sexta-feira, 15 de abril de 2011

No Museu de Cerâmica em Caldas da Rainha

 Desde a Quinta do Visconde de Sacavém.


 Entre poemas.

 Até à cerâmica e a Rafael Bordalo Pinheiro.



Da Wikipedia:

José Joaquim Pinto da Silva (1863-1928), que também assinava José Joaquim Pinto da Silva Sacavém (para se distinguir do seu pai e do seu avô, e passando doravante a integrar o nome Sacavém como apelido de família), foi o 2.º Visconde de Sacavém.
(Aqui fica uma caricatura em cerâmica do Visconde, feita por Rafael Bordalo Pinheiro)

Era filho primogénito de José Joaquim Pinto da Silva e de Miquelina Francisca de Oliveira, tendo casado em 1 de Fevereiro de 1890 com Matilde Adelaide da Silva Amado (a qual foi retratada por Columbano).
Dedicou grande parte da sua vida ao trabalho de ceramista. Os seus trabalhos de cerâmica decorativa inscrevem-se, por exemplo, na linha de Bordalo Pinheiro, representando temáticas naturalistas. Também se distinguiu no esmaltar, vidrar e colorir da cerâmica, produzindo uma pasta de grande qualidade. Entregava-se a esta actividade, como mero amador, quer em pequenas instalações fabris situadas nas Caldas da Rainha, quer nas muflas que possuía no estúdio do seu palacete.
Possuiu uma quinta nas Caldas da Rainha (hoje chamada Quinta Visconde de Sacavém), cujo palacete romântico, rodeado de jardins, acolhe desde 1983, o Museu de Cerâmica em Caldas da Rainha.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Dia Mundial do Café

António Soares, No Terrasse do café des Plaires (c.1920-1930, Museu do Chiado).
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«Coffee is the best thing to douse the sunrise with».
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Terri Guillemets.

Luz III

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«Même les ombres des feuillages ont de la lumière».
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Renoir.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Luz II

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«Turn your face to the sun and the shadows fall behind you».
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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Flores IV

Federico Zandomeneghi, Il mazzo di fiori (1894, Palazzo Tè, Museo Civico, Mantova).
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«Can we conceive what humanity would be if it did not know the flowers?»
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Maurice Maeterlinck.

domingo, 10 de abril de 2011

Károly Ferenczy

 Károly Ferenczy, Sermon on the Mountain (1896, Hungarian National Gallery, Budapest).
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Károly Ferenczy (1862-1917) foi um pintor contemporâneo de Veloso Salgado e este Sermão na Montanha é da mesma época que o Jesus do pintor português. Apesar da proximidade do tema, as diferenças são evidentes. Em vez de uma paisagem seca e crepuscular, temos uma visão de um espaço verdejante, rodeado por árvores e montanhas. Jesus não está isolado, pois está rodeado de discípulos atentos. Ele é um homem, rodeado de outras figuras humanas, vestidas de acordo com o século XIX, o que transporta o momento bíblico para a contemporaneidade. Seria um quadro bastante naturalista, se não fosse o pormenor insólito de um homem com uma armadura, ao lado de Jesus. Gostava de saber qual o seu significado.
No site Fine Arts in Hungary conta-se a história deste quadro, mas não explicam o homem de armadura:
«The first summer in Nagybánya resulted a large size composition of a biblical nature. The gloomy and splendid landscape inspired the painter to pass on a serious message. (...) His family, friends and models accompanied him to the mountain he had selected and they posed for his picture».
Essa figura de armadura medieval seria apenas uma referência de que este acontecimento pertencia ao passado?

sábado, 9 de abril de 2011

Veloso Salgado

 
Veloso Salgado, Jesus (réplica) (c. 1922).
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Em geral, não aprecio muito a pintura de Veloso Salgado (1864-1945), apesar de o considerar um excelente pintor em termos académicos e naturalistas. Talvez deva explicar que considero que a qualidade intrínseca das obras de arte ultrapassa a moda e o gosto pessoal.
No entanto, há uns doze anos (1999) vi uma exposição  sobre a obra de Veloso Salgado no Museu do Chiado, que me surpreendeu de forma positiva, nomeadamente nas pinturas com temas simbolistas e nas paisagens. Esta pintura  de Jesus conjuga estas duas vertentes da sua obra.
Rui Afonso Santos, comissário da referida exposição, escreveu que a pintura Jesus foi realizada depois de Veloso Salgado ter passado por Florença, onde estudou Fra Angelico e Benozzo Gozzoli. A pintura original era bastante grandiosa, com 3 m de altura por 4,40 m de comprimento, mas perdeu-se em 1900, no naufrágio de um navio que a trazia de regresso a Lisboa, depois de ter estado na Exposição de Paris. Ficaram dois estudos preparatórios e uma réplica, feita por Veloso Salgado cerca de trinta anos depois, numa tela de tamanho mais reduzido do que o original. O original  tinha sido exposto em Paris em 1892, no Salon, valendo ao pintor uma 2.ª medalha e a qualificação Hors Concours.
Pessoalmente, a pintura Jesus interessa-me por duas razões. Por um lado, é uma obra de teor simbolista, realizada no tempo em que o simbolismo estava a desenvolver-se em França. Em 1893, em Paris, Eça de Queirós verificava que o livre-pensamento estava a atravessar uma «má crise». A geração nova sentia a necessidade de divino e à falta dele contentava-se com o sobrenatural. Eram «homens inquietos batendo de novo à porta dos mistérios».
Por outro lado, Jesus é uma obra muito bela. A paisagem ocupa a quase totalidade do quadro, concebida num tom de amarelo dourado (proporcionado pela luz crepuscular), que confere uma aura sobrenatural à composição. Também acho muito bela a figura de Jesus, ocupando o lado direito do quadro, trajando uma túnica branca. É uma figura simples e espiritualizada, que olha para cima e cujo rosto de perfil está alheio ao espectador.
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Bibliografia: Veloso Salgado (1864-1945), Museu do Chiado, 1999.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Luz I

Norman Garstin, In a cottage by the sea,  (1887).
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«In the right light, at the right time, everything is extraordinary».
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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Dia Mundial da Saúde

 
Arthur John Elsley, Picking Apples (1919)
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«An apple a day keeps the doctor away»

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Dia dos Moinhos (7 de Abril)

Silva Porto, Moinho do Estevão [Alcochete] (1885-1887, Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves).
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Era uma vez, um moinho 
Que girava, que girava 
Sem parar. 
Mas veio um dia 
Um vendaval 
E o moinho 
Não se pode aguentar. 
Mas o moleiro que era esperto 
A correr, a correr 
Foi consertar. 
Pôs asas novas 
No moinho 
E o moinho continuou o seu girar 
Z-Z-Z-Z-Z-Z-Z-Z 
Moeu-se o grão, fêz-se a farinha 
Que a padeira 
Tratou logo de amassar 
Coze-se o pão, fica loirinho 
E o moinho continua o seu girar 
Z-Z-Z-Z-Z-Z-Z-Z.
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Canção infantil.

terça-feira, 5 de abril de 2011

À janela: ver e ser visto I

Adriaen Jansz. van Ostade, Mother Holding her Child in a Doorway (1667).
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«There is only one pretty child in the world, and every mother has it».
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Provérbio chinês.
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Eu acho que existem (pelo menos) duas ;-)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Contar histórias

George Agnew Reid, The story (1890, Winnipeg Art Galery).
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«There have been great societies that did not use the wheel, but there have been no societies that did not tell stories».
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Ursula K. LeGuin.

domingo, 3 de abril de 2011

Com votos de boa semana!

Scott Gustafson, Laughing Flock.
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«The best way to cheer yourself up is to try to cheer somebody else up».
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Mark Twain.

sábado, 2 de abril de 2011

Esperança

Auguste Rodin, The Blessings (1894, Museu Calouste Gulbenkian, Lisboa).
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«Hope is that thing with feathers that perches in the soul and sings the tune without the words and never stops... at all».
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Emily Dickinson.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Dia do Livro Infantil (2 de Abril)

Elizabeth Shippen Green, Mind of a Child (Dez. 1906, Harpers Monthly Magazine) - imagem retirada de Beautiful Century.
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«Think left and think right and think low and think high. Oh, the thinks you can think up if only you try!»
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Dr. Seuss.

Abril

Calendário publicado no Japonisme, para 1912, adaptado por mim para 2011.
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«Spring would not be spring without bird songs».
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Mais um prémio!

Obrigada Sandra!
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Segundo as regras devo dizer 7 coisas sobre mim:
1. Casei-me há quase oito anos e tenho dois filhos, um menino e uma menina.
2. Gosto muito de arte e por isso fiz o curso de História da Arte.
3. Dentro da Arte a minha preferência vai para a pintura.
4. A minha mãe é pintora e houve outras mulheres pintoras na minha família.
5. Gosto muito de animais, sobretudo de cães e de gatos.
6. Gosto de viajar. Adorava fazer uma viagem de carro por toda a Itália.
7. Admiro e respeito a natureza e gosto muito de árvores.

Como a Sandra já recebeu o prémio e já o ofereceu à Sara, Etnografia de Circunstancias e à Ana, (In) Cultura, eu apenas o ofereço à Mariana, Retratos de Varsóvia e à minha mãe, constante procura.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Flores III

Harold Harvey, Picking Daffodils.
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«Where flowers bloom so does hope».
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Lady Bird Johnson,
citado por The Dutchess.

terça-feira, 29 de março de 2011

O Jardim


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O Jardim 
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Consideremos o jardim, mundo de pequenas coisas,
calhaus, pétalas, folhas, dedos, línguas, sementes.
Sequências de convergências e divergências,
ordem e dispersões, transparência de estruturas,
pausas de areia e de água, fábulas minúsculas.

Geometria que respira errante e ritmada,
varandas verdes, direcções de primavera,
ramos em que se regressa ao espaço azul,
curvas vagarosas, pulsações de uma ordem
composta pelo vento em sinuosas palmas.

Um murmúrio de omissões, um cântico do ócio.
Eu vou contigo, voz silenciosa, voz serena.
Sou uma pequena folha na felicidade do ar.
Durmo desperto, sigo estes meandros volúveis.
É aqui, é aqui que se renova a luz.
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António Ramos Rosa.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Ainda da Primavera que agora começa...


 Columbano Bordalo Pinheiro, Retrato de Helena Bordalo Pinheiro (21 de Março de 1886).
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«La fantaisie est un perpétuel printemps».
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domingo, 27 de março de 2011

Luz

José Malhoa, Retrato da minha mulher (1914).
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AH! QUEREM uma luz melhor que
a do Sol!
Querem prados mais verdes do que estes!
Querem flores mais belas do que estas
que vejo!
A mim este Sol, estes prados, estas flores contentam-me.
Mas, se acaso me descontentam,
O que quero é um sol mais sol
que o Sol,
O que quero é prados mais prados
que estes prados,
O que quero é flores mais estas flores
que estas flores -
Tudo mais ideal do que é do mesmo modo e da mesma maneira! 
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sábado, 26 de março de 2011

Abstracção e Espiritualidade



Piet Mondrian:
Albero argentato (1911, Gemeentemuseum. L'Aia); Alberi in fiore (1912, Nieuwenhuizen. Seagar. L'Aia); Composizione in grigio e giallo (1914, Stedelijk Museum. Amsterdam); Composition with Red, Yellow and Blue (1921).
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Piet Mondrian (1872-1944) partiu das formas básicas da natureza, reduzindo-as a uma estrutura geométrica. De acordo com Argan (1997), Mondrian  realizou uma conquista progressiva da abstracção pura. O pintor considerava que o equilibro entre o individual e o universal criava o trágico, sendo o seu objectivo conseguir que a arte deixasse de ser dominada pelo trágico, concebendo-a em termos de abstracção sacralizada, por sua vez conectada com o misticismo teosófico.
Para ele havia um princípio unívoco de conhecimento que se baseava no encontro da vertical com a horizontal (a cruz). O seu abstraccionismo era filosófico, ligado a uma interpretação da imagem como evento simbólico e universal. As formas simples e as cores primárias evocavam as coordenadas basilares da experiência humana (Sandro Sproccati, 1997).
O próprio artista terá dito:
«To approach the spiritual in art, one will make as little use as possible of reality, because reality is opposed to the spiritual».

sexta-feira, 25 de março de 2011

Anunciação I

Brice Marden, Anunciação (1978).
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Brice Marden (n. 1938) é um pintor americano, geralmente associado ao Minimalismo. Numa entrevista (1988), em que se referiu às suas Anunciações dizia:
«I had these ideas about things moving through, moving across a plane—out, out, out. They were painted in such a way that the stroke on the right was echoed in the stroke on the left.  (...) In the Annunciations I put the paint on working from right to left, but the light moved from left to right».
Brice Marden joga com o ritmo e a cor, as quais mantêm o esquema aberto / fechado: preto é fechado; amarelo / vermelho é aberto. Parece-me que o amarelo é a luz, correspondendo ao anjo, que se move para a direita, em direcção à Virgem, que corresponde aqui à cor vermelha. Não sei, contudo, até que ponto esta pintura tem uma intenção espiritual que ultrapasse o jogo pictórico.
Uma questão que me anda a interessar ultimamente é a da relação entre a igreja e a arte desde o século XIX, pois os movimentos artísticos, tenderam a utilizar linguagens formais que a igreja rejeitou. Contudo, houve artistas que trabalharam para a igreja ou pintaram temas religiosos. Há pouco tempo descobri num livro sobre este assunto uma citação de João Paulo II (de 1980) que me parece verdadeira: 
«Na arte trata-se do homem, da verdade do homem (...). Uma colaboração no diálogo entre a Igreja e a arte, com os olhos postos no homem, consiste e se apoia em que ambos pretendem libertar o homem de escravaturas exteriores e conduzi-lo a si mesmo» (citado por Juan Plazaola, 2001).

quinta-feira, 24 de março de 2011

Anunciação

 Petrus Christus, Annunciation (1452, Groeninge Museum, Bruges).
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Provavelmente, quem segue este blogue sabe que a Anunciação é um dos meus temas preferidos da história da arte. As razões prendem-se não só com a beleza do episódio bíblico, mas também com outros factores: gosto de anjos, gosto das representações de cenas interiores e do quotidiano que geralmente estão associadas a este tema (sobretudo na pintura flamenga e holandesa), gosto dos símbolos mais ou menos escondidos e dos múltiplos detalhes. O meu interesse sobre o tema aumentou quando li o livro de Didi-Hubberman sobre Fra Angelico e quando fui a Florença e vi as Anunciações de Fra Angelico. Também aumentou quando descobri que a Anunciação se festejava no dia 25 de Março, sendo associada à chegada da Primavera, fazendo nove meses de antecedência até ao Natal - quando se festeja o nascimento de Jesus.
Esta Anunciação que escolhi para celebrar o dia 25 de Março de 2011 é de Petrus Christus, um pintor que nasceu em Baarle-Hertog, perto de Antuérpia, activo em meados do século XV. Interessou-me por vários motivos: a delicadeza do anjo Gabriel, anunciando a Maria que iria conceber Jesus, a figura também delicada de Maria, com as mãos em pose de aceitação, tendo sobre a sua cabeça a pomba do Espírito Santo. 
Depois atraem-me os detalhes habituais: a Virgem junto de uma mesa com livros, evocando a Bíblia, estando um fechado e outro aberto - referindo-se talvez ao Velho e ao Novo Testamento. Entre o anjo e a Virgem está uma jarra com lírios, lembrando a pureza de Maria.
A cena passa-se num interior, que parece ser o de uma igreja, com paredes rasgadas por grandes janelas com vitrais que permitem a iluminação do espaço. Entre os vários aspectos interessantes desta pintura, há alguns que vou destacar: a perspectiva centralizada que aponta para o grande vitral ao centro, em cima, onde num círculo está figurada uma imagem de Maria, ladeada por Deus e por Jesus.
Por outro lado, acho muito interessante (e bela) a paisagem que se vê pela porta aberta, do lado de Maria. Importa notar que, segundo Didi-Hubermann, as Anunciações jogam com a ideia de aberto e fechado, ficando a Virgem geralmente do lado da casa / fechado e o anjo do lado do jardim / aberto. No entanto, aqui a Virgem fica do lado do jardim, onde se vêm pavões, que são um símbolo cristão. O jardim simboliza o Paraíso perdido, que será retomado com Maria através de Jesus, a qual é associada à imagem de Hortus conclusus (do Cânticos dos Cânticos).
Creio que há outros detalhes importantes, entre os quais os dois profetas, um de cada lado do arco, que evocam certamente os profetas que anunciaram a vinda de Jesus. Esta pintura é muito rica de leituras e talvez um dia venha a descobrir mais sobre ela.

Uma prenda que recebi e vou redistribuir

Obrigada (In)Cultura pelo prémio!
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quarta-feira, 23 de março de 2011

Maria Guilhermina Silva Reis



Descobri há pouco tempo a obra da pintora portuguesa Maria Guilhermina Silva Reis. Sobre ela sei muito pouco, apenas o que vem no Dicionário de Fernando de Pamplona. Segundo este autor, ela foi uma pintora do século XIX, discípula de A. Monteiro da Cruz. Expôs na Academia de Belas-Artes (1861 e ss.), na Exposição do Porto (1861), na Sociedade Promotora das Belas-Artes (1863 e ss.) e na Exposição de Madrid de 1871. No Porto, em 1861, obteve uma medalha de prata. Ficou conhecida por pintar trechos de Sintra, mas, como vemos aqui, também representou paisagens de outros locais, nomeadamente da Torre de Belém. Diogo de Macedo considera que ela fez a transição da pintura do romantismo para a do realismo.
A obra desta artista interessa-me por ser pintura de paisagem, um género que só começou a ser reconhecido pelas Academias depois do romantismo e sobretudo depois do naturalismo da Escola de Barbizon. Acho também interessante o tipo de paisagens, de grande planos, na horizontal, procurando captar a realidade observada, que me faz lembrar pinturas de Alfredo Keil e de Alfredo de Andrade. O mundo que ela representa, pacifico e belo, tem para mim ainda o interesse de representar Sintra, uma das terras de que mais gosto em Portugal. A primeira obra aqui reproduzida intitula-se Vista de Sintra; a segunda é uma Vista do Palácio da Pena, do Castelo dos Mouros e do Vale de Colares e a terceira é uma Vista de Lisboa com a Torre de Belém.
Do que consegui ver dos trabalhos de Maria Reis (apenas reproduções na internet), parece-me que por vezes não eram tão bons como aqueles que aqui coloquei. Ainda assim, fiquei bastante interessada na obra desta artista, que não se conformou em fazer pinturas de flores e de naturezas mortas, que eram os temas geralmente tratados pelas mulheres.
Luciano Cordeiro escreveu sobre ela  num artigo que foi publicado no Segundo livro de crítica : arte e litteratura portugueza d'hoje (livros, quadros e palcos) (1871). Nele dizia que esta artista manifestava um «pincel firme e estudioso, e fecunda esthesia». Elogiava os seus «magnificos longes», mas queixava-se que ela era melhor a pintar os segundos planos do que os primeiros. Ora esta censura não é possível de aferir pelas reproduções. No entanto, daquilo que pude ver, confirmo que os "longes" são "magníficos".

terça-feira, 22 de março de 2011

Dia Mundial da Água

John Brett, Britannia's Realm  (1880, Tate Gallery, Londres).
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«(...) A água, matando a sede e satisfazendo as muitas necessidades quotidianas, apresenta gratas utilidades porque é gratuita.
Por este motivo, os que exercem sacerdócios segundo os ritos dos egípcios mostram que todas as coisas se baseiam no poder do elemento líquido. Daí que, quando a água é levada numa hydria ao templo e ao santuário com puro sentimento religioso, eles se prostrem em terra e, erguidas as mãos para o céu, dêem graças à liberalidade divina por esta acção criadora.
Como, pois, foi considerado, quer pelo físicos, quer pelos filósofos, quer pelos sacerdotes que todas as coisas subsistem pela força da água, (...) julguei que seria oportuno (aqui) tratar (...) da água».
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Vitrúvio,
citado por Cátia Mourão (2008).

segunda-feira, 21 de março de 2011

Dia Mundial da Poesia

John Brett, Mount's Bay (1872).
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 Coral VII
-
Em si o verso mudo se corrompe.
Nada é amanhã
que hoje não desperta.
Viva a imensidão se decompõe.
Lutando como o vento num deserto
- miragem, água, palmeiral disperso -
esvoaça, derruba, desfaz-se sobre o mar.
Em si o verso mudo se transforma.
Verso mudo que foi
é verso vivo,
flor de manhã, sol de meio-dia,
comunhão,
Vaga lacustre, calma e silenciosa,
manhã de primavera
possuída de verão.
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João Mattos e Silva (1972).

domingo, 20 de março de 2011

Dando as boas vindas à Primavera II



Isa (Mrs. Robert Jobling) Thompson, Girl in Blossom - Elizabeth Adela Stanhope Forbes, The Orchard - Thomas Cooper Gotch, The Orchard (1887).
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«A seed hidden in the heart of an apple is an orchard invisible».
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Provérbio.

sábado, 19 de março de 2011

Dando as boas vindas à Primavera!

 .
Giovanni Boldini, Primavera (1873).
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«Spring is sooner recognized by plants than by men».
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Provérbio chinês.