sexta-feira, 18 de julho de 2014

E barcos ainda mais

Desta vez a minha curiosidade começou com o Egon Schiele (1890-1918), que descobri que tem quadros de barcos lindíssimos. Procurando outros barcos, cheguei à conclusão (provisória) de que antes de meados do século XIX os pintores pintavam mais navios e barcos de guerra do que barcos mais simples. Mas desde meados de oitocentos até aos nossos dias, os barcos de recreio e de pescadores tornaram-se protagonistas de uma quantidade infindável de obras de arte, sobretudo na pintura. No artesanato também aparecem, como seria de esperar, e encontrei alguns bem engraçados que até têm direito a nome. Lembrei-me por fim dos barcos comestíveis, nomeadamente dos "támares", bolo típico da Nazaré que só descobri no ano passado.
-
Salomon van Ruysdael, A River Landscape with Boats and Chateau (1645)
-
Silva Porto, Canoas (1883, Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, Lisboa)
-
Odilon Redon, The Mysterious Boat (c.1892)
-
-
Raoul Dufy, Regatta at Cowes (1934, National Gallery of Art, Washingon)
-
Almada Negreiros, Quem não viu Lisboa não viu coisa boa (1946-1948, Gare Marítima de Alcântara, Lisboa - in Restos de Coleccção)
-
Álvaro Laborinho, Barco das chávegas, que entra (1931, Museu Dr. Joaquim Manso)
-
Álvaro Ricardo Guincho (Nazaré), Barco do candil (miniatura) - Rumo ao mar (séc. XX, Museu Dr. Joaquim Manso)
-
 
Támares (Nazaré)
-
e Moliceiros (Aveiro)

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Moinhos há muitos

Prato holandês (séc. XVII, Palácio Nacional da Pena)
-
Rembrandt, The Mill on the Het Blauwhoofd (c.1650)
-
Camille Corot, A Windmill at Montmartre (c.1845, Musée d'Art et d'Histoire, Geneva)
-
Vincent van Gogh, Le Moulin de la Gallette (1887, Carnegie Museum of Art, Pittsburgh)
-
Paul Gabriël, Mill on a lake (1860-1903, Rijksmuseum Amsterdam)
-
Vladimir Makovsky, Summer (1896)
-
Piet Mondrian, Mill of Heeswijk Sun
-
Theo van Rysselberghe, The Mill at Kelf (1894)
-
Franz Marc, The Enchanted Mill (1913, Art Institute of Chicago)
-
Varela Pécurto, Sem parar (Souselas) (1954, Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea)

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Da cultura do arroz

Comecei a minha curta "viagem" por uma pintura de Júlio Pomar (n. 1926), descobri que existia (pelo menos) mais uma, sobre o tema, do mesmo artista e ambas baseadas em fotografias neo-realistas (link). Curiosamente, inserem-se num experiência «realizada em 1953 em que participaram Júlio Pomar, Alves Redol, Rogério Ribeiro, Cipriano Dourado e António Alfredo. O grupo foi para os arrozais do Ribatejo para entrar em contacto com a realidade viva do povo trabalhador. O objectivo era o registo de pessoas, ambientes e modos de viver, do povo, que seria utilizado como matéria-prima e fonte de inspiração para trabalhos dos artistas participantes» (link). Entretanto fui procurar mais arroz na pintura e descobri algumas interessantes, nomeadamente de Clara Peeters (1594-c.1657), Angelo Morbelli (1853-1919) e Vicente Manansala (1910-1981). Terminei a viagem com umas taças de porcelana japonesa (link) e um prato de arroz-doce.
-
Clara Peeters, Mesa (detalhe) (1610-1615, Museu do Prado, Madrid)
-
Angelo Morbelli, In the Rice Fields (1901)
-
-
Júlio Pomar, Ciclo do Arroz I
-
Cipriano Dourado, Plantadora de arroz (1954, Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea)
-
Vicente Manansala, Planting Rice (1967)
-
-

terça-feira, 15 de julho de 2014

Quando as aves falam...

Lucy Grossmith, Early Summer Scene
-
«Quando as aves falam com as pedras e as rãs com as águas - é de poesia que estão falando.»
-

Um desafio...

A Ana de (In)Cultura convidou-me e aqui vão as minhas respostas (embora assuma que já li as da Ana e as da MR no Prosimetron, e por isso já vou um bocado influenciada):


O mundo seria muito mais feliz se ...
As pessoas se respeitassem mais - e cumprissem a norma «não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti».

Uma amizade é realmente importante quando ...
Se mantém mesmo com dificuldades e distâncias - e persiste mesmo quando há diferenças de opiniões.

Paciência e tolerância são para mim ...
Importantes - um bom exercício.

Algo que me irrita profundamente é ...
A maldade, a arrogância e a "mania das grandezas".

Acho que as pessoas mais humildes ...
São as que merecem mais respeito.

Quando o dia amanhece nublado eu ...
Fico aborrecida e tento não pensar nisso - mas já fico contente se não for daqueles dias em que está sempre a chover.

Uma qualidade indispensável nas pessoas é ...
Saber ouvir os outros.

-
Quanto aos convites, escolhendo aqueles que ainda não participaram e poderão gostar de o fazer, convidaria a Sandra do Presépio com Vista para o Canal e a Mariana dos Retratos de Varsóvia.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Avelãs

(link)
-
«Close to where they stood grew a hazel-bush, covered with beautiful nuts. They soon gathered some, cracked them, and ate the fine young kernels, which were only just ripe. But there was another surprise and fright in store for them. Out of the thicket stepped a tall old woman, her face quite brown, and her hair of a deep shining black; the whites of her eyes glittered like a Moor’s; on her back she carried a bundle, and in her hand a knotted stick. She was a gypsy. The children did not at first understand what she said. She drew out of her pocket three large nuts, in which she told them were hidden the most beautiful and lovely things in the world, for they were wishing nuts. Ib looked at her, and as she spoke so kindly, he took courage, and asked her if she would give him the nuts; and the woman gave them to him, and then gathered some more from the bushes for herself, quite a pocket full. Ib and Christina looked at the wishing nuts with wide open eyes.»
-
Hans Christian Andersen, Ib and Little Christina (1855)
-

Tomás Yepes, Bodegón con dulces y frutos secos (c. 1650)

sábado, 12 de julho de 2014

Aprazíveis Diálogos

«The Door to Nowhere», Santorini, Greece
-
No Prosimetron surgiu uma ligação para um post do Boredpanda sobre as mais belas portas do mundo. Há muitas portas bem bonitas, mas gostei especialmente desta. Achei que seria boa para começar os "aprazíveis diálogos" para que a Ana me convidou, pois uma porta, sobretudo para lado nenhum, pode ser um portal mágico, pelo menos para a imaginação. Li recentemente* uma frase que me agradou e  que talvez caiba bem aqui:

«Para além da aparência fácil do que te cerca uma outra realidade mais subtil te espera.»

*José Manuel citado in Cátia Mourão, A Mansão Filosofal da Rua de Alcolena, Um Conceito de Obra Total, Chiado Editora, 2013, p. 14.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

O passado


Mestre Pero, Cavaleiro Medieval (1325-1350, Museu Nacional Machado de Castro)
-
«(...) el pasado proporciona evasión y puede ser una forma de agradable escapismo (...)».
-
Cf. Isabel Campi, Diseño y Nostalgia, El Consumo de la Historia, Barcelona, Ediciones de Belloch, 2007, p. 65

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Bondade e humildade

Mary Stevenson Cassatt, Feeding the Ducks (c. 1895, Allen Memorial Art Museum, Oberlin College)
-
«There are two things that men should never weary of, goodness and humility; we get none too much of them in this rough world among cold, proud people.»

Politicamente incorrecto

(link)
-
Não gosto muito de me meter em política e cada vez que penso nela lembro-me de Rafael Bordalo Pinheiro, homem que muito admiro. Acredito em cidadania e em respeito pelos outros, mas por vezes parece-me que a política e a cidadania são coisas distantes - mas não deveriam ser. Ontem assisti a uma reunião participativa da Câmara Municipal de Lisboa que me deixou preocupada. O que é uma cidade? Para quem se dirigem as políticas camarárias? 
Já há muito tempo que não estudo estes temas mas creio que uma cidade é mais do que um aglomerado de casas e pessoas. Deve ter locais de convívio, espaços comunitários, estruturas que permitam qualidade de vida para os seus habitantes. Julgo também que, para a Câmara, as pessoas que vivem na cidade são mais importantes que os turistas que as visitam; e que as pessoas que vivem nos bairros são mais importantes que aquelas que os visitam. 
Dito de outro modo, julgo que a Câmara devia dar prioridade às pessoas que vivem e trabalham em Lisboa. Deveriam existir mais locais onde as famílias pudessem passear e eventos culturais dirigidos para a população em geral e não (somente) para faixas minoritárias. Porque é que se organizam eventos num bairro se esses eventos não interessam (de facto) às pessoas que habitam nesse bairro? Porque é que se investe tão pouco nos idosos e nas famílias? Como é possível que se invista tanto em eventos para jovens e turistas, se ainda existem tantos problemas nas escolas, nomeadamente com falta de pessoal auxiliar? Como é possível que haja espaços verdes onde raramente se faz alguma coisa que interesse à população comum? Como é possível que o espaço da feira popular ainda continue vazio e não há nenhum sítio equivalente em Lisboa para o substituir? (como existe em Viena de Áustria, por exemplo). Como é possível que nas festas de Lisboa não haja nada gratuito dirigido às famílias? Isto já para não falar nos prédios degradados e nas ruas esburacadas.
Ontem fiquei com a sensação que quem não for boémio, turista, jovem, ou rico o suficiente para viver num condomínio privado ou numa zona "nobre", mais vale mudar-se...
E, para descontrair, de cada vez que penso em politicamente incorrecto, lembro-me de uma das minhas séries preferidas de sempre, a Murphy Brown.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Arte & Ciência

Georg Anton Rasmussen, Hytter ved Fjorden (Huts by a Fjord) (1885)
-
«It would be possible to describe everything scientifically, but it would make no sense; it would be without meaning, as if you described a Beethoven symphony as a variation of wave pressure.»
-
Einstein 

terça-feira, 8 de julho de 2014

A Arte

Konstantin Yakovlevich Kryzhitsky, The Lake (1896, Vladimir & Suzdal Museum of History, Art and Architecture, Vladimir)
-
«O único critério da arte é o êxtase. Onde falta o encantamento, falta também a arte.» 
-
Denis Huisman, A Estética, Edições 70, 1997, p. 78.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

O impossível

Thomas Cooper Gotch, The Wizard
-
«The limits of possible can only be defined by going beyond them into the impossible.»
-

domingo, 6 de julho de 2014

Praia(s)

-
«Alice had been to the seaside once in her life, and had come to the general conclusion, that wherever you go to on the English coast you find a number of bathing machines in the sea, some children digging in the sand with wooden spades, then a row of lodging houses, and behind them a railway station.»
-

sábado, 5 de julho de 2014

«A Minha Felicidade»

Robert Tilling, Distant Gorey Castle
-
A Minha Felicidade

Depois de estar cansado de procurar 
Aprendi a encontrar. 
Depois de um vento me ter feito frente 
Navego com todos os ventos. 
-

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Baloiços

Francisco de Goya e Real Fábrica de Tapeçarias de Santa Bárbara (Madrid), Tapeçaria O Baloiço (Série Cenas da vida em Madrid) (c. 1784, Palácio Nacional da Ajuda)
-
Nicolas Lancret, The Swing (c. 1735, Victoria and Albert Museum, Londres)
-
Jean-Honoré Fragonard,  The Swing (1767, Wallace Collection)
-
Frank William Warwick Topham, Young girl on a swing (1891)
-
Winslow Homer, Girl on a Swing (1879, Hunter Museum of American Art)
-
Pierre-Auguste Renoir, La Balançoire (1876, Musée d'Orsay, Paris)
-
Quino (link)
-
(link)

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Arte e percepção

Willem Bastiaan Tholen,  De schilder Gabriël aan het werk in de vrije natuur (1882, Museum Boijmans Van Beuningen, Rotterdam)
-
«A arte faz-nos sem dúvida descobrir nas coisas mais qualidades e mais cambiantes do que nos apercebemos naturalmente. Ela dilata a nossa percepção.»
-
Henri Bergson, citado por Denis Huisman, A Estética, Edições 70, 1997, p. 60.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Julho

Irmãos Limbourg, Les très riches heures du Duc de Berry: Juillet (1412-1416, Musée Condé, Chantilly)
-
António de Holanda (atribuído), Livro de Horas: Calendário (mês de Julho) (1517-1551, Museu Nacional de Arte Antiga)
-
Jacob van Huysum, Twelve months of flowers: July (Fitzwilliam Museum)
-
Paul Gabriël, Windmill on a Polder Waterway (In the Month of July) (c. 1880-1889, Rijksmuseum Amsterdam)
-
Isaac J. Cullin, Newmarket, a July Meeting (1901)