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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

No baloiço


Pintura de Paul Delaroche, Jeune fille à la balançoire (1845, Musée des Beaux-Arts de Nantes).

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«Quem vive na tranquilidade, que seja mais activo; quem vive na actividade deve encontrar tempo para descansar. Segue a natureza: ela te lembrará que fez o dia e a noite»
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sábado, 17 de outubro de 2009

À Beleza

Pintura de Paul Delaroche, Art Gothique (Nantes).
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Não tens corpo, nem pátria, nem família,
Não te curvas ao jugo dos tiranos.
Não tens preço na terra dos humanos,
Nem o tempo te rói.
És a essência dos anos,
O que vem e o que foi.
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És a carne dos deuses,
O sorriso das pedras,
E a candura do instinto.
És aquele alimento
De quem, farto de pão, anda faminto.
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És a graça da vida em toda a parte,
Ou em arte,
Ou em simples verdade.
És o cravo vermelho,
Ou a moça no espelho,
Que depois de te ver se persuade.
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És um verso perfeito
Que traz consigo a força do que diz.
És o jeito
Que tem, antes de mestre, o aprendiz.
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És a beleza, enfim. És o teu nome.
Um milagre, uma luz, uma harmonia,
Uma linha sem traço...
Mas sem corpo, sem pátria e sem família,
Tudo repousa em paz no teu regaço.
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Miguel Torga.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Ateliers de artistas

Pintura de Paul Delaroche, Pallissy in is workshop (c. 1832, The Wallace Collection).
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Pintura de José Malhoa, O Atelier do Escultor Simões de Almeida (1883, Museu de Arte de São Paulo).
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Sempre gostei de pinturas representando ateliers de artistas. Estas duas interessaram-me por diferentes motivos.
O quadro de Malhoa representa Simões de Almeida a trabalhar. É um quadro que se enquadra no estilo Naturalista, figurando o escultor enquanto executa uma estátua de tamanho monumental. O mais interessante para mim é a luz que vem de cima, da clarabóia, o que não é muito habitual; o contraste entre o tamanho do homem em comparação com o da estátua e, sobretudo, a temática, pouco comum na obra de Malhoa - longe das representações garridas de paisagens e de costumes populares. Tudo sem notas dramáticas, como se de uma fotografia se tratasse.
A obra anterior (feita cerca de 50 anos antes) é de um artista francês ligado ao Academismo. Pintura ainda de cariz romântico, mostra o atelier sombrio de um grande ceramista francês do Renascimento. Conta a lenda que Pallissy vivia tão obececado com a temperatura do forno para a cozedura das peças cerâmicas, que gastou com isso a sua fortuna, chegando a queimar as próprias mobílias. A pintura mostra precisamente o dramatismo que domina na sua oficina, predominando a escuridão, quebrada apenas pela luz do fogo, que absorve a atenção do artista.
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Margarida Elias.