sábado, 4 de julho de 2009

Trabalhar a pedra


Fotografia de Margarida Elias (Serra de Montejunto, 2009).
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«The finest workers in stone are not copper or steel tools, but the gentle touches of air and water working at their leisure with a liberal allowance of time».
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Henry David Thoreau

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O rosto I


Pintura de Miguel Ângelo Lupi, Retrato de D. Maria das Dores Martins (1878, Museu do Chiado, Lisboa).
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Le viel Hokusaï estimait qu’«il faudrait vivre jusqu’à cent trente ans pour pouvoir dessiner une branche», la durée de l’histoire peut être pour toucher à un visage?
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Paul Evdokimov, L’Art de l’Icône, Théologie de la Beauté (1970).

Encontrar a Beleza

Vihelm Hammershoi, Hvile - Repouso (1905, Museu d'Orsay, Paris)
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A minha última descoberta em pintores que aprecio é este artista dinamarquês, Vihelm Hammershoi (1864-1916). As suas obras são de uma beleza repousante e extraordinária, na minha opinião. O Museu de Orsay refere-o como um seguidor de Vermeer ou percursor de Hopper. Talvez...
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«O que os neurocientistas reconheceram é que, quando bem-sucedida, a arte intensifica ou aprofunda os conteúdos emocional, perceptual e cognitivo de experiências que ocorrem em muitos outros contextos não estéticos, incluindo a própria vida quotidiana. Não é propósito da arte (...) o retrato ou a representação fiel da realidade, mas sim ampliá-la, transcendê-la ou até mesmo distorcê-la. Esta é também a forma que a arte encontrou para conhecer a verdade e criar beleza e, embora a definição desta continue a iludir-nos, o conceito de beleza é ainda o valor estético mais seguro. Por seu lado, os neurocientistas continuam a busca incessante para lhe apreender o sentido e revelar a sua intimidade biológica. Mas não seria melhor preservar-lhe o mistério?».
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João Lobo Antunes (2008).

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A face humana

Pintura de Jean Auguste Dominique Ingres, Retrato de Louis-François Bertin (1832, Museu do Louvre, Paris).
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«A especialização do sistema visual é fascinante. Assim, há áreas que distinguem objectos, diferenças de luminosidade, movimento ou profundidade, e outras dedicadas especificamente ao reconhecimento da face humana, que (...) é um instrumento indispensável na nossa relação com os outros, pois permite distinguir amigo de inimigo e, numa infinita paleta de expressões, revelar os sentimentos mais variáveis e contraditórios (...)».
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João Lobo Antunes (2008).

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Seleccionar

Fotografia de Margarida Elias (Ramalhal, 2009).
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Sempre me fascinou a maneira como a minha visão consegue seleccionar o que vê e sempre me desapontou a maneira como a máquina fotográfica, mesmo que tenha a minha "visão" a comandá-la, capta mesmo o que eu não quero e, por vezes, não regista o que eu queria memorizar.
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«É claro que o sentido da visão e a apreciação plástica estão indissociavelmente ligados. Uma das funções do aparelho visual é seleccionar, de uma informação que é muito vasta e continuamente em mutação, as imagens que o nosso cérebro “requisita” como indispensáveis num dado momento. Igualmente, a representação pictórica obriga a “sacrificar uns milhares de verdades aparentes” escolhendo apenas “a verdade” da sua experiência visual própria (...)».
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Citação in João Lobo Antunes (2008).

terça-feira, 30 de junho de 2009

A Arca de Noé


Fotografia de Margarida Elias, Pormenor de uma porta da capela da Quinta da Regaleira (Sintra, 2009).
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Sete em cores, de repente
O arco-íris se desata
Na água límpida e contente
Do ribeirinho da mata.
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O sol, ao véu transparente
Da chuva de ouro e de prata
Resplandece resplendente
No céu, no chão, na cascata.
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E abre-se a porta da Arca
De par em par: surgem francas
A alegria e as barbas brancas
Do prudente patriarca
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Noé, o inventor da uva
E que, por justo e temente
Jeová, clementemente
Salvou da praga da chuva.
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Tão verde se alteia a serra
Pelas planuras vizinhas
Que diz Noé: "Boa terra
Para plantar minhas vinhas!"
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E sai levando a família
A ver; enquanto, em bonança
Colorida maravilha
Brilha o arco da aliança.
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Ora vai, na porta aberta
De repente, vacilante
Surge lenta, longa e incerta
Uma tromba de elefante.
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E logo após, no buraco
De uma janela, aparece
Uma cara de macaco
Que espia e desaparece.
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Enquanto, entre as altas vigas
Das janelinhas do sótão
Duas girafas amigas
De fora as cabeças botam.
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Grita uma arara, e se escuta
De dentro um miado e um zurro
Late um cachorro em disputa
Com um gato, escouceia um burro.
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A Arca desconjuntada
Parece que vai ruir
Aos pulos da bicharada
Toda querendo sair.
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Vai! Não vai! Quem vai primeiro?
As aves, por mais espertas
Saem voando ligeiro
Pelas janelas abertas.
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Enquanto, em grande atropelo
Junto à porta de saída
Lutam os bichos de pêlo
Pela terra prometida.
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"Os bosques são todos meus!"
Ruge soberbo o leão
"Também sou filho de Deus!"
Um protesta; e o tigre – "Não!"
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Afinal, e não sem custo
Em longa fila, aos casais
Uns com raiva, outros com susto
Vão saindo os animais.
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Os maiores vêm à frente
Trazendo a cabeça erguida
E os fracos, humildemente
Vêm atrás, como na vida.
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Conduzidos por Noé
Ei-los em terra benquista
Que passam, passam até
Onde a vista não avista.
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Na serra o arco-íris se esvai...
E... desde que houve essa história
Quando o véu da noite cai
Na terra, e os astros em glória
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Enchem o céu de seus caprichos
É doce ouvir na calada
A fala mansa dos bichos
Na terra repovoada.

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Vinicius de Morais.
in Poesia completa e prosa: "Poemas infantis"
in Poesia completa e prosa: "Cancioneiro"

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O Espelho


Pintura de Parmigianino, Auto-retrato diante de um espelho convexo (c. 1524, Kunsthistorisches Museum, Viena).
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«Porque agora vemos por um espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido».
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Paulo de Tarso (São Paulo), 1 Coríntios 13 (12).

sábado, 27 de junho de 2009

Tocam os sinos da torre da igreja


Fotografia de Margarida Elias, Torre da Igreja do Ramalhal (2009).

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Procissão

Tocam os sinos da torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passar a procissão.

Mesmo na frente, marchando a compasso,
De fardas novas, vem o solidó.
Quando o regente lhe acena com o braço,
Logo o trombone faz popó, popó.

Olha os bombeiros, tão bem alinhados!
Que se houver fogo vai tudo num fole.
Trazem ao ombro brilhantes machados,
E os capacetes rebrilham ao sol.

Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.

Olha os irmãos da nossa confraria!
Muito solenes nas opas vermelhas!
Ninguém supôs que nesta aldeia havia
Tantos bigodes e tais sobrancelhas!

Ai, que bonitos que vão os anjinhos!
Com que cuidado os vestiram em casa!
Um deles leva a coroa de espinhos.
E o mais pequeno perdeu uma asa!

Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.

Pelas janelas, as mães e as filhas,
As colchas ricas, formando troféu.
E os lindos rostos, por trás das mantilhas,
Parecem anjos que vieram do Céu!

Com o calor, o Prior vai aflito.
E o povo ajoelha ao passar o andor.
Não há na aldeia nada mais bonito
Que estes passeios de Nosso Senhor!

Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Já passou a procissão.
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Letra: António Lopes Ribeiro.

Intérprete: João Villaret.

Um Arraial Infantil



Teve direito a sardinhada, salgados e doces; rancho folclórico; marchas populares; dança moderna/ginástica rítmica; manjericos e rifas para Quermese. Um arraial de São Pedro, que fechou o ano lectivo.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Quo Vadis


Gravura de Carlos Traver, Quo Vadis, Estampa 78 (publicada em 1900).
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«A estrada estava deserta. Os camponezes que levavam os seus legumes para a cidade não tinham ainda atrellado as suas carretas. Sobre as lages, que calçavam a via até ás montanhas, ressoava fracamente a madeira das sandalias dos dois viajantes.
Em seguida o sol emergiu de sob o dorso das montanhas, e um espectaculo singular impressionou o olhar do Apostolo. Pareceu-lhe que a esphera loura, em logar de se elevar nos céos, deslisára do alto das montanhas e seguia horisontalmente a estrada.
Pedro parou e disse:
- Vês aquella claridade que avança para nós?
- Não vejo nada - disse Nazario.
Mas Pedro abrigou os olhos com a mão direita, e tornou, passado um momento:
-Vem ahi um homem, direito a nós, entre a irradiação do sol.
Comtudo, não chegava aos seus ouvidos nenhum som de passadas. Em torno, reinava o silencio absoluto. Nazario via apenas que ao longe estremeciam as arvores, como se as agitasse uma mão invisivel, e que pela planicie se espalhava, cada vez mais ampla, a claridade.
E olhou para o Apostolo com surpreza.
- Que tens, Rabbi? - exclamou elle com voz anciosa.
Das mãos de Pedro escorregára o bordão, e caira por terra. Tinha os olhos fitos em frente, a bôcca entreaberta e a sua physionomia reflectia o assombro, a alegria, o extase...
Prostrou-se no chão, com as mãos estendidas. E da sua bôcca sairam as palavras:
- Christo! Christo!
E o seu rosto collou-se á terra, como se beijasse pés invisiveis. Longo tempo o silencio reinou. Depois a voz do velho elevou-se, quebrada de soluços:
- Quo Vadis, Domine?...»

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Henrik Sienkiewicz, Quo Vadis, Versão de Mayer Garção, Biblioteca Popular, Lisboa, 1900.
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Este é um trecho de uma das obras literárias que mais marcou o meu imaginário, nomeadamente nesta edição ilustrada.

Captar pessoas

Pintura de Caillebotte, Retrato deMadame Martial Caillebotte - mãe do Artista (1877).
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«(...) Captar e coleccionar as pessoas que passam é reflexo de uma necessidade de conservar uma memória de uma paisagem que é a paisagem que também o coleccionador habita».
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Mariana Pinto dos Santos (2006).

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Ermida de São João Baptista






Fotografia de Margarida Elias, Ermida de São João Baptista (Serra de Montejunto, 2009).
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«A Serra de Montejunto, também localmente conhecida como Serra da Neve, desperta desde há muito um fascínio especial nas populações desta região. Outrora chamada de Monte Sacro, encerra em si mesmo, lendas, histórias e tradições, perpetuadas ao longo de sucessivas gerações, e que os mais velhos ainda contam, com um olhar de mistério e fantasia». 
A Ermida de S. João Baptista data «do séc. XIII. No seu interior podem-se observar painéis de azulejos alusivos à vida daquele santo.
 Após 500 anos de afastamento da serra de Montejunto, a Ordem dos Dominicanos volta para construir um novo convento, podemos encontrar as suas ruínas junto à Ermida de S. João. Tratava-se do Convento da Reforma de Montejunto e data de 1760. Este não foi concluído devido à reforma Dominicana não ter ido avante. A decisão da volta desta ordem religiosa àquele local coincide com um período tumultuoso da História de Portugal. Estávamos em guerra com os franceses e após a tentativa de assassinato de D. José, na qual o Marquês de Pombal desconfiava terem estado Jesuítas envolvidos, havia uma grande perseguição a todas as ordens religiosas. Poderiam ter sido estas as razões que levaram os Dominicanos a refugiarem-se novamente neste ermo local.»
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terça-feira, 23 de junho de 2009

Uma edificação de Catefica

Fototografia de Margarida Elias, Catefica (Torres Vedras, 2009).
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«(...) modificamos la naturaleza incluso al caminar sobre la hierba, mas aún con la arquitectura (...) Esto es una auténtica agresión, pero es a través de esta violencia como se evidencia la naturaleza, eso dibuja la separación, el movimiento, el contacto y el ritmo entre el hombre y la naturaleza».
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Sverre Fehn (1994), citado por Iván I. Rincón Borrego.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

A Arte e o Real

Sebastien Stoskopff, Summer or the Five Senses (1633).
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«A fotografia libertou a arte de certas funções de semelhança e por contraste demonstrou claramente que a arte não visa a reprodução da natureza, como sua cópia fiel, mas a transfiguração plástica do real».
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Paul Edvokimov (1970).

sábado, 20 de junho de 2009

Chegou o Verão


Fotografia de Margarida Elias, Praia de Santa Cruz (Junho de 2009).
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In winter I get up at night
And dress by yellow candle-light.
In summer quite the other way
I have to go to bed by day.
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Robert Louis Stevenson
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Nossa Senhora com o Menino Jesus


Registo: Gravura religiosa ou imagem de um santo, com que se assinala uma passagem num livro de devoção.
Imagem: Estampa que representa assunto religioso.
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Cândido de Figueiredo (imp. 1981).

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Sacré Coeur



Uma das minhas igrejas preferidas em Paris, por variadas razões. No interior encontra-se uma imagem de Santa Teresa, que me faz lembrar com saudade a Tia Alda.

Alguns dados sobre a igreja que tirei de outro site:

La construction est commencée en 1876 sur la Butte Montmartre, elle s'achève en 1910 et est consacrée en 1919.

Le Sacré-cœur long de 100m et large de 50m est surmontée d'un dôme haut de 83m.

Le campanile haut de 84 m abrite une cloche pesant 18.5 tonnes avec son battant de 850kg.

La construction de cette basilique de style romano-byzantin dédiée au Sacré-cœur fut déclarée d'utilité publique par l'Assemblée Nationale en 1873.

La construction est commencée en 1876 sur les plans d'Abadie largement inspirés de l'église St Front de Périgueux dont il fut le restaurateur.

L'intérieur renferme des trésors de décoration: sculptures en marbre, vitraux et mosaïques.

La colline de Montmartre est le point culminant de Paris avec ses 130 mètres de hauteur.

Du parvis de l'édifice on a une très belle vue panoramique de Paris.

On peut accéder à la Butte Montmartre grâce à un funiculaire original.

Juste à coté, l'Eglise Saint Pierre de Montmartre a été construite au milieu du XIIème siècle sur l'emplacement d'un édifice beaucoup plus ancien (sans doute remontant à l'époque Gallo-romaine).

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In Paris 1900.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

A paisagem (segundo Eça de Queirós)

Fotografia de Margarida Elias, Quinta da Regaleira (2009).
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«O homem moderno vive longe da natureza, pela necessidade da profissão: uma arte que lhe reduz a natureza, que lha torna portátil, que lha introduz na sala de jantar, na alcova, interpretada, escolhida, - faz ao homem o maior serviço - pô-lo em comunicação permanente com a natureza. - E a natureza é tudo: calma, consola, eleva, repousa e vivifica».
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Eça de Queirós, A Tragédia da Rua das Flores, c. 1878 (ed. 1980).

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O Retrato (segundo Eça de Queirós)

Pintura de Albert Edelfelt, Louis Pasteur (1885, Museu de Orsay, Paris).
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«Um retrato decerto, pode ser uma obra de arte: mas é necessário um modelo: pinta-se quem tenha uma alma, uma ideia, uma acção grandiosa (...)».
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Eça de Queirós, A Tragédia da Rua das Flores, c. 1878 (ed. 1980).

terça-feira, 16 de junho de 2009

O Realismo (segundo Eça de Queirós)


Pintura de Honoré Daumier, Musicien des rues (Museu d'Orsay, Paris).
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«Mas Gorjão ultimamente desprezava todas essas ideias: achava-as imorais. A arte, segundo ele, devia educar pela representação das acções justas - e não pela exposição de luxos corruptores (...).
Vítor encontrou-o desenhando à luz de um candeeiro de petróleo, coberto com um abat-jour verde, que fazia cair uma luz crua sobre uma larga folha de papel, riscado de grossos traços confusos de craião (...).
A arte não era senão isto - uma força da natureza: e como tal devia ser aproveitada em proveito da civilização (...).
A arte deve ser essencialmente revolucionária. Um quadro deve ser um livro: deve ser um panfleto: deve ser um artigo de jornal.
E tudo isto meu amigo, num processo de pintura novo: nada do acabado, do estudado, do amaneirado, do trabalhado da pintura de luxo, da decoração. Não, não. A pintura não é nada - a ideia é tudo. Traços largos, sombras indicadas, tons sóbrios, que dêem a impressão exacta da realidade. Pif, paf - e dava grandes pinceladas no ar - a expressão! A expressão é tudo! Com três borrões de tinta pinto-te um agiota».
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Eça de Queirós, in Tragédia da Rua das Flores, c. 1878 (ed. 1980).

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O Pitoresco (segundo Eça de Queirós)

Pintura de Alfredo Keil, Ponte Rústica em Colares.
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«Depois apaixonou-se subitamene pelo Pitoresco: o que é a arte? exclamava: é simplesmente a idealização da vida: é o meio de pôr um interesse ideal na existência burguesa.
A arte portanto deve ser pitoresca: representar paisagens doces, suaves, onde se console o homem que é obrigado a viver constantemente na Baixa: onde se mostrem cenas grandiosas de galas, de cavalgadas triunfais, de festas (...)».
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Eça de Queirós, A Tragédia da Rua das Flores (ed. 1980).
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Sobre a pintura de Keil, na net:

sábado, 13 de junho de 2009

Olhai para as aves do céu


Fotografias de Margarida Elias, andorinhas do Ameal (2009).
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Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; o vosso Pai celestial as alimenta.
(...)
Olhai para os lírios do campo, como eles crescem: não trabalham nem fiam;
E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.
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Mateus 6:26 e 28.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Ó sino da minha aldeira

Fotografia de Margarida Elias, Capela de Santo António do Ameal (2009).
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Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.
E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.
Por mais que me tanjas perto
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho,
Soas-me na alma distante.
A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.
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quinta-feira, 11 de junho de 2009

A natureza não faz nada incorrecto

Desenho de Albrecht Dürer, Veilchenstrauß (Museu Albertina, Viena).

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A natureza não faz nada incorrecto. Toda a forma, bela ou feia, tem sua causa, e, de todos os seres que existem, não há um que não seja como deve ser.
A razão ratifica, por vezes, o julgamento rápido da sensibilidade; ela recorre de sua sentença. Consequentemente, tantas obras esquecidas imediatamente depois de aplaudidas; tantas outras, quer despercebidas, quer desdenhadas, que recebem, ao mesmo tempo, do progresso do espírito e da arte, de uma atenção mais serena, o tributo que mereciam.
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Diderot, Ensaios sobre a Pintura.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A Eucaristia

Pintura de Jan Davidz de Heem, Eucharist in a Fruit Wreath (1648, Kunsthistorisches Museum, Vienna).

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O que caracteriza as sociedades modernas é o facto de essas sociedades consumirem hoje imagens e já não crenças, como as de outrora. Elas são, pois, mais liberais, menos fanáticas, mas também mais "falsas" (menos autênticas).
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Roland Barthes (ed. 1981),
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Citado por Pedro Miguel Frade.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Columbano nas Comemorações do Centenário de Camões




Gravura de Columbano Bordalo Pinheiro, Luís de Camões (1880, Museu do Chiado).
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Em 10 de Junho de 1880, realizaram-se as celebrações do Tricentenário da morte de Camões. Para esse efeito foi reunida uma comissão da imprensa que organizou os festejos, composta por Teófilo Braga, Ramalho Ortigão, Eduardo Coelho, Luciano Cordeiro, Rodrigues da Costa, Pinheiro Chagas, Jaime Batalha Reis, Magalhães Lima e Rodrigo Pequito. Todos eles eram personagens importantes no campo da literatura e do jornalismo.
Para estas comemorações, foi organizada uma «manifestação cívica» e «não oficial», que pretendia reatar o «fio da solidariedade nacional», ensinando «ao povo como é que, pela eloquencia sublime dos “Lusíadas”, entramos hoje na corrente do espirito europeu» (Ocidente). Os festejos compunham-se de variadas iniciativas, entre as quais se contava a organização de um cortejo, onde participaram alguns artistas. Escreveu a este propósito Rangel de Lima, afirmando que as artes portuguesas não podiam deixar de tomar parte nestas «manifestações de admiração ao Poeta», pelo que alguns artistas prestaram-se a «dirigir os trabalhos», «para que os diversos carros que hão-de figurar no cortejo sáiam dignos de tão faustosa cerimonia».
Foi realizado um desfile de carros triunfais, com subsídio do governo e organizado sob a direcção dos artistas, formando um grande «préstito cívico e triunfal», que se reuniu no dia 10 de Junho na Praça do Comércio. O trabalho de concepção dos carros fora coordenado pelo arquitecto José Luís Monteiro. Columbano desenhou um carro das Colónias. Também participaram Silva Porto, José Luís Monteiro, Simões de Almeida, Pereira Júnior e Tomasini. Todos os artistas tiveram o seu retrato publicado no número do Ocidente de 1 de Agosto desse ano, homenagem feita em resultado do «esforço sincero que (...) empregaram para que as festas do centenario tivessem a feição que deviam ter quando se tratava de commemorar o artista supremo da literatura nacional».
Ainda dentro do espírito das comemorações, Columbano executou um desenho representando Luís de Camões (1880). O modelo era o poeta João de Deus e o retrato foi passado a gravura, de forma a ser publicado na edição de Os Lusíadas do Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro. É de mencionar que esta publicação continha um prefácio crítico da autoria de Ramalho Ortigão, escritor que considerava ser este um «retrato magnífico que lembra pelo estylo uma bella agua forte da Renascença e pela expressão intensa da figura revela do modo mais fiel a physionomia historica do personagem».
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Texto de Margarida Elias.

A Luz e a Sombra

Pintura de Ticiano, Madonna de Ca' Pesaro (1519-1526, Santa Maria Gloriosa dei Frari, Venice).
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A representação da imagem como movimento perene de luz e sombra, própria de Tiziano, de Rembrandt e de Daumier, tem o direito de ser incluída entre as perfeições da arte.
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Venturi.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A Arte e a Sociedade

Gravura de Emília Matos e Silva.
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«Ligada da maneira mais estreita ao destino das sociedades, a arte não se explica pela compreensão global dos seus mecanismos, mas permite reconstituir grandes planos do seu sistema de pensamentos tanto como dos seus rituais e das suas actividades técnicas. Estável numa sociedade estável, móvel numa sociedade em movimento, ela é, simultaneamente, produto e testemunho.»
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Pierre Francastel (ed. 1973).

domingo, 7 de junho de 2009

Flores I


Aguarela de Fernanda Matos e Silva (1947).
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Esta aguarela foi pintada pela minha avó materna (n. 1905). Ela não era pintora profissional mas aprendeu a pintar, como era costume na época entre as meninas de boas famílias. Poucas seguiam uma carreira profissional. A minha avó tinha desgosto nisso.
Escrevia contos infantis, que foram publicados em revistas como O Senhor Doutor.
Aprendeu pintura com Raquel Roque Gameiro, sendo, na minha opinião, uma boa aguarelista, dentro do género naturalista - aliás, estava no seguimento de sua mestra, a qual era filha de um grande aguarelista do Século XIX.
Um bom exemplo das qualidades da minha avó como pintora, sobretudo de aguarela, pode ser observado nesta pequena obra, agora na minha posse. Gosto muito dela, pela maneira como estão figuradas as flores cor de rosa na jarra. Acho que a minha avó pintou a mesma jarra, com violetas, a óleo.
O mais curioso nesta pintura é a data: 18 de Agosto de 1947, um dia antes de nascer a minha mãe.
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Texto de Margarida Elias.

sábado, 6 de junho de 2009

A Pintura Barroca

Pintura de William Hogarth, The Graham Children (1742, National Gallery, Londres).
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Gosto muito de pintura barroca e com o tempo fui aprendendo a admirá-la em todas as suas versatilidades, desde os caminhos iniciais mais tenebristas, até à linguagem final, rocaille, cheia de leveza e de efeitos decorativos. É o caso desta pintura de Hogarth (1697-1764) que sempre me apaixonou. Desde a naturalidade das figuras, os rostos alegres das crianças, passando pelos trajes (sou profundamente admiradora do trajo do século XVIII - mesmo se pensarmos que nesta época as crianças se vestiam como adultos, com roupas pouco próprias para brincar) - até ao jogo divertido que se pode ver entre as personagens: a menina mais velha olhando o espectador, dando a mão ao bebé, que largou um brinquedo no chão e olha para o pássaro na gaiola; o rapaz que toca a caixa de música e também observa o pássaro, como se este estivesse a cantar de acordo com a música da caixa. A outra menina faz uma pose para o retrato. E, no meio de tudo, um gato olha o pássaro, provavelmente interessado em caçá-lo. Os detalhes, os jogos, os coloridos, tudo contribui para o tom alegre da composição - apesar do perigo anunciado pelo gato, que faz pensar na Raia de Chardin. Outro pormenor é o das cerejas na mão da menina mais velha - o bebé estará a olhar para o pássaro, ou para elas? - remetendo a temporalidade desta composição festiva para os meses de verão. O próprio colorido, o fundo escuro de onde sobressaem os tons claros das vestes, em azuis, dourados, acobreados, as flores nas cabeças das meninas mais velhas, fazem pensar em música barroca, nomeadamente na «Sinfonia dos Brinquedos» de Leopold Mozart.
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Texto de Margarida Elias.
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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Caminho da Verdade

Desenho de Rembrandt Harmensz van Rijn, Ein Elefant (1637, Albertina, Viena).
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Venho da rua. Um inebriamento
De formas e de cores abalou
Um momento o meu ser, onde pousou
Numa interrogação um desalento.
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No silêncio do lar as mãos ansiosas
Levanto, e cerro os olhos cismador.
Todas as sombras logo em derredor.
De mim vêm alinhar-se carinhosas...
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- Que tens, pobre ansioso? Duvidaste?
Viste só com os olhos, e cegaste...
Vê com a Alma, amigo. Põe constante
-
O coração nas cousas. Ama, crê!
A verdade é em ti, amigo, sê
Tu mesmo, e achá-la-ás a todo o instante...
---
António Carneiro.
Citado por José-Augusto França (1973).

quinta-feira, 4 de junho de 2009

A Cultura


Ilustração Victoriana.
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«A cultura é um tesouro pacientemente acumulado».
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Pierre Francastel, in A Realidade Figurativa (ed. 1973).

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Os Passarinhos

Fotografia de Margarida Elias, um ninho de andorinhas na nossa varanda (Maio de 2009).
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Que bonitos, que engraçados,
que piquenos, coitadinhos,
os estouvados
dos passarinhos!
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A sua vida é cantar,
voar,
brincar pelo ar,
e alegrar
com seus chilreos
tão cheios
de graça e boa alegria,
a luz do dia!
-
Que bonitos, que contentes,
e que espertos, coitadinhos,
os inocentes
dos passarinhos!
-
A sua vida é voar,
cantar,
brincar pelo ar,
e alegrar
em ranchos alegres e mui divertidos,
e quando poisam nos ramos floridos
parece que as flores estão a gorgear!...
-
Que bonitos, que engraçados,
os passarinhos,
se estão casados,
dentro dos ninhos,
e vão criando, com mil cuidados,
os seus meninos.
-
E então quando os pequeninos,
já mais crescidos,
podem sair?...
Vêm com elles os seus paes,
e elles piam,
piam,
piam,
muito contentes, os atrevidos,
assim a modo que a rir
e aos ais...
-
E os paes
estão mesmo a dizer: - «Vê lá se caes!
Por aqui, por aqui, por este lado,
devagarinho,
que tu és um passarinho
muito piqueno! Cuidado!...
Sim, quando fôres grande, então voarás;
serás capaz
de subir, de subir, de subir pelo ar,
e de ir subindo,
cantando e rindo,
sempre a voar,
lá tão alto, que o Sol fique pertinho
de ti, meu pobre e lindo passarinho!...»
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Afonso Lopes Vieira, in Animaes nossos Amigos (1911).

terça-feira, 2 de junho de 2009

Os Retratos

Fotografia de Columbano e Rafael Bordalo Pinheiro (1875, Centro de Documentação do Museu da Cidade, Lisboa.).
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«(...) Em seis retratos meos que tenho mandado fazer por diversos artistas, para dar á minha noiva, uns em miniatura, outros em claro escuro, outros a oleo, tenho sido até hoje tão feliz, que se ella tivesse a indiscrição de os mostrar, daria a mais horrorosa idéa da sua constancia; julgal-a-hiam namorada de seis pessoas differentes, inclusivamente do meu avô, e d’outro individuo, que poderá vir a ser meu neto ainda antes de eu ser caduco».
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António Feliciano de Castilho (1800-1875), citado por Paulo Baptista.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

sábado, 30 de maio de 2009

A Cidade

Fotografia de Margarida Elias, Vista do Jardim de São Pedro de Alcântara (Lisboa, 2009).
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“La antíteses irregular es la ciudad inverosímil de Dinócrates, voluntario sueño irrealizable según la mensuración más escueta, pero hermosa idea según apreciación y palabras del proprio Alejandro Magno, tal como se nos narra en el «introducción» del Libro II del tratado de Vitruvio «De Architectura», ciudad que vuelve a querer ser un conjunto de hombres antes que de edificios, pero de hombres ciudadanos dueños de su destino, imagen de un orden social y de su belleza. (...)»
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Ramón Rodriguez Llera (2006).
«Paisajes Regulares y Irregulares» pp. 49-81.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Com o Tempo o Prado Seco Reverdece

Fotografia de Margarida Elias, Catefica (2009).
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Com o tempo o prado seco reverdece,
Com o tempo cai a folha ao bosque umbroso,
Com o tempo para o rio caudaloso,
Com o tempo o campo pobre se enriquece,
-
Com o tempo um louro morre, outro floresce,
Com o tempo um é sereno, outro invernoso,
Com o tempo foge o mal duro e penoso,
Com o tempo torna o bem já quando esquece,
-
Com o tempo faz mudança a sorte avara,
Com o tempo se aniquila um grande estado,
Com o tempo torna a ser mais eminente.
-
Com o tempo tudo anda, e tudo pára,
Mas só aquele tempo que é passado
Com o tempo se não faz tempo presente.
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Luís de Camões.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

O cão

Ilustração de Raul Lino, O Cão (in Animais nossos Amigos, 1911).
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O cão
Que faz – ão, ão, ão
É bom amigo como os que o são!

É bom amigo, bom companheiro,
É valente, fiel, verdadeiro,
Leal, serviçal,
E tem bom coração.
Que o diga o dono, se elle o tem ou não!

Quando vem de fóra, a gente,
E chega a casa, é o cão
Quem diz primeiro, todo prazenteiro,
Saltando e rindo
Contente,
E com os olhos a brilhar de amor:
- «Ora seja bemvindo
O meu senhor!»

O cão
Que faz – ão, ão, ão
É bom amigo como os que o são!

Que o diga o ceguinho, se elle o é ou não!

Nunca viram passar, pelo caminho,
Um ceguinho
Levando pela mão
O seu cão?
Que seria do cego, coitadinho,
Sem o seu guia, sem o carinho
D’aquela dedicação?

E o ceguinho caminha, e não tropeça,
Porque os seus olhos vão
Abertos na cabeça
Do seu cão...

O cão
Que faz – ão, ão, ão
É bom amigo como os que o são!

O pastor que o diga, se elle o é ou não!

O pastor vai para a serra,
Vai para a serra sózinha,
Que, lá do céu tão vizinha,
Parece longe da Terra...

O pastor leva o rebanho,
As ovelhas e os carneiros,
E os meigos cordeirinhos,
As cabras e os cabritinhos
Que saltam muito ligeiros.

O pastor leva o rebanho,
E vai-se ouvindo
O som lindo
Dos chocalhos muito finos
No ar tinindo
Como pequeninos
Sinos...

O pastor leva o rebanho,
E quem guarda os cordeirinhos
E as mães
Dos lobos maus e vorazes?
- São os cães!

São os cães, guardas valentes,
Que aos lobos dizem assim:
- «Ó lobos maus e vorazes,
Sim,
Andem, toquem-lhe lá, se são capazes!...»

E, de longe, os lobos miram
Os cordeirinhos contentes,
Mas não se atiram,
Com medo dos cães valentes
E dos seus dentes!

O cão
Que faz – ão, ão, ão
É bom amigo como os que o são!

Os pobres que o digam, se elle o é ou não!

O cavador passou a trabalhar
O dia inteiro, a cavar,
A terra do seu patrão;
E cava, cava a terra alheia,
Que era brava e pedregosa,
E elle a semeia
E elle a põe florida
Para o dono, que enfim depois goza
Ao cabo d’aquela lida...

E o cavador, o bom trabalhador,
Tem um amigo só, cheio de amor!

Tem um amigo, tem,
Que o ama a elle como a mais ninguem!

E que enquanto elle cava
A terra brava
Que ha de ser florida,
Com seu olhar o segue, tão fiel,
Com seu olhar de amor,
Que está dizendo, com carinho e dôr:
- «Como o meu dono sofre nesta vida!
Pudesse eu antes trabalhar por elle!...
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Afonso Lopes Vieira.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Somos filhos da madrugada

Fotografia de Margarida Elias (Ameal, 2009).

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Não sei se é sempre assim, mas o que é verdade é que já vi muitas vezes o nascer do sol desde que tenho filhos. Não me importa e até acho alegre olhar pela janela a essa hora - quando está bom tempo. Muitas vezes digo, para comigo, que a Teresa é a minha estrela da Aurora. O Tiago, mais dorminhoco, é o meu Sol das 9 da manhã.
Por vezes, faz-me lembrar a música do Zeca Afonso, que acho lindíssima e que deixo aqui registada:

Canto Moço

Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor no ramo
Navegamos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de manhã clara.
-
Lá do cimo de uma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Mensageira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo de uma montanha.
-
Onde o vento cortou amarras
Largaremos p'la noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca, brisa, moira encantada
Vira a proa da minha barca.
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segunda-feira, 25 de maio de 2009

A Cerâmica de Manuel Cipriano Gomes Mafra

Peça cerâmica de Manuel Cipriano Gomes Mafra, Jarrão Cobras (Museu de Cerâmica, Caldas da Rainha).
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Manuel Cipriano Gomes (1829-1905) nasceu em Mafra e por isso ficou conhecido pelo nome de Manuel Mafra. Ainda jovem foi viver para as Caldas da Rainha, onde trabalhou numa fábrica de cerêmica de Maria dos Cacos. Mais tarde ficou com essa fábrica, a qual passou a gerir com a sua família. Desenvolveu um tipo de cerâmica muito característico, utilizando motivos vegetalistas e zoomórficos, dando um aspecto decorativo às suas peças. Vendendo inicialmente em feiras, D. Fernando II interessou-se pela sua obra e deu-lhe o estatuto de fornecedor da Casa Real. Por intermédio do rei, ou de outros interessados na arte cerâmica, tomou contacto com o estilo Palissy. Este fora um artista francês da Renascença que desenvolveu um tipo de cerâmica inspirado na natureza. A sua obra fora redescoberta no Seculo XIX e inspirou o desenvolvimento decorativo da cerâmica europeia. Manuel Mafra juntou o vocabulário tipo Palissy às suas peças cerâmicas criando um estilo único e de grande qualidade, que mereceu ser premiado em exposições internacionais.
No Museu de Cerâmica das Caldas da Rainha abriu agora uma exposição sobre o ceramista, tendo eu colaborado no catálogo e na realização de alguma pesquisa. A exposição era para ter inaugurado em Dezembro de 2005, no centenário da sua morte, mas só agora se conseguiu realizar.
Para quem gosta de cerâmica vale a pena o passeio. O próprio Museu vale a visita. Além da colecção que tem obras de Rafael Bordalo Pinheiro e Manuel Gustavo, entre outros, o espaço é muito agradável. O edifício principal é um palacete que pertenceu ao Visconde de Sacavém e tem um jardim bem arranjado, com azulejos, alguns deles decorados com poemas.
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Texto de Margarida Elias.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

O Pátio do Martel

Fotografia de Margarida Elias, Vila Martel (Maio de 2009).
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Finalmente consegui visitar o Pátio do Martel, onde viveu Columbano. Tinha muita curiosidade devido às muitas descrições que lera sobre o local. É de facto um esaço curioso, que talvez merecesse maior atenção da parte de quem o pode fazer. Um edifício de entrada (em que há um café, onde trabalham as senhoras que me deram acesso ao pátio), com uma porta que dá para uma escadaria, que se bifurca. De cada lado um conjunto de pequenas casas, cada uma com um quintal. A vista é magnífica, vendo-se o centro histórico de Lisboa.
A respeito do que já foi este sítio, noutros tempos (final do Século XIX e início do Século XX), cito Rocha Martins, por intermédio de Fernando Madaíl.
«Cinquenta degraus até chegar à glória»
«O jornalista que os ardinas celebrizaram em pregões visitava o refúgio de artistas.
"Sobe-se ao encontro da glória por aqueles cinquenta degraus, íngremes e difíceis, mas merece bem a pena, porque não só a vista que se goza é admirável, mas porque nos pomos em contacto com as recordações de grandes mortos, da sua obra e dos ainda vivos que ali lidaram, sofreram, sonharam e realizaram parte dos sonhos - nunca os artistas estão satisfeitos - e lá mourejam e visionam quadros e estátuas." A caneta de Rocha Martins (1879-1952), jornalista e historiador, que se tornaria famoso na boca dos ardinas pelo pregão "fala o Rocha, o Salazar está à brocha", a 10 de Janeiro de 1944 descrevia assim, no Diário de Notícias, o Pátio do Martel.
Aquele local, "em frente da Conceição da Glória, à entrada das Taipas", tinha sido destinado por José Trigueiros de Martel - "homem de iniciativa, vindo do estrangeiro com ideias largas" e que seria um dos fundadores do jornal O Século - para "refúgio e mansões de trabalho de pintores e escultores" - o que, nesta altura, era continuado pelos seus sobrinhos.
"Lembremo-nos, porém, que as pedras da alta escadaria foram calcadas, como as do famoso pátio, não só pelos pés dos pintores e escultores consagrados, mas pelos das celebridades que o visitaram e algumas das quais ali foram retratadas", sugeria .
"Vemos, assim, Antero de Quental a caminho do atelier de Columbano, que trabalhou o belo quadro onde a fisionomia do poeta mira a posteridade. No mesmo lugar se dedica hoje José Campas, professor e pintor de arte, às restaurações, já notáveis, de muitos quadros; no atelier da outra ponta, na carreira das casinhas limpas e modestas, fez Francisco Franco a estátua [equestre] do Restaurador [D. João IV, que está em Vila Viçosa] e tantas outras obras-primas [toda a gente as conhece, do D. Dinis , em Coimbra, ao Cristo-Rei, em Almada]."
Arrumando os parágrafos como se fossem um puzzle, para o leitor moderno melhor entender a rubrica denominada Lisboa de Ontem e de Hoje, acompanhamos a visita ao atelier, onde o articulista relembra "Columbano, que, entre aquelas quatro paredes, tão animadas de arte, trabalhou o seu quadro Camões e as Tágides [actualmente no Museu Grão Vasco, em Viseu], painéis dos tectos do Palácio Foz e os do Museu de Artilharia, além do retrato de Antero [Museu do Chiado, em Lisboa]".
"Junto do atelier do Mestre (...) existia outro não menos celebrado: o de D. Maria Augusta Bordalo Pinheiro, irmã do grande pintor e de Rafael Bordalo, dama digna do máximo culto na dinastia bordalenga", que "ensinava a sua arte portentosa: a das rendas (...)".
Naquele pátio Carlos Reis "executou o seu quadro As Engomadeiras, que está no Museu Nacional de Belas Artes [agora, no Museu do Chiado]". Também ali trabalharam José Malhoa, "o mais português dos pintores"; Jorge Colaço, "que ensaiou, num pequeno forno, hoje soterrado, o esmalte dos seus famosos azulejos"; a lista continua numa frase longa. Noutros parágrafos, mais artistas que por ali passaram, com vultos menores a antecederem Eduardo Viana e Francisco Franco, "o escultor que domina com a sua arte e agrada com a sua modéstia".
E, a certa altura do texto, menos preocupado com o ordenamento das informações do que com as impressões de quem escreve, Rocha Martins, inspirado pelo sítio, parece querer fazer uma aguarela com palavras.
"Quando ali habitou Columbano o panorama seria diferente, com mais quintais e jardins e menos prédios." No tempo desta visita, além das "casinhas e jardinetes, todos de alegria", "depara-se-nos surpreendente panorama. No ar translúcido das manhãs, na doçura côr de pérola de certos dias, nos poentes maravilhosos de Lisboa, a parte superior do pátio do Martel, com o próprio recinto, e miradouro de poucos conhecido"».
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Rocha Martins, citado por Fernando Madaíl.

terça-feira, 19 de maio de 2009

A Hemeroteca de Lisboa

Fotografia de Margarida Elias, Hemeroteca Municipal de Lisboa (Maio de 2009).
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Fui ontem à Hemeroteca de Lisboa, onde já não ia há algum tempo. Senti que ainda está longe de ser uma biblioteca moderna e o seu espaço parece decadente, apesar das obras de preservação do edifício. Contudo, notei pela primeira vez na beleza do espaço, da escadaria e do salão nobre, sobretudo pelos estuques dos tectos.
Aindei à procura de informação e encontrei menos do que esperava.
No entanto, aqui vai algo que descobri:
«Localização: Rua São Pedro de Alcântara, n.ºs 1-3, Freguesia da Encarnação.
Este palácio era propriedade do conselheiro Bartolomeu dos Mártires Dias e Sousa, o qual (...) faleceu, em Lisboa, em 7 de Janeiro de 1882, efectuando-se a transmissão de título de propriedade deste prédio para sua filha Sofia Adelaide (...). Foi após esta herança que este edifício adquiriu a designação de Palácio dos Condes de Tomar, isto porque D. Sofia Adelaide era condessa de Tomar, tendo adquirido o título através do seu casamento com António Bernardo de Costa Cabral, 2.º conde de Tomar, o primogénito do ministro Costa Cabral. A decoração interior em estuque dos tectos, a escaiola de manufactura tradicional da escadaria e o revestimento a couro gravado a ouro brasonado da sala de jantar deste palácio, tal como o próprio nome de Palácio dos Condes de Tomar, são posteriores a 1882, e devem-se a estes condes de Tomar que passaram a habitar o palácio. A partir dos anos 20 do século XX, vemos o palácio alugado. Um dos seus inquilinos mais duradouros foi o The Royal British Club, que ocupou o espaço de 24 de Maio de 1926 a 21 de Janeiro de 1966.
Em 17 de Junho de 1969, a Câmara Municipal de Lisboa, por proposta do Presidente António Vitorino França Borges, adquiriu o palácio por escritura (...)
O palácio foi, depois, atribuído à Direcção dos Serviços Centrais e Culturais, para instalar em Outubro de 1973, a Hemeroteca Municipal de Lisboa, que é uma biblioteca camarária especializada em publicações periódicas, equipamento este que ainda se encontra em funcionamento no velho Palácio dos Condes de Tomar».
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segunda-feira, 18 de maio de 2009

Pelo Museu de Arte Popular


«Seguimos ao meio-dia para o Museu e começámos logo a trabalhar, primeiro a poucas mãos mas desde o início com a atenção dos turistas, a quem fomos contando o porquê do protesto. Alguns deles bordaram connosco e todos lamentaram encontrar o museu fechado. Aos poucos foram chegando amigos e desconhecidos, muitas figuras públicas e até bordadeiras chamadas pelas notícias nos jornais. À hora do almoço já não havia espaço em redor do lenço para todos os que queriam ajudar, e assim foi até às sete horas, quando o lenço foi finalmente pendurado na porta do Museu perante uma plateia visivelmente entusiasmada».
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sexta-feira, 15 de maio de 2009

A propósito de Sousa Pinto

Pintura de José Julio de Sousa Pinto, La récolte des Pommes de Terre (1898, Museu d'Orsay).
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Que eu saiba, existem duas obras de pintores portugueses no Museu d'Orsay, em Paris. Uma é esta de Sousa Pinto, a outra é uma natureza morta de Columbano. Sempre achei que eram boas pinturas do Naturalismo, sobretudo esta, que estava perfeitamente ao nível de outras que eram feitas na mesma época. Obra de grande qualidade pictórica, quer ao nível técnico quer ao nível de representação da realidade visível, quer em termos compositivos, lembra-me obras de Bastien-Lepage. Sempre achei errado que outros artistas estivessem expostos e os portugueses ficassem nas reservas. Fiquei feliz quando ontem me apercebi que esta obra de Sousa Pinto chamou a atenção de alguém que fez uma exposição sobre Bastien-Lepage, em Paris, e assim ganhou o direito de ter o reconhecimento que merece. É que, se o final do Século XIX e o início do Século XX, em Portugal, não trouxeram à arte europeia grande inovação - até à obra de Amadeu de Sousa Cardoso - existiram no nosso país bons pintores, que não ficavam atrás de outros artistas famosos na época e que têm sido agora mais respeitados. Além de Sousa Pinto, ou de Columbano, cito sobretudo Henrique Pousão.
Sendo amanhã o dia dos Museus, é bom lembrar a arte portuguesa. E é também importante lembrar o Museu de Arte Popular que está fechado, mas que se quer reaberto.
Como escreveu Joel Serrão:
«Em última instância, a política postula uma tomada de posição acerca dos fins da vida humana e acerca do que se deve entender por «homem» e pelo seu bem».
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Margarida Elias.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Um gatinho com algo para contar

Fotografia de Margarida Elias (2009).
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Este gatinho tem cerca de 1 mês. Quinze dias depois de ele nascer, a mãe dele desapareceu. Os donos tentaram dar-lhe leite normal, mas ficou doente. Chorava muito. Arranjou-se leite próprio para gatos bebés e deu-se-lhe leite com um biberão. Pouco tempo depois, a irmã dele, mais velha, que estava grávida (teve dois gatinhos) adoptou-o. E ele agora anda por aí cheio de energia!
É um sobrevivente.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Santuário de Fátima

Fotografia de Margarida Elias, Santuário de Fátima (2009).
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«Ergue-se no local onde, em 13 de Maio de 1917, os três pastorinhos brincavam "a fazer uma paredita", quando, de repente, viram um relâmpago que os assustou e fez com que juntassem o rebanho para regressarem a casa. O projecto foi concebido pelo arquitecto holandês Gerard Van Kriechen e continuado pelo arquitecto João Antunes. Em 13 de Maio de 1928 foi benzida a primeira pedra pelo arcebispo de Évora, D. Manuel da Conceição Santos. A sagração foi a 7 de Outubro de 1953. O título de "Basílica" foi-lhe concedido por Pio XII, no breve "Luce Superna", de Novembro de 1954».
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terça-feira, 12 de maio de 2009

Portal da Igreja de São Pedro

Fotografia de Margarida Elias, Pormenor do Portal da Igreja de São Pedro (Torres Vedras, 2009).
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Igreja de São Pedro: «Classificada monumento nacional, reconstruída no século XVI, fachada com um portal tipo manuelino com decoração de influência renascentista que é encimado pelas armas de D. João Ill e de D. Catarina de Áustria».
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Câmara Municipal de Torres Vedras.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

A pedra

Fotografia de Margarida Elias, Castelo de Óbidos (Maio, 2009).
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«La piedra es, para Pikionis, un elemento metafísico en sí misma; más allá de la propria estructura formal y de la escala, la piedra contiene una gran lección: "Los bordes de tu perfil se convierten en laderas de una colina, en crestas de una montaña, en declives y precipicios abisales, tus huecos son grutas, y de las grietas de la roca rosácea fluye silente el agua. En la Parte se esconde el Todo. Y el Todo es la Parte. Tú, piedra, trazas el diagrama de un paisaje. Eres el paisaje mismo. Aún más, eres el Templo que coronorá los peñascos de tu Acrópolis" (...)».
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Pikionis (1935), citado por Darío Álvarez.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

A Lua e o Sol

Desenho de Margarida Elias.
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«Cést en corrélation avec celui du soleil que se manifeste le symbolisme de la lune. Ses deux caractères les plus fondamentaux dérivent, d'une part, de ce que la lune est privée de lumiére propre et n'est qu'un reflet du soleil, d'autre part, de ce qu'elle traverse des phases différentes et change de forme. (...) elle symbolise la dépendence et le principe féminin (...), ainsi que la périodicité et le renouvellement. A ce double titre, elle est symbole de transformation et de croissance (...)».
«Le soleil est la source de la lumière, de la chaleur et de la vie. Ses rayons figurent les influences célestes (...) reçues par la terre. (...)».
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Jean Chevalier e Alain Gheerbrant.
(1982, Dictionnaire des Symboles).

quinta-feira, 7 de maio de 2009

O branco

Ícone da Transfiguração (Século XVI, Museu do Hermitage, São Petersburgo).
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«Le blanc, couleur iniciatrice, devient, dans son acception diurne, la couleur de la révélation, de la grâce, de la transfiguration qui éblouit, éveillant l'entendement en même temps qu'il le dépasse: c'est la couleur de la théophanie dont un reste demeurera autour de la tête de tous ceux qui ont connu Dieu, sous la forme d'une auréole de lumière qui est bien la somme des couleurs».
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Jean Chevalier e Alain Gheerbrant.
1982, Dictionnaire des Symboles.