quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Da soberania na Natividade

Fra Angelico, A Virgem da Humildade (1445, Thyssen-Bornemisza Museum, Madrid)
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«Tomemos o caso do estrado. Se Angelico nos apresenta a Virgem sentada sobre um trono sobreposto a um estrado, não se trata de uma invenção sem motivo. Em todas as civilizações, o estrado é a marca da soberania, do poder real. É o mesmo para a arcada. Em si, deste modo, o símbolo do estrado é tão geral que se torna vago. Ele exprime somente a dignidade soberana da Virgem. Mas, no século XV, é uma variante da cena da Coroação da Virgem (...).»
 
Sandro Botticelli, A Natividade Mística (1530)
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«Como o estrado, o tecto é um sinal de dignidade. Encontramo-lo particularmente associado ao tema da Natividade. Ele aparece geralnente como um pequeno edifício aberto (*), formado por um tecto de palha sobre uns suportes de madeira. (...) Notamos sobretudo que, muito frequentemente, o tema morfológico do tecto está ligado a outro tema, o da rocha, ou mais exactamente da gruta (...). Mais tarde, o carácter rústico do tecto atenua-se (...).»
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In Pierre Francastel, La Rélité Figurative, pp. 216-217 (tradução minha).
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Piero della Francesca, Natividade (1470-1475, National Gallery, Londres)
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Pietro Perugino, Natividade (Yale University Art Gallery (1496-1500, Yale University, New Haven)
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(*) De facto na Bíblia não é referido com excatidão como era o local onde Jesus nasceu. São Lucas (2, 7) diz apenas: «(...) envolveu em panos e recostou numa manjedoira, por não haver para eles lugar na hospedaria. (...)».

2 comentários:

Paula Lima disse...

Bom dia
São belas as imagens!

Margarida Elias disse...

Obrigada Paula! Bom Domingo!