quarta-feira, 31 de março de 2010

I would rather have birds than airplanes...

Imagem de Neverland.
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«I realized that If I had to choose, I would rather have birds than airplanes».

terça-feira, 30 de março de 2010

O Ninho

Imagem in The Graphics Fairy.
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Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.

Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...
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segunda-feira, 29 de março de 2010

O tempo perguntou ao tempo...


John Tenniel, White Rabbit de Alice in Wonderland.
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 O tempo perguntou ao tempo 
qual é o tempo que o tempo tem. 
O tempo respondeu ao tempo 
que não tem tempo para dizer ao tempo 
que o tempo do tempo 
é o tempo que o tempo tem.
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sábado, 27 de março de 2010

Domingo de Ramos

Pintura de Giotto, Entrada de Jesus em Jerusalém (Capela Scrovegni, Pádua).
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Último domingo da Quaresma, antes da festa da Páscoa. Celebra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, por entre a multidão que agita ramos de palmeira e exclama «Hossana ao filho de David». A celebração começa com a bênção dos ramos: palmas, ramos de oliveira ou outra folhagem. É seguida duma procissão. Os ramos são depois levados pelos fiéis, para serem colocados junto de crucifixos, de forma a simbolizar a vitória de Cristo sobre a morte.
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In Dicionário da Bíblia e do Cristianismo.
Ver também: Prosimetron.
Sobre os costumes da Polónia: Retratos de Varsóvia.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Da Primavera nova...

Pintura de Walter Crane, La Primavera (1883).
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Palavras
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Não sei se te direi noutras palavras
do dia o sobressalto a ansiedade
da Primavera nova abrindo em flor.
E que outras palavras te dizer
que resguardem do sol alvoroçado
este crescer assim quem sabe amor?
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Poema de João Mattos e Silva (1997).

quinta-feira, 25 de março de 2010

A Primavera

Pintura de Childe Hassam, Geraniums (1888).
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Glória
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Depois do Inverno, morte figurada,
A Primavera, uma assunção de flores.
A vida
Renascida
E celebrada
Num festival de pétalas e cores.
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Miguel Torga,

Anunciação

«Tous les temps sont donc à l'oeuvre dans le moment de l'Annonciation»
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Didi-Hunerman.

Pinturas de Fra Angelico, Anunciação (Convento de São Marcos, Florença).
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São várias as razões deste post... O meu tema preferido na Arte é o da Anunciação. Fico fascinada com todas as suas variantes, com todos os significados e também com a imagem do anjo Gabriel. Depois, hoje é dia 25 de Março, dia da Anunciação. Passa-se na Primavera, daí as flores no jardim.
Por outro lado, a escolha destas imagens em particular, tem a ver com um dos momentos mais mágicos da minha vida que foi a visita ao Convento di San Marco, em Florença. A beleza das celas, todas de uma sobriedade tocante, apenas decoradas (se assim se pode dizer) com frescos de Fra Angelico, marcou-me profundamente.
A escolha da frase, do livro de Didi-Heberman sobre Fra Angelico, também não é inocente: é um dos meus livros preferidos.
Por fim, não talvez por acaso, no dia do meu casamento, a música do "bolo de noiva" foi «My Angel Gabriel» dos Lamb. E esse foi um dos três momentos ainda mais mágicos da minha vida, contando com o nascimento dos meus dois filhos.

quarta-feira, 24 de março de 2010

A Onda

 Pintura de José Malhoa, Praia Mar (1911).
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 As when far off in the middle of the ocean
A breast-shaped curve of wave begins to whiten
And rise above the surface, then rolling on
Gathers and gathers until it reaches land
Huge as a mountain and crashes among the rocks
With a prodigious roar, and what was deep
Comes churning up from the bottom in mighty swirls
Of sunken sand and living things and water —
So in the Springtime every race of people
And all the creatures on earth or in the water,
Wild animals and flocks and all the birds
In all their painted colors, all rush to charge
Into the fire that burns them: love moves them all.
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Translated by Robert Pinsky, The Threepenny Review, in JAPONISME.

terça-feira, 23 de março de 2010

Sonhos...

Pintura de Rafael, Alegoria (Sonho de um Cavaleiro) (c. 1504, National Gallery, Londres).
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«Man is a genius when he is dreaming».
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segunda-feira, 22 de março de 2010

No dia da Água

Pintura de Georges Seurat, Bathing at Asnièrs (1884, National Gallery, Londres).
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«Water is life's mater and matrix, mother and medium. There is no life without water».
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domingo, 21 de março de 2010

No dia da Árvore e da Poesia...

Pintura de Georgia O'Keeffe, The Lawrence Tree (1929, Wadsworth Antheneum, Hartford).
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As árvores e os livros
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As árvores como os livros têm folhas
e margens lisas ou recortadas,
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas.
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E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas,
no pecíolo, no limbo, nas nervuras.
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As florestas são imensas bibliotecas,
e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: «Floresta das zonas temperadas».
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É evidente que não podes plantar
no teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
basta um vaso de sardinheiras.
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Jorge Sousa Braga.

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Acerca desta pintura: Wodsworth Atheneum: mostra a árvore com a copa para baixo, tal como preferia Georgia O'keeffe, que também dizia que esta pintura podia ser exposta em qualquer posição.

sábado, 20 de março de 2010

Porque hoje começa a Primavera...

Childe Hassam, Peach Blossoms (1889).
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«Springtime is the land awakening.  The March winds are the morning yawn».  
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sexta-feira, 19 de março de 2010

No dia do pai...

Sou pequenino
Como um botão
Guardo o papá no bolso
E a mamã no coração.
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O bolso rasgou-se
E o papá caiu no chão.
Eu peguei nele ao colo
E pu-lo no coração.
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Imagem: Angelita Scardua.

quinta-feira, 18 de março de 2010

A Imaginação

Pintura de Amadeo de Souza-Cardoso, Entrada (1917, Centro de Arte Moderna, Lisboa).
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«L' Imagination est une faculté quasi divine qui perçoit tout d'abord, en dehors des méthodes philosophiques, les rapports intimes et secrets des choses, les correspondances et les analogies».
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Charles Baudelaire,
citado no PROSIMETRON.

quarta-feira, 17 de março de 2010

O Arco-íris II


Pintura de Rubens, Landscape with a Rainbow (c. 1630, Museu do Hermitage, São Petersburgo).
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«When all the world is a hopeless jumble
And the raindrops tumble all around,
Heaven opens a magic lane
When all the clouds darken up the skyway,
There's a rainbow highway to be found
Leading from your window pane
To a place behind the sun,
Just a step beyond the rain».
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E. Y. Harburg, Over the Rainbow (excerto).

terça-feira, 16 de março de 2010

À espera da Primavera...

Pintura de Henri Martin, Chapelle Rose.
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 «Never cut a tree down in the wintertime. Never make a negative decision in the low time. Never make your most important decisions when you are in your worst moods. Wait. Be patient. The storm will pass. The spring will come».
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segunda-feira, 15 de março de 2010

Narcisos

Pintura de Carl Thomsen, Arranging daffodils (1894).
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«Daffodils,
That come before the swallow dares, and take
The winds of March with beauty».
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domingo, 14 de março de 2010

Compreender

Pintura de Vieira da Silva, Biblioteca (1953).
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«Dans la vie, rien n'est à craindre, tout est à comprendre».
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sábado, 13 de março de 2010

Cores e formas

Pintura de Georgia O'keeffe, Escada para a Lua (1958).
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« I found I could say things with color and shapes that I couldn't say any other way - things I had no words for».
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Georgia O'Keeffe.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Crescer

Pintura de Berthe Morisot, Chasse aux papillons (ca. 1874, Museu d'Orsay, Paris).
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«We do not grow absolutely, chronologically. We grow sometimes in one dimension, and not in another, unevenly. We grow partially. We are relative. We are mature in one realm, childish in another».
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quinta-feira, 11 de março de 2010

Pintura I

Pintura de Mary Cassatt, In the Loge (1878, Museum of Fine Arts, Boston).
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«If painting is no longer needed, it seems a pity that some of us are born into the world with such a passion for line and color». 
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quarta-feira, 10 de março de 2010

A Arte do Retrato

Pintura de Elisabeth-Louise Vigée-Le Brun, Madame Vigée-Le Brun et sa Fille (1789, Museu do Louvre, Paris).
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«Depuis son origine, l'art du portrait serait indissociable sinon de l'humanisme, en tous cas de la conviction qu'en représentant le visage, en construisant son unité visible par des moyens purement plastiques, on donne accès à l'âme».
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Françoise Coblence (1994).

terça-feira, 9 de março de 2010

A Importância da Arte

Pintura de Josefa d'Óbidos, Cesta com Cerejas, Queijos e Barros (c. 1670-1680).
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«A arte é, provavelmente, uma experiência inútil; como a «paixão inútil» em que cristaliza o homem. Mas inútil apenas como tragédia de que a humanidade beneficie; porque a arte é a menos trágica das ocupações, porque isso não envolve uma moral objectiva. Mas se todos os artistas da terra parassem durante umas horas, deixassem de produzir uma ideia, um quadro, uma nota de música, fazia-se um deserto extraordinário. Acreditem que os teares paravam, também, e as fábricas; as gares ficavam estranhamente vazias, as mulheres emudeciam. A arte é, no entanto, uma coisa explosiva. Houve, e há decerto em qualquer lugar da terra, pessoas que se dedicam à experiência inútil que é a arte, pessoas como Virgílio, por exemplo, e que sabem que o seu silêncio pode ser mortal. Se os poetas se calassem subitamente e só ficasse no ar o ruído dos motores, porque até o vento se calava no fundo dos vales, penso que até as guerras se iam extinguindo, sem derrota e sem vitória, com a mansidão das coisas estéreis. O laço da ficção, que gera a expectativa, é mais forte do que todas as realidades acumuláveis. Se ele se quebra, o equilíbrio entre os seres sofre grave prejuízo».
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segunda-feira, 8 de março de 2010

No dia da mulher...

Pintura de Artemisia Gentileschi, Auto-Retrato como Alegoria da Pintura (1630, Royal Collection, Londres).
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Muito embora eu não seja nada feminista - acredito que igualdade é igualdade de direitos e deveres, tendo em consideração as diferenças naturais e óbvias - gosto que haja um dia da mulher.
Decidi utiliza-lo para meditar em mulheres que admiro na História, tentando encontrar pelo menos sete - Do dia da mulher irei fazer uma semana da mulher.
Esta é a primeira. A História da Arte está cheia de homens, tendo havido excelentes pintoras que ficaram um pouco esquecidas. 
Artemisia Gentileschi (1597-1651) era filha de um pintor, Orazio Gentileschi, tendo sido uma das mais importantes representantes da pintura tenebrista barroca, influenciada por Caravaggio.
Este auto-retrato é lindíssimo, notável em vários aspectos. Gosto da pose, que mostra o rosto, mas em escorço (ela não se poderia ver assim ao espelho...).  É também interessante a maneira como ela se concentra na pintura que está a fazer, ainda no começo, a qual ocupa quase metade do quadro, como se ela  pudesse emergir da própria obra que está a criar.
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Margarida Elias.

domingo, 7 de março de 2010

Walter Crane

Pintura de Walter Crane, Os Cavalos de Neptuno (1893, Neue Pinakothek, Munique).
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Descobri há pouco tempo esta pintura e fiquei fascinada com a utilização que o artista fez dos cavalos a correr, que se assemelham à espuma na crista de uma onda na rebentação.  
Walter Crane (1845-1915) foi um pintor inglês, filho de Thomas Crane, um pintor de miniaturas. Foi influenciado pelos Pré-Rafaelitas e pelas gravuras japonesas. Em 1864, começou a ilustrar para Edmund Evans, uma série de livros com «nursery rhymes». A ilustração de «Goose Girl» tirada do livro Household Stories from Grimm (1882) foi reproduzida em tapeçaria por William Morris. No início dos anos oitenta esteve ligado ao movimento Socialista, sob a influência de Morris. Fez desenhos para papel de parede, tecidos e objectos de decoração. Em 1888, fundou a Arts and Crafts Exhibition Society. Nesse mesmo ano associou-se à Water Colour Society e, em 1898, foi o director da Royal College of Art. As suas lições dadas em Manchester  foram publicadas com ilustrações no livro The Bases of Design (1898) e Line and Form (1900). The Decorative Illustration of Books, Old and New foi outra das suas contribuições para a teoria da ilustração de livros.

sábado, 6 de março de 2010

Esperando pela chegada da Primavera...

Anselmo Bucci, La Primavera (1936).

«A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la».
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sexta-feira, 5 de março de 2010

Procura

 
Pintura de Simeon Salomon, Study of a Girls Head (1863)
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«The pursuit of truth and beauty is a sphere of activity in which we are permitted to remain children all our lives».
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quinta-feira, 4 de março de 2010

Mosteiro da Batalha


Mosteiro da Batalha.
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«A história pode comparar-se a uma coluna polígona de mármore. Quem quiser examiná-la deve andar ao redor dela, contemplá-la em todas as suas faces». 
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quarta-feira, 3 de março de 2010

Daphne e a Coroa de Louros

 
Escultura de Bernini, Apolo e Daphne (1622-1625, Galleria Borghese, Roma).
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«Alguns acreditam, porque sabem que Daphne era amada por Febo e se transformou em louro, que Febo foi o primeiro autor e patrono dos poetas, e também alguém que triunfou, e que por amor desse louro coroava as suas liras e triunfos com as suas folhas. Os homens seguiram o seu exemplo (...) É verdade que esta opinião não me desagrada, e não nego que assim possa ter sido, mas existe outra razão que me intriga. E que é a seguinte. Aqueles que investigam as virtudes das plantas e a sua natureza consideram que o louro, entre outras propriedades, possui três especialmente notáveis e louváveis. A primeira, como sabemos, é nunca perder o verde das suas folhas. A segunda, é a árvore nunca ser atingida pelos raios, fenómeno nunca documentado em relação a qualquer outra árvore. E a terceira é o facto de ser deveras fragrante (...). Em primeiro lugar, o verde perpétuo das folhas evidencia, dizem, a fama da sua obra (...) [segunda] nem o fogo da inveja nem os raios do tempo, que consomem tudo mais, serão alguma vez oapazes de atingi-las, como os raios caídos dos céus atingem uma árvore. Afirmam ainda que a passagem do tempo nunca tornará as suas obras menos graciosas e agradáveis a quem as ouça ou leia, sendo sempre aceitáveis e fragrantes».
---x
Giovanni Boccaccio, citado por Ana no Prosimetron

terça-feira, 2 de março de 2010

«La Primavera» de Sandro Botticelli

Pintura de Botticelli, La Primavera (1477-1478, Galleria degli Uffizi, Florença).
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Descobri no Prosimetron que este era o ano do 5.º centenário da morte de Botticelli e que ontem era o seu dia de aniversário.
Julgo que ele foi um dos melhores pintores do Renascimento italiano, que eu admiro sobretudo pela beleza das figuras e pela qualidade do desenho. As suas composições, estranhas e de leitura difícil, deixam-me geralmente intrigada.  
La Primavera, é não só uma obra cujo tema se adequa à estação que se avizinha, como é também uma das suas pinturas cuja leitura é mais complicada e simbólica, certamente ligada ao Neo-Platonismo. 
O modelo estará nos Fasti de Ovídio e num poema de Angelo Poliziano, sobre o Jardim de Vénus, cantado como um lugar de eterna paz e de eterna Primavera. Vénus aparece ao centro, voando sobre ela o seu filho Amor, com os olhos tapados e disparando setas. O vento Zéfiro, à direita, cobre a terra com flores. A ninfa junto de Zéfiro é Cloris, que se transforma em Flora, Deusa das Flores. Do lado esquerdo estão as três Graças, companheiras de Vénus, guiadas por Mercúrio, que está afastar as nuvens com o seu caduceu. Ele é o guardião do jardim.
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Texto de Margarida Elias.
Bibliografia: Barbara Deimling, in The Art of the Italian Renaissance (1995).

segunda-feira, 1 de março de 2010

Março: mês da Primavera

Gravura de Eugène Grasset, Mars, in Les Mois (1896, Davidson Galleries).
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«Quem não perde tempo tem muito tempo».
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Bernard B. de Fontenelle.
In Dicionário de Citações e Provérbios (2004).