segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Março

 Calendário de 1911, publicado por Japonisme, adaptado para 2011.
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"Winds of March, we welcome you,
There is work for you to do.
Work and play and blow all day,
Blow the Winter wind away."
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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Quotidiano II

Koloman Moser, Bilderbuch für die Nichte von Ditha Mautner von Markhof (1904, Sammlung Richard Grubman und Carolin Mortimer).
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«Space and light and order. Those are the things that men need just as much as they need bread or a place to sleep».

sábado, 26 de fevereiro de 2011

A propósito de Artur Loureiro

Artur Loureiro, Em Repouso ou Descanso da Artista (1882, Museu do Chiado, Lisboa).
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Este quadro de Artur Loureiro (1853-1932) interessa-me por vários motivos. Pela beleza, serenidade, e naturalismo. Mas também pela figura de mulher, vestida de negro, retratada de perfil, num espaço exterior. Ela estaria a pintar e interrompeu o que fazia, estando a observar o trabalho que fez, que está no chão, à sua frente.
A mulher retratada era uma australiana, Marie Huybers, com quem Loureiro veio a casar e teve dois filhos, um rapaz e uma rapariga. Nesta altura, Loureiro estava a viver em Paris como bolseiro em pintura de paisagem, tendo exposto no Salon parisiense de 1880 a 1882.
Em 1884, Loureiro foi viver para a Austrália com a mulher. Foi membro da Australian Art Association e professor de Design no Presbyterian Ladies' College. Em 1899 recebeu uma medalha de ouro em Londres e, em 1900, uma medalha de 3.ª classe em Paris. Segundo Suzanne G. Mellor: «His work was known for its broad, free handling and fresh out-of-doors feeling», características que já se observam plenamente neste Em Repouso.
No ano de 1901, regressou ao Porto.

Algumas das suas obras pertencem à National Gallery of Victoria, entre elas esta belíssima pintura intitulada The seamstress's reverie (1887).


No Museu Nacional de Soares dos Reis (Porto) está patente uma exposição sobre este artista, até 24 de Abril, a qual (infelizmente) ainda não tive a oportunidade de visitar.

As informações biográficas sobre Artur Loureiro foram retiradas dos sites da Universidade do Porto e do Australian Dictionnary of Biography.

Quotidiano I


Francisco Oller y Cestero, El estudiante (1874, Old Paint blog)
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«Toute représentation picturale d’un être ou d’un object signifie aussi qu’ils sont dignes d’êtres représentés, qu’ils méritent de retenir l’attention, de survivre à l’instant de leur apparition. La peinture est, intrisèquement, éloge de ce qui est peint (…)».
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Tzvetan Todorov (1993).

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Quotidiano

 Pieter Brueghel o Velho, Bauernhochzeit (1568, Kunsthistorisches Museum, Viena).
Pieter Brueghel o Velho, Peasant Wedding Dance (1607, The Walters Art Museum, Maryland).
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«(...) un art du quotidien – représentations de personnes aux visages sympathiques, appartenant aux classes moyennes et défavorisées, ayant des mœurs quotidiennes et des actions ordinaires, dans des intérieurs domestiques».
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Marie Gueden (2008).

O percurso do olhar




 Diego Velásquez, An old woman cooking eggs (1618, National Gallery of Scotland).
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«le parcours du regard se constitue d’un va-et-vient du détail à l’ensemble et de l’ensemble au détail, et comment l’effet de plaisir du tableau tient à cette possibilite d’oscillation, entre rapprochement et mise à distance de ses parties».
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Daniel Arasse (1992).

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Interiores

 Leonard Campbell Taylor, Looking into the pantry.
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Artur Loureiro, Cena de interior com menina (1911).
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Duas pinturas diferentes e semelhantes. 
Leonard Campbell Taylor (1874-1969) apresenta-nos um longo corredor, quase centralizado, que desemboca numa cozinha (do lado direito). Junto da cozinha está uma porta aberta. Vemos duas figuras, uma das quais é uma mulher que enfrenta o pintor (ou espectador). 
Artur Loureiro (1853-1932) apresenta um corredor mais curto, que desemboca também numa cozinha (ou assim parece). A perspectiva é descentralizada e do lado esquerdo vemos uma menina embrulhada num xaile, mas que não nos olha: está remetida para os seus pensamentos.
O que me intriga é o porquê destes quadros. Há jogos de luz evidentes, que são explorados por ambos os artistas. Há ainda uma exploração da perspectiva longa do corredor - no quadro de Loureiro é acentuada pelas tábuas de madeira. 
No primeiro quadro, há uma figura escura (masculina?) que está no ponto de fuga, assim como uma janela por onde entra muita luz, mas o seu papel é secundarizado pela mulher de vermelho junto da porta. Nós estamos a olhar para a cozinha, mas é essa mulher que nos devolve o olhar. 
No quadro de Loureiro o ponto de fuga está na cozinha, onde a luz entra por uma janela. Mas o nosso olhar alterna entre esse foco de atenção e a menina, cuja veste escura contrasta com a parede branca. 
Se no primeiro caso temos um jogo de olhares e de perspectivas, no segundo temos um quadro intimista, convidando à introspecção.


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Cadeira de São Pedro

O post de hoje é sobre a Cadeira de São Pedro que é celebrada amanhã (dia 22) na Igreja Católica. Vi que existia esta celebração no calendário, mas não sabia o significado, por isso decidi fazer alguma pesquisa na internet.

Segundo a wikipedia (de onde são também as imagens) a Cátedra de Pedro ou Cadeira de São Pedro (Cathedra Petri em latim) é uma relíquia conservada na Basílica de São Pedro em Roma, dentro de um compartimento de bronze projectado e construído por Gian Lorenzo Bernini entre 1647 e 1653, que possui a forma de uma cadeira. Alguns historiadores afirmam que a cadeira foi utilizada pelo próprio São Pedro, outros afirmam que foi um presente de Carlos II de França ao Papa Adriano II em 875.
Dentro do relicário está a antiga cadeira de São Pedro:
Documentos dos primeiros tempos indicam que duas festas litúrgicas eram celebradas em Roma, em honra a antigas cadeiras associadas a São Pedro, uma delas era mantida na capela baptismal da Basílica, outra nas catacumbas de Priscila. As datas destas celebrações eram 18 de Janeiro e 22 de Fevereiro. As festas foram associadas ao conceito da «Cátedra de São Pedro», que significa o posto episcopal do Papa como Bispo de Roma. As duas festas foram incluídas no Calendário Tridentino, em 1604. No ano de 1960, o Papa João XXIII removeu do calendário romano o dia 18 de Janeiro,  mantendo o dia 22 de Fevereiro para a celebração da Cadeira de São Pedro. 

Chávenas de porcelana


Paula Modersohn-Becker, Stillleben mit blauweißem Porzellan und Teekesse (1900, Niedersächsisches Landesmuseum, Hannover) - Manuel Jardim, Natureza Morta (Museu Nacional de Machado de Castro, Coimbra).
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Estas duas pinturas fazem-me lembrar chás e pequenos-almoços, servidos em louças bonitas. Apesar de não saber se as chávenas de Manuel Jardim (1883-1923) são de chá - pois parece-me antes um café servido no final de uma refeição - achei que ficavam bem junto das chávenas de Paula Modersohn-Becker (1876-1907). A propósito delas, lembrei-me de um haikai que encontrei na revista Contemporânea de 1922:

«Entre la tasa rosa van, entre luceros,
suscitando un vago temblor de campana,
los poetas chinos, como jardineros,
que cuidan las rosas de la porcelana».
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Adriano del Valle, in Contemporânea (n.º 4, Outubro de 1922).

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Espelho

Entre várias imagens de Nossa Senhora da Conceição, deparei-me com esta de Murillo (1618-1682), que me causou admiração sobretudo (confesso) pelo pormenor do espelho, segurado pelos anjos. Para além da beleza das figuras, interessou-me o detalhe, pois, o espelho é um dos emblemas da Imaculada Conceição. Segundo as Litanias, ela é "Specula sine macula", assim como também surge neste emblema :
E aqui fica La Inmaculada Concepción (1665-1675, Museu do Prado, Madrid) de Murillo, onde também se vêem outros símbolos Marianos, como a palma da vitória e a Lua (crescente) debaixo dos pés.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Paz interior I

Desenho de João de Deus, in A Águia de Abril de 1911.
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"A autêntica, profunda realidade 
Unicamente dentro de nós existe".
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António Carneiro,
citado por Afonso Ramos (2010).

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Cabra-cega


Francisco de Goya, La gallina ciega (1788, Museu do Prado, Madrid).
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A cabra-cega é um jogo que terá sido originário na Idade Média.
Popular em muitos países, as regras são idênticas, mas há uma cantilena que varia. Em espanhol tem o nome de "gallina ciega" e é costume dizer-se:
"Gallinita, gallinita
¿Qué se te ha perdido en el pajar?
Una aguja y un dedal
Da tres vueltas y la encontrarás"

Lembrei.me deste jogo por causa de um filme que vi há alguns dias. Já nem me lembrava que este jogo existia, nem me lembro se cheguei a dizer:

- "Cabra-cega, donde vens?"
- "Venho da serra."
- "O que me trazes?"
- "Trago bolinhos de canela."
- "Dá-me um!"
- "Não dou."

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Refúgios...

Elizabeth Shippen Green, Five Little Pigs.
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«The best kind of rain, of course, is a cozy rain. This is the kind the anonymous medieval poet makes me remember, the rain that falls on a day when you'd just as soon stay in bed a little longer, write letters or read a good book by the fire, take early tea with hot scones and jam and look out the streaked window with complacency».
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Susan Allen Toth.
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Por mera curiosidade:
«The Five Little Pigs» é uma nursery rhyme:

This little pig went to the market.
This little pig stayed home.
This little pig had roast beef.
This little pig had none.
This little pig cried "Wee, wee, wee, wee!"
All the way home.

Há edições antigas e ilustradas, uma delas com uma história associada, editada cerca de 1880, pela McLoughlin Bros (New York). No entanto, não encontrei a edição que a menina e a senhora estão a ler, apesar de estar quase certa que é esta, de 1903, de Elizabeth Shippen Green (1871-1954) e de Jessie Wilcox Smith (1863-1935), intitulada «The book of the child» (imagem retirada daqui).


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Mulheres vistas de costas


Cerca de 1910, Georges Victor-Hugo (1868-1925) pintou Dora vue de dos (Museu d'Orsay, Paris). Esta obra faz-me lembrar outras em que as mulheres são representadas vistas de costas, não se vendo o seu rosto, o que, na prática, é a negação do retrato (no sentido tradicional). Não são, portanto, retratos, mas exercícios de pintura feitos a partir de um modelo.

No blogue The Blue Lantern , Jane Librizzi fala acerca deste tema na pintura, a propósito da obra de Vihelm Hammershoi (1864-1916), Hvile - Repouso (1905, Museu d'Orsay, Paris), dizendo que «the convention of posing a (female) model with her back to the viewer was well established by the time Hammershoi used it».
Já me referi a essa pintura no meu blogue, mas aqui fica de novo:


Para ser sincera, desconheço quem começou esta tradição, mas o assunto interessa-me.
Carolus-Duran (1837-1917) também o interpretou no quadro Study of Lilia (1887, National Gallery of Art, Washington):

E aqui fica outro exemplo, um pouco diferente, pintado por Columbano (1857-1929), em 1924:

Neste caso a senhora mal se vê, pois está escondida no fundo do quadro e imersa na mais densa penumbra.

Todas estas obras têm em comum o intimismo proporcionado pela figura de costas para o espectador, interpretada de maneiras diferentes consoante os interesses de cada artista.

A propósito deste tema, achei interessante a frase citada no mesmo blogue The Blue Lantern, ainda no âmbito da pintura de Hammershoi:

«We live life forward but understand it backward
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Soren Kierkegaard.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Com um tempo assim, só apetece estar em casa... I

Alberto de Sousa, Lareira (Colecção de postais com motivos de Estremoz).
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Cada Coisa a seu Tempo Tem seu Tempo
Cada coisa a seu tempo tem seu tempo.
Não florescem no inverno os arvoredos,
Nem pela primavera
Têm branco frio os campos.

À noite, que entra, não pertence, Lídia,
O mesmo ardor que o dia nos pedia.
Com mais sossego amemos
A nossa incerta vida.

À lareira, cansados não da obra
Mas porque a hora é a hora dos cansaços,
Não puxemos a voz
Acima de um segredo,

E casuais, interrompidas, sejam
Nossas palavras de reminiscência
(Não para mais nos serve
A negra ida do Sol) —

Pouco a pouco o passado recordemos
E as histórias contadas no passado
Agora duas vezes
Histórias, que nos falem

Das flores que na nossa infância ida
Com outra consciência nós colhíamos
E sob uma outra espécie
De olhar lançado ao mundo.

E assim, Lídia, à lareira, como estando,
Deuses lares, ali na eternidade,
Como quem compõe roupas
O outrora compúnhamos

Nesse desassossego que o descanso
Nos traz às vidas quando só pensamos
Naquilo que já fomos,
E há só noite lá fora.
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Ricardo Reis.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

A pensar no dia de São Valentim

Prato do Redondo.
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Cantavam dois passarinhos
Cantigas ao desafio
Um no tronco empoleirado
O outro nas margens do rio

Lindo ramo verde escuro
Ó casa dos passarinhos
Onde cantam docemente
Poisados nesse raminho

Poisados nesse raminho
Cantam sempre ao ar puro
Ó casa dos passarinhos
Lindo ramo verde escuro

Alentejo dos trigais
Suas vermelhas papoilas
Arrancadas com amor
Por lindas e belas moçoilas
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Cancioneiro Alentejano.

Histórias de coelhos

Quando vi pela primeira vez a pintura História de Coelhos de Aurélia de Sousa, (1866-1922) lembrei-me imediatamente do Peter Rabbit de Beatrix Potter (1866-1943). Tratam-se de duas artistas contemporâneas cuja obra tem bastantes diferenças, mas, neste caso, há grandes semelhanças. 
A pintura de Aurélia é um biombo tríptico que ela compôs para as sobrinhas Ortigão Sampaio, cerca de 1909 (Casa-Museu Marta Ortigão Sampaio). The tale of Peter Rabbit foi publicado em 1901, a expensas da autora, sendo publicado novamente no ano seguinte, com grande sucesso, pela  Frederick Warne & Co. 
Não sei se Aurélia de Sousa conhecia o Peter Rabbit. Adelaide Duarte, no seu liveo sobre Aurélia de Sousa (Quidnovi, 2010) refere apenas influências das «históras que circulavam na época em vidros projectados por lanterna mágica». Mas, pessoalmente, ainda gostava de saber se Aurélia de Sousa conhecia a obra de Beatrix Potter.
De qualquer modo acho lindíssima e imaginativa a pintura de Aurélia. O facto de ser um tríptico cuja leitura pode ser feita em separado ou em conjunto é muito interessante e faz-me lembrar uma estrutura de vinhetas da banda desenhada. A naturalidade do comportamento da família de coelhos é admirável, sobretudo pelo pai coelho de perna cruzada a ler o jornal, enquanto a mãe coelho se atarefa a tentar apanhar um dos filhos, enquanto o outro se agarra à fita do avental.
E, independentemente de qualquer influência possível, o mundo da imaginação sempre me fascinou. Como escreveu Beatrix Potter, em 1896: «I remember I used to half believe and wholly play with fairies when I was a child. What heaven can be more real than to retain the spirit-world of childhood, tempered and balanced by knowledge and common-sense...».

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

...Correr no azul á busca da beleza

António Carneiro, Paisagem de Melgaço (1921, Centro de Arte Moderna - Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa).
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Partida

Ao ver escoar-se a vida humanamente
Em suas águas certas, eu hesito,
E detenho-me às vezes na torrente
Das coisas geniais em que medito.

Afronta-me um desejo de fugir
Ao mistério que é meu e me seduz.
Mas logo me triunfo. A sua luz
Não há muitos que a saibam reflectir.

A minh'alma nostálgica de além,
Cheia de orgulho, ensombra-se entretanto,
Aos meus olhos ungidos sobe um pranto
Que tenho a fôrça de sumir também.

Porque eu reajo. A vida, a natureza,
Que são para o artista? Coisa alguma.
O que devemos é saltar na bruma,
Correr no azul á busca da beleza.

É subir, é subir àlem dos céus
Que as nossas almas só acumularam,
E prostrados resar, em sonho, ao Deus
Que as nossas mãos de auréola lá douraram.

É partir sem temor contra a montanha
Cingidos de quimera e d'irreal;
Brandir a espada fulva e medieval,
A cada hora acastelando em Espanha.

É suscitar côres endoidecidas,
Ser garra imperial enclavinhada,
E numa extrema-unção d'alma ampliada,
Viajar outros sentidos, outras vidas.

Ser coluna de fumo, astro perdido,
Forçar os turbilhões aladamente,
Ser ramo de palmeira, água nascente
E arco de ouro e chama distendido...

Asa longinqua a sacudir loucura,
Nuvem precoce de subtil vapor,
Ânsia revolta de mistério e olor,
Sombra, vertigem, ascensão - Altura!

E eu dou-me todo neste fim de tarde
À espira aérea que me eleva aos cumes.
Doido de esfinges o horizonte arde,
Mas fico ileso entre clarões e gumes!...

Miragem rôxa de nimbado encanto -
Sinto os meus olhos a volver-se em espaço!
Alastro, venço, chego e ultrapasso;
Sou labirinto, sou licorne e acanto.

Sei a distância, compreendo o Ar;
Sou chuva de ouro e sou espasmo de luz;
Sou taça de cristal lançada ao mar,
Diadema e timbre, elmo real e cruz...

. . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . .

O bando das quimeras longe assoma...
Que apoteose imensa pelos céus!
A côr já não é côr - é som e aroma!
Vem-me saudades de ter sido Deus...

       *       *       *
Ao triunfo maior, avante pois!
O meu destino é outro - é alto e é raro.
Únicamente custa muito caro:
A tristeza de nunca sermos dois...
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Mário de Sá-Carneiro
(1914)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

À janela: ver e ser visto

Raimundo de Madrazo y Garreta, Girls at a Window (c. 1875, The Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque).
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«Better keep yourself clean and bright; you are the window through which you must see the world».
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Gérard Castello Lopes (Algarve, 1957).

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A Civilização

Archibald Motley, Dans la Rue, Paris (1929, New York Public Library).
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«La civilisation est comme l'air ou l'eau. Partout où un passage — ne fût-ce qu'une fissure — lui est ouvert, elle pénètre et modifie les conditions d'un pays».
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Jules Verne (1889).

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

«Trompe l'oeil»


Cornelius Norbertus Gijsbrechts, Reverse side of a painting (c. 1670, Statens Museum for Kunst, Copenhaga) e Still-Life with Self-Portrait (1663, Národní Galerie, Praga).
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Sempre gostei de pinturas em «trompe l'oeil», sendo essa uma das razões porque me atraiu o quadro do meu post anterior, sobre a «Camera Obscura», pois as figuras parecem estar a sair de dentro do quadro. 
O «trompe l'oeil» foi muito explorado pela arte barroca, tendo um dos seus expoentes na obra de Gijsbrechts (c. 1610- d. 1683). Escreveu Gérard-Julien Salvy, acerca da obra Reverse side of a painting que: «Ce que nous dit Gijsbrechts, c'est que toute apparence n'est qu'une illusion». 
O mesmo se poderia sobre Still-Life with Self-Portrait, apesar de neste caso existirem outros factores de interesse: o pintor aproveita o jogo ilusionista para fazer um duplo auto-retrato. Em cima, à esquerda, vemos uma miniatura com o retrato do pintor. Mas ele também se auto-representa no jogo de «trompe l'oeil», na pintura de natureza-morta, nos pincéis e na paleta.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

«Camera Obscura»

Charles Amédée Philippe Van Loo, The Camera Obscura (1764, National Gallery of Art, Washington)
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«The camera obscura (...) is an optical device that projects an image of its surroundings on a screen. It is used in drawing and for entertainment, and was one of the inventions that led to photography. The device consists of a box or room with a hole in one side. Light from an external scene passes through the hole and strikes a surface inside where it is reproduced, upside-down, but with color and perspective preserved. The image can be projected onto paper, and can then be traced to produce a highly accurate representation».
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Amendoeiras

Koloman Moser, Blühendes Bäumchen (c. 1910, Sterreichische Galerie Belvedere, Vienna).
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Não sei se esta pintura representa amedoeiras em flor, mas achei bonita e aqui fica com uma lenda associada a esse tema. 
Parece que é agora em Fevereiro que as amendoeiras começam a florir, mas acho que nunca assisti a este espectáculo da natureza (ou pelo menos não me lembro). Um dia gostava de poder (voltar a?) ver.
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Lenda das Amendoeiras - Algarve

«Há muito tempo, antes da independência de Portugal, quando o Algarve pertencia aos mouros, havia ali um rei mouro que desposara uma rapariga do norte da Europa, à qual davam o nome de Gilda.
Era encantadora essa criatura, a quem todos chamavam a "Bela do Norte", e por isso não admira que o rei, de tez cobreada, tão bravo e audaz na guerra, a quisesse para rainha.
Apesar das festas que houve nessa ocasião, uma tristeza se apoderou de Gilda. Nem os mais ricos presentes do esposo faziam nascer um sorriso naqueles lábios agora descorados: a "Bela do Norte" tinha saudades da sua terra.
O rei consegui, enfim, um dia, que Gilda, em pranto e soluços, lhe confessasse que toda a sua tristeza era devida a não ver os campos cobertos de neve, como na sua terra.
O grande temor de perder a esposa amada sugeriu, então, ao rei uma boa ideia. Deu ordem para que em todo o Algarve se fizessem plantações de amendoeiras, e no princípio da Primavera, já elas estavam todas cobertas de flores.
O bom rei, antevendo a alegria que Gilda havia de sentir, disse-lhe:
- Gilda, vinde comigo à varanda da torre mais alta do castelo e contemplareis um espectáculo encantador!
Logo que chegou ao alto da torre, a rainha bateu palmas e soltou gritos de alegria ao ver todas as terras cobertas por um manto branco, que julgou ser neve.
- Vede - disse-lhe o rei sorrindo - como Alá é amável convosco. Os vossos desejos estão cumpridos!
A rainha ficou tão contente que dentro em pouco estava completamente curada. A tristeza que a matava lentamente desapareceu, e Gilda sentia-se alegre e satisfeita junto do rei que a adorava. E, todos os anos, no início da Primavera, ela via do alto da torre, as amendoeiras cobertas de lindas flores brancas, que lhe lembravam os campos cobertos de neve, como na sua terra».
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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Buarcos, barcos e barcas...

 João Vaz, Trecho da praia de Buarcos (Museu de Grão Vasco).
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Pescador da barca bela,
Onde vais pescar com ela,
Que é tão bela,
Ó pescador?

Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Colhe a vela,
Ó pescador!

Deita o lanço com cautela,
Que a sereia canta bela ...
Mas cautela,
Ó pescador!

Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo e vela
Só de vê-la,
Ó pescador.

Pescador da barca bela,
Inda é tempo, foge dela,
Foge dela,
Ó pescador!
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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Viajar

Mariano Fortuny y Marsal, Paisaje norteafricano (1862, Museu Nacional d'Art de Catalunya)
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«Some journeys take us far from home. Some adventures lead us to our destiny».
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The Dutchess (20/1/2011).

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Apresentação de Jesus no Templo

Atribuido a Goswijn van der Weyden, Apresentação do Menino no Templo (c. 1501-1525, Museu Nacional de Arte Antiga).
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No dia 2 de Fevereiro celebra-se a Apresentação de Jesus no Templo, episódio bíblico descrito no Evangelho de São Lucas (2:22-40), segundo o qual  Santa Maria e São José levaram o Menino ao Templo, em Jerusalém, quarenta dias após seu nascimento, para dedicá-lo a Deus, em consonância com a lei judaica da época.
A festa litúrgica corresponde à Candelária, que marcava o fim do Natal e da Epifania. Neste dia, um sacerdote abençoava as velas de cera com um aspergilium para uso durante o ano. Na Polónia a festa é chamada de Matka Boska Gromniczna ( "Matka Boska" = "a Mãe de Deus" + "Gromnica" = "vela de cera de abelhas").
Em Portugal comemora-se a festa da Nossa Senhora da Luz ou Nossa Senhora das Candeias. Na tradição popular, o estado do tempo neste dia condiciona o tempo para o resto do Inverno, dizendo-se «Nossa Senhora a rir, está o Inverno para vir. Nossa Senhora a chorar está o Inverno a passar».
Como hoje esteve um belo dia de sol, se o provérbio acertar, ainda teremos muitos dias de Inverno pela frente.
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Informações retiradas da Wikipedia.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Fevereiro

 Calendário de 1912, publicado por Japonisme, adaptado para 2011.
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Não sei se quero que Fevereiro passe mais devagar, para ter mais tempo, ou que passe depressa para vir melhor tempo...
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«February is merely as long as is needed to pass the time until March».