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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Porque Amanhã é Dia de Reis

Já abordei o tema em 6 de Janeiro de 2014, mas volto a ele, com votos de Feliz Dia de Reis.
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Adoration of the Magi (Séc. IV, Museu do Vaticano, Roma)
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The Three Wise Men (526, Basilica de Sant'Apollinare Nuovo, Ravenna)
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Evangelistar von Speyer, Cod. Bruchsal 1, Bl. 11r (c. 1220, Badische Landesbibliothek, Karlsruhe)
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Adoration des Mages (meados do Séc. XIV, Museu do Louvre)
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Rogier van der Weyden, Bladelin Triptych (1445-1450, Gemäldegalerie, Berlim)
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Hans Memling, Adoration of the Magi Triptych (1470, Museu do Prado, Madrid)
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Gerard David, The Adoration of the Magi (National Gallery, )
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Andrea della Robbia, Adorazione dei Magi (1500-1510, Victoria and Albert Museum)
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Pieter Bruegel the Elder, The Adoration of the Kings (1564, National Gallery, Londres)
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Diego Velazquez, Adoration of the Kings (1619, Museo del Prado, Madrid)
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Johann Friedrich Overbeck, The Adoration of the Magi (1813, Kunsthalle Hamburg)
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James Tissot, The Adoration of the Magi (1886-1894, Brookly Museum)

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Do Simbolismo disfarçado nas Naturezas Mortas e outras questões

Hans Memling, St. John and Veronica Diptych (verso da ala direita) (c. 1483, National Gallery of Art, Washingon - via WikiPaintings)
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A representação de objectos esteve inicialmente ligada a uma interpretação teológica, traduzindo temas da Bíblia através de uma leitura iconográfica. Contudo, o simbolismo que se atribuía aos objectos diferia de país para país, e consoante as concepções culturais, sociais e políticas, quer do encomendador quer do artista. Pelo menos na Idade Média, é de assumir que toda a pintura tinha um significado religioso, mas, mesmo para a moral cristã, a partir do Renascimento e, sobretudo, após o Concílio de Trento, existia uma divisão de conceitos entre os católicos e os protestantes, que se reflectia no tipo de naturezas mortas pintadas. Além destas questões, mais ligadas à cultura erudita, a arte também era permeável a outros conceitos mais provincianos e da cultura popular. Deste modo, no entendimento de naturezas mortas, sobretudo do séc. XVII, pode-se procurar uma chave interpretativa da mensagem escondida na pintura, através da escolha dos objectos e sua disposição compositiva.
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Josefa de Óbidos, Natureza Morta (1660 - via WikiPaintings)
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Para além de chaves mais ou menos perceptíveis, as pinturas de natureza morta podem também ser entendidas pelo seu significado imediato e directo, relacionado com interesses económicos, políticos e culturais, valores e preferências, dentro do círculo social em que o artista estava inserido. Elas podem dizer algo sobre o pintor, comprador e local onde foram pintadas. Os objectos estão ligados às pessoas e tiram o significado dos desejos que satisfazem e das analogias que introduzem. A natureza morta com instrumentos musicais faz pensar no músico, uma mesa com frutos evoca uma refeição, os livros e papéis recordam o escritor, estudioso ou sábio, e até podem figurar no seu retrato, precisamente com o carácter de emblemas que ajudam a perpetuar a memória do retratado. Nestes casos, os objectos são o símbolo de um modo de vida, tema de reflexão e de introspecção.
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Paul Cézanne, Compotier, Glass and Apples (Still Life with Compotier) (1880, via The Athenaeum)
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Muitos artistas deram preferência à representação de naturezas mortas, o que pode indiciar uma tendência para o isolamento, implicando disciplina espiritual e concentração. No entanto, também há artistas mais dinâmicos que se dedicaram a naturezas mortas, conferindo movimento ao tema através da composição e de efeitos de claro-escuro, como é o caso da pintura barroca. 
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Eduardo Viana, Louça de Barcelos (1915, via WikiPaintings)
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De facto, cada época introduziu nas naturezas mortas objectos de que se serviu, mas alguns desses objectos surgem desde a Antiguidade, como o caso dos frutos. São em geral objectos com ligação ao ser humano, que traduzem a intimidade doméstica. A natureza morta pode ser encarada como um mundo em miniatura, que projecta sentimentos e percepções humanas, como a solidão, a serenidade, a abundância, ou até a alegria.
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Bibliografia:
Meyer Schapiro, Style, Artiste et Societé, Paris, Gallimard, 1982.
Norbert Scneider, Still Life Painting in the Early Modern Period, Taschen, 1994.
Luís de Moura Sobral, «Três "bodegones" do Museu de Évora - algumas considerações», in Colóquio - Artes, n.º 55, Dezembro, 1982.

domingo, 6 de outubro de 2013

Em torno das oliveiras

Hans Memling, Angel Holding an Olive Branch (1475, Musée du Louvre, Paris - Link)
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Sendo a oliveira uma árvore com tradições bíblicas e ligada à cultura medierrânica, simboliza também a paz.
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Vasilii Polenov, Olive Trees in the Holy Land (1879, Zimmerli Art Museum at Rutgers University - Link)
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A oliveira dá-nos a azeitona, que nos dá o azeite, servindo para a alimentação e, noutros tempos, para a iluminação.
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Francesco Lojacono, L'oliveto (Link)
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No entanto, em Portugal, pelo que vi de uma rápida pesquisa na internet, incluindo o Matriznet e o Matrizpix, os nossos artistas não se interessaram muito por estas árvores.
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John Singer SargentThe Olive Grove (c. 1908, Indianapolis Museum of Art - Link)
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Vincent van GoghOlive Grove with Picking Figures (1889, Rijksmuseum Kröller-Müller, Otterlo - Link)
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Claude Oscar MonetThe Olive Tree Wood in the Moreno Garden (1884 - Link)
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Além do mais, junto do local onde trabalho, existem numerosas oliveiras carregadas de azeitonas, as quais, à falta de quem as apanhe, vão caindo para o chão.

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Mas, na nossa tradição musical,
 há algumas canções bem conhecidas dedicadas a elas, de que destaco uma que muito marcou a minha infância.

sábado, 2 de março de 2013

Viático para a eternidade

Hans Memling, Tommaso di Folco Portinari e Maria Portinari (Maria Maddalena Baroncelli) (c. 1470, The Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque).
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«Aquele que foi já não pode mais não ter sido: doravante, esse fato misterioso, profundamente obscuro de ter sido é o seu viático para a eternidade»
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Vladimir Jankelevich,
Citado por Paul Ricoeur, A memória, a História, o Esquecimento, São Paulo, Editorial Unicamp, 2007.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Nossa Senhora no Trono com o Menino, pintada por Memling

Virgin and Child Enthroned with two Musical Angels (1465-67, Nelson-Atkins Museum of Art, Kansas
City).
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Madonna and Child with Angels (depois de 1479, National Gallery of Art, Washington).
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Madonna and the Child Enthroned with two Angels (1490-91, Galleria degli Uffizi).
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Gosto muito de pintura flamenga, que sempre me fascinou, pelo naturalismo da representação, pela riqueza dos detalhes, pela pelo esplendor do colorido, pela forma como consegue trazer para as representações de figuras sagradas, imagens e objectos do quotidiano, sacralizando o próprio quotidiano. Gosto muito de imagens da Virgem com o Menino e, entre elas, da iconografia da Virgem no Trono, que tem origem e tradição na arte bizantina, nomeadamente na tipologia da Virgem Kyriotissa. Contudo, enquanto os ícones bizantinos figuram a Virgem hierárquica, sobre um fundo dourado, que a remete para um espaço não humano; a pintura flamenga figura uma Virgem doce, segurando o Menino, que em vez de abençoar os crentes, age, pelo menos aparentemente, como uma criança. Os anjos que a rodeiam não são seres estáticos e celestiais, inalcansáveis, são seres alados, mas amáveis, que até podem estar próximos dos doadores, como no caso de uma Virgem Entronizada de Londres. Fascina-me este mundo de pequenos gestos, de proximidades, que traz para junto do crente os seres celestiais; que não se separa do nosso mundo. As paisagens atrás da Virgem e do Menino são verosímeis; o chão que se perspectiva abrindo na direcção do espectador, torna-nos participantes do momento sagrado. No site da National Gallery de Washington, refere-se ainda outro factor característico da pintura flamenga, que pode ser observado nestas pinturas: a maneira como os gestos, a arquitectura e os objectos que rodeiam as figuras sagradas, são carregados de simbolismo. Em dois destes quadros, Jesus estende as mãos para uma maçã, símbolo do pecado original. A sua atitude de aceitação indica não só que ele vem trazer uma redenção do pecado, mas também que se irá sacrificar para salvar a humanidade. Na pintura de Washington, nas colunas, está figurado o Rei David, antecessor de Cristo, e o Profeta Isaías, que anunciou o Nascimento da Virgem.
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Sobre este assunto, sugere-se ainda a leitura do texto de José António Ferreira de Almeida, A Virgem com o Menino na Arte Medieval, Porto, Edições Marânus, 1954 (Link).