quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Nascidos a 21 de Novembro

No dia 21 de Novembro nasceram algumas pessoas que de algum modo estão presentes na minha vida. Em primeiro lugar ficam os meus PARABÉNS e votos de um dia MUITO FELIZ para a Sandra do Presépio no Canal.

Columbano Bordalo Pinheiro, Retrato de Raul Lino (1907)

Mas quero igualmente recordar, dois homens que, além de serem grandes artistas portugueses, um como pintor e outro como arquitecto, foram também grandes amigos: Columbano Bordalo Pinheiro (n. 1857) e Raul Lino (n. 1879). Não sei exactamente como se terão conhecido, pois existe entre eles cerca de vinte anos de diferença de idade, mas sei que se correspondiam desde 1904. 
Data de 1907 o retrato que Columbano fez do arquitecto, apresentando-o numa composição simples e sóbria, onde sobressai o rosto claro sobre o fundo escuro. Sabe-se que o retratado ficou contente com o resultado, tendo escrito a Columbano dizendo ser-lhe «muito grata a impressão que me faz a sua obra d’arte que d’ora em diante me é permittido guardar em casa». E a sua mulher, Alda Decken dos Santos com quem se casou nesse ano), também terá apreciado: «A minha mulher achou neste retrato uma qualidade intrínseca no todo e uma seriedade na maneira de pintar que ella não vê em outros artistas». O retrato recebeu uma bela moldura do próprio Raul Lino, decorada em estilo Arte Nova, sendo de notar que o arquitecto faria outras molduras do mesmo tipo para outros retratados que eram amigos dele e de Columbano, como, por exemplo, João de Barros (1917). Na moldura do retrato de Lino é de sublinhar a presença do ornamento em ondulado que simboliza «as ondas luminosas do bem» O quadro foi exposto pela primeira vez apenas em 1911, numa Exposição individual no Atelier da Academia de Belas Artes de Lisboa. 
No círculo de amizades estava também o poeta Afonso Lopes Vieira e o escritor (depois Presidente da República) Manuel Teixeira Gomes. Tanto Lino como Columbano (assim como João Barreira, Luciano Freire e José de Figueiredo, entre outros) tiveram um papel relativamente importante durante a Primeira República, que terá começado por um convite, em Outubro de 1910, para serem vogais «da comissão encarregada do arrolamento de todos os bens pertencentes aos palácios ocupados pelo antigo chefe do estado e sua família», determinando o que seria pertença do Estado e da Casa de Bragança, com indicação do que importava conservar para o país como objecto de arte. 
A ligação de amizade entre eles manteve-se ao longo dos anos seguintes e, poderá dizer-se, que se prolongou depois da morte de Columbano (em 1929). Em Novembro de 1931, Manuel Emídio da Silva (outro amigo de Columbano) relatava que tomara a iniciativa para que fosse colocada, na casa em que o pintor falecera, uma lápide comemorativa desenhada por Raul Lino, a qual foi de facto descerrada em 1932. Quem a quiser ver, fica na Rua de São Paulo, junto da esquina com a Rua das Flores.
Vimos que Columbano retratou Raul Lino em 1907 e podemos dizer que cinquenta anos depois era Raul Lino a retratar Columbano. No texto «O retrato na obra de Columbano», publicado na Revista e Boletim da Academia Nacional de Belas Artes (n.º 11), ele escreveu:
«Algumas vezes vi o Mestre a trabalhar. Nunca dei porque esboçasse na tela qualquer parte anatómico-estrutural. Não arquitectava uma composição; parecia que improvisava um poema. Vi-o começar um retrato de corpo inteiro concentrando-se em torno dos olhos do modelo. (...)».
Raul Lino faleceu muitos anos depois, em 1974.
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Margarida Elias, Columbano no seu Tempo (1857-1929), FCSH-UNL, 2011 (Link).
Catálogo da Exposição Raul Lino, Artes Decorativas, FRESS, 1990.

4 comentários:

www.amsk.org.br disse...

Gosto de vir aqui, consigo respirar cultura. Obrigada.

bjs nossos

Margarida Elias disse...

Muito obrigada, eu! bjs! :)

Presépio no Canal disse...

Olá, Margarida!
Muito obrigada pela referência e pela lembrança! És muito querida!
Peço desculpa por responder só agora, mas fomos dar um pulinho até Aachen para vermos o mercado de Natal, que abriu esta sexta-feira. Soube bem.
Um beijinho grande e continuação de bom fim-de-semana!

Margarida Elias disse...

De nada, Sandra! Fizeste bem em ir a Aachen porque é uma cidade linda. Beijinhos!