domingo, 28 de fevereiro de 2010

Baltasar Gomes Figueira

Pintura de Baltasar Gomes Figueira, Nature morte au poisson (século XVII).
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«Nascido e falecido em Óbidos – 1604 e 1674 – Baltazar Gomes Figueira foi uma das mais notáveis personalidades da pintura peninsular do século XVII. Famoso no seu tempo como pintor de naturezas-mortas (os chamados bodegones) e de paisagens (ao tempo denominados países), beneficiou de uma demorada educação artística em Sevilha, onde o convívio com Herrera el Viejo, Francisco de Zurbarán, Juan del Castillo, Francisco Pacheco e outras notoriedades do tempo lhe permitiram aprofundar conhecimentos e exercitar-se em géneros picturais onde cedo se tornaria um verdadeiro especialista. É por isso que Félix da Costa Meesen, num tratado escrito poucos anos depois da morte do pintor obidense, o elogia como «o sevilhano que nos paizes foi famozo», indicativo precioso (nem sempre devidamente compreendido) de que tais géneros de paisagem e natureza-morta, até então quase ignorados no panorama da arte portuguesa, passaram a contar, com Baltazar Gomes Figueira, com um mestre de excepcionais recursos».
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A ver site da Câmara Municipal de Óbidos.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

A Beleza da Arte

Pintura de Henri Martin, Les Tricoteuses (c. 1913, Musée d'Orsay, Paris).
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«... a beleza da arte é geralmente incomunicável».
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George Kubler (1990).

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Homenagem a José Manuel Capêlo


Desenho de Emília Matos e Silva, Retrato de José Manuel Capêlo (1963).
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Neste silêncio de rochas talhadas
nesta maresia de ecos distantes
soam contornos de bocas fechadas
em palavras de amantes.
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José Manuel Capêlo (1986).

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Signo e Estrutura

Desenho de Raoul Mesnier de Ponsard, Elevador de Santa Justa (1902), Lisboa.
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«(...) lo strutturalismo compie, nel campo della costruzione, un'operazione dello stesso tipo di quella che compie, nell campo della representazione, la pittura che muove dalle premesse impressioniste e da quelle, complementari, dei simbolisti.».
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Giulio Carlo Argan (1970).

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A arte de ser feliz

 
Pintura de Pierre Bonnard, La Fenêtre (1925).
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Houve um tempo em que minha janela
se abria sobre uma cidade que parecia
ser feita de giz. Perto da janela havia um
pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra
esfarelada, e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre
com um balde e, em silêncio, ia atirando
com a mão umas gotas de água sobre
as plantas. Não era uma rega: era uma
espécie de aspersão ritual, para que o
jardim não morresse. E eu olhava para
as plantas, para o homem, para as gotas
de água que caíam de seus dedos
magros e meu coração ficava
completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o
jasmineiro em flor. Outras vezes
encontro nuvens espessas. Avisto
crinças que vão para a escola. Pardais
que pulam pelo muro. Gatos que abrem
e fecham os olhos, sonhando com
pardais. Borboletas brancas, duas a
duas, como refelectidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem
personagens de Lope de Vega. Às
vezes um galo canta. Às vezes um
avião passa. Tudo está certo, no seu
lugar, cumprindo o seu destino. E eu me
sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas
felicidades certas, que estão diante de
cada janela, uns dizem que essas coisas
não existem, outros que só existem
diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a
olhar, para poder vê-las assim.
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Um Sistema

 
Georgia Okeeffe, Light Iris (1924).
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«Tal como qualquer sistema ou estrutura ocupa um determinado espaço com o qual é compatível, tal como existe com uma certa massa e perdura durante um certo tempo com uma energia que é a sua energia interna somada à sua energia disponível, um sistema, uma estrutura, só pode coexistir com a quantidade de informação que lhe é característica».
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Carvalho Rodrigues (1990).

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Lisboa

Lisboa à beira-mar, cheia de vistas.
Ó Lisboa das meigas procissões!
Ó Lisboa de irmãs e de fadistas!
Ó Lisboa dos líricos pregões...

Lisboa com o Tejo da conquista;
Mais os ossos prováveis de Camões!
Ó Lisboa de mármore! Lisboa
Quem nunca te viu, não viu coisa boa!
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António Nobre.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

A Perspectiva das Coisas

Pintura de Willem Kalf, Bodegón con cuenco chino, copa nautilo y otros objetos (1662, Museo Thyssen-Bornemisza).
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Excelente a exposição da Gulbenkian, onde esta pintura está presente.
Reúne naturezas mortas de diversos artistas europeus, dos séculos XVII e XVIII, alguns tão importantes como Rembrandt, Chardin e Goya.
Para mim, o melhor é a pintura holandesa, integrada no tema «Jogos de Luz», pois, além de eu ser uma apaixonada pela pintura dos Países Baixos, sou particularmente admiradora dos trabalhos de natureza morta. Fico encantada a ver como conseguem traduzir brilhos, texturas e transparências de uma maneira tão realista, sob uma luminosidade tão bela.
Também gosto muito das pinturas com doçarias, onde estão presentes quadros de Josefa de Óbidos; dos bodegones espanhóis, que me fascinam sobretudo pela forma como constroem as composições; assim como das naturezas mortas de flores, devido à riqueza do colorido.
É uma festa para os olhos, sob o silêncio próprio do tema.
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Margarida Elias.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

As Datas

 
Gravura de Eugène Grasset, Fevrier, in Les Mois (1896, Davidson Galleries).
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«"Que valem triunfos que não têm data?" Que valem, na verdade? É a certeza da data que imprime realidade às coisas que, sem essa certeza encarnadora, apenas passadas, se desfariam na diafaneidade e impalpabilidade do Tempo. Todo o nosso viver consiste num rolo de sonhos que se vão desprendendo de nós, fugindo para trás como o fumo de uma tocha que corre, depressa adelgaçados, logo esvaídos. São as datas que prendem, retêm esses sonhos: nelas ficam imóveis, em torno delas se condensam, por elas ganham forma e duração».
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Ode ao Gato

 
Gravura de Utagawa Hiroshige, Asakusa Rice Field during the Cock Festival at Otori Shrine (Asakusa tanbo tori no machi mode) de One Hundred Views of Edo (Meisho Edo hyakkei) (1857, Art Institute of Chicago).
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Tu e eu temos de permeio
a rebeldia que desassossega,
a matéria compulsiva dos sentidos.
Que ninguém nos dome,
que ninguém tente
reduzir-nos ao silêncio branco da cinza,
pois nós temos fôlegos largos
de vento e de névoa
para de novo nos erguermos
e, sobre o desconsolo dos escombros,
formarmos o salto
que leva à glória ou à morte,
conforme a harmonia dos astros
e a regra elementar do destino. 
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O Mundo da Natureza

Vista do Castro do Zambujal (Torres Vedras).
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«O Mundo da Natureza é o modelo dos modelos de todas as maquinarias, porque não havemos então de acertar também o mundo social no seu próprio funcionamento como todas as outras máquinas do mundo?»
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Almada Negreiros.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Cavalos

Litografia de Toulouse Lautrec, Le Jockey (1899).
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«Le cheval porte son cavalier avec vigueur et rapidité. Mais c'est le cavalier qui conduit le cheval. Le talent conduit l'artiste à de hauts sommets avec igueur et rapidité. Mais c'est l'artiste qui maîtrisse son talent».
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Vassili Kandinsky.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

A Beleza

 Pintura de Toulouse Lautrec, La Blanchisseuse (1884-1888).
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«C'est dans nous que vit la beauté et non en dehors de nous».
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Émile Zola.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Rosto e Paisagem

 
Sousa Pinto, A Pequena Guardadora de Vacas. 
Créditos da imagem: http://arte-numeros.blogspot.com (7 de Novembro de 2008)
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«Or le visage a un corrélat d'une grande importance, le paysage...».
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Gille Deleuze e Félix Guattari (1980).
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O que o artista revela

Sir William Orpen, The Mirror (1900, Tate Gallerry, Londres).
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«O que o artista fixa, não é o que ele viu ou apreendeu; é o que ele procura o o que ele quer revelar aos outros».
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Pierre Francastel (1983).
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No site da Tate Gallery comparam esta pintura a obras de Van Eyck (pelo espelho) e de Whistler (retrato da mãe). A mim faz-me lembrar os retratos femininos de Fantin-Latour e As Meninas de Velásquez.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

No alto da montanha

 
Gravura apresentando Sintra Antiga (lado Norte).
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No alto da montanha
pertinho lá do céu
havia um castelinho
aonde um rei viveu
de lá se via o céu
se via a terra
ao longe o mar
no alto da montanha
quem me dera lá morar.
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Paisagem I

 
Pintura de L. A. Ring, Sommerdag Roskilde Fjord (1900).
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«Un paysage quelconque est un état de l'âme».
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domingo, 7 de fevereiro de 2010

Retrato

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«Il n'est rien plus beau qu'un beau portrait».
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Jacques de Gachous (c. 1910).

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Muito obrigada!

http://presepiocomvistaparaocanal.blogspot.com/2010/02/award-art-blog-talent.html

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Árpád Szenes a pintar Vieira da Silva a pintar Árpad Szenes a pintar...

Pintura de Árpád Szenes, M. Helene (Marie Elene Viera da Silva). 

  
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Estas duas obras, muito parecidas foram pintadas por Árpád Szenes (1897-1985), um artista de origem húngara, que obteve nacionalidade francesa em 1956. Este pintor percorreu as capitais artísticas da Europa, mas fixou-se em Paris em 1925. «Em 1929, conheceu Maria Helena Vieira da Silva, na Academia da Grande Chaumière, com quem se casou em 1930. (...) A partir desta data, realizou inúmeros retratos da mulher. (...) Em 1939, deixou Paris devido à guerra. Depois de uma estada em Lisboa, partiu para o Brasil com Vieira da Silva em 1940, onde permaneceram até 1947. (...) A sua pintura tornou-se mais íntima e familiar, as dimensões reduziram-se». Tal como podemos ver nas pinturas reproduzidas, Árpád Szenes realizou «inúmeros retratos de Vieira da Silva, concentrada a pintar, dando início a um dos seus temas de eleição e que lhe serviram de pretexto para investigações plásticas e variações poéticas». Regressando à França em 1948, «os anos 60 foram anos de uma discreta “consagração”: aquisições de obras suas por museus franceses, exposições individuais em França e no estrangeiro, condecorações do Estado francês.  Foi um dos melhores representantes da Escola de Paris dos anos 40, apesar da discrição e modéstia que o caracterizaram».
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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Quem me quiser


Pintura de George Romney, Mrs. Johnstone and her Son (?) (c. 1775-1780, Tate Gallery, Londres)
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Quem me quiser há-de saber as conchas
a cantiga dos búzios e do mar.
Quem me quiser há-de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.

Quem me quiser há-de saber as fontes,
a laranjeira em flor, a cor do feno,
a saudade lilás que há nos poentes,
o cheiro de maçãs que há no inverno.

Quem me quiser há-de saber a chuva
que põe colares de pérolas nos ombros
há-de saber os beijos e as uvas
há-de saber as asas e os pombos.

Quem me quiser há-de saber os medos
que passam nos abismos infinitos
a nudez clamorosa dos meus dedos
o salmo penitente dos meus gritos.

Quem me quiser há-de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente
- Ou então não saber coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente.
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Rosa Lobato Faria,
http://presepiocomvistaparaocanal.blogspot.com

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Norman Rockwell I

Pintura de Norman Rokcwell, Triplo Autorretrato (1960, Norman Rockwell Museum, Stockbridge).
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Hoje o Google festeja o aniversário de Norman Rockwell (1894-1978) e eu não quis deixar de me associar. É um dos meus artistas preferidos, fabuloso pelo seu realismo e imaginação. Gosto também muito de auto-retratos e este é magnífico. É um triplo auto-retrato porque ele está de costas, a olhar-se no espelho, enquanto se desenha na tela (sem óculos). Para além de outros detalhes, é de notar nas citações históricas de auto-retratos famosos, de Dürer, Rembrandt, Van Gogh e (julgo) de Picasso.
Esta imagem foi publicada no Saturday Evening Post a 13 de Fevereiro de 1960.
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Para saber mais:
Prosimetron
Art Renewal Centre
Artcyclopedia

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A Apresentação no Templo

Pintura de Vasco Fernandes, Apresentação no Templo (c. 1506-1511, Museu de Lamego).
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«Figuram nesta pintura, no interior de uma capela com características renascentistas, a Virgem, São José e o velho Simão com o Menino sobre os braços e duas mulheres jovens, colocadas à esquerda, uma das quais segura uma cesta com pombos da oferenda. No lado oposto, a figura da anciã Ana. São Simião veste um manto de brocado castanho dourado, rematado por tintinelas diferentes. Ao fundo duas janelas deixam ver uma paisagem nórdica, e sobre os personagens, dois anjos suspensos que assinalam a presença da Arca da Aliança, reservada sob um dossel. As janelas e o óculo permitem a entrada da luz, contribuindo para um efeito cenográfico notável»
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O tradicional

«O tradicional que também pode e devia ser sempre moderno, é o que se ajusta espontânea e instintivamente a certas noções, menos racionadas que sentimentais, fundadas ou inspiradas na Natureza e que estão na base de toda a actividade artística».
Raul Lino (1953).