terça-feira, 28 de julho de 2009

Com sapatos de veludo...

Pintura de Sargent, Garden, Study of the Vickers Children (c. 1884, Flint Institute of Art, Michigan)

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Com sapatos de veludo
Nesta sala eu vou entrar
É a hora da história
Vamos todos escutar.
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Todos, todos sentadinhos
Numa roda sem falar
Ficaremos bem quietinhos
Para a história começar.
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Com os olhinhos bem abertos,
De ouvidinhos à escuta,
E um grande fecho na boca!
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Canção que cantam na Creche do Tiago antes de começar uma história.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Nossa Senhora do Ameal

Ermida de Nossa Senhora do Ameal (Torres Vedras, Fotografia de Margarida Elias, 2009).
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A capela está fechada ao público, com muita pena minha, que gostava muito de a poder visitar.
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«Esta venerável capela, de remota fundação medieval, foi reconstruída por completo em meados do século XVI (...)».
«É tradição ter sido aqui instituída a primeira freguesia de Torres Vedras, (...) e foi seguramente em casas suas que se estabeleceu o mais antigo hospital da vila».
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In Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa - Torres Vedras, Lourinhã e Sobral de Monte Agraço (1963).

sábado, 25 de julho de 2009

Compreender a eternidade


Convento dos Capuchos (Fotografia de Margarida Elias, Julho de 2009).
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Se o nosso espírito pudesse compreender a eternidade ou o infinito, saberíamos tudo. Até podermos entender esse facto, não podemos saber nada.
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Fernando Pessoa,
in Constante Procura, 11 de Julho de 2009.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Sorolla no Prado


Pintura de Sorolla y Bastida, Regatas (1908, Museu Nacional de Cuba).
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Joaquín Sorolla y Bastida (1863-1923) foi um pintor espanhol, contemporâneo dos nossos pintores naturalistas (por exemplo, Malhoa). Um artista de grande qualidade, cujas obras, inundadas de luz e cor, representam sobretudo cenas da vida quotidiana e paisagens. Foi também um excelente pintor de retrato. Abriu uma exposição sobre ele no Museu do Prado, que eu gostava muito de visitar, que estará aberta até 6 de Setembro.

Esta reprodução é de uma obra que julgo que não está nesta exposição, mas esteve em Lisboa, numa exposição do Palácio Galveias sobre pinturas espanholas nos museus de Cuba.

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Para saber mais:
Museu Nacional do Prado
Alexandre Pomar: «Sorolla - O Verão no Prado»

Para conhecer mais obras deste pintor:

Ciudad de la Pintura

terça-feira, 21 de julho de 2009

A construção da paisagem



Caminho dos Capuchos (Fotografia de Margarida Elias, Julho de 2009).
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«(...) A paisagem pintada ou fotografada é uma construção, e o próprio acto de olhar a paisagem é também em si mesmo uma ficção – vemos o que queremos ver, vemos o que queremos reconhecer, isolamos nós próprios parcelas do espaço que temos diante de nós e a paisagem é sempre fruto de uma relação subjectiva que estabelecemos com o mundo externo. (...) Nela são projectados desejos, mitos, sonhos, traumas, memórias, que condicionam a recepção quer do espectador directo quer do espectador indirecto que olha uma paisagem representada, e que dão a ilusão de um todo. E portanto a ideia de que a paisagem, mesmo selvagem, pode ser pura, de que se pode fruir da visão de um espaço natural intocado pelo homem, e de que essa fruição será igual para todos os que o olharem, é apenas uma miragem. A posição do observador é, além disso, a de alguém que tem de se colocar de fora, é uma figura externa à paisagem, que no fundo tenta organizar e controlar o mundo que o envolve fixando-o na ideia de paisagem».
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Mariana Pinto dos Santos (2006).

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A Paisagem na actualidade


Caparica (Fotografia de Margarida Elias, 2009).
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«A paisagem é a expressão do lugar; lugar como espaço habitado, espaço feito cultura, espaço apropriado pela consciência. O género, como um todo, começa a desaparecer quando questionamos as condições políticas, culturais e estéticas que transformam o ambiente, com efeito, a paisagem.
A crise da paisagem, hoje, está ligada com o sentimento de perda do espaço natural»
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Palavras de Joan Fontcuberta, in Landscapes without memory (2005)
(Citado por Luís Henriques).

sábado, 18 de julho de 2009

Benção

Um caminho no Convento dos Capuchos (Fotografia de Margarida Elias, Julho de 2009)
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May the road rise up to meet you.
May the wind be always at your back.
May the sun shine warm upon your face;
the rains fall soft upon your fields and until we meet again,
may God hold you in the palm of His hand.
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Traditional Gaelic Blessing
Citado de Presépio com vista para o Canal
3 de Julho 2009

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Música Infantil - Ai meu burro…

Fotografia de Margarida Elias (Julho de 2009).
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Aqui fica a fotografia de um burro que anda no Mercado Medieval de Óbidos, para as crianças passearem. Veio de Castelo Branco e é muito mansinho...
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Ai meu burro ai meu burro que me doi a cabeça!

O médico me manda uma gorrinha preta, uma gorrinha preta, (batendo palmas) sapatos trolaró, sapatos trolaró.

Ai meu burro, ai meu burro que me doi os olhinhos!

O medico me manda um par de ocolinhos!

Um par de ocolinhos, uma gorrinha, sapatos trolaró, sapatos trolaró.

Ai meu burro, ai meu burro que me doi a garganta!

O médico me manda uma gravata branca, uma gravata branca, um par de ocolinhos, uma gorrinha preta, sapatos trolaró, sapatos trolaró.

Ai meu burro ai meu burro que me doi o coração!

O médico me manda pinguinhos de limão, pinguinhos de limão uma gravata branca,um par de ocolinhos ,uma gorrinha preta, sapatos trolaró, sapatos trolaró.

Ai meu burro,ai meu burro que me doi a barriga!

O médico me manda um chá de ortiga, um chá de ortiga, pinguinhos de limão, uma gravata branca, um par de ocolinhos, uma gorrinha preta, sapatos trolaró, sapatos trolaró.

Ai meu burro ai meu burro que me doi o corpo todo!

O médico me manda ir já, ir já pra cama, um chá de ortiga, pinguinhos de limão, uma gravata branca, um par de ocolinhos, uma gorrinha preta, sapatos trolaró, sapatos trolaró.

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Educação de Infância.

João e o Pé de Feijão...



Instalação de João Pedro Vale, O Feijoeiro (2004, em exposição no Museu do Chiado).
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«Imagination grows by exercise, and contrary to common belief, is more powerful in the mature than in the young.»
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William Somerset Maugham
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Citado por The Dutchess (17 de Julho de 2009).

quinta-feira, 16 de julho de 2009

A Virgem e o Menino


Relevos escultóricos da entrada principal do Convento dos Capuchos (Fotografia de Margarida Elias, Julho de 2009).
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Estes dois baixos-relevos encontram-se frente a frente. O primeiro, do lado direito, está incompleto, mas nele se pode ver uma imagem da Virgem no trono, com o Menino ao colo e um anjo a seu lado, tendo, ao que parece, uma cruz por trás. Aparenta ser uma iconografia característica da arte bizantina, da Virgem em Majestade, tema que inspirou os pintores do Primeiro Renascimento italiano. A segunda imagem, do lado esquerdo de quem entra, mostra apenas a Virgem e o Menino. Tem um frontão triangular a enquadrar a moldura na parte superior e em baixo uma forma circular. O frontão, característico da arquitectura clássica, é também um indicador da Santíssima Trindade, o círculo é símbolo do mundo e da unidade. A figura imponente da Virgem, com o Menino sentado sobre os joelhos, é novamente uma uma imagem majestática. Ambas as obras são provavelmente de influência italiana, quer pela nobreza serena das figuras, quer pela imponência clássica das formas.
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Margarida Elias.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Convento dos Capuchos

Fui antes de ontem (dia 13) ao Convento dos Capuchos (Sintra) e fiquei simplesmente maravilhada. Aqui fica um pouco da sua história e algumas fotografias que tirei.
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«O Convento de Santa Cruz da Serra de Sintra, também conhecido como "Convento dos Capuchos" ou "Convento da Cortiça", foi edificado em 1560 (...)». Mandado construir por D. Álvaro de Castro, foi habitado até 1834, data da extinção das ordens religiosas em Portugal. O espaço encontra-se de acordo com «a filosofia de respeito pela harmonia entre a construção humana e a construção divina, razão pela qual o edifício se funde com a natureza, indissociável da vegetação e incorporando na construção enormes fragas de granito (...)». William Beckford designou-o como "Convento da Cortiça" (no diário de viagem de 1787) porque a «cortiça dos sobreiros existentes na cerca foi utilizada como material de isolamento».




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Citações do folheto informativo: Convento dos Capuchos.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Vandalismo

«A moradia n.º 28 da Rua de Alcolena, com painéis de azulejos de Almada Negreiros e esculturas de Amaral Paiva, está em processo de classificação patrimonial como imóvel de interesse municipal. Não obstante, foi hoje arrombada e encontra-se em risco de vandalismo. Aqui vão algumas fotografias tiradas a partir do exterior pela Arq. Rita Almada Negreiros, que mostram portas abertas e vidros partidos na zona da marquise (rés-do-chão, à esquerda)».
Informações: Museu de PJ (Projecto SOS Azulejo): museu.pj@pj.pt
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Rita Almada Negreiros.

Amoras

Fotografia de Margarida Elias (Ameal, Julho de 2009).
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Ó minha amora madura
quem foi que te amadurou?
Foi o sol e a geada
e o calor que ela apanhou.

E o calor que ela apanhou
debaixo da silveirinha;
Ó minha amora madura
minha amora madurinha.

Há silvas que dão amoras
há outras que as não dão
há amores que são leais
e há outros que o não são.
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Canção popular portuguesa.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Eros e Psique

Escultura de Auguste Rodin, Cupido e Psique (c. 1893, Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque).
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Amar-te não é muito.
A vida o mundo a cor
o riso o pranto o sonho
o dia a noite a luz
quisera eu dar-te.

Somente nada tenho.
Que mais posso fazer
senão amar-te?
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Poema de João Mattos e Silva (1972).

sábado, 11 de julho de 2009

«Noivado»

Pintura de Henri-Edmond Cross, Les Iles d'Or (c. 1891-1892, Museu d'Orsay).
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Estão de branco as salinas
e noivam assim puras
com a terra.
O mar na despedida
da emoção
tece de espuma grinaldas
deixadas por pudor
sobre as areias.
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João Mattos e Silva
in Itntempral (2003).

sexta-feira, 10 de julho de 2009

«Mar»

Pintura de Gustave Courbet, A Bay with Cliffs (c. 1869, Wadsworth Atheneum, Hartford).
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Há sempre mar
em cada sonho meu
e sempre um barco
que em teu olhar aporta.
Há sempre sal e espuma
e sempre ausência
e sempre uma chegada
e sempre a inconstância
do mar que vem e vai
em marés de desejo.
Há sempre mar
e sempre uma saudade
nos reflexos do sol
nos refluxos de um beijo.
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Poema de João Mattos e Silva
in Intemporal (2003).

... «Any road will get you there» ?

Litografia de M. C. Escher, Ascending and Descending (1960).
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«If you don't know where you are going, any road will get you there».
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Lewis Carroll
Citado por The Dutchess, 8 de Julho de 2009

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Exposição Fantin-Latour na Gulbenkian

Fui ontem à exposição de Fantin-Latour no Museu Calouste Gulbenkian. É lindissima e gosto muito da obra deste pintor. Foi um artista francês, contemporâneo dos pintores impressionistas e com eles se relacionou. Contudo, a sua obra diverge daquela que caracterizou o Impressionismo: cenas de interior (retratos e naturezas mortas) e composições históricas (influenciadas por Wagner e pela música em geral), em vez de paisagem.
Há muita sobriedade, nostalgia e silêncio nas suas obras, que, em alguns casos, fazem a ligação com o Simbolismo - pelo menos no sentido da intimidade e da introversão. O seu estilo caracteriza-se por uma grande leveza e transparência de pincelada, sendo ele um mestre na utilização dos esfumados. Algumas pinturas parecem ser minuciosas ao longe e, quando nos aproximamos, perdem o detalhe.
Fantin-Latour dedicou-se a fazer obras de homenagem aos artistas seus contemporâneos, nomeadamente a Delacroix, Manet e Berlioz, entre outros, destacando-se entre os retratos de grupo o quadro Le Coin de Table (presente na exposição), que homenageia os poetas franceses, entre eles Rimbaud e Verlaine. Muitos retratos eram de familiares, nomeadamente de mulheres, os quais deixam transparecer mais intimidade, mas também maior melancolia. Outro tema que o celebrizou foi a pintura de flores, exemplificada pela natureza-morta aqui reproduzida, presente na exposição.
Toda a sua obra é preenchida por uma quietude serena, apresentando-nos um mundo simultaneamento belo e melancólico, solitário mesmo nos retratos de grupo, silencioso mesmo nos temas musicais. Académico, mas moderno, ele foi um pintor do seu tempo, tal como pedia Baudelaire.
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Texto de Margarida Elias.
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Henri Fantin-Latour (1836-1904)
Museu Calouste Gulbenkian - 26 de Junho a 6 de Setembro de 2009.
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Outros links:
Corot em Madrid
Fantin-Latour
Art Renwal Center

terça-feira, 7 de julho de 2009

A paisagem como cenário


Pintura de Margarida Elias, baseada num quadro de Millet.
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«As paisagens podem ser enganadoras. Às vezes uma paisagem parece ser não tanto o cenário para a vida dos seus habitantes, mas antes uma cortina atrás da qual as suas lutas, sucessos e acidentes têm lugar. Para os que estão, como os habitantes, atrás das cortinas, os pontos de referência já não são só geográficos mas também biográficos e pessoais».
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John Berger (1976), citado por Mariana Pinto dos Santos (2006).

«Momento XV»


Pintura a pastel de Margarida Elias.
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Revejo-me num espelho sem contorno,
sem nada.
O mar silencioso dá-me sempre igual
uma alma inacabada.
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Poema de João Mattos e Silva (1968).

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A vida


Desenho de Margarida Elias, Desenho de Modelo (1988).
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Life is a compromise of what your ego wants to do, what experience tells you to do, and what your nerves let you do.
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Bruce Crampton.

sábado, 4 de julho de 2009

Trabalhar a pedra


Fotografia de Margarida Elias (Serra de Montejunto, 2009).
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«The finest workers in stone are not copper or steel tools, but the gentle touches of air and water working at their leisure with a liberal allowance of time».
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Henry David Thoreau

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O rosto I


Pintura de Miguel Ângelo Lupi, Retrato de D. Maria das Dores Martins (1878, Museu do Chiado, Lisboa).
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Le viel Hokusaï estimait qu’«il faudrait vivre jusqu’à cent trente ans pour pouvoir dessiner une branche», la durée de l’histoire peut être pour toucher à un visage?
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Paul Evdokimov, L’Art de l’Icône, Théologie de la Beauté (1970).

Encontrar a Beleza

Vihelm Hammershoi, Hvile - Repouso (1905, Museu d'Orsay, Paris)
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A minha última descoberta em pintores que aprecio é este artista dinamarquês, Vihelm Hammershoi (1864-1916). As suas obras são de uma beleza repousante e extraordinária, na minha opinião. O Museu de Orsay refere-o como um seguidor de Vermeer ou percursor de Hopper. Talvez...
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«O que os neurocientistas reconheceram é que, quando bem-sucedida, a arte intensifica ou aprofunda os conteúdos emocional, perceptual e cognitivo de experiências que ocorrem em muitos outros contextos não estéticos, incluindo a própria vida quotidiana. Não é propósito da arte (...) o retrato ou a representação fiel da realidade, mas sim ampliá-la, transcendê-la ou até mesmo distorcê-la. Esta é também a forma que a arte encontrou para conhecer a verdade e criar beleza e, embora a definição desta continue a iludir-nos, o conceito de beleza é ainda o valor estético mais seguro. Por seu lado, os neurocientistas continuam a busca incessante para lhe apreender o sentido e revelar a sua intimidade biológica. Mas não seria melhor preservar-lhe o mistério?».
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João Lobo Antunes (2008).

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A face humana

Pintura de Jean Auguste Dominique Ingres, Retrato de Louis-François Bertin (1832, Museu do Louvre, Paris).
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«A especialização do sistema visual é fascinante. Assim, há áreas que distinguem objectos, diferenças de luminosidade, movimento ou profundidade, e outras dedicadas especificamente ao reconhecimento da face humana, que (...) é um instrumento indispensável na nossa relação com os outros, pois permite distinguir amigo de inimigo e, numa infinita paleta de expressões, revelar os sentimentos mais variáveis e contraditórios (...)».
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João Lobo Antunes (2008).

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Seleccionar

Fotografia de Margarida Elias (Ramalhal, 2009).
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Sempre me fascinou a maneira como a minha visão consegue seleccionar o que vê e sempre me desapontou a maneira como a máquina fotográfica, mesmo que tenha a minha "visão" a comandá-la, capta mesmo o que eu não quero e, por vezes, não regista o que eu queria memorizar.
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«É claro que o sentido da visão e a apreciação plástica estão indissociavelmente ligados. Uma das funções do aparelho visual é seleccionar, de uma informação que é muito vasta e continuamente em mutação, as imagens que o nosso cérebro “requisita” como indispensáveis num dado momento. Igualmente, a representação pictórica obriga a “sacrificar uns milhares de verdades aparentes” escolhendo apenas “a verdade” da sua experiência visual própria (...)».
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Citação in João Lobo Antunes (2008).

terça-feira, 30 de junho de 2009

A Arca de Noé


Fotografia de Margarida Elias, Pormenor de uma porta da capela da Quinta da Regaleira (Sintra, 2009).
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Sete em cores, de repente
O arco-íris se desata
Na água límpida e contente
Do ribeirinho da mata.
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O sol, ao véu transparente
Da chuva de ouro e de prata
Resplandece resplendente
No céu, no chão, na cascata.
-
E abre-se a porta da Arca
De par em par: surgem francas
A alegria e as barbas brancas
Do prudente patriarca
-
Noé, o inventor da uva
E que, por justo e temente
Jeová, clementemente
Salvou da praga da chuva.
-
Tão verde se alteia a serra
Pelas planuras vizinhas
Que diz Noé: "Boa terra
Para plantar minhas vinhas!"
-
E sai levando a família
A ver; enquanto, em bonança
Colorida maravilha
Brilha o arco da aliança.
-
Ora vai, na porta aberta
De repente, vacilante
Surge lenta, longa e incerta
Uma tromba de elefante.
-
E logo após, no buraco
De uma janela, aparece
Uma cara de macaco
Que espia e desaparece.
-
Enquanto, entre as altas vigas
Das janelinhas do sótão
Duas girafas amigas
De fora as cabeças botam.
-
Grita uma arara, e se escuta
De dentro um miado e um zurro
Late um cachorro em disputa
Com um gato, escouceia um burro.
-
A Arca desconjuntada
Parece que vai ruir
Aos pulos da bicharada
Toda querendo sair.
-
Vai! Não vai! Quem vai primeiro?
As aves, por mais espertas
Saem voando ligeiro
Pelas janelas abertas.
-
Enquanto, em grande atropelo
Junto à porta de saída
Lutam os bichos de pêlo
Pela terra prometida.
-
"Os bosques são todos meus!"
Ruge soberbo o leão
"Também sou filho de Deus!"
Um protesta; e o tigre – "Não!"
-
Afinal, e não sem custo
Em longa fila, aos casais
Uns com raiva, outros com susto
Vão saindo os animais.
-
Os maiores vêm à frente
Trazendo a cabeça erguida
E os fracos, humildemente
Vêm atrás, como na vida.
-
Conduzidos por Noé
Ei-los em terra benquista
Que passam, passam até
Onde a vista não avista.
-
Na serra o arco-íris se esvai...
E... desde que houve essa história
Quando o véu da noite cai
Na terra, e os astros em glória
-
Enchem o céu de seus caprichos
É doce ouvir na calada
A fala mansa dos bichos
Na terra repovoada.

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Vinicius de Morais.
in Poesia completa e prosa: "Poemas infantis"
in Poesia completa e prosa: "Cancioneiro"

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O Espelho


Pintura de Parmigianino, Auto-retrato diante de um espelho convexo (c. 1524, Kunsthistorisches Museum, Viena).
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«Porque agora vemos por um espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido».
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Paulo de Tarso (São Paulo), 1 Coríntios 13 (12).

sábado, 27 de junho de 2009

Tocam os sinos da torre da igreja


Fotografia de Margarida Elias, Torre da Igreja do Ramalhal (2009).

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Procissão

Tocam os sinos da torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passar a procissão.

Mesmo na frente, marchando a compasso,
De fardas novas, vem o solidó.
Quando o regente lhe acena com o braço,
Logo o trombone faz popó, popó.

Olha os bombeiros, tão bem alinhados!
Que se houver fogo vai tudo num fole.
Trazem ao ombro brilhantes machados,
E os capacetes rebrilham ao sol.

Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.

Olha os irmãos da nossa confraria!
Muito solenes nas opas vermelhas!
Ninguém supôs que nesta aldeia havia
Tantos bigodes e tais sobrancelhas!

Ai, que bonitos que vão os anjinhos!
Com que cuidado os vestiram em casa!
Um deles leva a coroa de espinhos.
E o mais pequeno perdeu uma asa!

Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.

Pelas janelas, as mães e as filhas,
As colchas ricas, formando troféu.
E os lindos rostos, por trás das mantilhas,
Parecem anjos que vieram do Céu!

Com o calor, o Prior vai aflito.
E o povo ajoelha ao passar o andor.
Não há na aldeia nada mais bonito
Que estes passeios de Nosso Senhor!

Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Já passou a procissão.
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Letra: António Lopes Ribeiro.

Intérprete: João Villaret.

Um Arraial Infantil



Teve direito a sardinhada, salgados e doces; rancho folclórico; marchas populares; dança moderna/ginástica rítmica; manjericos e rifas para Quermese. Um arraial de São Pedro, que fechou o ano lectivo.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Quo Vadis


Gravura de Carlos Traver, Quo Vadis, Estampa 78 (publicada em 1900).
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«A estrada estava deserta. Os camponezes que levavam os seus legumes para a cidade não tinham ainda atrellado as suas carretas. Sobre as lages, que calçavam a via até ás montanhas, ressoava fracamente a madeira das sandalias dos dois viajantes.
Em seguida o sol emergiu de sob o dorso das montanhas, e um espectaculo singular impressionou o olhar do Apostolo. Pareceu-lhe que a esphera loura, em logar de se elevar nos céos, deslisára do alto das montanhas e seguia horisontalmente a estrada.
Pedro parou e disse:
- Vês aquella claridade que avança para nós?
- Não vejo nada - disse Nazario.
Mas Pedro abrigou os olhos com a mão direita, e tornou, passado um momento:
-Vem ahi um homem, direito a nós, entre a irradiação do sol.
Comtudo, não chegava aos seus ouvidos nenhum som de passadas. Em torno, reinava o silencio absoluto. Nazario via apenas que ao longe estremeciam as arvores, como se as agitasse uma mão invisivel, e que pela planicie se espalhava, cada vez mais ampla, a claridade.
E olhou para o Apostolo com surpreza.
- Que tens, Rabbi? - exclamou elle com voz anciosa.
Das mãos de Pedro escorregára o bordão, e caira por terra. Tinha os olhos fitos em frente, a bôcca entreaberta e a sua physionomia reflectia o assombro, a alegria, o extase...
Prostrou-se no chão, com as mãos estendidas. E da sua bôcca sairam as palavras:
- Christo! Christo!
E o seu rosto collou-se á terra, como se beijasse pés invisiveis. Longo tempo o silencio reinou. Depois a voz do velho elevou-se, quebrada de soluços:
- Quo Vadis, Domine?...»

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Henrik Sienkiewicz, Quo Vadis, Versão de Mayer Garção, Biblioteca Popular, Lisboa, 1900.
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Este é um trecho de uma das obras literárias que mais marcou o meu imaginário, nomeadamente nesta edição ilustrada.

Captar pessoas

Pintura de Caillebotte, Retrato deMadame Martial Caillebotte - mãe do Artista (1877).
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«(...) Captar e coleccionar as pessoas que passam é reflexo de uma necessidade de conservar uma memória de uma paisagem que é a paisagem que também o coleccionador habita».
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Mariana Pinto dos Santos (2006).

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Ermida de São João Baptista






Fotografia de Margarida Elias, Ermida de São João Baptista (Serra de Montejunto, 2009).
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«A Serra de Montejunto, também localmente conhecida como Serra da Neve, desperta desde há muito um fascínio especial nas populações desta região. Outrora chamada de Monte Sacro, encerra em si mesmo, lendas, histórias e tradições, perpetuadas ao longo de sucessivas gerações, e que os mais velhos ainda contam, com um olhar de mistério e fantasia». 
A Ermida de S. João Baptista data «do séc. XIII. No seu interior podem-se observar painéis de azulejos alusivos à vida daquele santo.
 Após 500 anos de afastamento da serra de Montejunto, a Ordem dos Dominicanos volta para construir um novo convento, podemos encontrar as suas ruínas junto à Ermida de S. João. Tratava-se do Convento da Reforma de Montejunto e data de 1760. Este não foi concluído devido à reforma Dominicana não ter ido avante. A decisão da volta desta ordem religiosa àquele local coincide com um período tumultuoso da História de Portugal. Estávamos em guerra com os franceses e após a tentativa de assassinato de D. José, na qual o Marquês de Pombal desconfiava terem estado Jesuítas envolvidos, havia uma grande perseguição a todas as ordens religiosas. Poderiam ter sido estas as razões que levaram os Dominicanos a refugiarem-se novamente neste ermo local.»
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terça-feira, 23 de junho de 2009

Uma edificação de Catefica

Fototografia de Margarida Elias, Catefica (Torres Vedras, 2009).
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«(...) modificamos la naturaleza incluso al caminar sobre la hierba, mas aún con la arquitectura (...) Esto es una auténtica agresión, pero es a través de esta violencia como se evidencia la naturaleza, eso dibuja la separación, el movimiento, el contacto y el ritmo entre el hombre y la naturaleza».
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Sverre Fehn (1994), citado por Iván I. Rincón Borrego.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

A Arte e o Real

Sebastien Stoskopff, Summer or the Five Senses (1633).
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«A fotografia libertou a arte de certas funções de semelhança e por contraste demonstrou claramente que a arte não visa a reprodução da natureza, como sua cópia fiel, mas a transfiguração plástica do real».
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Paul Edvokimov (1970).

sábado, 20 de junho de 2009

Chegou o Verão


Fotografia de Margarida Elias, Praia de Santa Cruz (Junho de 2009).
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In winter I get up at night
And dress by yellow candle-light.
In summer quite the other way
I have to go to bed by day.
---
Robert Louis Stevenson
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Nossa Senhora com o Menino Jesus


Registo: Gravura religiosa ou imagem de um santo, com que se assinala uma passagem num livro de devoção.
Imagem: Estampa que representa assunto religioso.
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Cândido de Figueiredo (imp. 1981).

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Sacré Coeur



Uma das minhas igrejas preferidas em Paris, por variadas razões. No interior encontra-se uma imagem de Santa Teresa, que me faz lembrar com saudade a Tia Alda.

Alguns dados sobre a igreja que tirei de outro site:

La construction est commencée en 1876 sur la Butte Montmartre, elle s'achève en 1910 et est consacrée en 1919.

Le Sacré-cœur long de 100m et large de 50m est surmontée d'un dôme haut de 83m.

Le campanile haut de 84 m abrite une cloche pesant 18.5 tonnes avec son battant de 850kg.

La construction de cette basilique de style romano-byzantin dédiée au Sacré-cœur fut déclarée d'utilité publique par l'Assemblée Nationale en 1873.

La construction est commencée en 1876 sur les plans d'Abadie largement inspirés de l'église St Front de Périgueux dont il fut le restaurateur.

L'intérieur renferme des trésors de décoration: sculptures en marbre, vitraux et mosaïques.

La colline de Montmartre est le point culminant de Paris avec ses 130 mètres de hauteur.

Du parvis de l'édifice on a une très belle vue panoramique de Paris.

On peut accéder à la Butte Montmartre grâce à un funiculaire original.

Juste à coté, l'Eglise Saint Pierre de Montmartre a été construite au milieu du XIIème siècle sur l'emplacement d'un édifice beaucoup plus ancien (sans doute remontant à l'époque Gallo-romaine).

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In Paris 1900.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

A paisagem (segundo Eça de Queirós)

Fotografia de Margarida Elias, Quinta da Regaleira (2009).
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«O homem moderno vive longe da natureza, pela necessidade da profissão: uma arte que lhe reduz a natureza, que lha torna portátil, que lha introduz na sala de jantar, na alcova, interpretada, escolhida, - faz ao homem o maior serviço - pô-lo em comunicação permanente com a natureza. - E a natureza é tudo: calma, consola, eleva, repousa e vivifica».
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Eça de Queirós, A Tragédia da Rua das Flores, c. 1878 (ed. 1980).

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O Retrato (segundo Eça de Queirós)

Pintura de Albert Edelfelt, Louis Pasteur (1885, Museu de Orsay, Paris).
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«Um retrato decerto, pode ser uma obra de arte: mas é necessário um modelo: pinta-se quem tenha uma alma, uma ideia, uma acção grandiosa (...)».
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Eça de Queirós, A Tragédia da Rua das Flores, c. 1878 (ed. 1980).

terça-feira, 16 de junho de 2009

O Realismo (segundo Eça de Queirós)


Pintura de Honoré Daumier, Musicien des rues (Museu d'Orsay, Paris).
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«Mas Gorjão ultimamente desprezava todas essas ideias: achava-as imorais. A arte, segundo ele, devia educar pela representação das acções justas - e não pela exposição de luxos corruptores (...).
Vítor encontrou-o desenhando à luz de um candeeiro de petróleo, coberto com um abat-jour verde, que fazia cair uma luz crua sobre uma larga folha de papel, riscado de grossos traços confusos de craião (...).
A arte não era senão isto - uma força da natureza: e como tal devia ser aproveitada em proveito da civilização (...).
A arte deve ser essencialmente revolucionária. Um quadro deve ser um livro: deve ser um panfleto: deve ser um artigo de jornal.
E tudo isto meu amigo, num processo de pintura novo: nada do acabado, do estudado, do amaneirado, do trabalhado da pintura de luxo, da decoração. Não, não. A pintura não é nada - a ideia é tudo. Traços largos, sombras indicadas, tons sóbrios, que dêem a impressão exacta da realidade. Pif, paf - e dava grandes pinceladas no ar - a expressão! A expressão é tudo! Com três borrões de tinta pinto-te um agiota».
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Eça de Queirós, in Tragédia da Rua das Flores, c. 1878 (ed. 1980).

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O Pitoresco (segundo Eça de Queirós)

Pintura de Alfredo Keil, Ponte Rústica em Colares.
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«Depois apaixonou-se subitamene pelo Pitoresco: o que é a arte? exclamava: é simplesmente a idealização da vida: é o meio de pôr um interesse ideal na existência burguesa.
A arte portanto deve ser pitoresca: representar paisagens doces, suaves, onde se console o homem que é obrigado a viver constantemente na Baixa: onde se mostrem cenas grandiosas de galas, de cavalgadas triunfais, de festas (...)».
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Eça de Queirós, A Tragédia da Rua das Flores (ed. 1980).
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Sobre a pintura de Keil, na net:

sábado, 13 de junho de 2009

Olhai para as aves do céu


Fotografias de Margarida Elias, andorinhas do Ameal (2009).
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Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; o vosso Pai celestial as alimenta.
(...)
Olhai para os lírios do campo, como eles crescem: não trabalham nem fiam;
E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.
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Mateus 6:26 e 28.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Ó sino da minha aldeira

Fotografia de Margarida Elias, Capela de Santo António do Ameal (2009).
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Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.
E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.
Por mais que me tanjas perto
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho,
Soas-me na alma distante.
A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.
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quinta-feira, 11 de junho de 2009

A natureza não faz nada incorrecto

Desenho de Albrecht Dürer, Veilchenstrauß (Museu Albertina, Viena).

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A natureza não faz nada incorrecto. Toda a forma, bela ou feia, tem sua causa, e, de todos os seres que existem, não há um que não seja como deve ser.
A razão ratifica, por vezes, o julgamento rápido da sensibilidade; ela recorre de sua sentença. Consequentemente, tantas obras esquecidas imediatamente depois de aplaudidas; tantas outras, quer despercebidas, quer desdenhadas, que recebem, ao mesmo tempo, do progresso do espírito e da arte, de uma atenção mais serena, o tributo que mereciam.
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Diderot, Ensaios sobre a Pintura.