quinta-feira, 26 de julho de 2012

«Os meus avós»

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Há dias de sol em que estou contente,
Vou com a minha avó comer gelado.
Ela dá-me a mão e ri-se para mim,
E diz: «Estás tão giro! Quero ir ao teu lado!»
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Há dias de Inverno em que estou mais triste,
Vou jogar às cartas com o meu avô.
Ele diz: «Tu tens jeito!», e ensina-me truques...
Quando vou embora, já nem triste estou.
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Às vezes, nas férias, eu vou lá para casa,
Ando de baloiço e subo à nespereira,
Passo horas no sótão, fico todo sujo...
A minha avó ri-se e diz: «Já p'rá banheira!»
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Nos dias de festa, encontro os meus primos,
E o meu avô vem connosco bricar.
Ele diz com voz grossa: «Eu sou um pirata!»
E nós, logo, em coro: «O maior do alto mar!»
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Os meus avós contam histórias antigas,
Conversam comigo, dão-me rebuçados.
Se estou triste, ajudam, se estou bem, sorriem.
Conto os meus segredos, ficam bem guardados.
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Os meus avós gostam de mim como eu sou,
Desde que eu nasci... No primeiro instante!
Podem estar mais longe, podem estar mais perto...
Eu sei que, p'ra eles, sou muito importante!
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Inês Pupo e Gonçalo Pratas, Canta o Galo Gordo, Lisboa, Caminho, 2006.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

No Dia de Santiago

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O Liber Sancti Jacobi, também referido como Codex Calixtinus, é um manuscrito iluminado constituído por uma colectânea de textos em latim. O exemplar conservado na Catedral de Santiago de Compostela é datado dos anos entre 1150 e 1160. Este códice é sobretudo conhecido pelo Livro V, que se constitui no mais antigo guia para os peregrinos que faziam o Caminho para Compostela.
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Resumido da Wikipedia.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Pescadores

Lilla Cabor Perry, Boy fishing (1929, White House Collection).
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Embora nunca tenha pescado, nem tenha qualquer vontade de um dia o vir a fazer, gosto desta pintura e tenho uma certa inveja da paciência dos pescadores, que ficam longas horas a olhar para um rio ou mar. 
Diz John Buchan:
«The charm of fishing is that it is the pursuit of what is elusive but attainable, a perpetual series of occasions for hope».
Deve ser isso...

segunda-feira, 23 de julho de 2012

...o mundo não foi feito para ter medida

Joseph M. W. Turner, The Evening Star (c.1830], in Gandalf's Gallery)
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No blogue Etnografia das Circunstâncias o post de hoje vem com uma fotografia lindíssima, acompanhada da seguinte citação, de que gostei muito:
«Eis a lição que aprendi em Jesusalém: a vida não foi feita para ser pouca e breve. E o mundo não foi feito para ter medida» 
(Mia Couto, Jesusalém, Caminho, p. 255).
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E aqui fica também um diálogo de Calvin & Hobbes, que também vem a propósito:

domingo, 22 de julho de 2012

O que faz andar o barco

L.S. Lowry, Yachts (1959)
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«O que faz andar o barco não é a vela enfunada, mas o vento que não se vê». 
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sábado, 21 de julho de 2012

Maurice Prendergast: junto ao mar


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Nantasket Beach (1896, Pennsylvania Academy of the Fine Arts).
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Low tide (c. 1896-1897).
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O pintor americano Maurice Prendergast (1858-1924), natural de Newfoundland, viveu em Boston desde 1868. Os seus estudos artísticos terão iniciado apenas em 1892, quando viajou até Paris, onde viveu três anos e estudou com Gustave Courtois, no Atelier Colorossi, e terá passado também pela Académie Julian. Nessa época, a sua pintura foi influenciada por Pierre Bonnard and Edouard Vuillard. No ano de 1895, voltou para os Estados Unidos, para Massachusetts, sendo deste período que são as pinturas que coloquei aqui no blogue. Em 1907, viajou de novo para a França, onde recebeu a influência de Cézanne e dos Fauves. No ano de 1913, participou no Armory Show (onde também expôs Amadeu de Souza-Cardoso) e no ano seguinte mudou-se para Nova Iorque. No ano de 1921, a Brummer Gallery empreendeu uma exposição retrospectiva do seu trabalho.

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Link: National Gallery of Art.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Dia Mundial da Amizade

Sarah Affonso, Meninas (1928. MNAC).
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«Friendship is born at that moment when one person says to another, 'What! You too?
I thought I was the only one»
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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Para ver os campos e o rio

John Joseph Enneking, Moonrise at Sunset, Gloucester, Massachusetts (1890).
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Não basta abrir a janela 
Para ver os campos e o rio. 
Não é bastante não ser cego 
Para ver as árvores e as flores. 
É preciso também não ter filosofia nenhuma. 
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas. 
Há só cada um de nós, como uma cave. 
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora; 
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse, 
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela. 

(...)
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Alberto Caeiro,
citado por Manuela Gama Vieira.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Sobre a felicidade

Albert Edelfelt, Summer (1883).
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«The most worth-while thing is to try to put happiness into the lives of others».
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segunda-feira, 16 de julho de 2012

Em dias de calor...

Jack Vettriano, Cani pazzi.
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«It’s hard for me to put into words why I like the beach so much. Everything about it is renewing for me, almost like therapy...Beach Therapy»
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domingo, 15 de julho de 2012

O destino das pedras

Julius Olsson, Gulls at Low Water, Carbis Bay, Cornwall (da Gandalf's Gallery).
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«Era uma vez uma pequena pedra que se soltara do cimo de uma montanha, nem ela sabia quando, e rolara encosta abaixo, misturada a muitas outras.
A pequena pedra, filha de uma pedra grande, neta de um pedregulho, bisneta de um pedreira, estacionara com muitas irmãs, primas e família, numa cova de cascalho, à beira da estrada.
Delas não haveria história para contar, se um dia um garoto à cata de pedrinhas para pedrinhas para atirar com o estilingue, não a escolhesse, com mais umas tantas… Assim ela conheceu o calor de uma algibeira. Por pouco tempo, aliás.
De repente, viu-se a voar pelas alturas. Ia, talvez contra vontade, em direcção a um pardal, pousado num parapeito.
Felizmente, o pardal escapuliu, mas a pedra, que seguia um único sentido, foi bater numa vidraça, daquelas que se estilhaçam a qualquer sobressalto. Deveriam inventar vidro mais resistente !
Varrida com os cacos pela zangada dona de casa, onde estava a janela, a pedrinha caiu depois para trás de um muro derrubado. Agora, ela já tinha que contar.
Mas a história não ficou por aí. A vida de uma pedra é muito dura. Esta sofreu pontapés, andou aos tropeções, até que, ao fim de muitos anos, quando estava ela debruçada na margem de um rio, veio
outro garoto e atirou-a na água. Queria ver se ela dava um salto como um peixe.
A pedra, com o balanço, voou pelo ar, como se tivesse esquecido da lei da gravidade. Roçou a superfície plena da água, uma, duas, três vezes, até não conseguir mais. E afundou. Rolou na areia do fundo, ao sabor da corrente, que no inverno era muito forte. Quanto tempo? O tempo não era assunto da sua conta.
O que interessa saber é que a pedra, rolada pelo rio, foi parar a uma praia. Estava menor, mas muito mais bonita. Muito polida e brilhante, não parecia a mesma.
As mãos de um menino pegaram-na e levaram-na com ele. Iria voar, outra vez, atrás de um pardal, saltar sobre as águas, a fingir de peixe? Nada disso.
A pedra já merecia descanso. Foi colocada num vaso, sobre uma mesa onde também repousavam conchas, bolas de gude, corais e outros “tesouros” semelhantes. Ainda deve estar lá…
O que ela nunca saberá é que o menino que a trouxe da praia, o menino que a lançou ao rio e o menino que a atirou com o estilingue são os três como se fosse o mesmo menino: neto, filho, avô, surpreendidos no mesmo momento da infância.
Acontece…
São estas coincidências que movem o destino das pedras».
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sábado, 14 de julho de 2012

Barcos de papel (para a Ana)

Albert Edelfelt, Pequeno barco (1884).
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Day by day I float my paper boats one by one down the running
stream.
In bid black letters I write my name on them and the name of
the village where I live.
I hope that someone in some strange land will find them and
know who I am.
I load my little boats with shiuli flower from our garden, and
hope that these blooms of the dawn will be carried safely to land
in the night.
I launch my paper boats and look up into the sky and see the
little clouds setting thee white bulging sails.
I know not what playmate of mine in the sky sends them down
the air to race with my boats!
When night comes I bury my face in my arms and dream that my
paper boats float on and on under the midnight stars.
The fairies of sleep are sailing in them, and the lading ins
their baskets full of dreams.
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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Comunhão com a natureza

Thomas Edwin Mostyn, Sitting on a Gate, Bushey (1893).
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«Simplify, simplify».
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Henry David Thoreau, Walden (1854).

quinta-feira, 12 de julho de 2012

«Absolute beginners»

George Goodwin Kilburne, A Game of Chess.
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I’ve nothing much to offer 
There's nothing much to take 
I'm an absolute beginner 
And I'm absolutely sane 
As long as were together 
The rest can go to hell 
I absolutely love you 
But were absolute beginners 
With eyes completely open 
But nervous all the same 

If our love song 
Could fly over mountains 
Could laugh at the ocean/sail over heartaches second time 
Just like the films 
There's no reason 
To feel all the hard times 
To lay down the hard lines 
Its absolutely true 

Nothing much could happen 
Nothing we can't shake 
Oh were absolute beginners 
With nothing much at stake 
As long as you're still smiling 
There's nothing more I need 
I absolutely love you 
But were absolute beginners 
But if my love is your love 
Were certain to succeed 

If our love song 
Could fly over mountains 
Could laugh at the ocean/sail over heartaches second time 
Just like the films 
There's no reason 
To feel all the hard times 
To lay down the hard lines 
It’s absolutely true
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quarta-feira, 11 de julho de 2012

Arte e vida

Konstantin Korovin, Study of a rocky seascape.
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«The main thing now is not to paint precociously but to be, or at least become, an individual. The art of mastering life is the prerequisite for all further forms of expression, whether they are paintings, sculptures, tragedies, or musical compositions». 
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Paul Klee, Diary entry, June 1902.

terça-feira, 10 de julho de 2012

A Paisagem

Isaac Levitan, Cloudy day (1895).
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Isaac Levitan, Stormy day (1897).
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Isaac Levitan, The lake (1899-1900).
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«It is the soul that sees; the outward eyes
Present the object, but the Mind descries.
We see nothing till we truly understand it».

segunda-feira, 9 de julho de 2012

A Arte

Piet Mondrian, Amaryllis (1910, in Alberti's Window)
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«C’est le privilège de l’art que de ne rien démontrer, de ne rien "prouver", et cependant d’introduire dans nos esprits quelque chose d’irréfutable.»
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Jean-Marie Guyau, L’art au point de vue sociologique, Partie II, 1887.

domingo, 8 de julho de 2012

Ao Sol

Charles Schulz, Snoopy (do Facebook).
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«There are painters who transform the sun to a yellow spot, but there are others who with the help of their art and their intelligence, transform a yellow spot into the sun».
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sábado, 7 de julho de 2012

Porto(s) de abrigo

Henri Moret, Lorient Harbor (c. 1895).
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«Having a place to go - is a home. Having someone to love - is a family. Having both - is a blessing».
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Donna Hedges,

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Sobre o tempo

John Joseph Enneking, The Summer Cottage (1888).
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Bruno Latour, no seu ensaio Jamais fomos modernos, refere que o «tempo que o calendário marca situa claramente os acontecimentos em relação a uma série regular de datas mas a historicidade situa os mesmos acontecimentos em relação à sua intensidade». Esta é uma verdade, que ele associa a uma observação de  Nietzche, segundo a qual «os modernos têm a doença da história. Querem guardar tudo, datar tudo, porque pensam ter rompido definitivamente com seu passado. Quanto mais revoluções eles acumulam, mais eles conservam, quanto mais capitalizam, mais colocam no museu». Latour pergunta: «Estaremos realmente tão distantes de nosso passado quanto desejamos crer?». Na realidade, como ele verifica, o «passado permanece, ou mesmo retorna. E esta ressurgência é incompreensível para os modernos. Tratam-na então como o retorno do que foi recalcado. Fazem dela um arcaísmo». Para os "modernos"  tudo «aquilo que não avança no ritmo do progresso é considerado (...) como arcaico, irracional ou conservador». Contudo, Latour ainda pergunta: «Há algum país que não seja uma “terra de contrastes”?». 
Latour propõe uma nova maneira de encarar a temporalidade: «Suponhamos, por exemplo, que nós reagrupamos os elementos contemporâneos ao longo de uma espiral e não mais de uma linha. Certamente temos um futuro e um passado, mas o futuro se parece com um círculo em expansão em todas as direcções, e o passado não se encontra ultrapassado, mas retomado, repetido, envolvido, protegido, recombinado, reinterpretado e refeito (...). Em um quadro deste tipo, nossas acções são enfim reconhecidas como politemporais». E, de facto, citando Clio de Péguy e Michel Serres «somos trocadores e misturadores de tempo». Não somos tradicionais, pois a «idéia de uma tradição estável é uma ilusão da qual os antropólogos há muito nos livraram. Todas as tradições imutáveis mudaram anteontem». A questão a ponderar é que «nunca avançamos nem recuamos. Sempre selecionamos ativamente elementos pertencentes a tempos diferentes. (...) É a seleção que faz o tempo, e não o tempo que faz a seleção. (...) É a ligação entre os seres que constitui o tempo». Nesta nova noção do tempo há ainda uma outra questão a reter, já sgerida por Serres, em 1989:  «A história não é mais simplesmente a história dos homens, mas também a das coisas naturais».
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Bruno Latour (1991).

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Casa

Edouard Manet, The House at Rueil (1882, in Gandalf's Gallery).
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«Peace - that was the other name for home».
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quarta-feira, 4 de julho de 2012

No Dia de Santa Isabel - a Tapada da Ajuda




Fotografias da Tapada da Ajuda.
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«Na sombra - suave docel
Cobrindo o jardim antigo
A alma de Santa Izabel
Recorda um cantar de amigo.
.
E enquanto a Rainha o espera
Rezando contas saudosas
- A seiva da Primavera
Faz o Milagre das Rosas.
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Tomás Ribeiro Colaço.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Meditação

Konstantin Korovin, On the shore of the Black Sea (Sebastopol Art Museum).
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«Meditate Silently. You will be able to create A totally new life For Yourself»
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segunda-feira, 2 de julho de 2012

A arte e o seu significado

Gervais Courtellemont, Artists Painting, Dordogne River (National Geographic).
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«Sim, a arte esclarece-nos sobre o significado de uma época, é o ponto terminal da sua expressão. Mas neste jogo do ovo e da galinha, como saber quem começou? A arte apura a água que a vida lhe forneceu e depois há-de beber - escrevi um dia».
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Vergílio Ferreira (2004),
Pensar, Lisboa: Bertrand (7ª edição), p.151 - Obrigada Ana!

domingo, 1 de julho de 2012

Fortificações de Elvas são Património Mundial

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«When we build, let us think that we build forever».
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Ruskin (1849). 
The Seven Lamps of Architecture, Cap.VI.
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sábado, 30 de junho de 2012

O ano de 1989


Jivya Soma Mashe, Danseurs Tarpa autour d'un musicien (2003, Stiftung Museum Kunst Palast, Düsseldorf).
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«A simetria perfeita entre a queda do muro da vergonha e o desaparecimento da natureza ilimitada só não é vista pelas ricas democracias ocidentais. De fato, os socialismos destruíram ao mesmo tempo seus povos e seus ecossistemas, enquanto os do Ocidente setentrional puderam salvar seus povos e algumas de suas paisagens destruindo o resto do mundo e jogando os outros povos na miséria. Dupla tragédia: os antigos socialismos pensam poder remediar seus dois problemas imitando o Oeste; este acredita ter escapado aos dois e poder, na verdade, ensinar lições enquanto deixa morrer a Terra e os homens. Acredita ser o único a conhecer o truque que permite ganhar sempre, justamente quando talvez tenha perdido tudo.
Quer sejamos anti-modernos, modernos ou pós-modernos, somos todos mais uma vez questionados pela dupla falência do miraculoso ano de 1989. (...)».
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Bruno Latour (1994). Jamais fomos modernos. Ensaio de Antropologia Simétrica. Rio de Janeiro : Edirora 34, pp. 14-15.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Art Deco no Chiado

António Soares, Retrato da irmã do artista (1936, MNAC).
Ernesto Canto da Maia, Adão e Eva (1929-1939, MNAC).
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«O MODERNISMO FELIZ: ART DÉCO EM PORTUGAL. PINTURA; DESENHO; ESCULTURA, 1912-1960»
«O estilo Art Déco, designação que só surge nos anos 60, ou Estilo 1925, como também é conhecido (em apropriação da designação da magna Exposição das Artes Decorativas e Industriais Modernas realizada em Paris naquela data), conhece, num contexto atual de crise, um renovado interesse mundial.
Congregando, eclética e decorativamente, as heranças das vanguardas artísticas dos começos do século (do Fauvismo, Cubismo, Futurismo, Expressionismo e, até, do Abstracionismo) aliadas a sugestões vindas dos Movimentos Decorativos Modernos (como a Secessão Vienense, os grafismos francês e germânico de 1900 ou os Ballets Russes), o Art Déco foi o primeiro estilo global e universal que o Mundo conheceu, aspirando a constituir-se como Arte Total (inspiração de vida), tal como na proposta pioneira de Wagner no século XIX, alargando-se a todas as expressões artísticas e a todos os aspetos da vida quotidiana e expandindo-se, ao longo dos Anos 30, dos horizontes franceses ao resto da Europa, Estados Unidos, América do Sul, África, China, Austrália e Japão.
A promessa estética de felicidade nele contida, antídoto contra o trauma da I Guerra Mundial, foi também paliativo contra a crise económica dos Anos 30, e o movimento perdurou até à II Guerra Mundial.
Em Portugal, o Art Déco projetou-se, igualmente, com excelente pujança. Com efeito, uma parte muito substancial dos artistas portugueses do 1º e 2º Modernismos foram praticantes altamente empenhados deste gosto que, como nos outros países, renovou a totalidade dos mais diversos aspetos da vida quotidiana – e o próprio Estado Novo viu neste Movimento um veículo eficaz de propaganda e afirmação de poder.
A efemeridade do 'Futurismo' português e, com ela, a debilidade da vanguarda entre nós, a longa duração e isolamento do Estado Novo, ditatorial e conservador, a longa vida de muitos dos artistas-protagonistas daquele modernismo feliz, fez do Estilo Art Déco uma fonte de oposição ao apreciado naturalismo oitocentista e, como tal, o garante generalizado da sobrevivência do próprio Modernismo, perdurando em Portugal até cerca de 1960.
A presente exposição sobre o estilo Art Déco em Portugal permite uma releitura renovada e inovadora do nosso fenómeno Modernista, e, maioritariamente, daquele gosto que, originalmente, se estendeu do domínio do desenho às restantes expressões artísticas ditas 'maiores', como a Pintura, a Escultura e a Arquitetura, mas também ao grafismo e publicidade, à cenografia, ao cinema, às artes da decoração e, finalmente, à própria vida quotidiana e suas aspirações modernas de cosmopolitismo e felicidade».
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Rui Afonso Santos, Comissário.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Tríptico de Nossa Senhora da Misericórdia



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«Exposto integralmente pela primeira vez, após um restauro total que demorou vários anos (...).
Em 1905, o historiador Eberhar von Bodenhausen atribuiu o Tríptico de Nossa Senhora da Misericórdia a Jan Provoost (Mons, 1462/5 - Bruges, 1529), um dos mais importantes pintores renascentistas da Flandres, Cavaleiro do Santo Sepulcro, amigo íntimo de Dürer e por ele retratado duas vezes.
Depois de um longo e complexo trabalho de conservação nos painéis laterais deste tríptico, o Museu Nacional de Arte Antiga tem agora a possibilidade de apresentar ao público, na sua forma completa, um dos mais importantes conjuntos da sua colecção de pintura flamenga.
Graças às técnicas de reflectografia tornou-se possível conhecer o desenho subjacente à pintura, comprovando, através de estudos comparativos, a atribuição do trípitico a Provoost, apoiada há mais de um século pela maioria da crítica nacional e internacional.
A exposição revela ainda dois elementos essenciais sobre esta obra, adquirida em 1876 pela Academia Real de Belas-Artes a Agostinho de Ornelas, diplomata originário da Madeira.
No recibo desta transacção, pode ler-se que a pintura provém da Capela de São João de Latrão, na Madeira, e não da Misericórdia do Funchal, como supunha a historiografia oficial.
A iconografia das representações principais do tríptico respeita as vontades expressas no testamento do rico mercador e produtor de açúcar, Nuno Fernandes Cardoso, e de sua mulher, Leonor Dias, que terão mandado edificar a Capela de S. João de Latrão, em 1511, nas suas terras de Gaula.
O mesmo documento permite datar a encomenda da pintura entre 1512 e 1515, tornando este tríptico na mais antiga obra documentada de Jan Provoost».
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Exposição no Museu Nacional de Arte Antiga (22 de Junho a 16 de Setembro de 2012).

Varinas


Amadeu Ferrari, Varina… beira do Tejo (Câmara Municipal de Lisboa).
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De mão na anca,
descompõem à freguesa.
Atrás da banca,
chamam-lhe cosma(?) e burguesa.

Mas nessa voz,
como insulto à portuguesa,
há o sal de todos nós,
há ternura e há beleza.

Do alto mar
chega o pregão que se alastra:
têm ondas no andar
quando embalam a canastra.

Minha varina,
chinelas por Lisboa.
Em cada esquina
é o mar que se apregoa.

Nas escadinhas
dás mais cor aos azulejos
quando apregoas sardinhas
que me sabem como beijos.

Os teus pregões
são iguais à claridade:
caldeirada de canções
que se entorna na cidade.

Cordões ao peito,
numa luta que é honrada.
A sogra a jeito
na cabeça levantada.

De perna nua,
com provocante altivez,
descobrindo o mar da rua
que esse, sim, é português.


São as varinas
dos poemas do Cesário
a vender a ferramenta
de que o mar é o operário.

Minha varina,
chinelas por Lisboa.
Em cada esquina
é o mar que se apregoa.

Nas escadinhas
dás mais cor aos azulejos
quando apregoas sardinhas
que me sabem como beijos.

Os teus pregões
nunca mais ganham idade:
versos frescos de Camões
com salada de saudade.
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Ary dos Santos.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Berthe Morisot


Berthe Morisot, Portrait de Madame Pontillon, the artist's sister at a window (1869, National Gallery of Art, Washington).
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«Born into a bourgeois, but rather open, family, Berthe et her sisters took private drawing classes while growing up : in the 19th century, the Ecole des Beaux-Arts was still out of bounds for women. The young girls executed their first copies at the Louvre in 1858 : Calvary andThe Meal at Simon’s, after Veronese, reveal Berthe’s undeniable talent. However, it is with Corot, who initiated her into the technique of outdoor painting, that she would develop her taste for light effects as of the 1860’s (View of Tivoli, 1863). This decade, which marked her entrance to the Salon and set the foundation for her art, is (…) illustrated here with (…) one work, the Portrait of Madame Pontillon (…). We see already Berthe’s audacity and modernity asserted in a free, light and visible touch, the transparency of the matter, the presence of natural light and the clarity of the palette. The extraordinary treatment of the white fabrics, worthy of a Whistler, reflect a rare mastery, impressionist before her time. (…)»
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Sylvie Blin (2012) - exposição Berthe Morisot, em Paris, no Musée Marmottan Monet (8/3 a 29/7/2012).

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Um dia de calor

Alma Tadema, Ninety-Four Degrees in the Shade (1876, Fitzwilliam Museum, Cambridge).
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«La chaleur dilate les corps. C'est pourquoi les jours sont plus longs en été qu'en hiver».
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domingo, 24 de junho de 2012

Nascimento de São João Baptista




Rogier Van der Weyden, The Birth of Saint John the Baptist (1455, Staatliche Mussen, Berlim).

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Nesta pintura, de Van der Weyden (ca. 1400-1464), há várias planos de interpretação, que se lêem em profundidade. Numa porta ao fundo, à esquerda, vemos uma fila de mulheres que vem do exterior e se dirige para o quarto. Nesse quarto, plano intermédio, vemos Santa Isabel numa cama, depois de ter dado à luz, a ser auxiliada por uma outra mulher. Em frente, em primeiro plano, junto de um arco gótico, está a Virgem Maria, já grávida de Jesus, que tem São João, recém-nascido, ao seu colo. Do lado direito, sentado, está São Zacarias, pai de São João.

O relato bíblico sobre o nascimento do Profeta pode ler-se no Evangelho de São Lucas. Os pais de São João, eram São Zacarias - um sacerdote judeu - e Santa Isabel. Não tinham filhos e já haviam passado da idade de tê-los. Durante uma jornada de trabalho servindo no Templo de Jerusalém, ele foi escolhido por sorteio para oferecer incenso no Altar Dourado no Santo dos Santos. OArcanjo Gabriel apareceu-lhe e anunciou que ele e sua esposa iriam dar à luz uma criança e que deveriam chamá-lo de João. Porém, por não ter acreditado na mensagem de Gabriel, São Zacarias ficou mudo até o nascimento de seu filho. Os seus parentes quiseram então dar-lhe o nome do pai, mas este, sem poder falar, escreveu: «Seu nome é João» e sua voz voltou.

O nascimento de São João Batista, festejado no dia de 24 de junho, ocorre três meses depois da celebração da Anunciação, em 25 de março, e seis meses antes do Natal, que celebra o nascimento de Jesus. A explicação mais provável do motivo pelo qual a festa se realiza em 24 de junho (e não a 25) está no modo de contagem romano, que procedia de trás para frente, a partir das "calendas" (primeiro dia) do mês seguinte. O Natal era "o oitavo dia das calendas de janeiro" (Octavo Kalendas Januarii). Consequentemente, o nascimento de São João foi colocado no "oitavo dia antes das calendas de Julho". Porém, como junho tinha apenas 30 dias, a festa ficou no dia 24 de junho.

O Dia de São João é um dos mais antigos festivais do cristianismo, já aparecendo no concílio de Agde, em 506 d.C.. O significado da festa caindo por volta do solstício de Verão é considerado como significativo, relembrando as palavras do próprio João Batista sobre Jesus: «É necessário que ele cresça, e que eu diminua».

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In Wikipedia e ver também o Google Art Project.

sábado, 23 de junho de 2012

Celebrando o Verão


Barend Cornelis Koekkoek, Summer Wooded Landscape with a Castle (1851, in Gandalf's Gallery).
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«Spring flew swiftly by, and summer came; and if the village had been beautiful at first, it was now in the full glow and luxuriance of its richness. The great trees, which had looked shrunken and bare in the earlier months, had now burst into strong life and health; and stretching forth their green arms over the thirsty ground, converted open and naked spots into choice nooks, where was a deep and pleasant shade from which to look upon the wide prospect, steeped in sunshine, which lay stretched out beyond. The earth had donned her mantle of brightest green; and shed her richest perfumes abroad. It was the prime and vigour of the year; all things were glad and flourishing».
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Charles Dickens, Oliver Twist (in The Dutchess).