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segunda-feira, 30 de março de 2026

Das horas

Lapel Watch (USA) (c. 1889, Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum, Nova Iorque)
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«O primeiro serviço de caminho de ferro comercial começou a operar entre Liverpool e Manchester em 1830. Dez anos depois, era emitido o primeiro horário. Os comboios eram muito mais rápidos do que as antigas carruagens, pelo que as bizarras diferenças entre as horas locais tornaram-se bastante irritantes. Em 1847, as companhias de caminho de ferro britânicas juntaram esforços e concordaram que, a partir de então, todos os horários do caminho de ferro usariam a hora do Observatório de Greenwich (…). Cada vez mais instituições foram seguindo o exemplo. Por fim, em 1880, o governo britânico tomou uma decisão sem precedente, ao emitir uma lei segundo a qual todos os horários tinham de seguir Greenwich. Pela primeira vez na história, um país adotava uma hora nacional e obrigava a sua população a viver de acordo com um relógio artificial, em vez de relógios locais ou ciclos do nascer ao pôr do sol».
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Yuval Noah Harari, Sapiens, História Breve da Humanidade, PRH Grupo Editorial Portugal, 2013, p. 415.

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Para o meu marido que faz anos hoje!

Caneca (2.ª met. Séc. XIX, Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa)
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Com votos de muitos anos de vida, com muita saúde e boa disposição!
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Aqui vai um puzzle de xadrez (brancas - mate em 3)
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sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

O enxoval do Menino

Menino Jesus (séc. XIX, Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, Évora)
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«(...) tal como acontecia com o Menino Jesus de Praga, que a tradição atribuía à posse de Santa Teresa de Ávila, ou com o Rei de Glória, da Venerável Margarida, generalizou-se o costume de oferecer [para as imagens do Menino] fatos de estofos ricos, sedas ou veludos bordados a ouro, prata ou matizes, sapatos, laços e cinturas a condizer, joias com pedras preciosas, pérolas e corais, constituindo enxovais preservados e enriquecidos ao longo dos tempos (...).
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Maria Isabel Roque, «O enxoval do Menino e a Igreja dos Anjos», in Paulo Campos Pinto e Sílvia Ferreira (Coord.), A Igreja dos Anjos, Feição Especialíssima, Letras Paralelas, 2020, p. 165.

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Ontem foram Bodas de água-marinha ou de cretone

Água Marinha (Séc. XIX, Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa)
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Água-marinha do Paquistão (in Wikimedia Commons)
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René Lalique, Broche «Água-marinha e flores de cardo» (c. 1905-1906, Museu Calouste Gulbenkian, Lisboa)
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Otomana (1866, Palácio Nacional da Pena, Sintra)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Impressões das exposições da Gulbenkian

Gostei muito da exposição de Lalique, onde estava a minha peça preferida que é a Menina do Mar (1919), que me faz sempre pensar na Sophia de Mello Breyner. Mas também apreciei as outras peças e a concepção da exposição, nomeadamente no confronto entre a Arte Nova e as estampas japonesas. Achei interessante a exposição de escultura, especialmente o Spinario de Simões de Almeida (1869), cópia da escultura helenística do Museu do Capitólio.
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René Lalique e a Idade do Vidro. Arte e Indústria (curadoria de Luísa Sampaio), até 1 de Fevereiro:






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Esculturas Infinitas. Do Gesso ao Digital (curadoria de Penelope Curtis, Rita Fabiana, Thierry Leviez, Armelle Pradalier), até 25 de Janeiro:



segunda-feira, 6 de abril de 2020

Legumes para o mês de Abril

Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, Alcachofras (1908-1916, Museu da Cerâmica)

Abóbora
Agrião
Alcachofra
Alface
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Hukin & Heath, Caçarola (Séc. XIX, Palácio Nacional da Ajuda)
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Batata
Beldroegas
Beterraba
Brócolos
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Caldas da Rainha, Paliteiro (Sécs. XIX-XX, Museu da Cerâmica)
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Cebola
Cenoura
Couves
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Charles Christofle & Cie., Pinça para espargos (Séc. XIX, Palácio Nacional da Ajuda)
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Ervilhas
Espargo
Espinafre
Fava
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Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, Azulejos (Museu José Malhoa)
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Grelos
Nabiças
Nabo
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Caldas da Rainha, Colher (Séc. XX, Museu Nacional Soares dos Reis)
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Rabanete
Repolho
Rúcula
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Fontes:

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Termos de Arte e de Arquitectura: Ampolas

Ampolas dos Santos Óleos (2.ª metade do século XVIII, Palácio Nacional de Queluz, Queluz)
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No Dicionário de Termos Artísticos e Arquitectónicos, diz-se: 
«Na antiga Grécia e em Roma, pequena ânfora de cerâmica, vidro ou outro material, utilizada para fins diversos. No início da era cristã, pequeno vaso de argila utilizado pelos fiéis para levar, dos santuários a casa, o óleo destinado a lâmpadas votivas. Na época medieval, as ampolas, feitas em materiais preciosos, continham o óleo sagrado com o qual eram coroados os reis» (Público, 2006, pág. 23).
Achei esta definição interessante, porque só conhecia o termo aplicado à química.
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Columbano Bordalo Pinheiro, O Químico (1874, Museu do Chiado - Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa)

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Do Tempo I

Ampulheta (ca. 1500-1525, The Met)
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“How did it get so late so soon? 
It's night before it's afternoon. 
December is here before it's June. 
My goodness how the time has flewn. 
How did it get so late so soon?”
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Corações

Espelho de fechadura (séc. XVII ?, Museu de Aveiro)
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Poema do coração

Eu queria que o Amor estivesse realmente no coração, 
e também a Bondade, 
e a Sinceridade, 
e tudo, e tudo o mais, tudo estivesse realmente no coração. 
Então poderia dizer-vos: 
"Meus amados irmãos, 
falo-vos do coração", 
ou então: 
"com o coração nas mãos". 

Mas o meu coração é como o dos compêndios. 
Tem duas válvulas (a tricúspida e a mitral) 
e os seus compartimentos (duas aurículas e dois ventrículos). 
O sangue ao circular contrai-os e distende-os 
segundo a obrigação das leis dos movimentos. 

Por vezes acontece 
ver-se um homem, sem querer, com os lábios apertados, 
e uma lâmina baça e agreste, que endurece 
a luz dos olhos em bisel cortados. 
Parece então que o coração estremece. 
Mas não. 
Sabe-se, e muito bem, com fundamento prático, 
que esse vento que sopra e ateia os incêndios, 
é coisa do simpático. 
Vem tudo nos compêndios. 

Então, meninos! 
Vamos à lição! 
Em quantas partes se divide o coração?
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Pendente (séc. XIX, Museu dos Biscainhos)
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Relho (Museu Nacional de Etnologia)
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Joana Vasconcelos, Coração Independente Vermelho (2005).
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(Link)

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

15 Dias para o Natal - Os Sinos e as Campainhas

Campainha em prata (1512 ou 1522, Museu Nacional de Machado de Castro - Link)
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(Link)
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sábado, 28 de setembro de 2013

Filigrana

Arrecada (VII a.C. - VI a.C. - Idade do Ferro, Museu Nacional de Arqueologia, Lisboa - Link)
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Torques (2.ª Idade do Ferro, Museu Nacional de Arqueologia, Lisboa - Link)
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Pendente (Séc. XVII, Museu dos Biscainhos - Link)
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Cofre em filigrana de ouro do 15º Vice-rei da Índia, D. Matias de Albuquerque (Indo-Português, Museu Nacional de Arte antiga, Lisboa - Link)
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Mulher trajada à moda de Famalicão (Link)
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Joana Vasconcelos, Coração independente dourado (2004 - Link)

domingo, 19 de agosto de 2012

Taças Nautilus


Esta pintura faz parte de uma tipologia de naturezas mortas, que representa objectos de luxo, conhecida em inglês por «Pronk still lifes». Segundo o texto da National Gallery de Washington, a representação de objectos preciosos esteve em voga nos anos 1650 e 1660. 
Nesta obra de Van Aelst, Pronk still life with fruit and game, tanto a Taça Nautilus como a jarra de ouro eram muito provavelmente da colecção dos Medici. 
Quando vi pela primeira vez este tipo de pinturas não tinha noção que estas taças feitos com conchas de nautilus tinham de facto existido, mas um dia encontrei esta extraordinária peça na internet:

Trata-se de uma Taça Nautilus, proveniente da Alemanha, talvez datada do século XVII, feita em prata dourada e concha de nautilus (legado João Wetzler, Museu Quinta das Cruzes, Funchal).

quinta-feira, 7 de junho de 2012

A Custódia de Belém




Gil Vicente, Custódia de Belém (1506, MNAA).
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Em ligação com o Prosimetron, no Dia de Corpo de Deus, deixo registada uma das mais belas obras de arte portuguesas, juntamente com um excerto de um texto de Brito Rebelo, de 1880, disponível na Hemeroteca Digital:

«Vasco da Gama na sua segunda viagem á India, impoz respeito ao regulo de Quiloa em Africa e d’elles recebeu como primeiras pareas mil e quinhentas maticaes de ouro, que continuariam a ser pagos anualmente. Recebido esse tributo pelo rei D. Manuel, resolveu este offertal-o ao rei dos reis, segundo a expressão consagrada. 
Para esse fim incumbiu a Gil Vicente, ourives de sua irmã, a notável rainha D. Leonor, viúva de D. João II, a feitura de uma custodia. Gosava o artista de merecida reputação na sua arte (…). 
Outro homem notável na arte que era ao mesmo tempo um tanto poeta, escriptor correcto, musico e desenhador, foi o autor do plano. Era este, Garcia de Resende. (…) 
A custodia dos Jeronymos em Belem (…) é uma peça de ouro que pesa aproximadamente trinta e dois marcos (…). 
Distinguem-se n’ella três partes: o pé, o corpo e a cúpula. O pé (…) compõe-se de uma base de uma figura proximamente hexagonal (…). 
Sobre o pé ergue-se o corpo da custodia (…). De cada lado levantam-se duas altas peças, sobremontados por baldaquins graciosos, nos quaes nichos se deparam varias estatuetas de anjos tocando instrumentos. 
Entre estas peças, logo na base, e onde o corpo da custodia assenta sobre o pé, veem-se ajoelhados (…) os apóstolos (…). Por sobre eles (…) vê-se a luneta, à qual serve de corôa uma espécie de docel, ornado superiormente de serafins, e que está colocado por baixo da cúpula. 
Esta (…) é encimada por uma elegante cruz. Dentro d’ella e na parte mais elevada descobre-se um busto coroado (…) representando o Padre Eterno, e em outro compartimento inferior a este, suspensa do alto, (…) uma pomba (…), symbolo do Espirito Santo. 
(…) 
Tudo é admirável n’este artefacto, mas nada se compara ao grupo dos apóstolos que é surpreendente (…). 
(…) 
A inscripção ao pé da custodia diz-nos a data da sua construção: O muito alto principe e poderoso Senhor Rei Dom Manuel I a mandou fazer do ouro I das páreas de Quiloa. Aquabou e CCCCCVI (…). 
É sabido que a custodia figurou na Exposição universal de Pariz de 1867, na secção retrospectiva da arte. Alli causou a mais extraordinária surpresa (…).
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Brito Rebelo, «A Custódia do Convento dos Jerónimos» in Ocidente, Ano III, nº 64, 65 e ss. Lisboa: 1880.