terça-feira, 30 de agosto de 2011

Sobre o amor

Edward Burne-Jones, Cupid and Psyche (1865-1867, Manchester City Art Gallerie).
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Amor Pacífico e Fecundo

Não quero amor
que não saiba dominar-se,
desse, como vinho espumante,
que parte o copo e se entorna,
perdido num instante.

Dá-me esse amor fresco e puro
como a tua chuva,
que abençoa a terra sequiosa,
e enche as talhas do lar.
Amor que penetre até ao centro da vida,
e dali se estenda como seiva invisível,
até aos ramos da árvore da existência,
e faça nascer
as flores e os frutos.
Dá-me esse amor
que conserva tranquilo o coração,
na plenitude da paz!
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Rabindranath Tagore.

domingo, 28 de agosto de 2011

A praia segundo Hermann Seeger

Hermann Seeger, A girl on the beach (a sgunda imagem é um detalhe).
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«Assim como quatro quintas partes do corpo humano são agua, assim quatro quintas partes da grande corpulencia do globo são mar. Parecendo separar os homens, o bello destino eterno do mar é reunil-os».
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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Duas praias de Adriano Sousa Lopes

Adriano Sousa Lopes, Manhã na Praia da Caparica e Areal  (MNAC, Lisboa).
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«Les pieds sur le sable, la tête aux nues, voilà l'étirement maximal de l'homme rêveur».
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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Sobre a dança

Elizabeth Forbes, The Minuet (1892).
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«O senhor X gostava de olhar para as coisas e para os acontecimentos sempre a partir de um ponto de vista diferente (...).
- Por exemplo, para o senhor X dançar era uma maneira estética das pessoas se enganarem no caminho».
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Gonçalo M. Tavares (2011).

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Lembrando Borges

Alphonse Osbert, Paysage avec le Sphinx (c. 1900, MuseeD'Orsay, Paris).
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Everness

Sólo una cosa no hay. Es el olvido
Dios que salva el metal salva escoria
y cifra en Su profética memoria
las lunas que serán y las que han sido.

Ya todo esta. Los miles de reflejos
que entre los dos crepúsculos del día
tu rostro fue dejando en los espejos
y los que ira dejando todavía.

y todo es una parte del diverso
cristal de esa memoria, el universo;
no tienen fin sus arduos corredores

y las puertas se cierra tu paso;
sólo del otro lado del ocaso
verás los Arquetipos y Esplendores.
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terça-feira, 23 de agosto de 2011

Ainda sobre a praia

António Carneiro, Praia da Figueira da Foz (1921, Centro de Arte Moderna, Lisboa).
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«...e depois procurar, a escorrer, um côncavo quentinho de areia que nos sirva de abrigo contra o vento e secar-se a gente naquele lençol doirado – é uma das coisas boas da terra. E outro prazer simples e extraordinário é ir descalço pelo grande areal fora com os pés na água. A onda vem, espraia-se, molha-nos e salpica-nos de espuma. Calca-se esse mosto branco e salgado, que gela e vivifica, e caminha-se sempre ao lado dos sucessivos rolos que se despedaçam na areia».
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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Uma nova semana que está a começar...

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 «Os dias são, por assim dizer, filhos do tempo porque o dia seguinte, com o seu conteúdo, é produto do anterior».
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Immanuel Kant (1794).

domingo, 21 de agosto de 2011

Sobre o descanso II

Peder Severin Krøyer, Día de verano en Skagen (1884).
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«Rest is not idleness, and to lie sometimes on the grass under trees on a summer's day, listening to the murmur of the water, or watching the clouds float across the sky, is by no means a waste of time».
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J. Lubbock.

sábado, 20 de agosto de 2011

Barquilhos


Tomas Hiepes, Natureza morta com doces.
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Fiquei surpreendida quando encontrei barquilhos pintados num quadro do século XVII, pois não sabia que eram um alimento com uma tradição tão antiga. Segundo informação que encontrei na internet a origem dos barquilhos remonta aos princípios do cristianismo e deriva directamente do pão divino que se repartia pelos fiéis nas igrejas. Em todo o Ocidente Europeu, este alimento fazia parte das sobremesas dos banquetes mais importantes e comia-se nas mesas dos reis e dos grandes senhores.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Para a minha mãe


Na época das amoras

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Late August, given heavy rain and sun
for a full week, the blackberries would ripen.
At first, just one, a glossy purple clot
among others, red, green, hard as a knot.
You ate that first one and its flesh was sweet
like thickened wine: summer's blood was in it
leaving stains upon the tongue and lust for
picking. Then red ones inked up and that hunger
sent us out with milk-cans, pea-tins, jam-pots
where briars scratched and wet grass bleached our boots.
Round hayfields, cornfields and potato-drills
we trekked and picked until the cans were full,
until the tinkling bottom had been covered
with green ones, and on top big dark blobs burned
like a plate of eyes. Our hands were peppered
with thorn pricks, our palms sticky as Bluebeard's.
We hoarded the fresh berries in the byre.
But when the bath was filled we found a fur,
A rat-grey fungus, glutting on our cache.
The juice was stinking too. Once off the bush
the fruit fermented, the sweet flesh would turn sour.
I always felt like crying. It wasn't fair
that all the lovely canfuls smelt of rot.
Each year I hoped they'd keep, knew they would not.
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Seamus Heaney.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

As mãos


As mãos em nossas mãos
se entrelaçam
como as palavras para ser
poesia: num poema maior
por que amizade
um verso após um verso
em cada dia.
Assim iremos além da eternidade.
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Poema de João Mattos e Silva (1987).

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Registos da Figueira da Foz


 
Um mapa antigo com uma legenda publicitária:
«Clima privilegiado. Praia. Desportos. Festas. Casino».
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 A praia e o seu imenso areal.
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 O oasis.
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O Casino antigo.
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As casas.
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E os seus detalhes.
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A animação na rua, com música.
Uma das animações era uma banda que tocou a tradicional canção da Figueira da Foz:
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Figueira, Figueira da Foz
Das finas areias
Berço de sereias
Procurando abrigo.
Estrelas, doiradas estrelas
Enfeitam o Mar
Que pede a chorar
Para casar contigo.
Figueira, e à noite o luar,
Deita-se a teu lado
A fazer ciúmes
Ao teu namorado.
E a Serra, que te adora e deseja,
Também sofre com a luz do Sol
Que te abraça e te beija.
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António Sousa Freitas 
(para saber mais sobre esta canção é clicar aqui).

Mosteiro de Santa Clara-a-Velha

Consegui, finalmente, visitar o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha e gostei muitíssimo.

O Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, fundado no século XIII, sofreu constantes inundações e acabou por ser abandonado. Como esteve inundado durante muito tempo, ficou em ruínas, sobretudo no interior da igreja e na zona do claustro. Este facto torna-o diferente dos outros conventos que visitei, que continuaram a ser utilizados como conventos, ou que foram adaptados para outras funções.
Não vou aqui reproduzir o que já vem escrito noutros sítios, mas sim mostrar as fotografias daquilo que achei mais interessante:

As pedras que pertenciam ao claustro, que estão numeradas e que parecem fazer parte de um gigantesco puzzle
 Os capitéis medievais esculpidos com motivos zoomórficos e vegetalistas
Os azulejos
O arco triunfal que albergava o túmulo da Rainha Santa Isabel (transferido para o Mosteiro de Santa Calara-a-Nova)
O facto de se poder ver a estrutura (esqueleto) da arcaria do edifício
Concluindo, achei tudo uma maravilha, incluindo a vista para a Universidade.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011