segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Ler



Carl Holsoe, Lady in an interior.
 -
Carl Holsoe, Girl Reading in a Sunlit Room (Connaught Brown, Londres).
-
---
«Read the best books first, or you may not have a chance to read them at all».
---
Henry David Thoreau, A Week on the Concord and Merrimack Rivers.

domingo, 21 de outubro de 2012

Livros

Gustave Doré, «La Lecture des contes en famille», ilustração de abertura para os Contos de Perrault (1862).
---
«Books are the treasured wealth of the world and the fit inheritance of generations and nations». 
---
Henry David Thoreau, Walden, or Life in the Woods.

Sorrir

The Smiling Girl (c. 1925, National Gallery of Art, Washington).
---
«A smile starts on the lips, 
A grin spreads to the eyes, 
A chuckle comes from the belly; 
But a good laugh bursts forth from the soul, 
Overflows, and bubbles all around».
--- 
Carolyn Birmingham, in The Dutchess.
-

sábado, 20 de outubro de 2012

A Natureza

Pavia (Alentejo).
---
«We need the tonic of wildness...At the same time that we are earnest to explore and learn all things, we require that all things be mysterious and unexplorable, that land and sea be indefinitely wild, unsurveyed and unfathomed by us because unfathomable. We can never have enough of nature».
---
Henry David Thoreau, Walden: Or, Life in the Woods.

O Chá I

Arthur Hughes, Taking Tea in the Drawing Room (in Pre Raphaelite Art).
-
Ethel Franklin Betts, «More than once she had been known to have a teaparty...», in Frances Hodgson Burnett,  A Little Princess (1905, in Plum leaves).
---
«Strange how a teapot can represent at the same time the comforts of solitude and the pleasures of company». 
---

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O chá


Peter Reynolds, Rose's garden (in Yay kid lit).
-



Beatrix Potter, «Out stepped a little live lady mouse, and made a courtesy to the tailor!» (1902, The Tailor of Gloucester, in Plum leaves)
---
«A man without tea in him is incapable of understanding truth and beauty»
---
Okakura Kakuzo, The Book of Tea (1906).

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Tarefas

---
«The secret of getting ahead is getting started. The secret of getting started is breaking your complex overwhelming tasks into small manageable tasks, and then starting on the first one». 
---
Mark Twain, in The Dutchess.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

São Lucas a desenhar a Virgem

Rogier Van der Weyden, Madonna e São Lucas (c. 1435, Museum of Fine Arts, Boston).
---
Conta a lenda que São Lucas retratou a Virgem, na sua presença, razão pela qual este Santo é considerado como o patrono dos pintores. O quadro São Lucas desenhando a Virgem, do pintor flamengo Rogier Van der Weyden, foi provavelmente realizado para a Guilda de São Lucas de Bruxelas. Representa o momento em que o Santo está a retratar a Virgem, com Jesus ao colo, enquanto lhe dá de mamar. Este facto é relevante, pois, no final da época medieval, a iconografia de Nossa Senhora a dar de mamar tinha uma forte carga devocional, conotada com a ideia de ser ela a interecessora privilegiada entre Deus e os homens. Ao representar a Virgem e São Lucas como mediadores (sendo o Evangelista o intercessor entre a Virgem e a humanidade), Van der Weyden também surge como um mediador entre as figuras sagradas e o espectador / crente. Deste modo, se valoriza o papel do artista como alguém que tem a capacidade de transmitir o divino através da sua obra. 
Um aspecto que deve ser salientado acerca desta pintura é a sua proximidade compositiva com a Madonna com o Chanceler Rolin de Van Eyck (1435, Museu do Louvre, Paris). Van der Weyden espelha horizontalmente a pintura de Van Eyck, dando maior humanidade à figura de Maria. Tanto na pintura de Van Eyck como na de Weyden há uma grande riqueza de detalhes, o que era comum na pintura flamenga deste tempo. Estes detalhes descrevem com naturalidade as figuras e o espaço, o que transmite credibilidade ao espaço, tornando-o num prolongamento do espaço do espectador. Esse prolongamento é acrescido não só pela perspectiva que se abre na nossa direcção, como pela contemporaneidade dos trajos e objectos, relativamente à época em que a obra foi realizada. Deste modo, o espectador quatrocentista podia sentir-se como uma testemunha presencial do acontecimento.
Os detalhes têm ainda uma outra importância que é a de aumentar a carga narrativa e simbólica, permitindo vários níveis de leitura. AVirgem é figurada num trono adamascado, o que acentua o seu carácter majestático e a sua importância neste grupo de figuras. À direita de São Lucas está um touro, que é símbolo deste Evangelista no Tetramorfo. As figuras estão representados num interior, mas este abre-se para uma varanda, um hortus conclusus, que simboliza a própria virgindade de Maria. Para lá dessa varanda temos uma paisagem onde se podem ver casas ladeando um rio, que acentua a profundidade do espaço perspectivado. Junto do muro da varanda, no centro da composição, estão duas figuras de costas, que poderão ser lidas como São Joaquim e Santa Ana, pais da Virgem.
Dentro deste esquema compositivo, o espectador vai caminhando com o olhar pelos diversos espaços, desde o lugar onde se apresenta o momento do retrato, passando pela varanda, por um pátio do lado esquerdo - onde circulam diversas figuras numa actividade quotidiana -, o rio, visulmente fechado pelas montanhas, que o separam do céu. Daqui o nosso olhar tende a subir e a alcançar uma janela em círculo, que nos trás de volta ao espaço interior, onde São Lucas retrata a Virgem.
---
Links: Wikipedia, Web Gallery of Art e Annette de Vries in Historians of Netherlandish Art (2006).

Castelos

Bernardo Bellotto, The Fortress of Königstein (1756-58, in Gandalf's Gallery)
-
Canaletto, Alnwick Castle (c. 1746-1752, in Elsewhere)
---
«If you have built castles in the air, your work need not be lost; that is where they should be. Now put the foundations under them».
--- 
Henry David Thoreau, Walden, or Life in the Woods.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Sobre a escola

---
«Instruction does much, but encouragement everything». 
---
Goethe, carta para A. F. Oeser (1768).

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Para o dia da alimentação

Floris Gerritsz van Schooten, Still-Life with Glass, Cheese, Butter and Cake.
---
Falarei sobre o queijo, não porque seja o meu alimento favorito (embora eu goste bastante), mas porque achei graça a uma citação de G.K. Chesterton: «Poets have been mysteriously silent on the subject of cheese». No entanto existem alguns poemas, como a fábula do corvo e da raposa (Le Corbeau et le Renard) de Jean de La Fontaine: 

Maître Corbeau, sur un arbre perché,
Tenait en son bec un fromage.
Maître Renard, par l'odeur alléché,
Lui tint à peu près ce langage :
Hé ! bonjour, Monsieur du Corbeau.
Que vous êtes joli ! que vous me semblez beau !
Sans mentir, si votre ramage
Se rapporte à votre plumage,
Vous êtes le Phénix des hôtes de ces bois. 
A ces mots le Corbeau ne se sent pas de joie ;
Et pour montrer sa belle voix,
Il ouvre un large bec, laisse tomber sa proie.
Le Renard s'en saisit, et dit : Mon bon Monsieur,
Apprenez que tout flatteur
Vit aux dépens de celui qui l'écoute :
Cette leçon vaut bien un fromage, sans doute. 
Le Corbeau, honteux et confus,
Jura, mais un peu tard, qu'on ne l'y prendrait plus.

O tema é também recorrente nas bandas desenhadas de Asterix:

Na Suiça
René Goscinny e Albert Uderzo, Asterix chez les Helvètes (1970).

ou na Córsega
René Goscinny e Albert Uderzo, Asterix en Corse (1973).
-
Fica também um excerto de um dos meus filmes preferidos, que não é sobre queijo - mas ele também aparece, furtivamente ...

Juntando-me ao Google

Hoje o Google tem uma excelente homenagem a uma BD extraordinária de um fantástico artista, que descobri há alguns anos quando fiz um trabalho sobre Banda Desenhada: Winsor McCay e Little Nemo in Slumberland.

O americano Winsor McCay (1869-1934) foi autor de bandas desenhadas e desenhos animados, sendo sobretudo conhecido pela banda desenhada Little Nemo, que iniciou em 15 de Outubro de 1905, publicada no New York Herald. A história contava os sonhos de um rapaz chamado Nemo (o que quer dizer ninguém), que tentava chegar a Slumberland, o reino do rei Morpheus, que o queria para amigo de sua filha. As histórias terminavam sempre com Nemo a acordar, por vezes caindo da cama. 
E aqui fica ainda uma citação de Winsor McCay sobre o seu trabalho:
«The principle factor in my success has been an absolute desire to draw constantly. I never decided to be an artist. Simply, I couldn't stop myself from drawing. I drew for my own pleasure. I never wanted to know whether or not someone liked my drawings. I have never kept one of my drawings. I drew on walls, the school blackboard, odd bits of paper, the walls of barns. Today I'm still as fond of drawings as when I was a kid - and that was a long time ago - but, surprising as it may seem, I never thought about the money I would receive for my drawings. I simply drew them».

domingo, 14 de outubro de 2012

Mãos

Berenice Abbott, Hands of Jean Cocteau (1927, MOMA, Nova Iorque).
 -
Yousuf Karsh, Hellen Keller (hands) (1948, George Eastman House - International Museum of Photography and Film)

Yousuf Karsh, Thomas Mann (1946, Amica Library).
---

Dá-me as Tuas Mãos 

As mãos foram feitas 
para trazer o futuro, 
encurtar a tristeza, encher 
o que fica das mãos 
de ontem - intervalos 
(duros, fiéis) das palavras, 
vocação urgente 
da ternura, pensamento 
entreaberto até 
aos dedos longos 
pelas coisas fora 
pelos anos dentro. 
-
Vítor Matos e Sá, in Citador.

O Outono (que começa a instalar-se)

Arthur Rackham, There is almost nothing that has such a keen sense of fun as a fallen leaf (J. M. Barrie, Peter Pan in Kensington Gardens, 1906, in Plum leaves). 
---
«Listen! The wind is rising, and the air is wild with leaves,
We have had our summer evenings, now for October eves!» 
---

sábado, 13 de outubro de 2012

Ver

-
«It's not what you look at that matters, it's what you see».
---

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

A Ordem do Universo

Filippo Lippi, Incoronazione della Vergine (1466-1469, Catedral de Santa Maria Assunta, Spoleto).
---
«(...) Le cose tutte quante
hanno ordine tra loro, e questo è forma
che l’universo a Dio fa simigliante».
---
Dante Alighieri, Divina Comedia - Paradiso (I, 105).

Sintra


Sintra (2012).
---
«Lo! Cintra's glorious Eden intervenes
In variegated maze of mount and glen.
Ah, me! what hand pesseil guide, or pen,
To follow half on which the eye dilates
Through views more dazling nuto mortel ken
Than those suberesf such things the bard relates,
Who to the awe - struck world nulock'd Elysium's gates?»
---
Lord Byron, Child Harold's Pilgrimage,
citado in Hotel Palácio de Seteais, SNI, 1955.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Lagoa da Ervideira



Lagoa da Ervideira, Leiria (2012).
---
«(...) Se estivermos atentos, vamos até descobrir que há sempre histórias a acontecer, porque a Natureza está sempre em movimento (...)».
---
Descobrir - Programa Gulbenkian Educação para a Cultura, FCG, Outubro a Junho 12/13, p. 30.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A chuva e a crise

Adam Record, Clouds.
---
Diz um provérbio chinês: «Jamais se desespere em meio das sombrias aflições de sua vida, pois das nuvens mais negras cai água límpida e fecunda». A avaliar pela ilustração, talvez possam cair morangos, ou ainda, quem sabe, outras coisas melhores.

Frases

Aqui ficam duas frases a que acho muita graça:

Uma é do Winnie the Pooh:

«Darby: Piglet said Possum took the scarf. Possum said she didn't. What do you think it means? 
Pooh: That this mystery is becoming more mysterious?
Tigger: Or that this mysterious is becoming more mystery
».

A outra, que aprecio particularmente pois tem muito a ver comigo, é do Phineas and Ferb:


«Buford Van Stomm: I used to be in the resistance, but I got so good at it I started resisting them».

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Em dias cinzentos ...

Adam Record, Puddle fish.
---
«The days may not be so bright and balmy—yet the quiet and melancholy that linger around them is fraught with glory. Over everything connected with autumn there lingers some golden spell—some unseen influence that penetrates the soul with its mysterious power».
---

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

As Obras de Arte


Karin Jurick, It's subjective.
---
«E mais inexprimível do que tudo, são as obras de arte, seres secretos cuja vida não acaba e acompanha a nossa que passa».
--- 
Rilke,
Citação de SALGADO, Mary Espírito Santo Silva, «Ricardo Espírito Santo Silva, O Coleccionador», in SILVA, Maria João Espírito Santo Bustorff (coord.), Ricardo Espírito Santo Silva, Coleccionador e Mecenas, Lisboa, FRESS, 2003, p. 21.

Amizade

Walther Firle, Spannende Lektüre (1929)
---
«Each friend represents a world in us, a world possibly not born until they arrive, and it is only by this meeting that a new world is born». 
---
Anaïs Nin (1937).

domingo, 7 de outubro de 2012

Adivinha

Ottilia Adelborg, The Princes' Flower Alphabet (1893).
---
"Qual é a palavra que tem quatro sílabas
e vinte e nove letras?"
---
In Citador.

sábado, 6 de outubro de 2012

O Saber

Winslow Homer, The Country School (1871, Saint Louis Art Museum).
---
«Sabemos muito mais do que julgamos, podemos muito mais do que imaginamos».
--- 

Colecções

---
«Quando não se é criador o importante é criar um conjunto que exprima a nossa personalidade». 
---
Ricardo do Espírito Santo Silva,
-
Citado por SALGADO, Mary Espírito Santo Silva, «Ricardo Espírito Santo Silva, O Coleccionador», in SILVA, Maria João Espírito Santo Bustorff (coord.), Ricardo Espírito Santo Silva, Coleccionador e Mecenas, Lisboa, FRESS, 2003, p. 33.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Confeitaria Nacional









---
«Fundada em 1829 por Baltazar Roiz Castanheiro, pertence.à mesma família há cinco gerações e foi premiada em várias exposições internacionais tanto pela doçaria tradicional portuguesa como pelas inovações criadas ao longo dos tempos. Uma delas é a receita do Bolo Rei (um segredo bem guardado) trazida para Portugal pelo filho do fundador em meados do Séc XIX».
---

Gatos

 M. C. Escher, White Cat (1919).
---
«Les chats sont des êtres faits pour emmagasiner la caresse. » 
---

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A Bandeira Republicana


Em Portugal, no dia 5 de Outubro de 1910, foi proclamada a República e é provável que Columbano  Bordalo Pinheiro estivesse entre aqueles de quem João de Barros dizia serem «indiferentes em política», mas que «vibraram perante os últimos acontecimentos políticos», pois recebeu importantes cargos oficiais desde Outubro de 1910.
O artista teria um importante papel no novo regime, por ter ficado envolvido na Comissão que desenhou a nova bandeira portuguesa. No dia 5 de Outubro a bandeira republicana, verde e vermelha, fora levantada em vários locais, tornando-se símbolo da revolução. Contudo, ainda não havia uma bandeira oficial para o país, sendo o assunto bastante discutido. A 29 de Outubro, o Tenente de Engenharia Raul Esteves referia que «De todos os lados chovem propostas acompanhadas dos respectivos projectos». E acrescentava: «Vê-se, portanto, que a dificuldade está só na escolha, e no campo da teoria encontram-se sempre bons argumentos para defender qualquer combinação de symbolos e côres». 
A definição do desenho e das cores da bandeira deu lugar a uma aguerrida polémica que se desenrolou ao longo dos meses de Outubro e Novembro de 1910. Os símbolos associados à bandeira variavam, mas a discussão centrou-se sobretudo em torno das cores. Basicamente foram criados dois partidos: um apoiando-se em ideais estéticos e na tradição, chefiado por Guerra Junqueiro, defendendo as cores azul e branca; outro mais convictamente político e republicano, chefiado por Teófilo Braga, defendendo a combinação verde-rubra. 
As cores verde e vermelha, eram já utilizadas pela Carbonária portuguesa, a qual apresentava um pendão verde-rubro, com o emblema da sociedade ao centro. Estas cores eram também as do Grémio Lusitano, instituição maçónica a que pertenciam muitos dos republicanos portugueses. Contudo, o colorido verde e vermelho não tinha somente origem na Carbonária (ou na Maçonaria), pois durante a Revolta de 31 de Janeiro do Porto, foi levantada a bandeira do Centro Democrático Federal, que era um centro republicano do Porto. Tratava-se de um tecido vermelho tendo ao centro um círculo verde.
Importa notar que a maioria dos intelectuais e artistas defendiam a conservação do azul e branco, mesmo antes de Guerra Junqueiro ter tomado essa posição de um modo oficial, a 18 de Outubro de 1910. Entre aqueles que comungavam dessa opinião encontrava-se o escultor Teixeira Lopes e o escritor Henrique Lopes de Mendonça, que era cunhado de Columbano e autor da letra do hino A Portuguesa. A 12 de Outubro, Lopes de Mendonça propunha que o desenho da bandeira fosse «confiado a alguma auctoridade artistica» e, no dia 16, era notícia que o Ministro do Interior, António José de Almeida «levou a despacho um decreto nomeando uma comissão gratuita, para apresentar ao governo o projecto da bandeira nacional». Essa comissão era composta por Abel Botelho, João Chagas, Columbano, Ladislau Parreira e José Afonso Pala.

Columbano Bordalo Pinheiro, João Chagas, Abel Botelho e Ladislau Parreira, in A Ilustração Portuguesa, 12/12/1910.

A comissão foi responsável, juntamente com Teófilo Braga, que presidia à República, pela materialização da bandeira verde e vermelha, associada ao republicanismo. A Comissão apresentou um primeiro projecto da nova bandeira, semelhante à actual, com as cores verde e vermelha, que foi publicada n’O Século a 30 de Outubro de 1910. Dizia-se que esta era a «bandeira da revolução – vermelha e verde – pois que havia sido por ella que no paiz inteiro, milhares d’individuos haviam sacrificado ventura, paz e tranquilidade, fôra sobre ella que se teriam feito, nas associações secretas, mais solemnes juramentos, desenvolvendo-se sob a sua acção protectora essa obra gigantesca da carbonária: - e (...) fôra a bandeira (...) que no movimento revolucionario do Porto, em 31 de Janeiro de 1891» fora levantada. Deste modo, vencia a «opinião revolucionaria». Acrescentava-se que a «comissão desempenhou-se já do seu mandato, entregando ao governo o seu parecer, de que foi relator o nosso amigo sr. Abel Botelho». De acordo com este projecto, que acabaria por ser modificado, ao centro estaria a «esphera armilar, o escudo das quinas sobrepostas com os sete castellos sobrepujados por uma estrella». 
Em 5 de Novembro, um artigo do Diário de Notícias informava que «O sr. Dr. Theophilo Braga, illustre chefe do governo provisorio da Republica, convidou os seus collegas no governo, a tratar, n’uma sessão especial, a questão da bandeira para ver se deve ou não alterar-se o projecto da comissão (...) que ha dias concluiu e apresentou os seus trabalhos». No dia seguinte, era divulgado um modelo planeado por Teófilo Braga e desenhado pelo seu secretário Levy Bensabat, com as cores verde e encarnada (dividindo o pano em duas metades) mas com um escudo diferente do que viria a ser oficial, pelo facto de ter um losango com uma cruz de Cristo atrás da esfera armilar. No Diário de Notícias, de 9 de Novembro, podia ler-se que Columbano iria apresentar o desenho do emblema da nova bandeira à comissão. Seis dias depois (15 de Novembro), os leitores do mesmo Diário eram informados que Columbano e Teófilo Braga tinham trocado impressões sobre a composição da bandeira. No dia 20 constava que já estava resolvido o modelo da bandeira e a consagração seria feita no dia 1 de Dezembro, junto do monumento aos Restauradores.

Guerra Junqueiro chegou a desenhar um projecto para uma bandeira, onde adoptava as cores azul e branca e conservava o escudo, sobrepujado por uma pequena esfera armilar circundada por cinco estrelas verdes, encarnadas e «ouro». Sabe-se que Junqueiro se reuniu com Teófilo Braga e a Comissão a propósito desta questão, mas como relatou Joaquim Leitão, com alguma ironia, a «commissão (...) ouviu attentamente a exposição brilhantíssima que Junqueiro lhe fez a proposito do seu projecto (...). Entretanto, (...) entendeu não dever alterar o seu parecer primitivo: a bandeira verde e encarnada». Segundo Raul Brandão, o «Junqueiro quer que as cores da bandeira se mantenham, o Columbano e o Teófilo querem-na encarnada e verde. (…) Tinha-se já decidido em conselho de ministros que ficasse azul e branco, mas os carbonários opuseram-se». Por fim, como se disse no Ocidente, «as côres verde e encarnada tinham de triunfar (...) neste momento, em que o espirito da revolução ainda domina (...)». Entre as Comemorações do 1.º de Dezembro em 1910 e a oficialização da bandeira pelos constituintes em 1911, a situação não ficou totalmente resolvida. A escolha era dada como provisória e por isso a Sociedade de Geografia expunha a bandeira de Guerra Junqueiro. A 11 de Dezembro, Bulhão Pato ainda se colocou a favor da bandeira azul e branca: «Tirem-lhe as armas reaes e representará a República».
Columbano dirigiu a publicação oficial, Bandeira Nacional, Modelo aprovado pelo Governo Provisório da República Portuguesa. Segundo algumas palavras atribuídas ao artista, «a bandeira é a parte poética da revolução. E como foi o povo que a impôs, o povo que fez a Republica (...), a elle só lhe compete respeitar a vontade (...). Depois, o encarnado e o verde não se casam tão mal como se disse. A questão está em se encontrar o tecido que convém (...) o verde carregado e o vermelho vivo são as [cambiantes] que melhor se combinam, e para que não se confundam, na bandeira terá o vermelho o dobro do tamanho do verde». Na Cordoaria, onde a bandeira foi confeccionada para a festa de 1 de Dezembro, não havia as cores idealizadas pelo pintor, o que ele lamentava: «Só há o encarnado e o verde-esmeralda. É pena». Columbano também sugeriu a existência de uma faixa branca intercalando o verde e o vermelho de forma a harmonizá-los, mas nada conseguiu nesse sentido perante os revolucionários de 1910. O pintor terá confiado a Varela Aldemira (seu aluno): «Fiz a minha obrigação como pintor, sem perceber de políticas e bandeiras; porque a política não é pintura, nem a pintura se faz com bandeiras».
Independentemente das campanhas, o resultado continuou a favor da bandeira verde e vermelha. Segundo o Decreto n.º 150 de 30 de Junho de 1911, publicado no Diário do Governo, definia-se que a bandeira era bipartida verticalmente em duas cores, «verde-escuro e escarlate, ficando o verde do lado da tralha. Ao centro, e sobreposto á união das duas côres, terá o escudo das Armas Nacionaes, orlado de branco e assentando sobre a esfera armilar manuelina, em amarello e avivada de negro». A divisória entre as duas cores dava, em largura, dois quintos ao verde e três quintos ao vermelho. No relatório oficial de Abel Botelho, o vermelho era símbolo de força e o verde a cor da esperança, demarcando-se deste modo das conotações políticas que ligavam estas cores à Maçonaria e à Carbonária. Por outro lado, a esfera armilar era «o padrão eterno do nosso genio aventureiro, da nossa existencia sonhadora e épica» e deve «deve ser “manuelina”, a occupar o centro da bandeira». O escudo é «symbolo lendario, primacial, da nossa historia (...). E entendemos dever rodear o escudo branco das quinas por uma larga facha carmezim, com sete castellos». Importa notar que o selo da esfera armiliar com o escudo, tal como ficou aprovado, era semelhante ao emblema de D. Maria II, rainha que estava ligada, tal como o seu pai D. Pedro IV, ao estabelecimento do liberalismo em Portugal. Eram símbolos históricos que importava preservar para dar testemunho de um passado glorioso que se desejava ser reavivado.
---
Bibliografia: Margarida Elias, Columbano no seu Tempo (1857-1929), Lisboa, FCSH-UNL, 2011 (Tese de Doutoramento).
Ver também: Museu da Presidência da República.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Para o Dia Mundial do Animal

John Bauer, «She kissed the bear on the nose», (c.1910, in Helena Nyblom, Bella's Glorious Adventure).
---
«Only animals were not expelled from Paradise».
---

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Livros e música

William Harnett, The professor old friends (1891, Farnsworth Art Museum).
---
«Dans la connaissance qu’on prend d’un beau livre, d’un beau morceau de musique, il y a trois périodes; la première, quand le livre est encore inconnu, qu’on le lit ou qu’on le déchiffre, qu’on le découvre en un mot: c’est la période d’enthousiasme; la seconde, lorsqu’on l’a relu, redit à satiété: c’est la fatigue; la troisième, quand on le connaît vraiment à fond et qu’il a résonné et vécu quelque temps en notre cœur: c’est l’amitié; alors seulement on peut le juger bien».
---
Jean-Marie Guyau, L’art au point de vue sociologique, Partie I, 1887.

Trabalhos de casa

Carl Larsson, Esbjorn doing his homework (1912).
---
«Only the curious will learn and only the resolute overcome the obstacles to learning. The quest quotient has always excited me more than the intelligence quotient».
---
Eugene S. Wilson (in The Dutchess).