terça-feira, 12 de outubro de 2010

Senhora da Rosa

Mestre desconhecido, Senhora da Rosa (séc. XV, Museu Nacional de Machado de Castro, Coimbra).
---
Esta pintura, encontrada no Colégio de S. Jerónimo de Coimbra, apresenta a Virgem Entronizada com o Menino, ladeada por dois doadores e coroada por dois anjos. A criança orante, à esquerda, enverga uma túnica com a cruz da Ordem de Cristo. A Virgem, na sua mão direita, segura uma rosa, evocando a Rosa Mística que, nas litanias, é um símbolo da própria Virgem.
---
Bibliografia:
Jean Chevalier e Alain Gheerbrant (1982).
José Alberto Seabra Carvalho (1995).

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

«He led an honest, God-fearing life»

Gravura de Albrecht Dürer, Madonna Nursing (1519, Metropolitan Museum of Art, New York).
---
«My father suffered much and toiled painfully all his life, for he had no resources other than the proceeds of his trade from which to support himself and his wife and family. He led an honest, God-fearing life. His character was gentle and patient. He was friendly towards all and full of gratitude to his Maker. He cared little for society and nothing for worldly amusements. A man of very few words and deeply pious, he paid great attention to the religious education of his children. His most earnest hope was that the high principles he instilled into their minds would render them ever more worthy of divine protection and the sympathy of mankind. He told us every day that we must love God and be honourable in our dealings with our neighbours».
---

domingo, 10 de outubro de 2010

Atelier de Vuillard

Édouard Vuillard, Madame Josse Hessel in Vuillard's Studio (1915).
---
«I do not belong to any school, I simply want to do something that is personal to my self».
---

sábado, 9 de outubro de 2010

A Cor

 Quadro atribuído a Eugène Delacroix, Coin d'atelier - Le poële (Museu do Louvre, Paris).

---
«La couleur est par excellence la partie de l'art qui détient le don magique. Alors que le sujet, la forme, la ligne s'adressent d'abord à la pensée, la couleur n'a aucun sens pour l'intelligence, mais elle a tous les pouvoirs sur la sensibilité».
---
Eugène Delacroix.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Esperando por um arco-Íris

Arkhip Ivanovich Kuindzhi, Rainbow (1900).
---
«Rainbows apologize for angry skies».
---

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Detalhe I

Ernest Meissonier, Les amateurs de peinture (c. 1860, Museu de Orsay, Paris).
---
«A côté de moi, deux amateurs, la loupe à la main, regardaient une des figurines. L'un deux s'écria brusquement: "L'oreille y est tout entière. Regardez donc l'oreille. L'oreille est impayable." L'autre amateur regarda l'oreille qui, à l'oeil nu, paraissait un peu plus grosse qu'une tête d'épingle, et, quand il eut bien constaté que l'oeille existait dans son intégralité, ce furent des exclamations sans fin d'admiration et d'enthusiasme».
---
Zola (1867), 
citado por Daniel Arasse (1996).

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O sobrenatural


Giovanni Battista Tiepolo, The Institution of the Rosary (1737-1739, Santa Maria del Rosario, Veneza).
---
«Le spectateur doit, en levant les yeux au-dessus de lui, se sentir transporté par la force de l'illusion dans un monde surnaturel».
---
Bernard de Montgolfier (1998).

A chuva

Pierre Bonnard, La Petite Blanchiseuse (1896).
---
A chuva é um pingue pingue
constante e brincalhão
pingue pingue pingue pingue
vai pingando e cai no chão.

Molha tudo tudo molha
molha tudo no jardim
e a gente quando se molha
faz atchim atchim atchim.
---

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Fazer o impossível

Nicoletta Ceccoli, Daphne.
---
«Start by doing what's necessary; then do what's possible; and suddenly you are doing the impossible».
---

domingo, 3 de outubro de 2010

Outubro I

 Károly Ferenczy, October (1903, Hungarian National Gallery, Budapest).
---
«In the garden, Autumn is, indeed the crowning glory of the year, bringing us the fruition of months of thought and care and toil. And at no season, safe perhaps in Daffodil time, do we get such superb colour effects as from August to November.»
---
Rose G. Kingsley.
---
P.S. Obrigada Ana por me ter "apresentado" a obra de Ferenczy. Gostei muitíssimo daquilo que pude ver na internet.

sábado, 2 de outubro de 2010

Anjos

Desenho de Paul Klee, In Angel's care on a long way (1931, Zentrum Paul Klee, Bern).
---
«Pay attention to your dreams - God's angels often speak directly to our hearts when we are asleep».
---
Citado por Eileen Elias Freeman (1994).

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Outubro

 Gravura de Eugène Grasset, Octobre, in Les Mois (1896, Davidson Galleries).
---
October gave a party;
The leaves by hundreds came-
The Chestnuts, Oaks, and Maples,
And leaves of every name.
The Sunshine spread a carpet,
And everything was grand,
Miss Weather led the dancing,
Professor Wind the band.
---
George Cooper.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Devoção

Béla Iványi Grünwald, Devotion (1891, Hungarian National Gallery, Budapeste).
---
«Il faut toujours prier comme si l'action était inutile et agir comme si la prière était insuffisante».

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Detalhe

Ernest Meissonier, A Painter (1855, Cleveland Museum of Art, Ohio).
---
«Un détail peut être porteur d’une signification essentielle à l’ensemble de l’image. Il peut être alors un element visible, manifeste ou discret. Il peut être parfois invisible et designer, dans le tableau, l’intimité de ce qui le travaille».
---
Daniel Arasse (1992).

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Por fim, também sobre o Outono

Leander Engstrom, Autumnal landscape.
---
«L'automne est le printemps de l'hiver».
---
Henri de Toulouse-Lautrec.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Mais uma imagem de Outono

Jean-François Millet, Haystacks: Autumn (c. 1874).
---
«L'automne est une saison sage et de bon conseil».

Ainda do Outono que agora começa...



Pinturas: Eero Erik Nikolai Järnefelt, Kaislikkoranta (1905).
---
«No spring nor summer beauty hath such grace
As I have seen in one autumnal face».

sábado, 25 de setembro de 2010

Dia 26 de Setembro de 2010: Dia Mundial do Mar


---
Mar Português
-
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma nao é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
---
Fernando Pessoa.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Se deste Outono

Elizabeth Forbes, The Leaf (1897-1898).
---
SE DESTE OUTONO
-
Se deste outono uma folha,
apenas uma, se desprendesse
da sua cabeleira ruiva,
sonolenta,
e sobre ela a mão
com o azul do ar escrevesse
um nome, somente um nome,
seria o mais aéreo
de quantos tem a terra,
a terra quente e tão avara
de alegria.
---
Eugénio de Andrade,
retirado de (In)Cultura.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Take time

 Henri Rousseau, View of Bievre-sur-Gentilly.
---
«Everyone must take time to sit and watch the leaves turn».  
---

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Outono

Henri Le Sidaner, Outono (1923).
---
«Winter is an etching, spring a watercolor, summer an oil painting and autumn a mosaic of them all». 
---

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Sobre a verdade

 Carl Larsson, The Still Life Painter (1886).
---
«Se apenas houvesse uma única verdade, não poderiam pintar-se cem telas sobre o mesmo tema».
---
Pablo Picasso, 

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Old King Cole


Pintura de Maxfiel Parrish, Old King Cole (mural) e Ilustração (originalmente do blogue Histórias da Carochinha)
---
Old King Cole was a merry old soul, and a merry old soul was he;
He called for his pipe in the middle of the night
And he called for his fiddlers three.
Every fiddler had a fine fiddle, and a very fine fiddle had he;
Oh there's none so rare as can compare
With King Cole and his fiddlers three.
---

domingo, 19 de setembro de 2010

Escola

Pintura de Adriaen van Ostade, The School Master (1662, Musee du Louvre, Paris).
---
«Queridos estudantes!
Regozijo-me por vos ver hoje diante de mim, alegre juventude de um país abençoado.
Lembrai-vos de que as coisas maravilhosas que ireis aprender nas vossas escolas são a obra de muitas gerações, levada a cabo por todos os países do mundo, à custa de muito entusiasmo, muito esforço e muita dor. Tudo é depositado nas vossas mãos, como uma herança, para que a aceitem, honrem, desenvolvam e a transmitam fielmente um dia aos vossos filhos. Assim nós, embora mortais, somos imortais nas obras duradouras que criamos em comum.
Se tiverem esta ideia sempre em mente, encontrarão algum sentido na vida e no trabalho e poderão formar uma opinião justa em relação aos outros povos e aos outros tempos.»
---
Albert Einstein, in O Citador.

sábado, 18 de setembro de 2010

Domingo

Henri Le Sidaner, O Domingo (1898, Musée de la Chartreuse, Douai).
---
«La rêverie est le dimanche de la pensée».

Amizade

 Fotografia de Adelino Lyon de Castro, Encontro (1950, Museu do Chiado - MNAC, Lisboa).
---
«Sometimes you put walls up not to keep people out, but to see who cares enough to break them down
---

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Ilusão

 Georg Flegel, Cupboard (c. 1610, Národní Galerie, Praga).
---
«From the begining, stil lifes have been known as a genre radically conspicuous for its illusionist methods».
---
Norbert Schneider (1994).

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Sublime

Pintura de Domingos Sequeira, Coroação da Virgem (c. 1830, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa).
---
«Le sublime est la résonance d'une grande âme
---

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Take a look at your natural river

Constant Le Breton, La Loire.
---
«Take a look at your natural river. What are you? Stop playing games with yourself. Where's your river going? Are you riding with it? Or are you rowing against it? Don't you see that there is no effort if you're riding with your river?»
---
Frederick (Carl) Frieseke.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Arte: Naturalismo

Pintura de Joaquin Sorolla y Bastida, Paisaje de San Sebastián (Fundación Museo Sorolla, Madrid).
---
«(...) o artista só tem um meio de ser superior - é ser fiel à natureza e ser fiel à sua própria comoção, ser exacto e ser sincero».
---
Ramalho Ortigão (c. 1884).

domingo, 12 de setembro de 2010

Memórias e Esperanças

John Ritchie, The Inventer.
---
«We must always have old memories and young hopes».
---
Houssaye,
citado por The Dutchess.

sábado, 11 de setembro de 2010

Festa de Nossa Senhora da Ajuda

---
Já no ano passado escrevi sobre os arcos de murta da festa de Nossa Senhora da Ajuda, no Ramalhal, que se festeja no segundo Domingo de Setembro.
Contudo, hoje foi um dia triste, porque, no desastre de Marrocos, faleceram três pessoas do Ramalhal, da mesma família, uma delas uma menina de 17 anos. Por isso deixo aqui um texto escrito por uma pessoa amiga, que foi dedicado a essa menina.
«Para ti Sofia desejo-te a paz profunda da brancura do luar,
a paz profunda do verde das ervas;
a paz profunda do castanho da terra;
a paz profunda do azul do céu;
a paz profundada onda que vem e vai;
a paz profunda da brisa que sopra;
a paz profunda do sol que brilha
serás sempre a nossa estrela.... até logo....»

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Fidelidade à natureza

Pintura de Alfred James Munnings, Laura Knight painting.
---


«...o artista não tem que preocupar-se senão de ser absolutamente sincero na sua fidelidade à natureza, e de ser o mais completamente perfeito no seu processo de exprimir as aparências da verdade».
---

Ramalho Ortigão (c. 1884).

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A Música e a Pintura

Pintura de Evaristo Baschenis, Musical Instruments (Musées Royaux des Beaux-Arts, Bruxelas).
-
 
 Pintura de Marguerite Gerard, Artist Painting a Portrait of a Musician (c.1803).
-
 
 Pintura de Joseph Rodefer De Camp, The Cellist (1908).
-
 
 Pintura de Thomas Eakins, Music (1904, Albright-Knox Art Gallery, Buffalo).
---
«A painter paints pictures on canvas.  But musicians paint their pictures on silence». 
---

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Aldeia típica de José Franco

Fotografias da aldeia típica de José Franco (Sobreiro, Mafra).
---
«Sino, coração d'aldeia,
Coração, sino da gente.
Um a sentir quando bate
Outro a bater quando sente».
---
Adolfo Casais Monteiro.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Sê bemvindo nesta casa

 Kate Hayllar, A Thing of Beauty is a joy forever (1890).
---
«Sê bemvindo nesta casa,
Se és de-véras meu amigo!
Entra, abraça-me, descança,
Senta-te á meza comigo».
---
Eugénio de Castro.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Gabinetes de curiosidades

Pintura de Frans Francken II, Kunst- und Raritätenkammer (c. 1620-1625, Kunsthistorisches Museum, Vienna).
---
O pensamento científico, no início da Idade Moderna, era governado pelo princípio da curiositas. Em pinturas com o tema dos gabinetes de curiosidades podemos ver naturalia - objectos encontrados como pérolas e conchas, misturados com artificialia - objectos feitos pelo homem. Os quadros pendurados nestes gabinetes tinham muitas vezes a função de substituir a realidade.
---
Bibliografia: Norbert Schneider (1994).

domingo, 5 de setembro de 2010

Castelo de São Jorge

---
«Considerado o monumento mais emblemático da cidade de Lisboa, o Castelo de S. Jorge é um testemunho relevante de momentos ímpares da história de Lisboa e de Portugal. 
Em 16 de Junho de 1910, meses antes da implantação da República, D. Manuel II, último Rei de Portugal, manda publicar o decreto de classificação do património nacional com estatuto de Monumento Nacional, em cuja lista se incluía o Castelo de S. Jorge. 
(...)
Assim, a área classificada em 1910 integrou um conjunto de património notável constituído pelo castelo e as muralhas, por alguns edifícios que outrora faziam parte do antigo Paço Real da alcáçova, ocupados então pelo quartel, e por uma área designada hoje por Praça Nova que encerra vestígios de várias épocas, desconhecidos na altura, com destaque para o conjunto residencial da época Islâmica. 
É nessa zona a nascente do castelo, a Praça Nova, onde hoje se situa o Núcleo Arqueológico, que se encontram os vestígios mais antigos de ocupação da área circunscrita pelo Monumento Nacional e que remontam ao séc. VII a.C., à Idade do Ferro, época em que provavelmente aí se localizava um povoado fortificado. 
(...)
À semelhança do que acontecia noutras cidades islâmicas do al-Andalus, o local escolhido para a construção do castelo da alcáçova obedecia a determinadas características topográficas, como a dificuldade de acesso e a existência de um maciço rochoso escarpado de forma a potenciar a inexpugnabilidade da fortificação dissuadindo assim um pretenso ataque. Com uma planta quadrangular com cerca de 50 m de largura dividido por um muro com uma torre adossada, o castelo preserva ainda as onze torres, uma das quais a meia encosta, designada por torre da couraça e que permitia o acesso a um ponto de água em caso de cerco prolongado. 
(...)
Em 1147, D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, com a ajuda da Segunda Cruzada, conquista a cidade que capitula após cinco meses de cerco. Em 25 de Outubro desse ano, o novo poder instala-se no Castelo de S. Jorge. Os personagens mudam mas permanecem as funções e a nobreza dos residentes que adoptam os espaços funcionais dos antecessores. 
A antiga zona palatina serviu de aposentos aos novos senhores, o castelo permaneceu como local de comando militar, adoptando a orgânica funcional anterior, a área residencial, junto à antiga mesquita consagrada agora ao culto cristão, foi doada ao Bispo de Lisboa para aí construir o seu paço e fundou-se a freguesia de Santa Cruz da alcáçova onde se estabeleceram os nobres ligados ao poder. 
(...)
De meados do séc. XIII até ao início do séc. XVI, o Castelo de S. Jorge conheceu o seu período áureo. Nos edifícios onde hoje se encontra o Núcleo Museológico, o Café do Castelo e o Restaurante Casa do Leão, localizava-se o antigo palácio do alcaide mouro que se converteu em residência dos Reis de Portugal quando estavam em Lisboa. Transformado em Paço Real, ampliaram-se e adaptaram-se os espaços antigos, construíram-se outros novos, instalou-se o Rei, a Corte e o arquivo régio numa das torres do castelo, receberam-se personagens ilustres nacionais e estrangeiras, realizaram-se festas e aclamaram-se Reis. 
(...)
Ao Paço Real da alcáçova, com as suas inúmeras dependências, ao castelo, agora devotado a S. Jorge, santo padroeiro dos cavaleiros e das Cruzadas, por ordem do rei D. João I, e ao Paço do Bispo, juntaram-se, segundo os documentos, as Casas da Rainha, com as Cavalariças e o Hospital, casas de nobres da Corte, uma ou duas albergarias, a igreja e o cemitério, as capelas e alguns serviços da Administração, a Chancelaria, os Contos do Rei e o Arquivo Régio. 
(...)
O século XVI dita uma renovação mais substantiva da ocupação do Castelo de S. Jorge, marcada pela transferência do Rei e da Corte para o Paço da Ribeira situado no Terreiro de Paço e pelo regresso da vida militar que sobreveio com a integração de Portugal na Coroa de Espanha em 1580. Porém, D. Sebastião (1557-1578) mandou ainda proceder a obras no antigo Paço Real (...).
Após a Restauração em 1640 permaneceu a matriz militar, manteve-se o quartel e a prisão e o novo Alcaide–Mor instalou-se no actual Palácio do Governador, que integrava o antigo Paço do Rei. Numa das torres do castelo e nas alas do antigo Paço continuou a funcionar a Torre do Tombo (...). 
(...)
No século XVIII e XIX o Castelo de S. Jorge recebe as alterações mais profundas. Com o terramoto de 1755, as muralhas, o castelo, o antigo Paço Real, bem como a maior parte dos palácios, ermidas, igreja e outras construções existentes ficaram em ruínas. Sobre os escombros dos antigos edifícios, foram lentamente construídos outros que esconderam as ruínas dos anteriores. Só a igreja de Santa Cruz foi reconstruída. O castelo e parte dos vestígios do antigo Paço Real da alcáçova foram redescobertos já no século XX, após as demolições das construções pós-terramoto que os encobriam. 
(...)
É no decorrer do século XX que se redescobre o castelo, os vestígios do antigo Paço Real, a alcáçova islâmica e as vivências de outrora. As intervenções de 1938-40 promovidas pela Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, conferiram-lhe a imponência actual, resgatada no meio das demolições então levadas a cabo, atestando materialmente aqui e ali fragmentos das construções do passado documentadas amiúde nas fontes escritas. As outras que se seguiram, em particular as que se iniciaram na última década do século XX, contribuíram de forma singular para avivar a memória e lembrar a antiguidade da ocupação no topo da colina, restituindo à História páginas que estavam em branco e, acima de tudo, confirmando o inestimável valor histórico que fundamentou a classificação do Castelo de S. Jorge como Monumento Nacional no início do século XX (...)».
---