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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Afinidades LXXXVII ?

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Columbano Bordalo Pinheiro, Concerto de Amadores (1882, Museu Nacional de Arte Contemporânea-Museu do Chiado)
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José Vassalo, “Et incarnatus est”. Johann Sebastian Bach, Missa em Si, n.O 15 (1997, Museu Municipal Carlos Reis, Torres Novas)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Daumier

The Print Collector (c. 1860, Philadelphia Museum of Art, Filadélfia)
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L’amateur d’estampes (c.1860 - c.1863, Petit Palais, Paris)
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The Print Collector (c.1863 - c.1865, Art Institute of Chicago, Chicago)

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Expressões

No blogue Didatticarte, um post de 2014, refere:

«Rabbia, paura, disgusto, sorpresa, felicità e tristezza. Queste, secondo gli studiosi, sarebbero le sei emozioni primarie dell’uomo, corrispondenti ad altrettante espressioni tipiche del viso.»
Todo o post merece atenção e aqui fica o link: Quello che dice il volto: le espressioni nell’arte. 
O post chamou-me a atenção para alguns artistas que conhecia mas que não têm andado pelo blogue, e outros que nem conhecia. 
A propósito do tema ficam aqui duas pinturas de Boilly e uma de Dumier,
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Louis-Léopold Boilly, L'effet du mélodrame (1830, Musée Lambinet)
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Louis-Léopold Boilly, Une loge, un jour de spectacle gratuit (1830, Musée Lambinet)
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Entretanto, o texto fez-me lembrar o filme Inside out (2015), que separa as emoções humanas em alegria, tristeza, nojo / desprezo, medo e raiva.  Gostei imenso desse filme, mas coloco-me sempre a mesma pergunta: não haverá mais emoções para além dessas? Se sim, quais?

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Um desabafo - sobre o sensacionalismo e o sectarismo

Roger Weik, Difference of Opinion (2016)
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Não aprecio política e fujo das notícias como o diabo da cruz. Cresci numa época em que era normal ver o telejornal à hora do jantar, mas não consigo obrigar os meus filhos a isso. Porquê? Por inúmeras razões, sendo que as principais prendem-se com o tipo de jornalismo que se faz hoje em dia. 


Quando eu era pequena, o telejornal demorava cerca de 30 minutos e tinha uma sequência lógica. Começava com as notícias políticas e económicas do país, passava para as notícias internacionais, depois ia para o desporto e factos culturais. No fim, apareciam as reportagens brilhantes do Fernando Pessa, que terminavam com o «E esta, hein?» 
Não se viam mortes horríveis, nem jornalistas a entrevistaram uma pessoa com a casa em chamas e a perguntarem-lhe: «como é que se sente?» A última vez que acho que vi o telejornal com atenção foi quando um jornalista, à hora do jantar, se lembrou de dizer: «as seguintes imagens podem chocar algumas pessoas». E depois tive o "prazer" de ver, enquanto jantava, uma pessoa a auto-imolar-se. Acho imoral, Assim como acho amoral que se coloquem as notícias do futebol ao mesmo nível que a dos refugiados sírios, ou outra desgraça qualquer, isto enquanto se conta a história de um divórcio de celebridades. Não consigo obrigar ninguém, incluindo eu própria, a passar por esta provação.

Honoré Daumier, Leaving School (c. 1847-1848)

Dito isto, dirijo-me à questão que motivou este "post", tão incaracterístico deste blogue. Se há coisa que me põe os "nervos em franja" é o facto de certas pessoas aceitarem tudo o que fazem os governos conservadores de direita e, muitas vezes, aplaudirem. Vem um governo de esquerda, e ainda antes de este ter feito alguma coisa, subitamente, desata tudo a reivindicar. E reivindicam mesmo contra as leis que antes tinham aplaudido! 
Acho normal as pessoas mudarem de ideias. Eu tenho poucas certezas e arrepiam-me as pessoas que só têm certezas. Mas não acho normal uma pessoa mudar de ideias consoante os governos que estão à frente e cheira-me a oportunismo. Parece-me que as pessoas perante um governo conservador acham que têm de aceitar tudo de orelhas baixas. Mas, perante um governo mais liberal, sentem-se no direito de protestar por qualquer coisa, alto e bom som. E dão-se ao luxo de atribuir culpas a quem não tem culpa.
Não sei o que disse António Costa (porque não vejo notícias), mas vi uma pessoa a queixar-se de que os filhos estão demasiado tempo na escola. Ora, quem inventou que os pais deviam estar 40 horas / semana no trabalho foi o governo anterior. Se as crianças não tiverem avós que tomem conta delas, obviamente que têm de ficar na escola ou no ATL. E nem sequer é 40 horas. É mais 1 hora por dia, contando que os pais depois de deixarem e antes de irem buscar as crianças, têm de se deslocar e não possuem o dom do tele-transporte.

René Magritte, La culture des idées (1927)

Graças, talvez, à minha formação em História, tenho o hábito de saber atribuir o seu a seu dono. Sou tão capaz de criticar um governo de esquerda como um de direita. Apesar de ser de esquerda, se alguém de direita fez alguma coisa boa, sou capaz de a aplaudir. Se alguém de esquerda fez alguma coisa de que discordo, sou capaz de a criticar. Tenho os meus valores e as minhas ideias, muitas dúvidas. Quando mudo de ideias, tenho a humidade de o admitir, mesmo que me custe no orgulho. Aliás, uma das poucas certezas que tenho é de que não existem pessoas perfeitamente boas, nem perfeitamente más, em qualquer quadrante político, social ou religioso. Talvez por isso, não consigo aderir a nenhum partido político actual.
E sempre detestei este esquema português de obrigar os pais a estarem horas sem fim no trabalho quando têm crianças pequenas, que ficam horas sem fim na escola. Aliás, acho que devia haver uma carga menor de horário para famílias com crianças pequenas (por exemplo com menos de 12 anos), assim como para pessoas que têm a seu cargo pessoas idosas e/ou doentes. Seria mais justo, seria mais lógico.
Tenho dito.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Pensamento

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«Deus não exige de nós nenhum culto; prestamos a nossa homenagem a Deus, entramos em contacto pleno com o Universo, quando desenvolvemos a nossa Inteligência e o nosso Amor: um laboratório, uma biblioteca são templos de Deus; uma escola é um templo de Deus; uma oficina é um templo de Deus; um homem é um templo de Deus, e o mais belo de todos. Todos podemos ser sacerdotes, porque todos temos capacidades de Inteligência e de Amor; e praticamos o mais elevado dos cultos a Deus quando propagamos a cultura, o que significa o derrubamento de todas as barreiras que se opõem ao Espírito (...).»
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Agostinho da Silva, Doutrina Cristã [1943], in Textos e Ensaios Filosóficos I.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Divagaões em torno das pêras

Começo por dizer que não aprecio pêras, com excepção talvez da pêra rocha que tem direito a festival anual no Bombarral, geralmente em Agosto. Contudo, a minha filha adora pêras e o meu marido é fã de pêras com vinho:

Eu fiquei sobretudo curiosa de experimentar estas duas versões:
(Link)
(Link)

Entretanto, ontem, encontrei na revista Panorama este poema, que me encantou, de Tarcísio Trindade:

A Pereira

Tenho no meu quintal uma pereira
Menina e poeta

Branca em flor todas as Primaveras
Não dá pêras
Dá ninhos.

Decidi então prestar mais atenção às pêras e realizei uma muito breve pesquisa sobre o tema. 
Descobri que as pereiras em flor foram pintadas por Van Gogh (1888, Van Gogh Museum):

(Link)

E que as pêras já tinham merecido a atenção de outros artistas, em vários géneros, desde há bastante tempo.
Em pinturas de Nossa Senhora com o Menino, como por exemplo de Giovanni Bellini (1488, Academia Carrara, Bergamo), onde a pêra terá o mesmo significado que a maçã, indicando a Virgem como a Nova Eva e Jesus como redentor do pecado:

(Link)

Ou mais prosaicamente em naturezas mortas, como a de Luis Egidio Melendez (Museum of Fine Arts, Boston):
(Link)

Numa pintura de Manet (1868, Museu Nacional de Estocolmo):
(Link)

Ou ainda numa caricatura de Daumier (1831):
(Link)

Poderá dizer-se que é mais um fruto bastante versátil.

sábado, 27 de novembro de 2010

Compreender a arte

Honoré Daumier, The print collector (c. 1857-1863, The Art Institute of Chicago).
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«Na arte só há uma maneira de lá chegar: ver, ver, ver. Escrevi uma vez: Olhei dez mil quadros, vi mil, estudei cem e compreendi dez».
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terça-feira, 16 de junho de 2009

O Realismo (segundo Eça de Queirós)


Pintura de Honoré Daumier, Musicien des rues (Museu d'Orsay, Paris).
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«Mas Gorjão ultimamente desprezava todas essas ideias: achava-as imorais. A arte, segundo ele, devia educar pela representação das acções justas - e não pela exposição de luxos corruptores (...).
Vítor encontrou-o desenhando à luz de um candeeiro de petróleo, coberto com um abat-jour verde, que fazia cair uma luz crua sobre uma larga folha de papel, riscado de grossos traços confusos de craião (...).
A arte não era senão isto - uma força da natureza: e como tal devia ser aproveitada em proveito da civilização (...).
A arte deve ser essencialmente revolucionária. Um quadro deve ser um livro: deve ser um panfleto: deve ser um artigo de jornal.
E tudo isto meu amigo, num processo de pintura novo: nada do acabado, do estudado, do amaneirado, do trabalhado da pintura de luxo, da decoração. Não, não. A pintura não é nada - a ideia é tudo. Traços largos, sombras indicadas, tons sóbrios, que dêem a impressão exacta da realidade. Pif, paf - e dava grandes pinceladas no ar - a expressão! A expressão é tudo! Com três borrões de tinta pinto-te um agiota».
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Eça de Queirós, in Tragédia da Rua das Flores, c. 1878 (ed. 1980).

sexta-feira, 27 de março de 2009

Ecce Homo

Pintura de Daumier, Ecce Homo (1851, Folkwang Museum, Essen).
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Il faut que la peinture se voie, l'acte de peindre subsiste, s'affirme sur le sujet, pas nécessairement à ses dépens ...
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Jean-Jacques Lévêque.