terra. A ideia deixou-me intrigada, porque eu, pessoalmente, não sei se colocaria o verde para a Água e muito menos o cinzento para a Terra. 
No entanto, as razões eram aqui não simbólicas, mas práticas: «En l'absence de la théorie du spectre solaire, c'était là le classement le plus simple. Leur mélange produit une infinité de nuances, qui varient selon les diverses natures de lumière et le rapports provoqués par les reflets».
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A imagem é uma colagem de três detalhes das seguintes pinturas: Leda e o Cisne de Leonardo da Vinci (c. 1510); São Miguel de Rafael (c. 1503-1505, Museu do Louvre, Paris) e Madonna do Mar de Botticelli (c. 1477).

terça-feira, 27 de novembro de 2018

E Charles Schulz, nascido a 26 de Novembro de 1922

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«I never give my work to somebody else and say, "What do you think about that?" I just don't trust anybody. If I think it's funny, or if I think it's silly, I send it in anyway because I'm just trying to please myself. I never try to please a certain audience. I think that's disastrous. There's no way in the world you can anticipate what your reader is going to like or dislike». - National Cartoonist Society talk, 1994.
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Cartoon originalmente publicado a 4 de Novembro de 1970.

sábado, 24 de novembro de 2018

"Mil Novecentos e Oitenta e Quatro"


Não tenho o hábito de fazer "posts" ao fim de semana, nem de fazer recensões críticas. A primeira é por razões de gestão do meu tempo (que não estica ou encolhe conforme me dá jeito); a segunda é porque só fui parar às Ciências Humanas na Faculdade (fiz o curso de Artes Visuais no Secundário), pelo que nunca tive muito treino nesta área da escrita.
Mas vou tentar uma recensão do livro de George Orwell (1903-1950), que li numa tradução portuguesa da Moraes Editores, publicada em 1984 - o livro original data de 1949.
As razões da minha tentativa é porque não consigo dizer que gostei do livro, porque a escrita é densa, quase documental (é cruel de tão fria), a acção é lenta. E sobretudo porque é um livro extraordinariamente assustador, apesar de não ser uma história de terror no sentido clássico. Acho que poucos sãos os livros que li que me deixaram tão deprimida e horrorizada como este.
Contudo, ainda bem que o li. É um livro importantíssimo. E só desejo que nada daquilo se cumpra no presente ou no futuro. A crueldade daquele mundo sem esperança possível (a nenhum nível), é indescritível. É uma distopia sem fugas, que sinceramente só me deixou a pensar no que faria numa situação daquelas.
O que mais me impressionou, confesso, foi a maneira como aquele governo conseguia controlar o pensamento e os sentimentos, aniquilando a família (os filhos a denunciar os pais), a história e a memória: «Tudo se fundia na bruma. O passado era suprimido, essa supressão esquecida, a mentira tornava-se verdade». A capacidade de pensar era controlada através da redução da língua: «Não vês que todo o objectivo da Novilíngua é estreitar a gama do pensamento? Acabaremos por tornar o crimideia literalmente impossível, porque não haverá palavras para o exprimir».
E até a noção de indivíduo, de dignidade, de honra, ou mesmo o direito de amar (outra coisa que não fosse o Partido) era aniquilada. E, talvez, o pior de tudo, era o assumir que se fazia tudo aquilo apenas por amor ao poder, nada mais:
«(...) É tempo de teres uma ideia do que significa o poder. A primeira coisa que deves compreender é que o poder é colectivo. O indivíduo só tem poder na medida em que cessa de ser indivíduo. (...) Sozinho, livre, o ser humano é sempre derrotado. Assim deve ser, porque todo o ser humano está condenado a morrer, que é o maior dos fracassos. Mas se puder realizar uma submissão completa, total, se puder fugir à sua identidade, se puder fundir-se no Partido, então ele é o Partido, e é omnipotente e imortal. A segunda coisa que deves compreender é que o poder é a autoridade sobre todos os seres humanos. Sobre o corpo, mas acima de tudo, sobre a alma (...)».
Conclusão, só espero que nada disto de concretize. E nunca gostei tanto de História (e de poder pensar ou sentir) como depois de ter lido este livro.

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Porque ontem foi dia do músico

Simon Glucklich, Nocturne
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Fica aqui uma das minhas músicas preferidas, que não está numa lista outro dia colocada por APS no Arpose.


quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Entrando em Sagitário

Federico Babina, Zodiac De Sign
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Aguns sagitarianos que mais estimo são:

O músico Ludwig Van Beethoven, nascido a 16 de Dezembro de 1770;
A escritora Jane Austen, nascida a 16 de Dezembro de 1775;
O escritor Mark Twain, nascido a 30 de Novembro de 1835;
O escritor Eça de Queirós, nascido a 25 de Novembro de 1845;
O historiador e museólogo José de Figueiredo, nascido a a 21 de Dezembro de 1872;
O político Winston Churchill, nascido a 30 de Novembro de 1874;
A pintora Mily Possoz, nascida a 4 de Dezembro de 1888;
O cineasta e animador Walt Disney, nascido a 5 de Dezembro de 1901;
O cantor Frank Sinatra, nascido a 12 de Dezembro de 1915;
O Papa Francisco, nascido a 17 de Dezembro de 1936;
O realizador Ridley Scott, nascido a 30 de Novembro de 1937
E o realizador Steven Spielberg, nascido a 18 de Dezembro de 1946.
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À minha lista de 12, acrescento Arthur C. Clarke, Jim Morrison, Tina Turner e Brad Pitt.
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quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Parabéns Sandra!

Famosos nascidos neste dia, há muitos. Entre eles:
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Voltaire, nascido em 1694
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Columbano Bordalo Pinheiro, nascido em 1857
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Raul Lino, nascido em 1879
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René Magritte, nascido em 1898
The Empire of Light (c.1950–1954, Museum of Modern Art)
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E Björk, nascida em 1965

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Do Paço de Xabregas

Francisco de Holanda, Da fábrica que falece à cidade de Lisboa (1571)
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«(...) Lembra me que El Rey vosso Avo de bem aventurada Memoria depois de muito Tempo Andar em Evora e Almeirim e noutras partes finalmente determinou de se aposentar em Lysboa. E para isto fazer escolheo o sityo de Emxobregas entre Aqueles Dous Devotos Moesteiros, polo mais escolhido e mais livre lugar e da milhor vista que ha em Lisboa. E que começou Huns Paços os milhores de Portugal (...) que por sua Morte não ficaraõ acabados. (...) E vejo que V. A. não tem casas em Lysboa Dinas de sua pessoa, por onde Hora mora na Ribeira, Hora nos Estaós, Hora em (...) sem ter onde Reclinar a cabeça nesta grande Cidade: que avia de ser como Domiçilio seum, E como Huã cadeira ou Almofada, onde viesse Descanssar E Recolhersse das Importunas calmas Dalmerim E Salvaterra, E tambem das Trovoadas E Invernos da serra de Syntra (...). E acabe V. A. os Paços denxobregras que tem milhor Sytio e mais Real que todos os outros de Lysboa e fora das Importunações della. Entre Dous Moesteiros Nobelissimos Principalmente o da Madre de DEOS, com lhe nacer a Aurora E o Sol com os Primeiros Rayos sobre o Mar do meo Dia e sobre o Ryo Tejo com as barcas, E com ortas e Jardins da parte do Norte  (...)».
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Francisco de Holanda, Da fábrica que falece à cidade de Lisboa, 1571. In Jorge Segurado, Francisco d'Ollanda, Lisboa, Edições Excelsior, 1970, pp. 93-98.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

De volta aos Capuchos

Um dos meus sítios preferidos, onde regressei no dia dos meus anos. As fotografias são sobretudo minhas, algumas serão da minha mãe. O excertos de texto são da Tese de Doutoramento de Ana Assis Pacheco (2013).
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«Percorre-se de carro uma estrada que parece interminável para uma pessoa pouco habituada a ver árvores, árvores e apenas árvores. E quando se chega ao lugar não se avista nenhuma construção. Quando se avança a pé até ao convento ele continua sem aparecer. Está escondido».
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«Ali, descansamos e olhamos o silêncio, na água quieta. 
Ali, percebemos que estamos num claustro. 
Mas não estamos no claustro convencional, pois não há nenhuma galeria a circundá-lo e a fechá-lo, aqui é apenas a natureza e algumas construções que envolvem e delimitam um terreiro, criando um espaço, semelhante a um claustro». 
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«A humildade arquitectónica deve ser entendida pelo facto de o convento da serra de Sintra, ter pertencido a uma província franciscana da Estrita Observância, que era a Província de Santa Maria da Arrábida e que se reflectiu na arquitectura vernacular, económica e mínima. A dimensão reduzida das micro-celas, com portas mais baixas que qualquer adulto, com apenas 1,10mts, obrigava a baixar a cabeça, gesto penitente e entrada para cela, verdadeiramente recolhida».
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«Naõ ha na Clausura interior mais que hum dormitorio, o qual tem quarenta palmos de comprido, e tres de largo, em tal fórma, que encontrando-se nelle os Religiosos, para hum passar, precisamente se recolhe o outro para alguma das cellas. Saõ estas taõ estreitas, que ordinariamente os seus habitadores dormem encolhidos, e alguns mandaraõ abrir na rocha, que lhes serve de parede, buracos para accomodarem os pès: as portas tem cinco palmos de alto, e palmo e meyo de largo; as paredes que as dividem, saõ de vimes tecidos com barro, e palha; o forro de tudo he de cortiça, e esta nas portas està pegada em grades de tosca madeira» - Frei António da Piedade, Espelho de penitentes e chronica da província de Santa Maria da Arrabida (1728).
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«Um dos primeiros habitadores deste convento foi o poeta frei Agostinho da Cruz (1540- 1619), que aqui fez o noviciado e viveu durante longos 40 anos, retirando-se para o convento de Santa Maria da Arrábida, quando já ia nos 65 anos». Dele, é este poema:

«No monte, no valle 
tenho onde me esconda; 
sem ter com quem falle, 
nem quem me responda.»
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Ana Assis Pacheco, 2013. Construção de um mundo interior, Arquitectura franciscana em Portugal, Índia e Brasil (sécs. XVI-XVII). Universidade de Coimbra (Tese de Doutoramento). Capítulo, sobre os Capuchos, online in https://www.academia.edu.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

E lembrando Vuillard, que nasceu a 12 de Novembro de 1868

Petit Déjeuner (1894, National Gallery of Art, Washington)
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Théodore Duret (1912, National Gallery of Art, Washington)
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Lucy Hessel lisant (1913, Jewish Museum, Nova Iorque)

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Castanhas, com votos de bom São Martinho!

Joris Hoefnagel (iluminura), Damselfly, French Rose, Spanish Chestnut, and Spider (1591-1596, J. Paul Getty Museum, Los Angeles)
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Cicely Mary Barker, The Sweet Chestnut Fairy
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Rafael Bordalo Pinheiro, Mísula "Castanheiro" (Museu Rafael Bordalo Pinheiro, Lisboa)

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Casas III

Carl Vilhelm Holsøe, Janela aberta
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«As casas edificam-se para ser habitadas, não para ser contempladas».
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Francis Bacon.
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Citação retirada do livro Dicionário de Citações e Provérbios, de Luis Señor González, publicado pelo Correio da Manhã, em 2004, p. 349.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Casas I

Carl Larsson, Getting Ready for a Game (1901, Nationalmuseum, Stockholm)
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«Então a casa deve propiciar a sensação de um abrigo seguro, capaz de confortar o corpo e o espírito».
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Tadao Ando em conversa com Auping (2002). Citado in Susete Machado, O espaço das mulheres na arquitectura, Escola Superior Gallaecia, 2011 (Dissertação de Mestrado), p. 57.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Casas

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«(...) Tinha um ar acolhedor e sentia-se que vivia ali alguém e que toda aquela incrível misturada fazia sentido. Todos aqueles objectos incompatíveis tinham de estar juntos, porque todos eles faziam parte da vida de Mrs. Bradley». 
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Somerset Maugham, O Fio da Navalha, Asa, [1944] 2016, p. 22.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Lembrando Chardin, que nasceu a 2 de Novembro de 1699

Les attributs des arts avec un buste de mercure (1728, Pushkin Museum, Moscow)
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L’enfant au toton (1738, Museu do Louvre, Paris)
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Pipes et vases à boire (1737, Museu do Louvre, Paris)
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La fillette au volant (1737, Galleria degli Uffizi, Florença)
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A Vase of Flowers (c. 1760, Scottish National Gallery, Edinburgh)

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Crisântemos para Novembro

Tosa Mitsuoki, Quail and Chrysanthemums (séc. XVII)
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Bule (China, 1736-1795, Museu Nacional Soares dos Reis, Porto)
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Camille Pissarro, Chrysanthemums In a Chinese Vase (1873)
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Claude Monet, Chrysanthèmes (1878)
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Henri Fantin-Latour, Chrysanthemums (1879)
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Pierre-Auguste Renoir, Vase of Chrysanthemums (c. 1880-1882)
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Gustave Caillebotte, Chrysanthemums in a Vase (1893)
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Daniel Ridgway Knight, Chrysanthemums (1898)
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Henri Matisse, Chrysanthemums in a Chinese Vase (1902)
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João Falcão Trigoso, Crisântemos (1913, Museu do Chiado-Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa)
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Helena Roque Gameiro, Crisântemos (1916, Museu José Malhoa, Caldas da Rainha)
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Felix Vallotton, Chrysanthemums and Autumn Foliage (1922)