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quarta-feira, 17 de junho de 2020

Do Desenho segundo Francisco de Holanda IV

Albrecht Dürer, Portrait of Maximilian I (1518, Museu Albertina, Viena)
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Escreveu Francisco de Holanda, dirigindo-se a D. Sebastião:

«Não somente se deve V. A. servir do entendimento do DESENHO em todas as obras que digo, mas V.A. para sua maior perfeição e ornamento de sua pessoa e estudo deve de entender saber por sua própria mão, assim pera sua grande recreação: como porque muito lhe releva sabê-lo fazer, por quanto: lhe serve em muitas cousas de grande importância. Como fazia El-Rei que Deus tem e o Infante Dom Luis que o entendiam e exercitavam. E como outros Emperadores e Reis grandes costumavam fazer. Dos quais alguns sabiam não somente desenhar de preto, mas pintar com colores de que eu dou testemunho que vi em o Reino de França na cidade de Avinhão, em um mosteiro, uma pintura de colores muito bem feita: a qual pintou El Rei Reinero de França (...).
Como disse El Rei D. João o segundo a Garcia de Resende. Dizendo-lhe que era boa manha que ele desejava muito de a saber e o Emperador Maximiliano seu Primo era grande debuxador e folgava muito de o saber e fazer (...)».
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Francisco de Holanda, Lembrança Ao muyto Serenissimo e Christianissimo Rey Dom Sebastiam: De quãto Serve A Sciencia do Desegno e Etendimento da Arte da Pintura, na República Christam Asi na Paz Como na Guerra (Lisboa, 1571). In Jorge Segurado, Francisco d'Ollanda, Lisboa, Edições Excelsior, 1970, páginas 156 a 159. Neste excerto actualizei a linguagem e a escrita.
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Nota: Intriga-me esta referência e andei (rapidamente) à procura de estudos sobre reis artistas e nada descobri. Reis que pintaram e desenharam, por sinal muito bem, só conheço, para o século XIX, sobretudo D. Fernando, sua nora D. Maria Pia e o seu neto D. Carlos.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Do Desenho segundo Francisco de Holanda III

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«(...) Sirvssse do Desegno no Edificar das fortalezas assi em Lysboa como lhe tenho lembrado, como por todo o mais Rejno, Cidades e Vilas que se hoge custuma na christandade na forma e proporçaõ Dos Bastiães Dinos do seu Nome, baluartes, Torriões, merlos, muros, cintinellas, ou atalayas, casasmatas, Ruelins, escarpes, entulhos e fossados, com tudo o que mais pertençe (...). Assi como se seruio de mi El Rej e o Ifante na fortaleza de Mazagaõ que he feita por meu Desegno e modello (...)».
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Francisco de Holanda, Lembrança Ao muyto Serenissimo e Christianissimo Rey Dom Sebastiam: De quãto Serve A Sciencia do Desegno e Etendimento da Arte da Pintura, na República Christam Asi na Paz Como na Guerra (Lisboa, 1571). In Jorge Segurado, Francisco d'Ollanda, Lisboa, Edições Excelsior, 1970, página 151.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Do Desenho segundo Francisco de Holanda II

António de Holanda (atribuído), Calendário (mês de Outubro), Livro de Horas  (1517-1551, Museu Nacional de Arte Antiga)
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«Serve em as jmagens dos Livros iluminadas asi do Missal como de todos os outros Livros do Altar e Coro; que Devem ser feitos com grande DESEGNO E Cuidado, E discrição, como fez fazer El Rej Dom Manoel Vosso bisavô a meu pay António Dolanda o breviário (...)».
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Francisco de Holanda, Lembrança Ao muyto Serenissimo e Christianissimo Rey Dom Sebastiam: De quãto Serve A Sciencia do Desegno e Etendimento da Arte da Pintura, na República Christam Asi na Paz Como na Guerra (Lisboa, 1571). In Jorge Segurado, Francisco d'Ollanda, Lisboa, Edições Excelsior, 1970, página 142.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Do Desenho segundo Francisco de Holanda I

Leonardo da Vinci, Desenho para uma máquina de voar (1505)

«Principalmente chamo DESEGNO Aquella Idea criada no Entendimento Criado : que Emita ou quer Emitar as Eternas e Divinas Siencjas Increadas. Com que o Muiyto Poderoso SENHOR DEOS Criou todas as obras que vemos. E Comprende todas As obras que tem Invenção, ou forma, ou fermosura, ou proporção, ou que a espera de ter assi Interiores nas Ideas, como Exteriores na obra (...)».

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Francisco de Holanda, Lembrança Ao muyto Serenissimo e Christianissimo Rey Dom Sebastiam: De quãto Serve A Sciencia do Desegno e Etendimento da Arte da Pintura, na República Christam Asi na Paz Como na Guerra (Lisboa, 1571). In Jorge Segurado, Francisco d'Ollanda, Lisboa, Edições Excelsior, 1970, página 140.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Do Desenho segundo Francisco de Holanda

Michelangelo, Madonna, Child and St.John the Baptist (c. 1530, British Museum, Londres)
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«(...) Mas escrevo daquela ciência não só aprendida por ensino doutros pintores, mas Naturalmente Dada por o Sumo Mestre Deus gratuita no Entendimento procedida de sua Eterna Ciência. a qual se chama Desenho e não Debuxo, nem Pintura. O qual Desenho assim Natural no Entendimento por Deus de que Ele tem a Glória de quem nasce. É uma coisa tão grande e um dote tão Divino, que o mesmo que Deus obra nele naturalmente, obra Ele e em todas as obras que podem ser feitas ou Imaginadas. E assim como este Desenho criado no Entendimento ou Imaginativa é nascido da Eterna Ciência (...), assim a nossa Ideia crida dá origem e invenção a todas as outras obras Artes e  ofícios que usam os mortais. De que redunda toda a glória deste negócio não a Apeles, não a Miguel Ângelo, não aos outros presuntuosos como eu, mas ao Dador e Inventor de todos os Entendimentos, que é Deus. Assim que seja Ele por Isto de Infinita Glória como merece Louvado, e eu abatido como inútil que sou».
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Francisco de Holanda, Lembrança Ao muyto Serenissimo e Christianissimo Rey Dom Sebastiam: De quãto Serve A Sciencia do Desegno e Etendimento da Arte da Pintura, na República Christam Asi na Paz Como na Guerra (Lisboa, 1571). In Jorge Segurado, Francisco d'Ollanda, Lisboa, Edições Excelsior, 1970, página 139.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Histórias da Pintura

Detalhe da Escola de Atenas de Rafael Sanzio, mostrando um auto-retrato de Rafael como Apeles, olhando o espectador, e, à sua direita, um seu amigo (Perugino ou Timoteo Viti) como Protógenes (1509-1511, Palácio Apostólico, Cidade do Vaticano)
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«Vede quão estimado foy Protogenes Pintor jlustre: que estando El Rej creo que Demetrio sobre Rodes que tinha cercado, E entrãdo Ja nella e pondo lhe o fogo: a deixou de tomar aquelle dia E fez apagar o fogo somente por não Arder huma tauoa de Pintura de Protogenes que estaua naquella parte. E fez Retirar o seu Exercito E Armados so por não Danar aquella Pintura (...)».
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Francisco de Holanda, Lembrança Ao muyto Serenissimo e Christianissimo Rey Dom Sebastiam: De quãto Serve A Sciencia do Desegno e Etendimento da Arte da Pintura, na República Christam Asi na Paz Como na Guerra (Lisboa, 1571). In Jorge Segurado, Francisco d'Ollanda, Lisboa, Edições Excelsior, 1970, página 134.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Capela do Sacramento


Francisco de Holanda, «Lembrança para a capella do S. SACRAMENTO em forma de HOSTIA. - Polla parte defora -» e «Lembrança da Charola pola parte de Dentro, honde há destar o Sacrario»
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«(...) E tornando ha Capella do Santissimo SACRAMENTO. Aqui Deixo della huma muy piquena Lembrãça (...)»
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Francisco de Holanda, Da fábrica que falece à cidade de Lisboa, 1571. In Jorge Segurado, Francisco d'Ollanda, Lisboa, Edições Excelsior, 1970, pp. 124-126.
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A Igreja do Santíssimo Sacramento, existente em Lisboa, que julgo que não tem ligação à proposta por Francisco de Holanda, foi construída em 1671, nos terrenos do conde de Valadares. Destruída pelo terramoto de 1755, foi reedificada, entre 1772-1807, com projecto do arquitecto Remígio Francisco de Abreu, «(...) que manteve a planta da primitiva igreja, aproveitando os grossos paredões que resistiram ao sismo. Expoliada por altura das invasões francesas, sofreu restauros importantes entre 1872-73 (...)». Cf. Sítio da Câmara Municipal de Lisboa.
Sobre o manuscrito de Francisco de Holanda, valerá a pena ler o artigo de Cristina Osswald, «Da Fábrica que Falece à Cidade de Lisboa por Francisco de Holanda», publicado em Viajes e Cidades Míticas, com edição de Álvaro Baraibar e Martina Vinatea Recoba, Universidad de Navarra, 2015, pp. 95-112.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Das "Águas Livres"

Francisco de Holanda, «Lembrança da fonte dagoa Livre trazida ao Rossio» (1571).
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Escreveu Francisco de Holanda, em 1571, que «No vemos que as Cidades Antiguas depois dos Templos e das fortalezas e Muros e Paços: a cousa em que se mais esmerarão foi em Trazer As fontes das Agoas por grandes Arcos E Canos e Conductos has suas Cidades (...). E Lysboa onde todos bebem Agoa não tem mais que hum estreito chafariz para tanta gente (...). Hora se Lysboa Tem a Presunção da Mayor e mais Nobre Cidade do Mundo: como não tem (...) Agoa para beber a gente do Mundo? E poys ElRey vosso Avô Trouxe a Evora a Agoa da Prata (...). Tambem V.A. o Deue nisto de Emitar (...): E Deue de trazer a Lysboa AGOA LIVRE que de duas Legoas della trouxeraõ os Romãos a Ella (...). E Ganhe V. A. Esta Hõrra de fazer este benificio a Lysboa (...) de Restituir Esta fonte de Agoa Livre que assi se chama (...)».
Ora, construído o aqueduto das Águas Livres (1731-1748), ele tornou-se realmente um monumento de Lisboa, que causava admiração entre os estrangeiros que nos visitavam. Ruders, em 1799, ficou maravilhado:
«No dia 22 de Abril demos um passeio fora da cidade para visitar os célebres aquedutos de Lisboa. A descrição de monumentos tão grandiosos (…) fica sempre aquém da realidade. É impossível comunicar aos outros o sentimento de admiração que se apossou de nós logo à primeira vista, porque a imaginação não pode elevar-se a uma concepção tão sublime como aquela que a realidade apresenta».
J. Clark, sobre desenho de Bradford e H. Michel, Aqueduto de Alcântara (1809).

No livro do físico e militar escocês Adam Neale, publcado em 1809, este também proferiu: «This aqueduct is really a stupendous work, and does honor to the Portuguese nation. (…) In passing over the vale of Alcantara, it unites two hills by thirty-five-arches, fourteen of which are very large; some of them three hundred and thirty-two feet high». E, ainda em 1815, Breton de la Martinière, também não ficou indiferente: «(…) il passe avec raison pour un des plus admirables monuments de l’art des modernes (…)».
Por minha parte, cada vez que passo por ele, admiro-o, nomeadamente por saber que resistiu ao terramoto de 1755. E gostaria um dia de fazer um dos passeios que o percorrem.
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Bibliografia:
Jean Baptiste Joseph Breton de la Martinière, L'Espagne et le Portugal ou Moeurs, usages et costumes des habitants de ces royaumes, précédé d'un précis historique. Vol. 6, p. 110.
Francisco de Holanda, Da fábrica que falece à cidade de Lisboa, 1571. In Jorge Segurado, Francisco d'Ollanda, Lisboa, Edições Excelsior, 1970, pp. 99-102.
Carl Israel Ruders, Viagem em Portugal 1798-1802, Vol. I, tradução de António Feijó, Lisboa, Biblioteca Nacional, 2002, pp. 47-48.
Adam Neale, Letters from Portugal and Spain, comprising an account of the armies under their excellencies Sir Arthur Wellesley and Sir John Moore, London, Richard Phillips, 1809, p. 80.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Do Paço de Xabregas

Francisco de Holanda, Da fábrica que falece à cidade de Lisboa (1571)
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«(...) Lembra me que El Rey vosso Avo de bem aventurada Memoria depois de muito Tempo Andar em Evora e Almeirim e noutras partes finalmente determinou de se aposentar em Lysboa. E para isto fazer escolheo o sityo de Emxobregas entre Aqueles Dous Devotos Moesteiros, polo mais escolhido e mais livre lugar e da milhor vista que ha em Lisboa. E que começou Huns Paços os milhores de Portugal (...) que por sua Morte não ficaraõ acabados. (...) E vejo que V. A. não tem casas em Lysboa Dinas de sua pessoa, por onde Hora mora na Ribeira, Hora nos Estaós, Hora em (...) sem ter onde Reclinar a cabeça nesta grande Cidade: que avia de ser como Domiçilio seum, E como Huã cadeira ou Almofada, onde viesse Descanssar E Recolhersse das Importunas calmas Dalmerim E Salvaterra, E tambem das Trovoadas E Invernos da serra de Syntra (...). E acabe V. A. os Paços denxobregras que tem milhor Sytio e mais Real que todos os outros de Lysboa e fora das Importunações della. Entre Dous Moesteiros Nobelissimos Principalmente o da Madre de DEOS, com lhe nacer a Aurora E o Sol com os Primeiros Rayos sobre o Mar do meo Dia e sobre o Ryo Tejo com as barcas, E com ortas e Jardins da parte do Norte  (...)».
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Francisco de Holanda, Da fábrica que falece à cidade de Lisboa, 1571. In Jorge Segurado, Francisco d'Ollanda, Lisboa, Edições Excelsior, 1970, pp. 93-98.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Da Fortificação de Lisboa

Francisco de Holanda, «Da Fortaleza de Belém e S. Gião e baluartes» (1571)
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«Com o mesmo Cuidado e Providençia que a Cidade de Lysboa deve ser fortalecida de novo Castello e de Muros e Torres, e Portas e Baluartes e de Bastiaens, ao modo das fortalezas modernas, que hoje se costumão por toda a christãdade. E se possivel for cercada toda de Novo e forte Muro: inda que os velhos que lhe fez ElRey Dom Fernando, sejaõ ao seu modo honestamente fortes pola bõa argamassa e entulhos que tem, que foi a milhor obra que nenhum rey fez em Lysboa depois das Igrejas.
Assim mesmo deve de ser fortalecida, Repairada e acabada a fortaleza de Belem. E a de São Giaõ. Pois que tem tãto custado sem estar bem acabada. E isto com alguns baluartes fortes que lhe Respondaõ da outra banda da Trafaria e da Area da Adiça. s. hum de fronte da Torre de Belem: onde esta a torre velha. E o outro de fronte de S. Caterina de Ribamar que he a mais segura fortaleza de Lysboa ali onde acabaõ os montes Dalmada e começam a Area da ponta da Trafaria ou Cachopos.(...)»
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Francisco de Holanda, Da fábrica que falece à cidade de Lisboa, 1571. In Jorge Segurado, Francisco d'Ollanda, Lisboa, Edições Excelsior, 1970, p. 89.
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Nota: O texto do capítulo IV está completo no site Almada Virtual Museum (de onde retirei a imagem), onde tem referência para uma Tese de Doutoramento de Maria Luiza Zanatta de Souza, Um novo olhar sobre "Da fábrica que falece à cidade de Lisboa" (Francisco de Hollanda 1571), São Paulo, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, 2011.

sábado, 23 de setembro de 2017

Da Iconografia da Misericórdia

Duccio di Buoninsegna, Madonna of the Franciscans (1290-1300, Pinacoteca Nazionale di Siena)
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Bonanat Zaortiga, Vierge de la Miséricorde (c. 1435, Museu Nacional d'Art de Catalunya, Barcelona)
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Enguerrand Charonton, The Coronation of Mary (1454, Hospice, Villeneuve-les-Avignon)
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Piero della Francesca, Madonna della Misericordia (1460-1462, Pinacoteca Comunale, Sansepolcro)
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«Nel polittico della Misericordia, la prima opera certa de Piero, la nicchia era il manto della Madonna, l'architettura era dentro la figura (...).»
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Argan, Storia dell'Arte Italiana, Vol. II, p. 218.
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Domenico Ghirlandaio, Madonna della Misericordia (c. 1472, Ognissanti, Florença)

Michel Erhart ou Friedrich Schramm, Virgin of Mercy from the Church of our Lady in Ravensburg (c. 1480-90, Skulpturensammlung, Bode-Museum, Berlim)
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Bartolomeo Caporali, Madonna della Misericordia (1482, Museo Civico di San Francesco, Montone)
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Jan Provost, Nossa Senhora da Misericórdia (1515, MNAA)
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Francisco de Holanda, Nossa Senhora de Belém (1550-1553)
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Capela de Nossa Senhora da Misericórdia (Catedral de Aveiro)
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Francisco de Zurbarán, Virgin of the Misericordia (1634)