sexta-feira, 18 de março de 2011

Para o Dia do Pai

Albrecht Durer, Portrait of Dürer's Father at 70 (1497, National Gallery, Londres)
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Rembrandt van Rijn, Portrait of Rembrandt's Father (1631).
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Pierre-Auguste Renoir, Leonard Renoir, the Artist's Father (1869, St. Louis Art Museu).
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Edgar Degas, Lorenzo Pagans et Auguste de Gas (c. 1871-1872, Musée d'Orsay, Paris).
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 Paul Cézanne, The Artist's Father, Reading "L'Événement," (1866, National Gallery of Art Washington).
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«A truly rich man is one whose children run into his arms when his hands are empty».
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quinta-feira, 17 de março de 2011

Ler III

Károly Ferenczy, Man Sitting on a Log (1895, Hungarian National Gallery, Budapeste).
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De acordo com William Styron (1958), «a good book should leave you... slightly exhausted at the end. You live several lives while reading it». Creio que a frase é verdadeira, sobretudo quando os livros são bons. Ultimamente ando a ler o livro de Mario Vargas Llosa, A Tia Julia e o Escrevedor. É um livro sobre dois escritores, com muitas histórias e muitas vidas, muita ironia e muito bem escrito. Estou a gostar imenso e estou quase a terminá-lo.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Mulheres vistas de costas I

Aqui se apresentam mais senhoras vistas de costas, todas do século XVII. De Gerard ter Borch (1617-1681) fica uma Woman at a Mirror.

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O outro exemplo é o Perfume de Francesco Furini (1603-1646).

O enigma da mulher vista de costas, sem rosto, é no primeiro caso contrabalançado pelo facto de se ver o seu rosto reflectido no espelho, o que também acontece na Vénus ao espelho (The toilet of Venus) de Velásquez (1599-1660), pertencente à National Gallery de Londres.

Nesse sentido, estas imagens (incluindo o Perfume) estão conectadas com a vaidade feminina.
No entanto, o quadro de Velázquez levanta-me outra questão: enquanto a pintura de nu explorou a forma sensual da mulher vista de costas, a pintura holandesa vestiu a mulher, retratando-a no seu quotidiano. Na primeira pintura, de Ter Borch, vemos a senhora no espelho, mas noutros exemplos, do mesmo artista, ela apenas esconde o rosto do espectador, como por exemplo em The Concert (Staatliche Museen, Berlinm).


Na realidade, estas mulheres vestidas também mostram sensualidade pela maneira como expõem o pescoço e os ombros ao olhar do espectador. Esta tipologia, da mulher vista de costas, vestida e numa situação quotidiana (mais ou menos recatada), terá sido aquela que foi seguida pelos pintores do século XIX, provavelmente quando a pintura holandesa do século XVII começou a ser alvo de atenção dos artistas, críticos e historiadores de arte. No entanto, para os pintores do século XIX, estas figuras femininas, muitas vezes isoladas, figuradas em espaços fechados e sombrios, são uma imagem melancólica, sobretudo se pensarmos nas obras de Vihelm Hammershoi (1864-1916). Tal como escreveu Tzvetan Todorov (1993): «(…) La peinture realiste, comme toute peinture représentative, continue d’affirmer la beauté de ce qu’elle montre; mais c’est souvent une beauté de l’accablement, du désespoir, de la détresse: ce sont dês fleurs du mal (…)».

terça-feira, 15 de março de 2011

Janelas

Círculo de Carl Spitzweg, A man watering flowers in a window box
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 Mariano Fortuny y Marsal, Las Ventanas (Museo Goya, Castres).
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«This is what I think art is and what I demand of it: that it pull everyone in, that it show one person another's most intimate thoughts and feelings, that it throw open the window of the soul». 
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segunda-feira, 14 de março de 2011

Flores II

Josefa Greno, Natureza morta.
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«Il y a des fleurs partout pour qui veut bien les voir».
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Pensando na minha avó Matilde

Hoje, no meu calendário, reparei que era dia de Santa Matilde, o que me fez lembrar a minha avó Matilde, que morreu no dia 19 de Março de 2004.

 Lembrei-me dela, do Alentejo, da Quinta de Santana no Redondo.
Lembrei-me das rosas lindíssimas que existiam na Quinta.
 E lembrei-me que, entre as suas muitas qualidades, a minha avó bordava.

Pensando no Japão

Katsushika Hokusai, Humpback Bridge by the Kameido Tenjin Bridge (c. 1827-1830,  Museu do Hermitage, São Petersburgo)
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Bridge Over Troubled Water
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When you're weary, feeling small
When tears are in your eyes,
I will dry them all
I'm on your side
When times get rough
And friends just can't be found

Like a bridge over troubled water
I will lay me down
Like a bridge over troubled water
I will lay me down

When you're down and out
When you're on the street
When evening falls so hard
I will comfort you
I'll take your part
When darkness comes
And pain is all around

Like a bridge over troubled water
I will lay me down
Like a bridge over troubled water
I will lay me down

Sail on silver girl
Sail on by
Your time has come to shine
All your dreams are on their way
See how they shine
When you need a friend
I'm sailing right behind

Like a bridge over troubled water
I will ease your mind
Like a bridge over troubled water
I will ease your mind.
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sábado, 12 de março de 2011

Sobre o descanso

«The time to relax is when you don't have time for it».
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Frase atribuída a Jim Goodwin e Sydney J. Harris 
...e que traduz bem a minha realidade - porque (de facto) não tenho tempo, mas por vezes tem mesmo de ser.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Porque a chuva está de volta I

Charles Burton Barber, Off to School (1883, Rehs Galleries, Inc., New York City).
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«Aujourd'hui, on prend un parapluie parce que la télé a dit qu'il allait pleuvoir. Autrefois, on aurait regardé le ciel».
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quinta-feira, 10 de março de 2011

Marie Spartali Stillman

Hoje, no blogue PROSIMETRON, MR colocou um post sobre uma pintora que não conhecia, Marie Spartali Stillman (1844-1927). Fiquei curiosa sobre a obra desta artista, sobretudo devido a esta pintura, que achei muito bela: Madonna Pietra degli Scrovigni (1884, Walker Art Gallery, Liverpool).
Nas minhas breves pesquisas, descobri que esta pintora, ligada ao grupo Pre-Rafaelita, aparece retratada num quadro de Burne-Jones (1833-1898), The Mill (1882, Victoria and Albert Museum, Londres):
 
Marie Spartali Stillman também foi retratada por Dante Gabriel Rossetti (1828-1882):
Spartali estudou com Ford Madox Brown (1821-1893), a quem  Rossetti escreveu, em 1864: «I just hear Miss Spartali is to be your pupil. I hear too that she is one and the same with a marvellous beauty of whom I have heard much talk. So box her up and don’t let fellows see her, as I mean to have first shy at her in the way of sitting».
No quadro The Mill, de Burne-Jones, além de Marie Spartali, estão retratadas Maria Zambaco  (1843-1914) e Aglaia Coronio (1834-1906). Elas as três eram conhecidas como «as três graças», razão certamente pela qual foram representadas no quadro de Burne-Jones de acordo com a iconografia clássica do tema, como, por exemplo, em La Primavera de Botticcelli:

quarta-feira, 9 de março de 2011

Escondidas

James Hayllar, Hide and seek  (1871).
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“One of life's primal situations; the game of hide and seek. Oh, the delicious thrill of hiding while the others come looking for you, the delicious terror of being discovered, but what panic when, after a long search, the others abandon you! You mustn't hide too well. You mustn't be too good at the game. The player must never be bigger than the game itself.”
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terça-feira, 8 de março de 2011

Leiria

De um passeio por Leiria, aqui ficam alguns registos fotográficos e um poema de Francisco Rodrigues Lobo (1579-1621):

Está a fermosa terra situada
Numa planície fresca e deleitosa
A huma rocha íngreme encostada,
Donde o Castelo a mostra mais fermosa;
De dous alegres rios rodeada,
E de fresca verdura graciosa, vales ao redor verdes, sombrios,
Que cortam mansamente os brandos rios.
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Os locais tendem a ter significados particulares para quem os vive. Para mim, Leiria é lugar de onde é oriundo o meu sogro (a casa dele era a da 4.ª fotografia a contar de cima), onde viveu a família do meu pai, mas também o local de nascimento de Afonso Lopes Vieira  (1878-1946) e o palco de O Crime do Padre Amaro de Eça de Queirós (1845-1900) - publicado em 1875. No entanto, só agora visitei a cidade com alguma atenção e, por artes do destino, ainda não consegui entrar na muralha do castelo.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Carnaval

José Benlliure y Gil, A Carnival In Rome.
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«Em seguida á chegada do rei do Carnaval á Avenida começou a batalha das flôres e confetti...»
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domingo, 6 de março de 2011

Caminhos II

José Malhoa, Paisagem - Figueiró dos Vinhos - Abel Manta, Vista de Folgosinho (1925, Museu de Grão Vasco).
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Canto para uma voz II

Fui eu quem desceu à praia.
São de areia as minhas mãos
e são de mar os meus olhos.

(Vou pela vida cantando;
canto triste ou canto alegre
conforme chove ou faz vento)

Fui eu quem desceu ao vale.
São de pedras os meus olhos
e é transparente o olhar.

(Pelo mar vou navegando;
se há vento vou singrando
se não há fico a cismar)

Fui eu quem subiu à serra.
Os plátanos são meus desejos
e os matagais meus caminhos.

(Pelos montes vou consagrando;
tudo o que tenho e não tenho
seja feliz ou não seja).

Fui eu quem deixou a terra,
e pelo mar-oceano
deixou pedaços de olhar.

(Crescem urzes na planície,
sobem ciprestes nos vales
e eu canto triste ou alegre
conforme posso cantar.)
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João Mattos e Silva (1972).

Bom Domingo!

Alfred Smith, Le déjeuner sous les bois (Luncheon Under the Trees) (1903, Telfair Museums, Georgia).
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«Sunday clears away the rust of the whole week».
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Joseph Addison.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Sábado

William Gunning King, Saturday Afternoon (1893).
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«Weekends don't count unless you spend them doing something completely pointless».
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quinta-feira, 3 de março de 2011

E papoilas


Alfredo Keil, Composição de papoilas e malmequeres (1878) - Pál Szinyei Merse, Meadow with Poppies (1896, Hungarian National Gallery) - Henri Gervex, Fillette dans un champ de coquelicots (1886) - Alfred Roll, La dame aux coquelicots (c. 1898 Musée d'Orsay, Paris).
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Outra flor de que gosto muito é a papoila. Segundo o Diccionario da linguagem das Flores (1868),  a papoila branca significa sono do coração, pois: «Extrahe-se da semente da papoula branca um oleo insipido, que acalma os sentidos e provoca o somno». A papoila encarnada do campo é alívio e consolação: «Todas as papoulas são mais ou menos narcoticas, e são empregadas as suas sementes, sob a denominação de dormideiras, para fazer cozimentos, applicados especialmente contra as dores de dentes, conseguindo-se muitas vezes por este meio algum allivio». A papoila cor-de-rosa tem o significado de «feliz encontro» e a papoila raiada quer dizer «não duvides».
Já vi algumas este ano e acho-as muito bonitas, sobretudo as vermelhas, pelo contraste com o verde dos campos. Para mim, elas estão sobretudo ligadas ao ramo da espiga, onde têm o significado de amor e vida. Este ano, o dia da espiga será no dia 2 de Junho. Será que vão haver papoilas nessa altura?

quarta-feira, 2 de março de 2011

Violetas

 William Worchester Churchill, The Nosegay of Violets: Portrait of a Woman (1905).
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Eduard Manet, Bouquet Of Violets (1872).
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As violetas roxas são das minhas flores favoritas e fazem-me lembrar a minha avó e a Quinta de Santana, no Redondo, onde havia canteiros com violetas. Diz o Diccionario da linguagem das Flores (1868) que a violeta branca simboliza a candura e ingenuidade e a violeta roxa a modéstia, o que se deve provavelmente ao facto de serem pequenas e estarem escondidas na folhagem. No entanto são belas e exalam um perfume doce, que eu muito aprecio. Há um provérbio que diz: «A beleza sem graça é uma violeta sem perfume» (Citador). Para mim as violetas simbolizam o anúncio da Primavera e trazem-me a lembrança de alegres momentos da infância.
Mas as flores (ou os objectos em geral) têm significados diferentes para cada pessoa, que ultrapassam o simbolismo mais generalizado. Manet associava as violetas a Berthe Morisot, a quem ficou dedicado o bouquet de violetas do quadro que pintou em 1872. Sobre esse assunto, é de referir um interessante texto de Dominique Bonat, citado por MR no PROSIMETRON, em Novembro de 2010. Aqui fica o link.

terça-feira, 1 de março de 2011

Retrato e natureza morta

«(…) Reconocemos, pues, que el retrato presenta un aire de família com la naturaleza muerta; en ambos casos el elemento representado está en pose, es decir, dispuesto en la escena por un autor y no “captado” en su movimento natural. (…)».
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Oman Calabrese (1993).