sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O rosto

Desenho de Emília Matos e Silva (1978, Colecção Particular).
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O rosto não é um simples fenómeno, uma coisa entre as coisas: ele é igualmente o signo da alteridade, isto é, daquilo que nos escapa absolutamente. Ele significa a presença, e exprime a vida de uma outra interioridade, de um outro eu - alter ego - logo, de uma liberdade. (...) A presença de um rosto que nos «fala» é uma visitação que põe em questão o egoísmo do eu: neste sentido, o rosto revela a exigência ética.
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In Dicionário Prático de Filosofia.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A beleza

Pintura de Vermeer, La Dentelliere (Museu do Louvre, Paris).

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En effet, il est plus beau d’éclairer que de briller seulement ; de même est-il plus beau de transmettre aux autres ce qu’on a contemplé que de contempler seulement.
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São Tomás de Aquino.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Existir

Pintura de Columbano Bordalo Pinheiro, Gola Branca (1903, Museu de Grão Vasco, Viseu).
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...Exister, c'est aller au devant de soi comme...
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David le Breton.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A Primavera


Fresco de Stabiae, Primavera (Séc. I d.C., Museo Archeologico Nazionale, Nápoles).
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A cada segundo começa para nós uma vida nova. Alegremente, sigamos em frente ao seu encontro. Temos de nos apressar, quer queiramos ou não, e caminharemos melhor olhando em frente do que lançando sempre os olhos para trás.
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Jerome K. Jerome, citado por Helen Exley.

domingo, 25 de janeiro de 2009

O rosto das coisas


Pintura de Albrecht Dürer, Das Große Rasenstück (1503, Albertina,Viena).
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Dürer marque profonément ses animaux et ses plantes, ses carrières et ses paysages d'une allure qui les élève au rang de «portraits». Il leur donne un visage, il sont là, nous regardent, se penchent vers nous...
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Friedrich Piel.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Ver


Pintura de Emília Matos e Silva (1988, Colecção Particular).
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... à force de voir les choses, nous ne le regardons plus.
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Matisse.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Responso de Santo António

Responso de Santo António
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Se milagres desejais,
Recorrei a Santo António
Vereis fugir o demónio
E as tentações infernais.
Recupera-se o perdido.
Rompe-se a dura prisão,
E no auge do furacão
Cede o mar embravecido.
Pela sua intercessão,
Foge a peste, o erro, a morte,
O fraco torna-se forte,
E torna-se o enfermo são.
Recupera-se o perdido.
Rompe-se a dura prisão,
E no auge do furacão
Cede o mar embravecido.
Todos os males humanos
Se moderam, se retiram,
Digam-no aqueles que o viram,
E digam-no os portugueses.
Recupera-se o perdido.
Rompe-se a dura prisão,
E no auge do furacão
Cede o mar embravecido.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

"Em cada bloco de mármore vejo uma estátua"

Desenho de Michelangelo, Nu masculin, vu de face (1505-1506, Museu do Louvre, Paris).
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Em cada bloco de mármore vejo uma estátua;
vejo-a tão claramente como se estivesse na minha frente,
moldada e perfeita na pose e no efeito.
Tenho apenas de desbastar as paredes brutas
que aprisionam a adorável aparição
para revelá-la a outros olhos como os meus já a vêem.
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Michelangelo.
http://pt.wikiquote.org/wiki/Michelangelo_Buonarroti

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Natureza Morta

Pintura de Eduardo Viana, Composição (1947, Museu de José Malhoa).
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La nature morte est, plus que tout autre thème pictural, celui où le peintre peut feindre d'étre réaliste quand, en fait, il invente son monde.
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Jean-Jacques Lévêque.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Retrato da Luísa

Fotografia de Margarida Elias.

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Nos anos 1860 surge também o instantâneo fotográfico que reduz a nada o tempo de pose, permitindo assim descobrir o mecanismo do movimento (...).

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Laurence Madeline.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O Homem Vitruviano

Desenho de Leonardo da Vinci, O Homem Vitruviano, Estudo das proporções segundo De Architectura de Vitrúvio (1492, Gallerie dell'Accademia, Veneza).
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La figure circulaire adjointe à la figure carrée est spontanément interpretée par la psychisme humain comme l'image dynamique d'une dialectique entre le céleste transcendant auquel l'homme aspire naturellement, et le terrestre où il se situe actuellement, (...).
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G. Champeaux.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Retrato de Fernanda Matos e Silva

Desenho de Emília Matos e Silva, Mãe (1978, Colecção Particular).

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... le spectacle de l'âme est le véritable spectacle du portrait.

Jean-Jacques Lévêque.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Um bebé


A baby is God's opinion that the world should go on.
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O Graal

Pintura de Sir Edward Burne-Jones, The Dream of Launcelot at the Chapel of the San Graal (1895-1896, Southampton City Art Gallery - Inglaterra).
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Le graal, qui aloit devant,
de fin or esmeré estoit ;
Pierres precieuses avoit
el graal de maintes menieres,
des plus riches et des plus chieres
qui an mer ne an terre soient ;
totes autres pierres valoient
celes del graal sanz dotance...
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Chrétien de Troyes.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

O Claustro da Badia de Florença


Pintura de João Gonçalves, Ciclo da Vida de São Bento (1436-1439, Claustro das Laranjeiras do Mosteiro de Badia, Florença. Fotografia de Margarida Elias).
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Numa época decisiva do primeiro Renascimento, no mosteiro da Badia, situado no coração de Florença e então dirigido pelo Abade D. Frei Gomes, natural de Lisboa, um artista português – Giovanni di Gonsalvo ou João Gonçalves – executa um conjunto de pinturas a fresco sobre a vida de S. Bento, considerado um dos momentos mais altos da pintura florentina daqueles anos (1436-1439).
O Abade Gome foi responsável por uma série de obras destinadas a aumentar o espaço destinado aos monges e aos seus hóspedes. Não podendo promover a expansão horizontal do mosteiro, viu-se obrigado a fazê-lo crescer em altura, o que exigiu a transformação de várias estruturas. O claustro superior deve ter sido construído no decorrer de 1435 e 1436. Na primavera deste último ano estava em condições de receber a decoração que o abade Gomes lhe destinara.
Durante muito tempo, interrogaram-se os estudiosos da História da Arte sobre a identidade e a preparação do autor das pinturas a fresco que enriquecem este claustro com a representação da vida de S. Bento. Giovanni Poggi deu-se conta de um numeroso conjunto de referências à presença e à actividade de um pintor português, chamado Giovanni di Gonsalvo, nas obras da Badia, entre 1435 e 1439. Confirmando a informação documental, Marco Chiarini defendeu convictamente a origem portuguesa do autor dos frescos, a partir da sua pormenorizada análise estilística. “Giovanni di Ghonsalvo dipintore”, ou, dito em português, João Gonçalves pintor, aparece na Badia em Maio de 1436, quando as obras de construção doclaustro se aproximavam do termo. Por uma referência de 6 de Julho, sabemos que estava alojado no próprio mosteiro.
O ciclo pictórico do claustro da Badia incluiu catorze cenas, correspondentes a outros tantos episódios da vida de S. Bento, conforme a narração de S. Gregório Magno. Os vários quadros sucedem-se por ordem, para quem, depois de entrar no claustro, segue pelo lado direito.
O conjunto das pinturas executadas por Giovanni di Gonsalvo no mosteiro dirigido por D. Frei Gomes constitui, no dizer de Carlo L. Ragghianti, um ciclo pictórico “que está entre os maiores da primeira metade de Quatrocentos em Florença”. Por volta de 1933, Ragghianti foi um dos primeiros a chamar a atenção para a importância deste ciclo e para a existência nele de aspectos que se afastavam daquilo que então se conhecia da pintura florentina daqueles anos. Os estudos efectuados por L. Berti e U. Baldini, em conjunto com a descoberta de uma referência documental que dá Giovanni di Portogallo como aluno do Angélico em Fiésole, em 1435.
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Resumo do texto de António Matos Reis (2006).

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A Alma


Pintura de Columbano Bordalo Pinheiro, Retrato de Raul Brandão (1896, Museu do Chiado, Lisboa).
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... L'âme est une musique qui se joue derrière le rideau de la chair, on ne peut pas la peindre, mais on peut la faire entendre ...
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Fantin-Latour, citado por Jean-Jacques Lévêque.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Quinta do Alperce (Memórias)

Pintura de Fernanda Matos e Silva (1939).
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Mudáramos para a Av. Da Republica, defronte do Colégio Inglês, em que as minhas duas irmãs e o meu irmão se educaram. Aí nos conservámos cinco anos, findos os quais, por serem necessários mais dois quartos, (...) mudámos para a Praça Duque de Saldanha nº 1,( no prédio do anjo), no 1º andar direito. Foi aí que comecei a frequentar um colégio que havia perto, onde aprendi, desde as primeiras letras até à 3ª classe de hoje, 1º grau desse tempo. Tinham-se passado dois anos e meio quando deixamos essa casa, indo morar na Av. da Liberdade 122. Mudança de escola e de professores, nova adaptação a outro ambiente e comecei a frequentar a Escola Luso- Franco- Belga, numa rua que terminava num beco sem saída e que é hoje a R. Rodrigues Sampaio a Stª Marta. Uma série de contratempos, doenças minhas e tinha dez anos sem ter feito exame algum, embora estivesse habilitada para isso.
Mas ali naquela casa minha mãe não achava o ambiente próprio aos seus anseios de artista que não podia acostumar-se a viver dentro duma casa vulgar da cidade, nem queria afastar-se contudo dela, habituada desde o berço às comodidades e bulício de Lisboa. Eis que surge a oportunidade sonhada e que viria reunir os seus desejos: a paz e o sossego da aldeia, a dois passos da Baixa. Uma professora indicou a meus pais uma quinta que estava em venda, ficando ainda dentro da periferia da cidade pois era perto do Areeiro e tinha a caracteriza-la reunir em si todas as atracções do campo juntamente com a comodidade de uma casa citadina a que não faltava gás, salamandras para aquecimento no Inverno, uma vista maravilhosa sobre parte da cidade e o esmero com que fora delineada e estava tratada.
O entusiasmo foi tal, após a primeira visita que a minha mãe não descansou mais até que o meu pai satisfazendo-lhe a vontade, que era igualmente a dele pois fora o seu sonho dourado, a comprou. Nova mudança, mas desta vez só ao fim de 31 anos e com fundo desgosto deixei essa casa, essa querida casa que foi o paraíso da minha adolescência, fonte inesgotável de alegrias sãs, boa saúde física e mental que desde o primeiro dia nela desfrutei. Para uma criança criada na cidade, embora saindo todas as férias para o campo ou para a praia, aquela quinta foi a felicidade. Tinha a parte rústica representada pelas hortas vicejantes e sempre fartas, o pomar sendo além disso semeada de árvores de fruto por todos os recantos e de todas as variedades, com campos de semeadura, searas (coisa que até aí nunca vira de perto). Capoeiras bem providas, cortiços com abelhas, um estábulo com 10 vacas, vinha e latadas encimando as ruas e jardins, nem menos de cinco grandes jardins a abarrotar com flores, adornadas com muros de buxo, de tanques a emprestar frescura e graça a todos eles. Qualidades de árvores de sombra raras: um cacto gigante circular, uma árvore-da-borracha, tamareiras com verdadeiras tâmaras, eucaliptos, pinheiros bravos e mansos, acácias de floração branca, roxa e rosa, olaias e tramangueiras empenachadas de lilás e rosa, oliveiras, que sei eu, de tudo bastante e bem distribuído de forma a encher de sombra aprazível as ruas e bancos de azulejos antigos, porque bem antiga era essa quinta que no portão principal deitando para um pequeno largo na azinhaga do Areeiro, esquina da Calçada da Ladeira, tinha lindo painel de azulejos figurando dois pavões de caudas em leque abertas e policromas e a data de 1726.
Aí vivi e cresci, aí senti pela primeira vez com o contacto diário com a natureza, o encantamento que ela empresta ao campo, no decorrer das estações do ano e as transformações constantes porque assistia deslumbrada, fizeram-me conceber o desejo de descrever o que via, tentando reproduzir em letras e frases o meu sentir. Começaram os primeiros versos ( maus versos de péssima poetisa) e as primeiras ensaios literários. Quanto a estudos ….
Há 32 anos Lisboa não era como é hoje. No Largo do Chile terminava a Avenida Almirante Reis e depois rumo ao Areeiro e à Quinta do Alperce, que este era o nome pitoresco da Quinta e que, juntamente com os terrenos e outra Quinta dos Alperces que ainda existe ou existiu no Caminho de Baixo da Penha, pertenceram a Pina Manique, só havia azinhagas entre muros e de leito pedregoso ou terra batida e a Rua do Areeiro, pouco mais larga e também toscamente empedrada, por onde passava o eléctrico. Daí por diante e à volta da nossa, quintas de semeadura, mais quintas rústicas ( a do Padre – a do Manuel dos Passarinhos, etc.). Como poderia seguir regularmente os estudos, frequentar um liceu (havia tão poucos para meninas e tão longe!) ter uma educação oficial? Os professores iam dar-me lições a peso de ouro indo o carro do meu pai busca-los e pô-los novamente em casa ou aonde mais lhes convinha. Assim aprendi português com o professor José Portugal, autor do Método Prático de Português e um bom, proficiente e simpático professor que ainda hoje lembro com comovida saudade e grande veneração. Como eu manifestasse desgosto por não tirar o curso do liceu e depois o curso superior de letras, ainda comecei a estudar (em casa) o 1º ano dos liceus, mas o estudo assim sozinha, sem o estimulo da competição nem a companhia de outras pequenas da minha idade, depressa me desanimou e aborreceu desistindo. Aprendi o português, francês, inglês, lavores, arte aplicada (coisa hoje tão fora de moda e então em plena voga) piano e canto e só muito mais tarde desenho e pintura com D.Raquel Roque Gameiro de quem fui discípula.
(...)
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Memórias de Fernanda Matos e Silva.
in Três Gerações.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Meditação sobre os objectos

Pintura de Zurbarán, A Cup of Water and a Rose on a Silver Plate (c. 1630, National Gallery, Londres).
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...il se plonge dans l'objet pour en faire l'instrument d'une méditation, d'une rêveuse contemplation...
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Jean-Jacques Lévêque, a propósito de Fantin-Latour.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Silves

Fotografia de Margarida Elias ( Silves, 2008).
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Evocação de Silves

Saúda, por mim, Abu Bakr,
Os queridos lugares de Silves
E diz-me se deles a saudade
É tão grande quanto a minha.
(...)
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Auto-Retrato

Pintura de Columbano Bordalo Pinheiro, Auto-Retrato de Columbano Bordalo Pinheiro (1883, Museu de Grão Vasco, Viseu).
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O auto-retrato: é um modelo que está sempre disponível. É exacto, submisso e conhecêmo-lo antes de o pintar.
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Fantin-Latour, citado por Jean-Jacques Lévêque.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Natureza Morta: Frutos e Flores

Pintura de Josefa de Óbidos, Natureza Morta: Frutos e Flores (c. 1670, Palácio Nacional de Queluz - Fotografia: José Pessoa).
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As naturezas mortas com frutas benificiaram de uma estética própria em Espanha, onde o Século XVII foi marcado por uma grave crise, que se reflectiu na escassês de alimentos. As composições tendiam a ser simples, com poucos frutos. A apresentação destes objectos quotidianos era inspirada por noções místicas de Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz, que enfatizavam a natureza sagrada de uma vida simples. Contudo, ao olharmos para as naturezas mortas de Josefa de Óbidos, embora recordem as de Zurbarán, pela disposição dos frutos sobre uma mesa, elas são mais ricas: maior variedade, recipientes de melhor qualidade (porcelanas decoradas) e embelezadas por flores. Esta apresenta frutos de Outono, dispostos ricamente sobre uma mesa, dando uma noção de abundância, numa estação do ano em que se esperam dias de maior escassês, trazidos pelo Inverno.
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Texto de Margarida Elias.
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Cf. Norbert Schneider.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Ao Menino Deus em metáfora de doce

Pintura de Josefa de Óbidos, Natureza Morta com Doces e Barros (1676, Biblioteca Municipal Braamcamp Freire Santarém).
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ROMANCE

– Quem quer fruta doce?
– Mostre lá! Que é isso?
– É doce coberto;
É manjar divino.
– Vejamos o doce,
E, depois que o virmos,
Compraremos todo,
Se for todo rico.
– Venha ao portal logo:
Verá que não minto,
Pois de várias sortes
É doce infinito.
Desculpa, minha alma.
– Mas ah! que diviso?
Envolto em mantilhas,
Um infante lindo!
– Pois de que se admira,
Quando este Menino
É doce coberto,
É manjar divino?
– Diga o como é doce,
Que ignoro o prodígio.
– Não sabe o mistério?
Ora vá ouvindo:
Muito antes de Santa Ana
Teve este doce princípio,
Porque já do Salvador
Se davam muitos indícios.
Mas na Anunciada dizem
Que houve mais expresso aviso,
E logo na Encarnação
Se entrou por modo divino.
Esteve pois na Esperança
Muitos tempos escondido.
Saiu da Madre de Deus,
Depois às Claras foi visto.
Fazem dele estimação
As freiras com tal capricho,
Que apuram para este doce
Todos os cinco sentidos.
Afirmam que no Calvário

Terá Seu termo finito,
Sendo que no Sacramento
Há-de ter novo artifício.
Que seja doce este Infante,
A razão o está pedindo,
Porque é certo que é morgado,
Sendo unigénito Filho!
Exposto ao rigor do tempo,
Quando tirita nuzinho,
Um caramelo parece
Pelo branco e pelo frio.
Tal doce é, que porque farte
Ao pecador mais faminto,
Será de pão com espécies,
Substancial doce divino.
É manjar tão soberano,
Regalo tão peregrino,
Que os espíritos levanta,
Tornando aos mortos vivos.
Tão delicioso bocado
Será de gosto infinito,

Manjar real, verdadeiro,
Manjar branco parecido!
Que é manjar dos Anjos, dizem
Talentos mui fidedignos,
Por ser pão-de-ló, que aos Anjos
Foi em figura oferecido.

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Atribuído a Jerónimo Baía, Fénix Renascida I

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Fantasia sobre Fausto

Pintura de Mariano Fortuny, Fantasia sobre Fausto.
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Esta obra, tal como outras da mesma época, inscreve-se na tradição burguesa da prática musical. Era costume entre as classes cultivadas o hábito tocarem música em família, chegando a criar reuniões para formar um público. Toda a pintura do tempo vai utilizar o tema do piano, ligando-o com relações de intimidade, de cumplicidade com aqueles que lhe dão uso.
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Texto de Margarida Elias.
Bibliografia: Jean-Jacques Levêque, Fantin-Latour.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O Silêncio II

Pintura de Fantin-Latour, White cup and Saucer (1864, Fitzwilliam Museum, London).
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«(...) Une nature morte n'est jamais qu'une mélodie du monde visible. Elle pose le problème du silence dans le monde de la peinture (...).»

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Jean-Jacques Lévêque.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

A beleza interior






Pintura de Hendrick Avercamp, Paisagem de Invermo (Szépmüvészeti Múzeum, Budapest).
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«Se o artista é o sacerdote da "beleza", esta deve ser procurada, segundo o princípio do valor interior (...). A "beleza" só pode ser medida pela escala da Grandeza e da Necessidade Interior (...).
É belo o que procede de uma necessidade interior da alma. É belo o que é belo interiormente.»
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Kandinsky.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Eu hei-de dar ao Menino

Presépio de Machado de Castro, Sagrada Família (ca.1770-80, Museu de Aveiro).

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Eu hei-de dar ao Menino
Uma fitinha pró chapéu;
E ele também me há-de dar
Um lugarzinho no céu.

Olhei para o céu,
Estava estrelado.
Vi o Deus Menino
Em palhas deitado.
Em palhas deitado,
Em palhas estendido,
Filho duma rosa,
Dum cravo nascido!

No seio da Virgem Maria
Encarnou a divina graça;
Entrou e saiu por ela
Como o sol pela vidraça.

Arre, burriquito,
Vamos a Belém,
Ver o Deus Menino
Que a Senhora tem;
Que a Senhora tem,
Que a Senhora adora.
Arre, burriquito
Vamos lá embora.
---
Canção de Natal.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Presépio

Pintura de Murillo, Sagrada Família com São João Baptista.
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O objecto do culto, da admiração, do entusiasmo, do enlêvo dos pequenos do meu tempo era o velho presépio, tão ingénuo, tão profundamente infantil, tão cheio de coisas risonhas, pitorescas, festivas, inesperadas.
Era uma grande montanha de musgo, salpicada de fontes, de cascatas, de pequenos lagos, serpenteada de estradas em ziguezague e de ribeiros atravessados de pontes rústicas.
Em baixo, num pequeno tabernáculo, cercado de luzes, estava o divino bambino, louro, papudinho, rosado como um morango, sorrindo nas palhas do seu rústico berço, ao bafo quente da benigna natureza representada pela vaca trabalhadora e pacífica e pela mulinha de olhar suave e terno. A Santa Família contemplava em êxtase de amor o delicioso recém-nascido, enquanto os pastores, de joelhos, lhe ofereciam os seus presentes, (...).
A grande estrela de papel dourado, suspensa do teto (...), guiava os três magos, que vinham a cavalo (...). Melchior trazia o ouro, Baltasar a mirra, e Gaspar vinha muito bom com o seu incenso (...).
Atrás dêles seguia a cristandade em pêso que se figurava descendo do mais alto monte em direcção ao tabernáculo. Nessa imensa romagem do mais encantador anacronismo, que variedade de efeitos e de contrastes! que contentamento! que alegria! que paz de alma! que inocência! que bondade!
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Ramalho Ortigão.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Little Drummer Boy

Pintura de Sandro Botticelli, A Virgem e o Menino com dois Anjos e o Jovem São João Baptista (1465-1470, Galleria dell'Accademia, Florença).

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Come they told me, pa rum pum pum pum

A new born King to see, pa rum pum pum pum

Our finest gifts we bring, pa rum pum pum pum

To lay before the King, pa rum pum pum pum, rum pum pum pum, rum pum pum pum,

So to honor Him, pa rum pum pum pum,

When we come.


Little Baby, pa rum pum pum pum
I am a poor boy too, pa rum pum pum pum

I have no gift to bring, pa rum pum pum pum

That's fit to give the King, pa rum pum pum pum, rum pum pum pum, rum pum pum pum,

Shall I play for you, pa rum pum pum pum,

On my drum?


Mary nodded, pa rum pum pum pum

The ox and lamb kept time, pa rum pum pum pum

I played my drum for Him, pa rum pum pum pum

I played my best for Him, pa rum pum pum pum, rum pum pum pum, rum pum pum pum,

Then He smiled at me, pa rum pum pum pum

Me and my drum.
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Ave Maria

Pintura de Rubens.
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Ave Maria
Gratia plena
Maria, gratia plena
Maria, gratia plena
Ave, ave dominus
Dominus tecum
Benedicta tu in mulieribus
Et benedictus
Et benedictus fructus ventris
Ventris tuae, Jesus.
Ave Maria, gratia plena
Maria, gratia plena
Maria, gratia plena
Ave, ave dominus
Dominus tecum
Ave Maria
Mater Dei
Ora pro nobis peccatoribus
Ora pro nobis
Ora, ora pro nobis peccatoribus
Nunc et in hora mortis
Et in hora mortis nostrae
Et in hora mortis nostrae
Et in hora mortis nostrae
Ave Maria
Ave Maria, gratia plena
Maria, gratia plena
Maria, gratia plena
Ave, ave dominus
Dominus tecum
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Adoração dos Magos (Adeste Fidelis)

Pintura de Carlo Maratta, Adoração dos Magos (numa Grinalda) (Museu do Hermitage, São Petersburgo).
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Adeste Fideles
Laeti triumphantes
Venite, venite in Bethlehem
Natum videte
Regem angelorum
Venite adoremus
Dominum
Cantet nunc io
Chorus angelorum
Cantet nunc aula caelestium
Gloria, gloria
In excelsis Deo
Venite adoremus
Dominum
Ergo qui natus
Die hodierna Jesu,
tibi sit gloria
Patris aeterni
Verbum caro factus
Venite adoremus
Dominum
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Pussycat Pussycat poem

"Pussycat pussycat, where have you been?"
"I've been up to London to visit the Queen."
"Pussycat pussycat, what did you dare?"
"I frightened a little mouse under her chair"
"MEOWW!"
-<>-

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Twinkle twinkle little star


Twinkle twinkle little star, how I wonder what you are?
Up above the world so high , like a diamond in the sky
When the blazing sun is gone, when he nothing shines upon,
Then you show your little light, twinkle, twinkle all the night.
Then the traveller in the dark, thanks you for your tiny spark,
He could not see which way to go, if you did not twinkle so.
In the dark blue sky you keep, and often through my curtains peep,
For you never shut your eye, 'till the sun is in the sky.
As your bright and tiny spark lights the traveller in the dark,
Though I know not what you are - twinkle, twinkle little star.
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Clear Weather After Snow at Kameyama

Pintura de Hiroshige, Clear Weather After Snow at Kameyama - Hoeido series, station 47: Kameyama (1831-1834, Hood Museum of Art, Hanover -E.U.A.).
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Of winter's lifeless world each tree
Now seems a perfect part;
Yet each one holds summer's secret
Deep down within its heart.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Hokusai

Gravura de Hokusai, Hibiscus and Sparrow (c. 1832, Museu Nacional das Artes Asiáticas-Guimet, Paris).
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At seventy-three I learned a little about the real structure of animals, plants, birds, fishes and insects. Consequently when I am eighty I'll have made more progress. At ninety I'll have penetrated the mystery of things. At a hundred I shall have reached something marvellous, but when I am a hundred and ten everything I do, the smallest dot, will be alive.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O Espelho

Pintura de Sir Edward Burne-Jones, O Espelho de Vénus (1875, Museu Calouste Gulbenkian, Lisboa).
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Ó meu espelho d'aço! Muito Amigo
Que me diz as verdades francamente,
me vê doente, quando estou doente,
E sã, se sã me mostro ao seu postigo;
-
Voz que repette aquilo que eu lhe digo,
E muda, quando mudo de repente,
Olhar que me desenha Claramente,
Do meu sentir o mais fiel abrigo:
-
Mas tu, preferido Amôr! O espelho d'alma
Que reflecte a minha pura e calma -
Embaciou-te a luz d'outra paixão:
-
E hoje, se o meu olhar no teu confundo,
vejo a íris negra d'esse mar profundo
E n'ella os traços meus procuro em vão!
---
Soneto de 1916, assinado «Azul»
in Espólio de Columbano Bordalo Pinheiro.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Woodpecker

Tapeçaria de William Morris, Woodpecker (1885, William Morris Gallery, Walthamstow).
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O movimento Arts and Crafts foi criado por William Morris por volta de 1860. Este artista, que iniciou a sua actividade como pintor, ligado ao grupo Pré-rafaelita, interessou-se pela «arte utilitária», nomeadamente pela arquitectura doméstica e decoração de interiores. Foi também escritor e publicista, tornando-se progressivamente num «educador do gosto». A sua influência espalhou-se pela Europa e pela América, tendo sido importante para o advento da Arte Nova.
William Morris formou, em 1861, um agrupamento de artistas que pretendia ser um «grupo operativo dinâmico» com um «programa de produções»: uma empresa que pudesse, a longo prazo, competir com a indústria tanto no plano da qualidade como dos preços. Foi a Morris, Marshall, Faulker & C., especializada no equipamento e nas decorações. A empresa foi dissolvida em 1874, mas abriu pouco depois, reformada e somente ligada a Morris, o qual se rodeou dessa vez de colaboradores mais especializados. O sucesso das suas ideias levou a que, em pouco tempo, se fundassem outras sociedades e organizações com objectivos similares que contribuíram para a revalorização das artes decorativas, as quais são genericamente incluídas no termo Arts and Crafts Movement.
A obra de Morris foi bastante influenciada pelo pensamento de Ruskin. Nascera num enquadramento social e artístico específico, caracterizado pela pouca preocupação com a qualidade das peças produzidas industrialmente, num esquema produtivo em que se desvalorizava o papel criativo. Morris desejava uma sociedade melhor, onde as máquinas não se sobrepusessem ao homem, sendo a sua utilização reduzida e restringida ao estritamente necessário para facilitar a execução dos produtos. Morris defendia o trabalho artesanal e as artes populares. Era a sua intenção que deixasse de haver uma distinção entre artistas e operários, passando ambos a colaborar activamente na realização dos objectos, num espírito idêntico ao das guildas medievais. Conforme as suas palavras: «o artesão (...) deve reencontrar-se com o artista e trabalhar lado a lado com ele».
Morris era «um apóstolo da simplicidade». De acordo com as suas ideias «a arquitectura e o mobiliário deviam ser desenhados em harmonia com a natureza dos materiais e processos de trabalho usados; a decoração das superfícies devia ser plana, nunca ilusiva». A forma dos objectos devia acompanhar a qualidade na execução, sendo a decoração correspondente à «expressão do prazer do homem no trabalho bem feito».
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Texto de Margarida Elias.
Bibliografia abreviada:
Giulio Carlo Argan, 1998; Gabriele Fahr-Becker, 2000; William Hardy, 1996; H. W. Jansen, 1992; William Morris, ed. 2003; Michel Thomas, 1985.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Amendoeiras em flor

Pintura de Van Gogh, Amendoeiras em Flor (1890, Museu Van Gogh, Amesterdão).
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My dear Theo,
I'm in a fever of work since the trees are in blossom ...
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Van Gogh, 1888.

sábado, 22 de novembro de 2008

Quillebeuf, Mouth of the Seine

Pintura de Turner (Museu Gulbenkian, Lisboa).
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(...) every nation, perhaps every generation, has in all probability some peculiar gift, some particular character of mind, enabling it to do something different from, or something in some sort better than, what has been before done (...), the greatest minds of existing nations, if exerted with the same industry, passion, and honest aim as those of past time, have a chance in their particular walk of doing something as great, or, taking advantage of former example into account, even greater and better (...).
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John Ruskin, 1900.
In C. Harrison, P. Wood e J. Gaiger, Art in Theory 1815-1900, Blackwell Publishers, 1998.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Nenúfares

Pintura de Monet, Nenúfares (1903).
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( ...) meu único mérito consiste no facto de eu me sujeitar ao instinto; foi graças a estas forças reencontradas e predominantemente intuitivas e secretas que consegui identificar-me com a criação dissolvendo-me nela (...).
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Claude Monet, citado por Karin Sagner-Düchting.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Tem cabeça, mãos, pés e coração

Pintura de Paul Klee, Tem Cabeça, Mãos, Pés e Coração.
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Outrora, descreviam-se coisas que se podiam ver neste mundo; coisas de que gostávamos ou que teríamos gostado de ver. Agora, a realidade das coisas visíveis torna-se evidente e manifesta-se, assim, a convicção de que o visível é apenas um exemplo isolado, em relação à totalidade do universo e que existem ainda muitas verdades em estado latente. Os objectos parecem, num sentido lato e múltiplo, contradizer muitas vezes as experiências racionais de ontem. É preciso lutarmos pela substancialização do ocasional.
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Paul Klee (1920).

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A Arte

Pintura de Kandinsky.
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A pintura é uma arte, e a arte, no seu conjunto, não é uma criação sem objectivos que se estilhace no vazio. É uma força cuja finalidade deve desenvolver e apurar a alma humana (...). É a única linguagem capaz de comunicar com a alma, a única que a pode compreender. (...)
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Kandinsky.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Carnation, Lily, Lily, Rose

Pintura de Sargent, Carnation, Lily, Lily, Rose (1885-1886, Tate Gallery, Londres).
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Ye Shepherds Tell Me
Ye Shep-herds tell me, tell me have you seen, have you seen
My Flora pass this way?
In shape and feature beauty's queen.
In pastoral, in pastoral array
Shepherds tell me, tell me have you seen, have you seen
My Flora pass this way?
Have you seen, tell me Shepherds have you seen, tell me have you seen
My Flora pass this way.
A wreath around her head, around her head she wore
Carnation, lilly, lilly, rose;
And in her hand a crook she bore,
And sweets her breath compose.
Shepherds tell me, tell me have you seen, have you seen
My Flora pass this way?
Have you seen, tell me Shepherds have you seen, tell me have you seen
My Flora pass this way.
The beauteous, the beauteous wreath that decks, that decks her head,
Forms her description, her description true.
Hands lily white,
Lips crimson red, and cheeks of rosy, rosy hue.
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domingo, 16 de novembro de 2008

Paris na Segunda Metade do Século XIX

Pintura de Caillebotte, Rua de Paris (1877, The Art Institute of Chicago, Chicago).
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Gustave Caillebotte (1848-1894) foi aluno de Bonnat e da Escola de Belas-Artes de Paris. Em 1873, conheceu Monet e Renoir, participando nas exposições do grupo impressionista desde 1876 até 1882. Entre outros temas, notabilizou-se pela representação de Paris renovada.
Quando Napoleão III chegou ao poder, Paris não obedecia a qualquer regra urbanística, desenvolvendo-se de forma anárquica. Foi Georges Haussmann que deu à cidade uma nova configuração. Nomeado Perfeito do Sena, entre 1853 e 1869, ocupou-se dos trabalhos de embelezamento e saneamento da cidade. A demolição de bairros permitiu-lhe criar artérias rectilíneas, gares, parques, bem como um sistema de esgotos e abastecimento de água.
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Texto de Margarida Elias.
Baseado no ABCedário do Impressionismo.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

As Mãos

Escultura de Auguste Rodin, A Mão de Deus (1896, Museu Rodin, Paris - Photo : E. & P. Hesmerg).
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A mão exprime ideias de actividade, ao mesmo tempo que de poder e de domínio. A mão esquerda de Deus é tradicionalmente ligada à justiça e a mão direita à misericórdia. Segundo Grégoire de Nysse, as mãos do homem estão relacionadas com o conhecimento, a visão e a linguagem. A mão separa o homem dos animais, e serve para diferenciar os objectos que ela toca e modela.
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Baseado em Jean Chevalier e Alain Gheerbrant.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Definição de Pintura

Pintura de Zurbarán, Natureza Morta com Laranjas, Limões e uma Rosa (1633, Norton Simon Museum of Art, Pasadena).
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We should remember that a picture - before being a war horse, a nude woman, or telling some other story - is essentially a flat surface covered with colours arranged in a particular pattern.
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Maurice Denis (1890).

terça-feira, 11 de novembro de 2008

A Criação do Homem

Pintura de Michelangelo (1510, Capela Sistina).
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A criação simbolisa o fim do caos para a entrada no universo de uma certa forma, de uma ordem, de uma hierarquia.
O acto da criação no sentido lato é a energia, que organiza os primeiros dados informes; a criação é o efeito dessa energia.
Depois do acto criador, distinguem-se geralmente duas formas, uma imanente na matéria, que é a própria matéria participando da energia criadora e tendendo espontaneamente para formas sempre diferenciadas; a outra transcendente, a energia criadora que prossegue a sua obra e a sustém na existência, concebendo o mundo como uma criação contínua.
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Baseado em Jean Chevalier e Alain Gheerbrant.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Ecce Agnus Dei

Pintura de Josefa de Óbidos, Cordeiro Pascal (c. 1660-1670, Museu Regional de Évora).
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Josefa de Ayala é um dos poucos exemplos de artistas femininas na pintura ibérica do Século XVII. Nasceu em Sevilha ca. de 1630, filha do pintor Baltazar Gomes Figueira. Essa cidade era na época um dos mais importantes centros artísticos da península. Em 1636, vieram para Portugal, instalando-se em Óbidos, onde Josefa morreu em 1684. Provavelmente conheceu a obra de Zurbarán, que a inspirou nos quadros figurando o Agnus Dei. Mesmo que não a tenha conhecido directamente, as composições de Zurbarán eram copiadas por outros artistas, sendo bastante divulgadas nos meios artísticos de seiscentos. Contudo, Josefa embelezou a austera composição do pintor espanhol com uma coroa de flores e de frutos, assim como era costume na pintura flamenga da época - tal como se pode ver neste quadro presente em Évora. O tema do Agnus Dei estava muito em voga e era muitas vezes associado à «Adoração dos Pastores», onde o cordeiro de patas atadas pronto para o sacrifício tornava-se um emblema de Cristo Redentor. Aliás, no quadro de Évora, as uvas e as espigas de trigo, presentes na grinalda envolvente, são uma alusão eucarística que reforça a mensagem religiosa da legenda: «occisus ab origine mundi», aludindo à morte de Cristo como sacrifício. Entre as várias flores, conotadas com virtudes cristãs, as rosas silvestres são símbolos da Virgem, da Natividade e da vinda do Messias. Pintados de modo naturalista, dentro do estilo tenebrista que dominava a pintura barroca, sobretudo nas naturezas-mortas, estas obras transmitem mais do que aquilo que os olhos podem ver. A sua simplicidade aparente esconde significados simbólicos e mensagens religiosas, que eram fáceis de ler nos meios culturais do seu tempo.
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Texto de Margarida Elias.
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Autores a consultar sobre este assunto: Edward J. Sullivan; Matias Diaz Padron; Julian Gallego; Vítor Serrão; Luís de Moura Sobral; Ana Hatherly.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A Anunciação

Pintura de Simone Martini, A Anunciação (1333, Galleria degli Uffizi, Florença).
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A festa da Anunciação coincide com a chegada da Primavera, celebrada a 25 de Março, nove meses antes do Natal. Foi introduzida na liturgia pelo Concílio de Toledo em 656. A Anunciação corresponde à figuração do momento em que o arcanjo Gabriel anuncia à Virgem Maria que ela será mãe de Deus. O anjo disse-lhe: «Salve, agraciada; o Senhor é contigo, bendita és tu entre as mulheres». A Virgem ficou perturbada e para sossegá-la o anjo explicou: «Descerá sobre ti o Espírito Santo...». Por fim, Maria responde: «Eis aqui a serva do Senhor». (Lucas 1, 27-38). Em muitas figurações da Anunciação há uma divisão entre o espaço da Virgem e o do anjo. O espaço da Virgem é fechado / interior, enquanto o do anjo é aberto / exterior. De acordo com Didi-Huberman, trata-se de um espaço insólito / ambíguo, transposto mas intacto, onde cada signo de abertura é quebrado por um signo de clausura. A paisagem, do lado do anjo, remete para o Jardim do Paraíso, perdido na altura da Queda e que será retomado pelo homem através de Cristo.

Pintura de Jorge Afonso, Anunciação (c. 1510, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa).
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A representação da Anunciação é muitas vezes carregada de símbolos, sobretudo na pintura nórdica, ou na portuguesa de influência flamenga. O anjo Gabriel é o mensageiro do Senhor. A pomba figura o Espírito Santo que descerá sobre Maria. Esta está a ler a Bíblia. As flores de Lis, muitas vezes presentes, são sinal de pureza, assim como a veste branca de Gabriel. As colunas simbolizam a árvore da vida, a relação entre o céu e a terra, a vitória e a imortalidade, a presença de Deus. A concha que se vê sobre Maria indica a atenção à palavra, mas também, pela ligação à água, a gestação e a fertilidade.
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Texto de Margarida Elias.
Bibliografia: Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, Dictionnaire des Symboles, Paris, Robert Laffont & Jupiter, 1982; Georges Didi-Huberman, Fra Angelico, Paris, Flammarion, 1995; Nicole Lemaître, Marie-Thérese Quinson e Véronique Sot, Dicionário do Cristianismo, Correio da Manhã, 2004.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

São Jerónimo

Pintura de Albrecht Dürer, São Jerónimo (1521, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa).
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São Jerónimo foi um dos Doutores da Igreja, tradutor da Bíblia para latim. No Renascimento era o patrono dos Humanistas, admirado por Erasmo de Roterdão. Dürer fez várias representações de São Jerónimo desde uma gravura de 1492. O quadro que se encontra no Museu Nacional de Arte Antiga foi pintado em 1521, numa viagem de Dürer aos Países Baixos, e foi oferecido a um português da feitoria de Antuérpia, de nome Rodrigo Fernandes de Almada. O tema era muito popular em Antuérpia, facto que estava ligado à renovação dos estudos bíblicos, concretizada em 1516 com a publicação dos textos de São Jerónimo com comentários de Erasmo. Quentin Metsys, que conhecia o humanista, pintou cerca de 1515 um São Jerónimo, introduzindo uma nova versão na representação do Santo. Essa nova versão foi recriada por Dürer no quadro que se encontra no Museu de Arte Antiga. Para fazer este quadro, Dürer fez alguns estudos, entre os quais um retrato de um homem de 93 anos, o qual foi o modelo de São Jerónimo. Neste trabalho podemos ver o Santo no seu estúdio, sentado a uma secretária, enquanto medita sobre uma passagem da Bíblia. Atrás dele está uma parede onde sobressai um Crucifixo. O Santo encontra-se numa pose que repete a da Melancolia, uma famosa gravura de Dürer de 1514. Importa notar que o humor melancólico era associado aos homens de génio e, nomeadamente, aos teólogos. Por outro lado, ele aponta para uma caveira, sinal de vanitas, enquanto olha para o espectador. Deste modo, Dürer coloca o Santo a convidar os cristãos à meditação, lembrando-lhe que as coisas terrenas são efémeras.
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Texto de Margarida Elias.